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eso1431pt-br — Nota de imprensa científica

Segredos de construção de uma metrópole galática

APEX revela formação estelar escondida em protoaglomerado

15 de Outubro de 2014

Astrônomos utilizaram o telescópio APEX para investigar um enorme aglomerado de galáxias, que está se formando no Universo primordial, e revelaram que boa parte da formação estelar que está ocorrendo não apenas se encontra escondida pela poeira, mas também acontece em locais inesperados. Esta é a primeira vez que se consegue realizar um censo completo da formação estelar em tais objetos.

Os aglomerados de galáxias são os maiores objetos do Universo unidos pela força da gravidade, no entanto a sua formação ainda não é completamente compreendida. A Galáxia da Teia de Aranha (conhecida pelo nome formal de MRC 1138-262 [1]), e seus arredores, é estudada há vinte anos, tanto com telescópios do ESO como com outros telescópios [2]. Pensa-se que este objeto é um dos melhores exemplos de um protoaglomerado no processo de se juntar, há mais de dez bilhões de anos atrás.

No entanto, Helmut Dannerbauer (Universidade de Viena, Áustria) e a sua equipe suspeitavam que esta explicação estaria muito aquém da realidade. A equipe pretendia investigar o lado escuro da formação estelar e descobrir quanta formação estelar escondida por trás de poeira estava a ocorrer no aglomerado da Galáxia da Teia de Aranha.

A equipe utilizou a câmera LABOCA montada no telescópio APEX no Chile, para observar durante 40 horas este aglomerado nos comprimentos de onda do milímetro - comprimentos de onda que são suficientemente longos para permitir espreitar através da maioria das espessas nuvens de poeira. A LABOCA tem um campo largo, tornando-se no instrumento perfeito para este tipo de rastreio.

Carlos De Breuck (Cientista de Projeto do APEX no ESO e co-autor do novo estudo) enfatiza: “Esta é uma das observações mais profundas executadas pelo APEX e que levou este telescópio aos seus limites tecnológicos, tendo levado igualmente aos limites a resistência do pessoal que trabalha no local do APEX a elevada altitude, 5050 metros acima do nível do mar”.

As observações APEX revelaram que existiam cerca de quatro vezes mais fontes na região da Teia de Aranha do que no meio circundante. Depois de comparar detalhadamente os novos dados com observações complementares obtidas a comprimentos de onda diferentes, a equipe pôde confirmar que muitas destas fontes se encontravam à mesma distância que o aglomerado de galáxias e por isso deviam fazer parte do aglomerado em formação.

Helmut Dannerbauer explica: “As novas observações APEX acrescentaram a peça final que precisávamos para realizar um censo completo de todos os habitantes desta megacidade estelar. Estas galáxias estão no processo de formação e por isso, tal como um estaleiro na Terra, encontram-se muito empoeiradas”.

Mas uma surpresa esperava a equipe quando foi investigado onde é que a nova formação estelar detectada estava a ocorrer. Os astrônomos esperavam encontrar estas regiões de formação estelar nos grandes filamentos que ligam as galáxias mas, em vez disso, encontraram-nas concentradas principalmente numa única região, sendo que esta região nem sequer se encontra centrada na Galáxia da Teia de Aranha, central no protoaglomerado [3].

Helmut Dannerbauer conclui: ”Esperávamos encontrar formação estelar escondida no aglomerado da Teia de Aranha - e conseguimos - no entanto, desenterramos ao mesmo tempo um novo mistério no processo; esta formação estelar não está a ocorrer onde esperávamos! A megacidade está a desenvolver-se de modo assimétrico”.

Para que esta história se desenvolva novas observações são necessárias - e o ALMA será o instrumento perfeito para dar os próximos passos no estudo destas regiões empoeiradas com muito mais detalhes.

Notas

[1] A Galáxia da Teia de Aranha contém um buraco negro supermassivo e é uma poderosa fonte de ondas rádio - precisamente o que chamou a atenção dos astrônomos inicialmente.

