eso1601pt-br — Nota de imprensa institucional

Primeira luz de futura sonda de buracos negros

Instrumento GRAVITY do VLTI testado de modo bem sucedido

13 de Janeiro de 2016

Observar buracos negros é o objetivo principal do instrumento GRAVITY recentemente instalado no Very Large Telescope do ESO no Chile. Durante as primeiras observações, o GRAVITY combinou de forma bem sucedida a radiação estelar obtida pelos quatro Telescópios Auxiliares do VLT. A enorme equipe de astrônomos e engenheiros, liderada pelo Instituto Max Planck de Física Extraterrestre em Garching, que concebeu e construiu o GRAVITY, encontra-se bastante satisfeita com o desempenho do instrumento. Durante os testes iniciais, o GRAVITY fez já algumas descobertas importantes, tratando-se do mais poderoso instrumento instalado até hoje no interferômetro do VLT.

O instrumento GRAVITY combina a radiação capturada por vários telescópios para formar um telescópio virtual com um diâmetro que pode ir até aos 200 metros, utilizando uma técnica conhecida por interferometria, a qual permite aos astrônomos detectar muito mais detalhes em imagens de objetos astronômicos do que o que seria possível com um único telescópio.

Desde o verão de 2015 que uma equipe internacional de astrônomos e engenheiros, liderada por Frank Eisenhauer (MPE, Garching, Alemanha), tem estado a instalar o instrumento em túneis especialmente adaptados, situados por baixo do Very Large Telescope no Observatório do Paranal do ESO, no norte do Chile [1]. Esta é a primeira fase do comissionamento do GRAVITY no Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI), tendo sido agora atingido um importante marco no programa: o instrumento combinou de forma bem sucedida, e pela primeira vez,  a radiação estelar obtida pelos quatro Telescópios Auxiliares do VLT [2].

Durante a primeira luz, e pela primeira vez na história da interferometria de linha de base longa da astronomia ótica, o GRAVITY fez exposições de vários minutos, ou seja, uma centena de vezes maiores do que o que era possível anteriormente,” comentou Frank Eisenhauer. “O GRAVITY abrirá as portas da interferometria ótica a observações de objetos muito mais fracos, levando a sensibilidade e precisão da astronomia de elevada resolução angular a novos limites, para muito além do que existe atualmente.

No âmbito das primeiras observações, a equipe observou cuidadosamente estrelas brilhantes e jovens, no conhecido Aglomerado do Trapézio, situado no coração da região de formação estelar de Orion. E logo com estes primeiros dados, o GRAVITY fez uma pequena descoberta: uma das componentes deste aglomerado é uma estrela dupla [3].

A chave do sucesso passou por conseguir estabilizar o telescópio virtual durante tempo suficiente, com o auxílio da luz de uma estrela de referência, de modo a obter uma exposição profunda de um segundo objeto muito mais fraco. Além disso, os astrônomos conseguiram também estabilizar a radiação dos quatro telescópios em simultâneo — um fato que nunca tinha sido conseguido anteriormente [3].

O GRAVITY consegue medir as posições de objetos astronômicos com muita precisão e obtém também imagens e espectroscopia interferométricas [4]. Como referência podemos dizer que o instrumento veria objetos do tamanho de edifícios na Lua e poderia localizá-los com uma precisão de alguns centímetros. Imagens com tão elevada resolução têm imensas aplicações, mas o enfoque principal no futuro será o estudo do meio que rodeia os buracos negros.

Em particular, o GRAVITY observará o que acontece no campo gravitacional extremamente forte que existe próximo do horizonte de acontecimentos do buraco negro supermassivo que se situa no centro da Via Láctea — daí o nome escolhido para o instrumento. Trata-se de uma região dominada pela teoria da relatividade geral de Einstein. Adicionalmente, este instrumento observará também detalhes ligados à acreção de massa e a jatos — processos que ocorrem tanto em torno de estrelas recém nascidas (objetos estelares jovens) como em regiões que rodeiam os buracos negros supermassivos situados nos centros de outras galáxias. Será também um excelente instrumento para observar os movimentos de estrelas binárias, exoplanetas e discos estelares jovens e fazer imagens da superfície das estrelas.

