1 00:00:06,000 --> 00:00:08,000 Uma equipe internacional de astrônomos 2 00:00:08,000 --> 00:00:10,000 usando o Very Large Telescope do ESO 3 00:00:10,000 --> 00:00:14,000 mediu a distância da mais remota galáxia conhecida até agora. 4 00:00:14,000 --> 00:00:18,000 Foi a primeira vez que os astrônomos foram capazes de confirmar 5 00:00:18,000 --> 00:00:23,000 que estão observando uma galáxia como ela era na época da reionização, 6 00:00:23,000 --> 00:00:26,000 quando a primeira geração de estrelas brilhantes 7 00:00:26,000 --> 00:00:28,000 estava tornando o universo transparente 8 00:00:28,000 --> 00:00:30,000 e encerrando a Idade das Trevas cósmica. 9 00:00:36,000 --> 00:00:38,000 Este é o ESOcast! 10 00:00:38,000 --> 00:00:42,000 Ciência de vanguarda e a vida nos bastidores do ESO, 11 00:00:42,000 --> 00:00:44,000 o European Southern Observatory. 12 00:00:44,000 --> 00:00:50,000 Explorando a fronteira final com nosso apresentador, Dr.J, o Dr. Joe Liske. 13 00:00:54,000 --> 00:00:56,000 Olá, e bem-vindos ao ESOcast! 14 00:00:56,000 --> 00:00:59,000 Neste episódio vamos descobrir como uma equipe de astrônomos, 15 00:00:59,000 --> 00:01:02,000 usando o Very Large Telescope (VLT) do ESO 16 00:01:02,000 --> 00:01:05,000 para confirmar que uma galáxia previamente observada 17 00:01:05,000 --> 00:01:08,000 em imagens do Hubble Space Telescope da NASA/ESA 18 00:01:08,000 --> 00:01:13,000 é de fato o mais distante objeto jamais identificado no universo. 19 00:01:15,000 --> 00:01:18,000 Estudar essas galáxias primitivas é extremamente difícil. 20 00:01:18,000 --> 00:01:20,000 Elas são muito pálidas e pequenas 21 00:01:20,000 --> 00:01:23,000 e quando sua fraca luz chega na Terra 22 00:01:23,000 --> 00:01:26,000 ela recai principalmente na parte infravernelha do espectro, 23 00:01:26,000 --> 00:01:30,000 tendo sido estendida pela expansão do universo. 24 00:01:33,000 --> 00:01:36,000 Para piorar, nessas épocas tão primitivas, 25 00:01:36,000 --> 00:01:38,000 menos de um bilhão de anos depois do Big Bang, 26 00:01:38,000 --> 00:01:41,000 o universo ainda não era completamente transparente. 27 00:01:41,000 --> 00:01:44,000 Era preenchido por hidrogênio, criando uma espécie de névoa 28 00:01:44,000 --> 00:01:47,000 e absorvendo a radiação ultravioleta das jovens galáxias. 29 00:01:48,000 --> 00:01:51,000 Assim, deter o record por ter medido o desvio para o vermelho 30 00:01:51,000 --> 00:01:53,000 do mais distante objeto do universo 31 00:01:53,000 --> 00:01:55,000 não é apenas um troféu para pendurar na parede, 32 00:01:55,000 --> 00:01:59,000 pois isso tem importantes implicações astrofísicas. 33 00:01:59,000 --> 00:02:02,000 É a primeira vez que conseguimos obter observações espectroscópicas 34 00:02:02,000 --> 00:02:05,000 de uma galáxia na época da reionização, 35 00:02:05,000 --> 00:02:07,000 em outras palavras, do tempo em que o universo 36 00:02:07,000 --> 00:02:10,000 estava ainda sendo limpo da névoa de hidrogênio. 37 00:02:17,000 --> 00:02:21,000 A despeito das dificuldades de se encontrar essas galáxias primitivas, 38 00:02:21,000 --> 00:02:25,000 a nova Wide Field Camera 3 do Hubble Space Telescope da NASA/ESA 39 00:02:25,000 --> 00:02:31,000 descobrira em 2010 diversas boas candidatas. 40 00:02:31,000 --> 00:02:34,000 Pensou-se que elas seriam galáxias do universo primitivo, 41 00:02:34,000 --> 00:02:36,000 com desvios para o vermelho maiores do que 8, 42 00:02:36,000 --> 00:02:40,000 mas confirmar a distância de objetos tão pálidos e remotos 43 00:02:40,000 --> 00:02:42,000 representa um enorme desafio 44 00:02:42,000 --> 00:02:45,000 e só se torna confiável usando-se a espectrografia 45 00:02:45,000 --> 00:02:48,000 possível com grandes telescópios terrestres. 