[2] Esta região tem sido observada extensivamente por uma quantidade de telescópios do ESO desde meados dos anos 1990. O desvio para o vermelho (e portanto a distância) da rádio galáxia MRC 1138-262 (a Galáxia da Teia de Aranha) foi medido pela primeira vez em La Silla. Observações FORS no primeiro modo de visitante no VLT descobriram o protoaglomerado e seguidamente foram feitas mais observações com os instrumentos ISAAC, SINFONI,VIMOS e HAWK-I. Os dados APEX LABOCA complementaram as bases de dados ópticos e infravermelhos obtidos pelos outros telescópios ESO. A equipe usou também uma imagem VLA de 12 horas para cruzar e identificar as fontes LABOCA nas imagens ópticas.

[3] Pensa-se que estas formações estelares explosivas poeirentas evoluam para galáxias elípticas, como as que são observadas atualmente em aglomerados de galáxias próximos de nós.

Mais Informações

Este trabalho foi descrito no artigo científico, “An excess of dusty starbursts related to the Spiderweb galaxy”, de Dannerbauer, Kurk, De Breuck et al., que será publicado online a 15 de outubro de 2014 na revista especializada Astronomy & Astrophysics.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

A equipe é composta por H. Dannerbauer (Universidade de Viena, Áustria), J. D. Kurk (Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha), C. De Breuck (ESO, Garching, Alemanha), D. Wylezalek (ESO, Garching, Alemanha), J. S. Santos (INAF–Osservatorio Astrofisico di Arcetri, Florença, Itália), Y. Koyama (Observatório Astronómico National do Japão, Tóquio, Japão [NAOJ]; Instituto de Ciência Espacial Astronómica, Kanagawa, Japão, N. Seymour (CSIRO Astronomy and Space Science, Epping, Austrália), M. Tanaka (NAOJ; Instituto Kavli de Física e Matemática do Universo, Universidade de Tóquio, Japão), N. Hatch (University of Nottingham, Reino Unido), B. Altieri (Centro de Ciência Herschel, Centro de Astronomia Espacial Europeu, Villanueva de la Cañada, Espanha [HSC]), D. Coia (HSC), A. Galametz (INAF–Osservatorio di Roma, Itália), T. Kodama (NAOJ), G. Miley (Observatório de Leiden, Holanda), H. Röttgering (Observatório de Leiden), M. Sanchez-Portal (HSC), I. Valtchanov (HSC), B. Venemans (Max-Planck Institut für Astronomie, Heidelberg, Alemanha) e B. Ziegler (Universidade de Viena).

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronômica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio  ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. O ESO encontra-se a planear o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio de 39 metros que observará na banda do visível e do infravermelho próximo. O E-ELT será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

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Contatos

Gustavo Rojas
Universidade Federal de São Carlos
São Carlos, Brazil
Tel.: 551633519795
e-mail: grojas@ufscar.br

Helmut Dannerbauer
University of Vienna
Vienna, Austria
Tel.: +43 1 4277 53826
e-mail: helmut.dannerbauer@univie.ac.at

Carlos De Breuck
ESO APEX Project Scientist
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6613
e-mail: cdebreuc@eso.org

Richard Hook
ESO, Public Information Officer
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6655
Cel.: +49 151 1537 3591
e-mail: rhook@eso.org

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1431, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contato local para a imprensa. O representante brasileiro é Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote (Portugal) e adaptada para o português brasileiro por Gustavo Rojas.

Sobre a nota de imprensa

No. da notícia:eso1431pt-br
Nome:Spiderweb Galaxy
Tipo:Early Universe : Galaxy : Grouping : Cluster
Facility:Atacama Pathfinder Experiment
Instruments:LABOCA
Science data:2014A&A...570A..55D

Imagens

Impressão artística de um protoaglomerado formando-se no Universo primordial
Impressão artística de um protoaglomerado formando-se no Universo primordial
Imagem APEX da região em torno da Galáxia da Teia de Aranha
Imagem APEX da região em torno da Galáxia da Teia de Aranha
A Galáxia da Teia de Aranha e seus arredores (vista ACS completa)
A Galáxia da Teia de Aranha e seus arredores (vista ACS completa)
Imagem de grande angular da Galáxia da Teia de Aranha (imagem obtida a partir do solo)
Imagem de grande angular da Galáxia da Teia de Aranha (imagem obtida a partir do solo)

Vídeos

Concepção artística de um protoaglomerado formando-se no Universo primordial
Concepção artística de um protoaglomerado formando-se no Universo primordial
Artist’s impression of a protocluster forming in the early Universe (Fulldome)
Artist’s impression of a protocluster forming in the early Universe (Fulldome)
somente em inglês

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