Foto da Semana

27 de Agosto de 2012

A noite chega ao Paranal

Imagine que você acabou de assitir um pôr do sol magnífico no alto do Cerro Paranal. À medida que o deserto do Atacama desaparece silenciosamente na noite, o Very Large Telescope do ESO (VLT) abre os seus poderosos olhos ao Universo. Com este espectacular panorama de 360 graus, podemos imaginar o que veríamos se nos encontrássemos no local, perto da limite sul da plataforma do VLT.

Em primeiro plano, o quarto dos Telescópios Auxiliares do VLT (sigla do inglês AT4) está a abrir. À esquerda, o Sol já se pôs sob o oceano Pacífico - coberto de nuvens abaixo da altitude do Paranal, como de costume. Ao longo da plataforma, os outros três Telescópios Auxiliares podem ser vistos em frente aos enormes edifícios dos quatro telescópios de 8,2 metros do VLT. Finalmente, a Residencia e as outras infraestruturas do acampamento base também se avistam a curta distância, próximo do canto direito da imagem.

Quando a noite começa, imagine-se imerso num silêncio absoluto, dificilmente interrompido pelo vento ou algum movimento sutil destas máquinas gigantes. É difícil de acreditar que uma intensa atividade se processa no Edifício de Controle do VLT, situado no declive da montanha, por baixo do nível da plataforma, em direção ao pôr do Sol. Aqui os astrônomos e os operadores de telescópios começam as primeiras observações da noite.

Links


20 de Agosto de 2012

Uma estrela guia laser varre o céu estrelado

Um poderoso raio laser do Very Large Telescope (VLT) do ESO pinta o céu noturno sobre o deserto chileno do Atacama nesta bela imagem obtida por Julien Girard. A rotação da Terra durante os 30 minutos da exposição - e o movimento que o laser executa para compensar este efeito - são a razão para o raio aparecer alargado. É também por isso que as estrelas se esticam em traços curvos, revelando sutis diferenças de cor.

O laser é utilizado para criar um ponto de luz - uma estrela artificial - ao fazer brilhar átomos de sódio que se encontram a 90 quilômetros de altitude na atmosfera terrestre. As medições desta chamada estrela guia são usadas para corrigir as imagens astronômicas que aparecem desfocadas devido ao efeito de distorção da atmosfera - uma técnica conhecida como óptica adaptiva. Embora se utilizem estrelas brilhantes verdadeiras para a óptica adaptativa, uma estrela guia laser pode ser colocada no local desejado, o que significa que a óptica adaptativa pode ser usada para alvos em todo o céu.

As quatro grandes cúpulas dos telescópios de 8,2 metros do VLT podem ser vistas na imagem, junto com o menor VLT Survey Telescope (VST) ao fundo. Julien é um astrônomo do ESO que trabalha no Chile, no VLT. Na noite em que tirou esta fotografia, estava a trabalhar como astrônomo de suporte no telescópio mais à direita e aproveitou a oportunidade para colocar a sua máquina fotográfica num tripé, antes de voltar à sala de controlo para fazer as observações.

Os movimentos das cúpulas dos telescópios durante a longa exposição também aparecem desfocados e podemos igualmente observar pequenos traços de luz, feitos por pessoas que atravessam a plataforma entre os telescópios.

Julien submeteu esta fotografia no grupo Flick Your ESO Pictures. O grupo Flick é visto regularmente e as melhores fotografias são selecionadas para a nossa popular série A Fotografia da Semana, ou para a nossa galeria. Em 2012 e no âmbito do 50º aniversário do ESO, também aceitamos de bom grado as vossas fotografias históricas relacionadas com o ESO.

Links


13 de Agosto de 2012

Orion olha pelo ALMA

De guarda às antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), Orion, o caçador, brilha no alto do céu nocturno chileno. Com a sua característica forma em ampulheta e as três estrelas brilhantes do cinturão de Orion no centro, a constelação é facilmente reconhecível. Tirada a partir do hemisfério sul, esta imagem mostra a espada de Orion por cima do cinturão. A espada alberga um dos objetos celestes mais extraordinários - a Nebulosa de Orion - que vemos como a "estrela" do meio na espada, sendo a sua nebulosidade visível a olho nu sob boas condições de observação.

As três antenas ALMA visíveis na imagem representam apenas uma fração da rede ALMA completa, que é constituída por um total de 66 antenas. O ALMA combina os sinais das antenas, separadas por distâncias que vão até 16 quilómetros, formando um único telescópio gigante, através da técnica chamada interferometria. Embora a construção não esteja completa senão em 2013, no final de 2011 observações científicas preliminares começaram a fazer-se com uma rede parcial de antenas.

A 5000 metros de altitude no planalto do Chajnantor, no sopé dos Andes chilenos, uma das regiões mais áridas do mundo, o ALMA tem garantidas excelentes condições de observação. Um local seco e alto tal como o Chajnantor é absolutamente necessário, uma vez que o vapor de água e o oxigénio na atmosfera terrestre absorvem os comprimentos de onda da radiação no milímetro e no submilímetro, nos quais o ALMA foi concebido para observar.