46 00:02:50,000 --> 00:02:52,000 A equipe ficou excitada ao descobrir 47 00:02:52,000 --> 00:02:55,000 que se combinamos o enorme poder de captação de luz do VLT, 48 00:02:55,000 --> 00:02:59,000 com a sensibilidade de seu instrumento de espectrografia em infravermelho, o SINFONI, 49 00:02:59,000 --> 00:03:02,000 e se depois usamos um longo tempo de exposição, 50 00:03:02,000 --> 00:03:05,000 podemos detectar o pálido brilho 51 00:03:05,000 --> 00:03:07,000 de um desses objetos remotíssimos, 52 00:03:07,000 --> 00:03:10,000 e então podemos medir sua distância. 53 00:03:11,000 --> 00:03:15,000 Uma exposição de 16 horas com o VLT e o SINFONI 54 00:03:15,000 --> 00:03:20,000 tendo como alvo a galáxia UDFy-38135539 55 00:03:20,000 --> 00:03:26,000 realmente mostrou o fraquíssimo brilho do hidrogênio com um desvio para o vermelho de 8,6, 56 00:03:26,000 --> 00:03:28,000 o que significa que esta luz deixou a sua galáxia de origem 57 00:03:28,000 --> 00:03:32,000 quando o universo tinha apenas cerca de 600 milhões de anos. 58 00:03:32,000 --> 00:03:37,000 Esta é a galáxia mais distante cuja confirmação é confiável. 59 00:03:40,000 --> 00:03:42,000 Uma das coisas estranhas a respeito desta descoberta 60 00:03:42,000 --> 00:03:44,000 é que a radiação ultravioleta emitida pela galáxia 61 00:03:44,000 --> 00:03:46,000 não parece realmente ser forte o bastante 62 00:03:46,000 --> 00:03:50,000 para limpar a névoa de hidrogênio ao seu redor. 63 00:03:51,000 --> 00:03:54,000 Assim, uma explicação possível é que deve haver outras galáxias, 64 00:03:54,000 --> 00:03:56,000 provavelmente mais fracas e menos massivas nas redondezas, 65 00:03:56,000 --> 00:04:00,000 que ajudaram a ionizar o hidrogênio da região do espaço em torno da galáxias, 66 00:04:00,000 --> 00:04:02,000 tornando-a transparente. 67 00:04:02,000 --> 00:04:04,000 Sem esta ajuda adicional 68 00:04:04,000 --> 00:04:06,000 a luz da galáxia principal 69 00:04:06,000 --> 00:04:09,000 teria ficado presa na névoa de hidrogênio em torno 70 00:04:09,000 --> 00:04:14,000 e não poderia ter iniciado sua jornada de 13 bilhões de anos até a Terra. 71 00:04:16,000 --> 00:04:18,000 Estudar a época da reionização 72 00:04:18,000 --> 00:04:20,000 e a formação das primeiras galáxias 73 00:04:20,000 --> 00:04:22,000 realmente leva as capacidades 74 00:04:22,000 --> 00:04:24,000 dos atuais telescópios e instrumentos aos seus limites. 75 00:04:25,000 --> 00:04:28,000 Mas será exatamente neste tipo de ciência 76 00:04:28,000 --> 00:04:32,000 em que o European Extremely Large Telescope do ESO brilhará. 77 00:04:32,000 --> 00:04:33,000 Quando iniciar suas operações 78 00:04:33,000 --> 00:04:37,000 será o maior telescópio óptico e infravermelho do mundo. 79 00:04:37,000 --> 00:04:40,000 Eu sou Dr.J, despedindo-me do ESOcast. 80 00:04:40,000 --> 00:04:44,000 Junte-se a mim da próxima vez para mais uma aventura cósmica. 81 00:04:46,000 --> 00:04:49,000 O ESOcast é uma produção do ESO, o European Southern Observatory. 82 00:04:50,000 --> 00:04:53,000 ESO, o European Southern Observatory, é a mais destacada organização intergovernamental de ciência e tecnologia em astronomia, 83 00:04:53,000 --> 00:04:56,000 projetando, construindo e operando os mais avançados telescópios terrestres do mundo. 84 00:04:59,000 --> 00:05:04,000 Transcrição: ESO. Tradução: Ricardo André Frantz. 85 00:05:11,000 --> 00:05:14,000 Agora que você já conhece o ESO, 86 00:05:16,000 --> 00:05:19,000 "saia deste mundo" com o Hubble. 87 00:05:22,000 --> 00:05:25,000 O Hubblecast destaca as mais recentes descobertas 88 00:05:25,000 --> 00:05:29,000 do mais afamado e premiado observatório orbital, 89 00:05:30,000 --> 00:05:34,000 o Hubble Space Telescope da NASA/ESA.