Até agora, o GRAVITY foi testado com os quatro Telescópios Auxiliares de 1,8 metros. As primeiras observações do GRAVITY com os quatro Telescópios Principais de 8 metros do VLT estão planejadas para a segunda metade de 2016.

O consórcio GRAVITY é liderado pelo Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Garching, Alemanha. As demais instituições parceiras são:

  • LESIA, Observatoire de Paris, PSL Research University, CNRS, Sorbonne Universités, UPMC Univ. Paris 06, Univ. Paris Diderot, Sorbonne Paris Cité, Meudon, França
  • Instituto Max Planck de Astronomia, Heidelberg, Alemanha
  • 1. Physikalisches Institut, Universidade de Colônia, Colônia, Alemanha
  • IPAG, Université Grenoble Alpes/CNRS, Grenoble, França
  • Centro Multidisciplinar de Astrofísica, CENTRA (SIM), Lisboa e Porto, Portugal
  • ESO, Garching, Alemanha

Notas

[1] Os túneis do VLTI e o escritório de combinação dos raios estiveram sujeitos a obras de construção recentes de modo a acomodarem o GRAVITY e também a ficarem preparados para receber instrumentos futuros.

[2] Seria mais correto chamar a este passo “primeiras franjas de interferência” já que este marco assinalou a primeira combinação bem sucedida da radiação coletada pelos diferentes telescópios, tal que os raios interferiram e formaram-se franjas, que foram gravadas.

[3] A recentemente descoberta estrela dupla é a Theta1 Orionis F e as observações foram feitas com o auxílio da estrela próxima mais brilhante, Theta1 Orionis C, que serviu como estrela de referência.

[4] O GRAVITY pretende medir as posições de objetos com escalas da ordem dos 10 microsegundos de arco e obter imagens com uma resolução de 4 milisegundos de arco.

Mais Informações

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 16 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, assim como pelo Chile, o país de acolhimento. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronômica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astronômico ótico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é um parceiro principal no ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o European Extremely Large Telescope (E-ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

Links

Contatos

Gustavo Rojas
Universidade Federal de São Carlos
São Carlos, Brazil
Tel.: +551633519797
e-mail: grojas@ufscar.br

António Amorim
Departamento de Física, CENTRA/SIM, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
1749-016 Lisboa, Portugal
Cel.: 969897315
e-mail: aamorim@sim.ul.pt

Paulo Garcia
Departamento de Engenharia Física, CENTRA/SIM, Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto
4200-465 Porto, Portugal
Cel.: 963235785
e-mail: pgarcia@fe.up.pt

Markus Schoeller
ESO
Garching bei München, Germany
e-mail: mschoell@eso.org

Frank Eisenhauer
Max Planck Institute for Extraterrestrial Physics
Garching bei München, Germany
e-mail: eisenhau@mpe.mpg.de

Richard Hook
ESO Public Information Officer
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6655
Cel.: +49 151 1537 3591
e-mail: rhook@eso.org

Connect with ESO on social media

Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1601, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contato local para a imprensa. O representante brasileiro é Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote (Portugal) e adaptada para o português brasileiro por Gustavo Rojas.

Sobre a nota de imprensa

No. da notícia:eso1601pt-br
Nome:GRAVITY
Tipo:Unspecified : Technology : Observatory : Instrument
Facility:Very Large Telescope Interferometer

Imagens

O GRAVITY descobre que uma das estrelas do Aglomerado do Trapézio em Orion é dupla
O GRAVITY descobre que uma das estrelas do Aglomerado do Trapézio em Orion é dupla
GRAVITY — futura sonda de buracos negros
GRAVITY — futura sonda de buracos negros
GRAVITY — futura sonda de buracos negros
GRAVITY — futura sonda de buracos negros
GRAVITY — futura sonda de buracos negros
GRAVITY — futura sonda de buracos negros
GRAVITY — a equipe do instrumento durante as primeiras observações no Paranal
GRAVITY — a equipe do instrumento durante as primeiras observações no Paranal
GRAVITY descobre nova estrela dupla no Aglomerado do Trapézio em Orion (anotada)
GRAVITY descobre nova estrela dupla no Aglomerado do Trapézio em Orion (anotada)

Vídeos

O GRAVITY descobre que uma das estrelas do Aglomerado do Trapézio em Orion é dupla
O GRAVITY descobre que uma das estrelas do Aglomerado do Trapézio em Orion é dupla

Veja também