Nesta fotografia, as antenas estão a ser testadas na Infraestrutura de Suporte às Operações, situada a uma altitude um pouco mais baixa, a 2900 metros. Uma vez testadas e completamente equipadas, as antenas serão então transportadas para o cimo do planalto do Chajnantor para começarem a trabalhar.

Esta imagem foi obtida por Adrian Russell, que submeteu a fotografia no grupo Flick Your ESO Pictures. O grupo Flick é visto regularmente e as melhores fotografias são selecionadas para fazerem parte da nossa popular série Fotografia da Semana ou da nossa galeria. Em 2012 e no âmbito do 50º aniversário do ESO, aceitamos igualmente de bom grado as vossas imagens históricas relacionadas com o ESO.

O ALMA, uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

Links


6 de Agosto de 2012

Desde um caminho de terra batida até ao observatório líder mundial

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Foto da Semana especial de comparação "Ontem e Hoje", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos escritórios do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Este par de fotografias mostra uma panorâmica da entrada do Observatório do Paranal, no norte do Chile, na direção do cume do Cerro Paranal, tal qual como o local era em 1987 e como é hoje em dia.

A região do Cerro Paranal foi pela primeira vez inspecionada, como possível local para o futuro Very Large Telescope (VLT), em 1983 por uma equipe que incluía o então Diretor Geral do ESO, Lodewijk Woltjer (ver a revista The Messenger, nº 64, pág. 5-8 para mais informações). Em 1987 foi construída uma estrada de terra batida até ao cume e estabelecida nesse sítio uma estação permanente para monitorizar as condições do local. A fotografia histórica mostra uma imagem dessa época.

Os resultados dos testes do local foram extremamente bons - as condições eram claramente melhores do que as do Observatório de La Silla do ESO, como também as de outros locais que estavam sendo estudados para o mesmo efeito. Estes resultados levaram assim à decisão de colocar o VLT no Paranal, decisão essa que foi tomada pelo Conselho do ESO em dezembro de 1990 (ver eso9015).

Muito mudou no Paranal nos 25 anos desde que a fotografia histórica foi tirada. O cume da montanha foi nivelado e construiu-se uma estrada de boa qualidade, e claro, os telescópios do observatório foram também construídos. O observatório completo e totalmente operacional pode ser visto na fotografia atual. No cume encontram-se os quatro telescópios de 8,2 metros que compõem o VLT, assim como os quatro telescópios auxiliares menores, de 1,8 metros, utilizados para a interferometria. Encontra-se também instalado neste local o VLT Survey Telescope de 2,6 metros. Na região do portão foram erguidos muitos edifícios que formam o campo base do observatório. Para uma vista na direção oposta, do cume da montanha para baixo, para o campo base, veja a Foto da Semana potw1230. 

Links


30 de Julho de 2012

Casulo vermelho abriga estrelas jovens

Na Terra os casulos estão associados a vida nova. Também há "casulos" no espaço, mas em vez de protegerem larvas à medida que se estas transformam em borboletas, são os locais de nascimentos de novas estrelas.

A nuvem vermelha que vemos na imagem, obtida com o instrumento EFOSC2 montado no New Technology Telescope do ESO, é um exemplo perfeito de uma destas regiões de formação estelar. É uma imagem de uma nuvem chamada RCW 88, situada a cerca de dez mil anos-luz de distância e com uma dimensão de cerca de nove anos-luz. Não é feita de seda, como o casulo de um bicho-da-seda, mas sim de hidrogênio gasoso brilhante que rodeia as estrelas recém-formadas. As novas estrelas formam-se de nuvens de hidrogênio à medida que estas colapsam sob o efeito da sua própria gravidade. Algumas das estrelas mais desenvolvidas, que já brilham intensamente, podem ser vistas espiando pela nuvem.

Estas estrelas jovens quentes são muito energéticas e emitem enormes quantidades de radiação ultravioleta, o que faz com que os elétrons se libertem dos átomos de hidrogênio da nuvem, deixando apenas os núcleos positivamente carregados - os prótons. À medida que os elétrons são recapturados pelos prótons, emitem radiação H-alfa, a qual tem um brilho vermelho bastante característico.

Observar o céu através de um filtro H-alfa é o modo mais simples dos astrônomos descobrirem estas regiões de formação estelar. Um filtro H-alfa foi um dos quatro filtros utilizados para produzir esta imagem. 


23 de Julho de 2012

O campo base do Paranal visto de cima

Olhando para baixo a partir do excelente mirante que nos proporciona o Very Large Telescope do ESO no Cerro Paranal, no deserto chileno do Atacama, podemos ver estender-se aos nossos pés o campo base do observatório. A Residencia Paranal, um porto seguro para os que trabalham na montanha, pode ser vista próximo do centro da imagem, com a caraterística cúpula do seu telhado. À esquerda da Residencia, do outro lado da estrada, encontra-se o ginásio do campo base e à esquerda está o Edifício de Manutenção dos Espelhos (MMB sigla do inglês Mirror Maintenance Building), onde os enormes espelhos do VLT são periodicamente limpos e se lhes aplica as camadas protetoras. Por trás do MMB encontra-se a central elétrica do local e mais à esquerda podemos ver o edifício das oficinas mecânicas. Subindo pela montanha acima, em primeiro plano, vemos o Caminho das Estrelas, uma trilha de caminhada que vai desde a Residencia até ao topo da montanha.

