eso1108pt-br — Nota de imprensa científica

O Aglomerado de Galáxias Mais Distante e Evoluído

Jovem mas surpreendentemente crescido

9 de Março de 2011

Os astrônomos utilizaram um arsenal de telescópios, tanto no solo como no espaço, incluindo o Very Large Telescope instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, para descobrir e medir a distância ao aglomerado de galáxias mais distante mas mais evoluído encontrado até agora. Embora este aglomerado se observe quando o Universo tinha menos de um quarto da sua idade atual, o objeto assemelha-me de forma surpreendente aos enxames de galáxias do Universo atual.

“Medimos a distância ao aglomerado de galáxias mais distante mas mais evoluído já encontrado”, diz Raphael Gobat (CEA, Paris),  autor principal  do estudo que utilizou as observações do VLT do ESO. “O surpreendente é que quando o observamos mais detalhadamente, este aglomerado de galáxias não parece ser jovem - muitas das galáxias já evoluíram e não parecem ser galáxias com formação estelar intensa como as que se observam tipicamente no Universo primitivo.”

Os aglomerados de galáxias são as maiores estruturas do Universo que se mantêm coesas devido à força da gravidade. Os astrônomos pensam que estes aglomerados crescem ao longo do tempo e por isso os aglomerados de maior massa deverão ser raros no Universo primitivo. Embora aglomerados mais distantes tenham sido observados, todos eles parecem ser objetos jovens em processo de formação e não sistemas já evoluídos.

A equipa internacional de astrônomos utilizou os instrumentos VIMOS e FORS2 montados no Very Large Telescope do ESO (VLT) para medir as distâncias a algumas das manchas pertencentes a um curioso agrupamento de objetos vermelhos muito tênues observado inicialmente com o telescópio espacial Spitzer. Este agrupamento, chamado CL J1449+0856 [1] apresentava todos os indícios de se tratar dum aglomerado de galáxias remoto [2]. Os resultados mostraram que estamos efetivamente a observar um aglomerado de galáxias tal como era quando o Universo tinha cerca de três bilhões de anos - menos de um quarto da sua idade atual [3].

Uma vez determinada a distância a este objeto raro, a equipe observou cuidadosamente as  galáxias componentes, utilizando tanto o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA como telescópios no solo, incluindo o VLT. Foram encontradas evidências que sugerem que a maioria das galáxias do aglomerado não estão a formar estrelas, mas são compostas por estrelas que têm já bilhões de anos de idade, o que faz deste aglomerado um objeto evoluído, semelhante em massa ao Aglomerado de Virgem, o aglomerado de galáxias rico mais próximo da Via Láctea.

Outra evidência que mostra que este é um aglomerado evoluído chega-nos de observações de raios X feitas com o observatório espacial da ESA XMM-Newton. O aglomerado emite raios X que devem estar a vir de uma nuvem muito quente de gás tênue que enche o espaço entre as galáxias e está concentrada na direção do centro do aglomerado. Este é outro sinal dum aglomerado de galáxias evoluído, que se mantem firmemente coeso pela sua própria gravidade, o que não acontece com aglomerados muito jovens que ainda não tiveram tempo de prender o gás quente deste modo.

Como Gobar conclui: “Estes novos resultados apoiam a ideia de que aglomerados evoluídos existiam quando o Universo tinha menos de um quarto da sua idade atual. Segundo as teorias atuais, tais aglomerados devem ser muito raros e nós tivemos muita sorte em encontrar um. Mas se observações futuras mostrarem que existem muitos mais, então isso querer dizer que precisaremos de rever o nosso conhecimento sobre o Universo primitivo.”

Notas

[1] Este estranho nome refere a posição do objeto no céu.

[2] As galáxias aparecem vermelhas na imagem porque, por um lado, pensa-se que são compostas essencialmente por estrelas vermelhas frias e por outro, a expansão do Universo desde que a radiação deixou estes sistemas remotos, faz aumentar o comprimento de onda da radiação emitida de tal maneira que, quando chega à Terra, esta radiação é principalmente observada no infravermelho.

[3] Os astrônomos mediram a distância ao aglomerado separando a radiação nas suas componentes coloridas por meio dum espectrógrafo. Compararam seguidamente este espectro com o espectro de um objeto similar do Universo próximo. Deste modo pode-se medir o desvio para o vermelho das galáxias remotas - quanto é que o Universo se expandiu desde que a radiação deixou as galáxias. O desvio para o vermelho encontrado é de 2.07, o que significa que o aglomerado se observa a cerca de três bilhões de anos depois do Big Bang.

Mais Informações

Este trabalho foi apresentado num artigo científico “A mature cluster with X-ray emission at z = 2.07”, por R. Gobat et al., publicado na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

A equipa é composta por R. Gobat (Laboratoire AIM-Paris-Saclay, França), E. Daddi (AIM-Paris), M. Onodera (ETH Zürich, Suíça), A. Finoguenov (Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha), A. Renzini (INAF–Osservatorio Astronomico di Padova, Itália), N. Arimoto (Observatório Astronómico Nacional do Japão), R. Bouwens (Lick Observatory, Santa Cruz, USA), M. Brusa (ETH Zürich, Suíça), R.-R. Chary (California Institute of Technology, USA), A. Cimatti (Università di Bologna, Itália), M. Dickinson (NOAO, Tucson, USA), X. Kong (Universidade de Ciência e Tecnologia da China) e M.Mignoli (INAF – Osservatorio Astronomico di Bologna, Itália).

O ESO, o Observatório Europeu do Sul, é a mais importante organização europeia intergovernamental para a pesquisa em astronomia e é o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação nas pesquisas astronômicas. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astroôómico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio  ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. O ESO está planejando o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio da classe dos 40 metros que observará na banda do visível e próximo infravermelho. O E-ELT será “o maior olho no céu do mundo”.

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Gustavo Rojas
Universidade Federal de São Carlos
São Carlos - SP, Brasil
Tel.: 551633519795
e-mail: grojas@ufscar.br

Dr Raphael Gobat
Laboratoire AIM-Paris-Saclay, CEA/DSM-CNRS–Université Paris Diderot
Gif-sur-Yvette, France
Tel.: +33 1 69 08 60 01
e-mail: raphael.gobat@cea.fr

Richard Hook
ESO, La Silla, Paranal, E-ELT and Survey Telescopes Public Information Officer
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6655
e-mail: rhook@eso.org

Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1108, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contato local para a imprensa. O representante brasileiro é Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote (Portugal) e adaptada para o português brasileiro por Gustavo Rojas.
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Sobre a nota de imprensa

No. da notícia:eso1108pt-br
Nome:CL J1449+0856
Tipo:• Milky Way : Galaxy : Grouping : Cluster
Facility:Very Large Telescope
Science data:2011A&A...526A.133G

Imagens

The most remote mature cluster of galaxies yet found
The most remote mature cluster of galaxies yet found
somente em inglês
Hubble infrared image of the most remote mature cluster of galaxies yet found
Hubble infrared image of the most remote mature cluster of galaxies yet found
somente em inglês
Wide-field view of the sky around the remote cluster CL J1449+0856
Wide-field view of the sky around the remote cluster CL J1449+0856
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Vídeos

Zooming in on the remote cluster CL J1449+0856
Zooming in on the remote cluster CL J1449+0856
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