O Sol pôs-se há um quarto de hora antes desta fotografia ter sido tirada, deixando o campo base banhado por uma bonita luz alaranjada. Este crepúsculo cria ligeiras sombras que dão à montanha grande profundidade. Esta vista apenas pode ser observada do Paranal durante as chamadas "horas douradas", antes ou depois do pôr do Sol já que, durante o dia, a luz direta do Sol resulta em contrastes de luz muito intensos.

Esta fotografia panorâmica foi criada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Gerhard Hüdepohl.

Links


16 de Julho de 2012

Deslocando uma antena do ALMA

Esta fotografia mostra uma das antenas europeias de 12 metros de diâmetro do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sendo deslocada na Infraestrutura de Suporte às Operações do projeto. Desde que esta fotografia foi tirada, esta antena, e outras como ela, foram postas em operação, quando o ALMA começou as observações científicas com uma rede parcial (ver eso1137). Mais recentemente, o período de apresentação de Propostas para a nova fase de observações do ALMA terminou na quinta-feira, 12 de Julho. Foram recebidas mais de 1100 propostas vindas de astrônomos de todo o mundo.

O ALMA faz as suas observações do planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros. Assim que a construção estiver completa, o ALMA será uma rede de 66 antenas de alta precisão, com 12 e 7 metros de diâmetro, espalhadas por distâncias que vão até aos 16 quilômetros, trabalhando em conjunto como se fossem um único telescópio, nos comprimentos de onda de 0,32 a 3,6 milímetros. Mais de metade das 66 antenas já estão no Chajnantor (ver ann12035). Vinte e cinco antenas ALMA são fornecidas pelo ESO através de um contrato com o consórcio europeu AEM, 25 antenas são fornecidas pela América do Norte e 16 pelo Leste Asiático.

As antenas, cada uma pesando cerca de 100 toneladas, são montadas e testadas na Infraestrutura de Suporte às Operações, situada na região do Atacama do Chile, a uma altitude de 2900 metros. As antenas são depois levadas para o planalto do Chajnantor, 5000 metros acima do nível do mar, com a ajuda de dois transportadores especialmente concebidos para o efeito - veículos enormes com 28 pneus, 10 metros de largura, 20 de comprimento e 6 de altura, que pesam 130 toneladas e têm tanta potência como dois motores de carros de Fórmula 1. Um dos transportadores, chamado Otto, pode ser visto nesta fotografia, tirada quando a primeira antena europeia foi entregue ao observatório em Abril de 2011.

O ALMA, uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA. 


9 de Julho de 2012

De volta à Nebulosa Pata de Gato

A Nebulosa Pata de Gato foi revisitada, numa combinação de exposições obtidas com o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, pelos astrônomos amadores Robert Gendler e Ryan M. Hannahoe. A forma característica da nebulosa aparece revelada nas nuvens avermelhadas de gás brilhante observadas sob um fundo de céu escuro polvilhado de estrelas.

A imagem foi criada combinando observações já existentes do telescópio MGP/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla no Chile (ver Foto de Imprensa do ESO eso1003) com imagens obtidas por Gendler e Hannahoe em um telescópio de 0,4 metros, totalizando 60 horas de exposição.

A resolução das observações obtidas pelo telescópio MGP/ESO de 2,2 metros foi combinada (utilizando a sua "luminância" ou brilho) com a informação de cor das observações de Gendler e Hannahoe, produzindo uma bela combinação de dados obtidos por telescópios amadores e profissionais. Por exemplo, a informação adicional sobre as cores mostra a tênue nebulosidade azul na região central, a qual não era observada na imagem original do ESO, enquanto que os dados do ESO contribuem com maiores detalhes. O resultado é uma imagem melhor que apenas a soma das várias partes.

A Nebulosa Pata de Gato (também conhecida como NGC 6334) situa-se na constelação do Escorpião. Embora pareça situar-se próxima do centro da Via Láctea no céu, encontra-se na verdade relativamente próxima da Terra, a uma distância de cerca de 5500 anos-luz. Com uma dimensão de cerca de 50 anos-luz, esta nebulosa é uma das regiões de formação estelar mais ativas da nossa galáxia, contendo estrelas brilhantes azuis jovens de elevada massa, que se formaram nos últimos milhões de anos. Abriga possivelmente dezenas de milhares de estrelas no total, algumas visíveis e outras ainda escondidas nas nuvens de gás e poeira. 

Links


2 de Julho de 2012

Um oásis para os astrônomos - a Residência Paranal do ESO Ontem e Hoje

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Foto da Semana especial de comparação "Ontem e Hoje", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos escritórios do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Desde Fevereiro de 2002 (ver eso0205), que a Residência Paranal tem abrigado o pessoal que trabalha no observatório principal do ESO. É no Paranal, no deserto do Atacama do Chile, que está localizado o Very Large Telescope (VLT). Este mês, as nossas fotografias do Ontem e Hoje - ambas tiradas pelo Embaixador Fotográfico Gerhard Hüdepohl - mostram-nos uma vista única de como foi construído este oásis no deserto.

A fotografia histórica mostra a Residência em construção no final de 2000. O edifício foi desenhado pela empresa alemã Auer+Weber e baseia-se numa forma em L subterrânea. Os materiais de construção têm a mesma cor do deserto, para ajudar o edifício a integrar-se na paisagem circundante. A área central da Residência, parcialmente completa, assemelha-se a um anfiteatro, com degraus de pedra a céu aberto.

Hoje, a Residência tem um ar completamente diferente! Apesar de ser um edifício subterrâneo, o design característico do edifício cria um interior que transmite a sensação de espaço aberto. O hall central encontra-se protegido por uma cúpula de cristal com 35 metros de diâmetro, a qual permite que a luz natural invada o edifício. O anfiteatro de 2000 transformou-se num luxuriante jardim tropical, com uma piscina na região mais baixa. Tanto o jardim como a piscina foram desenhados no intuito de aumentarem a umidade no interior, permitindo ao pessoal que aqui trabalha recuperar das condições extremamente áridas do exterior, um dos locais mais secos da face da Terra.

Graças ao design único da Residência, a sua fama espalhou-se para além do mundo da Astronomia. Por exemplo em 2008, foram aqui filmadas cenas para o filme de James Bond, Quantum of Solace, onde a Residência era o hotel "Perla de las Dunas" [1]. Em 2009, a Residência foi selecionada como um dos "dez edifícios top da década" pelo jornal Guardian do Reino Unido (ver ann0940) e em 2012, o Observatório do Paranal, juntamente com a Residência, fez parte da campanha publicitária da Land Rover "Perfect Places" (ver ann12008).

Notas

[1] Para mais informações sobre James Bond no Cerro Paranal ver eso0807, eso0838 e http://www.eso.org/public/outreach/bond/BondatParanal.html

Links

Imagem histórica
Imagem atual
Composição lado a lado das imagens histórica e atual
Embaixadores Fotográficos do ESO 


25 de Junho de 2012

Marte, 2099?

Numa noite escura e fria em Marte, no meio de um deserto árido, uma estrada estreita iluminada por luzes artificiais serpenteia até a um posto humano avançado no cume de uma velha montanha. Ou, pelo menos, é o que um fã de ficção científica poderia pensar desta imagem quase extraterrestre.

Na realidade, a fotografia mostra o Observatório do Paranal do ESO, local do Very Large Telescope (VLT), na Terra. No entanto, é fácil imaginá-la como uma imagem futura de Marte, talvez no final do século. Por isso mesmo é que Julien Girard, o autor da fotografia, lhe deu o nome de Marte 2099.

Situado a 2600 metros de altitude, o Observatório do Paranal encontra-se numa das regiões mais secas e desoladas da Terra, no deserto do Atacama do Chile. A paisagem é tão "marciana", que a Agência Espacial Europeia (ESA) e a NASA testam os rovers marcianos nesta região. Como exemplo, uma equipe da ESA acaba de testar neste local o rover autônomo Seeker, tal como anunciado em ann12048.

Esta imagem foi obtida ao pôr do Sol, na direção do VLT, para sudoeste, a partir do telescópio de rastreio VISTA, que se situa num pico adjacente. A oeste temos o Oceano Pacífico, situado a apenas 12 quilômetros do Paranal. Por cima do pico do Paranal, podemos observar a Via Láctea, com a marca inconfundível do céu austral - o Cruzeiro do Sul.

No Paranal, os céus podem ser tão límpidos e escuros em noites sem Lua, que a luz da Via Láctea é suficiente para formar sombras. Esta é a razão pela qual o ESO escolheu este local para instalar o VLT, beneficiando o observatório das melhores condições de observação em todo o mundo.

Julien Girard é um astrônomo do ESO que trabalha no Chile, no VLT. Julien submeteu esta fotografia no grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para divulgação na nossa popular série "Foto da Semana", ou na galeria. Em 2012, no âmbito do 50º aniversário do ESO, damos igualmente destaque às vossas fotografias históricas relacionadas com o ESO. 

Links

 


18 de Junho de 2012

O Laser do Yepun e as Nuvens de Magalhães

Um dos maiores inimigos dos astrônomos é a atmosfera terrestre, que faz com que os objetos celeste apareçam desfocados quando observados por telescópios colocados no solo. Para minimizar este efeito, os astrônomos usam uma técnica chamada óptica adaptativa, na qual espelhos deformáveis controlados por computador são ajustados centenas de vezes por segundo de modo a corrigir a distorção causada pela atmosfera.

Esta imagem espetacular mostra Yepun [1], o quarto telescópio de 8,2 metros do Very Large Telescope do ESO (VLT), lançando um poderoso raio laser amarelo para o céu. O raio cria um ponto brilhante - uma estrela artificial - na atmosfera terrestre ao excitar uma camada de átomos de sódio a uma altitude de 90 km. Esta Estrela Guia Laser (LGS, sigla do inglês Laser Guide Star) faz parte do sistema de óptica adaptativa do VLT. A radiação refletida da estrela artificial é utilizada como referência para controlar os espelhos deformáveis e remover os efeitos das distorções atmosféricas, produzindo assim imagens astronômicas quase tão nítidas como se o telescópio estivesse no espaço.

O laser do Yepun não é a única coisa que brilha intensamente no céu. A Grande e Pequena Nuvens de Magalhães podem ser observadas, à esquerda e à direita do raio laser, respectivamente. Estas galáxias anãs irregulares próximas são objetos bastante proeminentes no hemisfério sul, podendo ser facilmente observadas a olho nu. A estrela brilhante na Grande Nuvem de Magalhães trata-se de Canopus, a estrela mais brilhante da constelação Carina, enquanto que a estrela que se encontra na parte superior direita da imagem é Achernar, a estrela mais brilhante na constelação Erídano.

Esta imagem foi obtida por Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO.

Notas

[1] Os quatro telescópios do VLT têm nomes de objetos celestes na língua indígena mapuche, o mapudungun. Os telescópios chamam-se: Antu (UT1, o Sol), Kueyen (UT2, a Lua), Melipal (UT3, o Cruzeiro do Sul) e Yepun (UT4, Vênus).

Links


11 de Junho de 2012

A Via Láctea em Cascata

Muitas fotografias astronômicas captam imagens extraordinárias do céu, e esta não é exceção. Há, no entanto, algo incomum neste panorama. Por trás do Very Large Telescope (VLT) do ESO, duas correntes de estrelas parecem descer tal qual quedas d'água, ou talvez subir como colunas de fumaça em direção aos céus. Este efeito deve-se ao fato do panorama capturar toda a abóbada celeste, desde o zênite até ao horizonte, em 360º completos. As duas correntes são, de fato, uma faixa única: o plano da nossa Galáxia, a Via Láctea, à medida que atravessa o céu de horizonte a horizonte. Quando passa por cima de nós, parece espalhar-se ao longo de toda a região superior do panorama, devido à distorção que é necessária para contermos toda a abóbada celeste numa imagem plana retangular.

Para entendermos melhor a imagem, imaginemos que a extrema esquerda está ligada à extrema direita, criando um arco à nossa volta, e que a parte de cima está toda contida num único ponto por cima de nós, ou seja, corresponde a toda a abóbada celeste que se encontra em cima.

Na parte esquerda da imagem, a silhueta da biruta do observatório pode ser vista por cima do edifício. À esquerda da biruta está uma mancha brilhante que é a Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea. À direita, no plano da Via Láctea, podemos ver o brilho avermelhado da Nebulosa Carina e por cima desta encontra-se a escuridão correspondente à Nebulosa Saco de Carvão, próxima do Cruzeiro do Sul. Um pouco mais para cima vemos as duas estrelas brilhantes Alfa e Beta Centauri. Os quatro edifícios altos que se vêem na imagem acolhem os telescópios de 8,2 metros do VLT. Entre os dois telescópios da direita está o edifício menor do VLT Survey Telescope. À direita da imagem, podemos ainda observar o planeta Vênus que brilha logo acima do horizonte.

Este panorama, que mostra não somente o topo do Cerro Paranal, mas também o magnífico céu que o observatório estuda, foi criado pelo Embaixador Fotográfico do ESO Serge Brunier. Assim como a tecnologia de vanguarda do VLT expande a nossa visão do Universo, Serge também utilizou as técnicas fotográficas mais avançadas para capturar um hemisfério completo do céu numa só imagem - muito mais do que os nossos olhos poderiam ver duma só vez.

Links


4 de Junho de 2012

Os computadores do ESO ao longo das décadas - O avanço extraordinário da tecnologia

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Foto da Semana especial de comparação "Ontem e Hoje", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos escritórios do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

O nosso par de fotografias deste mês mostra como o poder computacional aumentou drasticamente ao longo do tempo. Ambas as fotografias mostram o astrônomo austríaco Rudi Albrecht em frente a sistemas de computadores do ESO, mas em datas separadas por décadas.

Na imagem histórica, obtida em 1974 nos escritórios de ESO em Santiago, Chile, podemos ver Albrecht, com um lápis na mão, trabalhando em um código na frente de um teletipo. Albrecht estava desenvolvendo software para o Scanner de Espectro montado no telescópio de 1 metro do ESO [1], situado no Observatório de La Silla. Os dados eram processados em Santiago utilizando um mini-computador Hewlett Packard 2116, o qual se vê por detrás da impressora. Este computador volumoso, com um processador e uns extraordinários 16 kilobytes de memória magnética (!), guardava os resultados em fita magnética, prontos para serem processados em seguida pelos astrônomos visitantes nos computadores das suas instituições de trabalho. Para lidar com arquivos maiores que a memória disponível, Albrecht desenvolveu um sistema de memória virtual, o qual cedeu para o Centro de Software da Hewlett Packard.

A fotografia atual mostra Albrecht no Centro de Dados da Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha, centro este que arquiva e distribui os dados dos telescópios do ESO. Albrecht encontra-se em frente a uma fileira que contém um sistema com 40 processadores, 138 terabytes de capacidade de armazenamento e 83 gigabytes de RAM - ou seja, 5 milhões de vezes mais do que a máquina que utilizava em 1974! Até o tablet que tem na mão é muito mais potente que a antiga máquina, fornecendo uma alternativa moderna ao lápis e ao papel.

Ao longo dos anos, os sistemas computacionais do ESO foram se desenvolvendo de modo a lidar com a quantidade cada vez maior de dados científicos produzidos pelos telescópios do observatório. Avanços na tecnologia ligada aos telescópios, detectores e computadores fazem com que os observatórios produzam agora quantidades enormes de imagens, espectros e catálogos. Por exemplo, os dois telescópios de rastreio no Paranal, o VST e o VISTA, produzem juntos cerca de 100 terabytes de dados por ano. Estamos a milhas dos dias da fita magnética e dos 16 kilobytes de memória!! 

Notas

[1] O telescópio de 1 metro do ESO foi desativado em 1994.



28 de Maio de 2012

A Via Láctea austral por cima do ALMA

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tefreshi, captou esta impressionante imagem das antenas da rede ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), tendo como fundo o esplendor da Via Láctea. A riqueza do céu nesta imagem atesta bem as extraordinárias condições que oferece à astronomia o Planalto do Chajnantor, uma região do Atacama situada a 5000 metros de altitude.

Nesta imagem podemos ver as constelações de Carina e da Vela. As nuvens de poeira da Via Láctea, obscuras e tênues, cruzam a imagem da região superior esquerda à inferior direita. A estrela brilhante de cor laranja, em cima e à esquerda, é Suhail na Vela, enquanto que a estrela também alaranjada no meio em cima é Avior, na Carina. Das três estrelas azuis brilhantes que formam um "L" perto destas estrelas, duas delas pertencem à Vela e a da direita pertence a Carina. E exatamente no centro da imagem por baixo destas estrelas brilha a cor de rosa a Nebulosa Carina (eso1208).

O ESO, parceiro europeu no ALMA, fornecerá 25 das 66 antenas que farão parte do telescópio. As duas antenas mais perto da câmera, onde o leitor mais atento pode ler "DA-43" e "DA-41", são exemplos destas antenas europeias. A construção da rede ALMA estará terminada em 2013, mas o telescópio já se encontra a fazer observações científicas com uma rede parcial de antenas.

Babak Tafreshi é o fundador de O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos do planeta sob um fundo noturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O ALMA, uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA. 


21 de Maio de 2012

Penitentes gelados ao luar em Chajnantor

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou este curioso fenômeno no planalto do Chajnantor, o local onde se encontra instalado o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

Estas estranhas formações de gelo e neve são conhecidas por penitentes (do espanhol). Aqui encontram-se iluminadas pelo luar, sendo a Lua visível no lado direito da fotografia. No lado esquerdo, mais acima no céu, podemos ver a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, enquanto que o brilho avermelhado da Nebulosa Carina aparece ao fundo à esquerda, próximo do horizonte.

Os penitentes são maravilhas naturais típicas de regiões de elevadas altitudes, tais como os Andes chilenos, que se encontram cerca de 4000 metros acima do nível do mar. São finos bicos e lâminas de gelo ou neve dura, que se formam geralmente em grupos, com as lâminas a apontar na direção do Sol. Atingem alturas que vão desde alguns centímetros, assemelhando-se a relva baixa, até a cinco metros, dando a impressão de serem uma floresta de gelo no meio do deserto.

O mecanismo preciso da sua formação ainda não é bem compreendido. Durante muitos anos, os habitantes dos Andes pensavam que os penitentes resultavam dos ventos fortes que se fazem sentir nestas montanhas. No entanto, estes ventos fortes apenas desempenham um pequeno papel na formação destes pináculos gelados. Hoje em dia, crê-se que estas formações resultem da combinação de uma série de fenômenos físicos.

O processo começa com a luz do Sol incidindo na superfície do gelo. Devido às condições extremamente secas do deserto, o gelo sublima em vez de derreter, isto é, passa do estado sólido ao estado gasoso sem derreter e por isso sem passar pela fase de água líquida. Depressões na superfície da neve recolhem e aprisionam a luz solar, levando a uma maior sublimação e depressões ainda mais acentuadas. No seio destas depressões, o aumento da temperatura e da umidade permitem a ocorrência de derretimento. Este feedback positivo acelera o crescimento da estrutura característica dos penitentes.

Estas estátuas geladas têm o nome dos chapéus pontiagudos dos nazarenos, membros da irmandade que participa em procissões de Páscoa por todo o mundo. Não é difícil imaginá-los como uma assembleia de monges gelados, congregados ao luar.

A imagem foi tirada ao lado da estrada que leva ao ALMA. O observatório, que começou as operações científicas preliminares a 30 de Setembro de 2011, irá contar com 66 antenas de alta precisão, que operarão juntas como se fossem um único telescópio.

O ALMA, uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

Links


14 de Maio de 2012

Preparando o VLT para imagens ainda mais nítidas

Esta fotografia mostra um dos telescópios que compõem o Very Large Telescope (VLT), o telescópio 4 (UT4, sigla do inglês), enquanto esteve recentemente nas mãos dos engenheiros do ESO. O telescópio foi rodeado por uma série de andaimes temporários, que faziam parte das preparações para a instalação da nova Infraestrutura de Óptica Adaptativa (AOF, sigla do inglês). Este processo vai converter o UT4 num telescópio completamente adaptativo. A AOF corrigirá os efeitos de imagens difusas e indefinidas devido à atmosfera terrestre e permitirá a obtenção de imagens muito mais nítidas por parte dos instrumentos HAWK-I e MUSE.

Estão a ser acrescentados ao UT4 muitos componentes novos que fazem parte da AOF. Entre eles encontra-se o espelho secundário deformável (DSM, sigla do inglês): um espelho muito fino, com 1,1 metros de diâmetro mas apenas 2 milímetros de espessura. O espelho é suficientemente fino para se deformar facilmente sob a ação de mais de mil atuadores, mais de mil vezes por segundo, de modo a contrabalançar as distorções devidas à atmosfera. O DSM é o maior espelho adaptativo construído até o momento (ann12015). Outro elemento vital é a Infraestrutura de Estrela Guia Laser 4 (4LGSF) - composta por quatro telescópios especiais que disparam raios laser para a alta atmosfera, criando assim estrelas artificiais [1] (ann12012). Finalmente, os módulos de óptica adaptativa GRAAL e GALACSI serão responsáveis por analisar a radiação que nos chega de volta das estrelas guia laser.

Esta fotografia mostra um engenheiro do ESO supervisionando o trabalho que está a ser executado no UT4. Para permitir um completo acesso ao telescópio, a célula do espelho primário foi temporariamente removida. Foram igualmente removidos vários cabos e tubos , tendo sido instalados outros novos. Correias de montagem foram adicionadas em preparação para a instalação dos gabinetes de eletrónica do 4LGSF e dos telescópios de lançamento.

Notas

[1] Os raios laser excitam uma camada de átomos de sódio a uma altitude de 90 quilômetros na atmosfera, fazendo com que estes brilhem como estrelas artificiais. 


7 de Maio de 2012

Três telescópios muito diferentes em La Silla

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Foto da Semana especial de comparação "Ontem e Hoje", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos escritórios do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Estas duas fotografias foram tiradas do pico mais alto de La Silla, uma montanha a uma altitude de 2400 metros, na periferia do deserto do Atacama, no Chile. La Silla foi o local do primeiro observatório do ESO. A fotografia histórica, tirada em 1975, mostra alguns dos caminhões e outros equipamentos utilizados na construção da cúpula do telescópio de 3,6 metros do ESO, o qual estava sendo construído num local atrás do fotógrafo. À esquerda podemos ver os tanques de água que abastecem o local.

Na fotografia atual, aparecem três novos telescópios, todos muito diferentes uns dos outros. À direita dos tanques de água situa-se o New Technology Telescope do ESO (NTT), que começou a operar a 23 de Março de 1989. Este telescópio de 3,58 metros foi o primeiro a possuir um espelho primário controlado por computador, que ajustava a forma do espelho durante as observações de modo a otimizar a qualidade de imagem. A cúpula octogonal que alberga o NTT demonstrou igualmente um considerável avanço na tecnologia, sendo ventilada por um sistemas de aberturas que permite ao ar fluir de modo constante e suave em volta do espelho, reduzindo assim a turbulência e permitindo a obtenção de imagens mais nítidas.

À direita do NTT encontra-se o Telescópio Suíço de 1,2 metros Leonhard Euler, que apresenta uma cúpula mais tradicional. É operado pelo Observatório de Genebra, da Universidade de Genebra, Suíça, e começou a operar a 12 de Abril de 1998. É utilizado para procurar exoplanetas no céu austral; tendo a sua primeira descoberta sido um planeta em órbita da estrela Gliese 86 (ver eso9855). O telescópio observa também estrelas variáveis, explosões de raios gama e núcleos ativos de galáxias.

Em primeiro plano à direita encontra-se um edifício apelidado de sarcófago, o qual abriga o telescópio TAROT (sigla do francês para Télescope à Action Rapide pour les Objets Transitoires), que começou a operar em La Silla a 15 de Setembro de 2006. Este telescópio robótico relativamente pequeno, com apenas 25 centímetros, e extremamente rápido, reage muito depressa a alertas vindos de satélites sobre explosões de raios gama, podendo assim detectar as posições destes eventos extremamente rápidos. A observação destas explosões cósmicas é importante, possibilitando o estudo da formação de buracos negros e da evolução de estrelas no Universo primordial. O TAROT é operado por um consórcio liderado por Michel Boër do Observatoire de Haute Provence, em França.

O NTT é operado pelo ESO, enquanto que o Telescópio Leonhard Euler e o TAROT fazem parte dos projetos nacionais albergados em La Silla. Ainda hoje, 40 anos depois da sua inauguração, La Silla permanece na linha da frente da astronomia.

Links


30 de Abril de 2012

Sol, Lua e telescópios sobre o deserto

A beleza etérea do deserto do Atacama no Chile, local onde está instalado o Very Large Telescope do ESO (VLT), estende-se neste panorama até ao horizonte. Os quatro grandes telescópios do VLT, cada um com um espelho de 8,2 metros de diâmetro, situam-se no Cerro Paranal, o pico mais alto que se vê no centro da imagem. O telescópio de rastreio VISTA encontra-se no pico situado à esquerda do Cerro Paranal. Este telescópio de 4,1 metros mapeia grandes zonas do céu, procurando alvos interessantes que o VLT e outros telescópios, tanto no solo como no espaço, estudarão em grande detalhe.

Esta região oferece algumas das melhores condições de observação do céu noturno de todo o planeta. À direita deste panorama de 360 graus, o Sol está se pondo sobre o Oceano Pacífico, lançando grandes sombras na paisagem. À esquerda, a Lua brilha no céu. Dentro de pouco tempo, começarão as observações noturnas.

Este magnífico panorama foi criado por Serge Brunier, um Embaixador Fotográfico do ESO. Esta é uma das muitas imagens que capturam os observatórios do ESO, os locais onde se encontram instalados e o esplendor dos céus por cima deles.

Links


23 de Abril de 2012

A Lua e o Arco da Via Láctea

O Embaixador Fotográfico do ESO Stéphane Guisard capturou este extraordinário panorama a partir do local do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, nos Andes chilenos. O planalto do Chajnantor, extremamente seco e a 5000 metros de altitude, oferece o sítio perfeito para este telescópio de vanguarda, que estuda o Universo nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro.

Várias antenas gigantes dominam o centro da imagem. Quando o ALMA estiver completo, contará com um total de 54 destas antenas com 12 metros de diâmetro. Por cima da rede de antenas, o arco da Via Láctea torna o fundo resplandecente. Quando este panorama foi fotografado, a Lua encontrava-se próxima do centro da Via Láctea no céu, o luar brilhando sobre as antenas. A Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, as maiores galáxias satélites anãs da Via Láctea, aparecem à esquerda como duas manchas luminosas no céu. Podemos observar o rasto de um meteoro particularmente brilhante, próximo da Pequena Nuvem de Magalhães.

À direita, podem ser vistas algumas nas antenas menores de 7 metros do ALMA, doze das quais serão utilizadas para formar o Atacama Compact Array. Ainda mais à direita brilham as luzes do Edifício Técnico de Operações da Rede. E finalmente, por trás deste edifício está o escuro pico montanhoso do Cerro Chajnantor.

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

Links


16 de Abril de 2012

APEX de sentinela no Chajnantor

O telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) perscruta o céu do Chajnantor durante uma noite iluminada pelo lunar, num dos locais mais altos e secos do planeta onde está instalado um observatório. Tesouros astronômicos enchem o céu por cima do telescópio, testemunhando as excelentes condições de observação que nos oferece esta região do deserto do Atacama, no Chile.

À esquerda brilham as estrelas que compõem a cauda da constelação do Escorpião. O "ferrão" do escorpião está representado pelas duas estrelas brilhantes que se encontram particularmente próximas uma da outra. Ao longo de todo o céu, podemos observar o plano da Via Láctea, que se parece com uma banda de nuvens brilhando tenuamente.

Entre o Escorpião e a constelação seguinte à direita (Sagitário), que está por cima da antena do APEX, podemos ver claramente um brilhante aglomerado de estrelas. Trata-se do aglomerado aberto Messier 7, também conhecido como aglomerado de Ptolomeu. Por baixo de Messier 7 e ligeiramente à direita encontramos o aglomerado da Borboleta, Messier 6. Ainda mais à direita, acima da borda da antena, está uma nuvem difusa mais parecida com um borrão brilhante. É a famosa Nebulosa da Lagoa (ver eso0936 para uma imagem mais detalhada).

Com uma antena de 12 metros de diâmetro, o APEX é o maior telescópio submilimétrico de antena simples a operar no hemisfério Sul. Tal como o nome do telescópio sugere, este instrumento está abrindo caminho para o maior observatório submilimétrico do mundo, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que estará completo em 2013 (eso1137). O APEX partilhará o espaço com as 66 antenas do ALMA no planalto do Chajnantor, situado a 5000 metros de altitude, no Chile. O telescópio APEX baseia-se numa antena protótipo construída para o projeto ALMA, e encontrará muitos alvos que o ALMA poderá depois estudar com grande detalhe.

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi fez este panorama utilizando uma lente telefoto. O Babak é também fundador do The World At Night, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais do mundo mais bonitos e históricos contra um fundo de estrelas, planetas e eventos celestes.

Mais Informação

O APEX é uma colaboração entre o Max-Planck-Institut für Radioastronomie (MPIfR), o Onsala Space Observatory (OSO) e o ESO, com as operações do telescópio a serem levadas a cabo pelo ESO.

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

Links


« Anterior 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 Próximo »
Mostrar 101 até 120 de 149
Bookmark and Share

Veja também