eso1815pt-br — Nota de imprensa científica

ALMA e VLT descobrem formação de estrelas apenas 250 milhões de anos após o Big Bang

16 de Maio de 2018

Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e do Very Large Telescope do ESO (VLT), astrônomos determinaram que a formação estelar na galáxia muito distante MACS1149-JD1 começou numa época surpreendentemente precoce, apenas 250 milhões de anos após o Big Bang. Esta descoberta também revelou o oxigênio mais distante já encontrado no Universo e a galáxia mais distante observada pelo ALMA ou pelo VLT até agora. Estes resultados serão publicados na revista Nature em 17 de Maio de 2018.

Uma equipe internacional de astrônomos utilizou o ALMA para observar uma galáxia distante chamada MACS1149-JD1. A equipe detectou nesta galáxia um brilho muito fraco emitido por oxigênio ionizado. Como esta luz infravermelha viajou através do espaço, a expansão do Universo “esticou-a” de tal modo que o seu comprimento de onda era, quando chegou à Terra e foi detectada pela ALMA, cerca de dez vezes maior do que quando foi emitida pela galáxia. A equipe inferiu que o sinal tinha sido emitido há 13,3 bilhões de anos atrás (ou 500 milhões de anos após o Big Bang), o que faz deste oxigênio o mais distante já detectado por um telescópio [1]. A presença de oxigênio é um sinal claro de que devem ter havido gerações anteriores de estrelas nesta galáxia.

Fiquei muito entusiasmado ao ver sinais de oxigênio distante nos dados ALMA,” diz Takuya Hashimoto, autor principal do novo artigo científico que descreve estes resultados e pesquisador na Universidade Sangyo em Osaka e no Observatório Astronômico Nacional do Japão. “Esta detecção faz avançar ainda mais as fronteiras do Universo observável.

Além do brilho do oxigênio capturado pelo ALMA, um sinal ainda mais fraco de emissão de hidrogênio também foi detectado pelo Very Large Telescope do ESO (VLT). A distância à galáxia determinada a partir desta observação é consistente com a distância determinada a partir da observação de oxigênio, o que faz com que MACS1149-JD1 seja a galáxia mais distante já observada com uma medição de distância precisa, e a galáxia mais distante já observada pelo ALMA ou pelo VLT.

Estamos vendo esta galáxia quando o Universo tinha apenas 500 milhões de anos de idade e, no entanto, este objeto apresenta já uma população de estrelas bastante madura,” explica Nicolas Laporte, pesquisador na University College London (UCL) no Reino Unido e segundo autor do novo artigo. “Podemos portanto usar esta galáxia para investigar um período ainda mais precoce, e completamente desconhecido, da história cósmica.

Durante um período após o Big Bang não havia oxigênio no Universo, já que este elemento foi criado através de processos de fusão nas primeiras estrelas e liberado para o espaço quando estas estrelas morreram. A deteção de oxigênio em MACS1149-JD1 indica que gerações anteriores de estrelas já se tinham formado e expelido oxigênio apenas 500 milhões de anos após o início do Universo.

Mas quando é que esta formação estelar anterior teria ocorrido? Para o descobrir, a equipe reconstruiu a história precoce de MACS1149-JD1 usando dados infravermelhos obtidos pelos Telescópios Espaciais Hubble da NASA/ESA e Spitzer da NASA. Os pesquisadores descobriram que o brilho observado da galáxia pode ser explicado por um modelo onde o início da formação estelar ocorreu apenas 250 milhões de anos após o início do Universo [2].

A maturidade das estrelas observadas em MACS1149-JD1 levanta a questão de quando é que as primeiras galáxias emergiram da escuridão total, uma época à qual os astrônomos chamam “madrugada cósmica”. Ao estabelecer a idade de MACS1149-JD1, a equipe demonstrou realmente que as galáxias existiram mais cedo do que as que podemos detectar atualmente de forma direta.

Richard Ellis, astrônomo sênior da UCL e co-autor do artigo conclui: “Determinar quando é que a madrugada cósmica ocorreu é semelhante na cosmologia e formação de galáxias a descobrir o Santo Graal. Com estas novas observações de MACS1149-JD1, aproximamo-nos de poder testemunhar de forma direta o nascimento da luz das estrelas! Uma vez que todos nós somos feitos de material estelar processado, o que isto significa é que nos aproximamos efetivamente de descobrir as nossas próprias origens cósmicas.

Notas

[1] O ALMA bateu o recorde da deteção do oxigênio mais distante por diversas vezes. Em 2016, Akio Inoue da Universidade Sangyo em Osaka e colegas usaram o ALMA para descobrir um sinal de oxigênio emitido há 13,1 bilhões de anos atrás. Vários meses depois, Nicolas Laporte da University College London usou o ALMA para detectar oxigênio emitido há 13,2 bilhões de anos atrás. Agora, estas duas equipes combinaram esforços e atingiram um novo recorde, o qual corresponde a um desvio para o vermelho de 9,1.

[2] Isto corresponde a um desvio para o vermelho de cerca de 15.

Mais Informações

Estes resultados foram descritos no artigo intitulado “The onset of star formation 250 million years after the Big Bang”, de T. Hashimoto et al., que será publicado na revista Nature a 17 de Maio de 2018.

Os membros da equipe de pesquisa são: Takuya Hashimoto (Universidade Sangyo, Osaka/Observatório Astronómico Nacional do Japão, Japão), Nicolas Laporte (University College London, Reino Unido), Ken Mawatari (Universidade Sangyo, Osaka, Japão), Richard S. Ellis (University College London, Reino Unido), Akio. K. Inoue (Universidade Sangyo, Osaka, Japão), Erik Zackrisson (Universidade Uppsala, Suécia), Guido Roberts-Borsani (University College London, Reino Unido), Wei Zheng (Johns Hopkins University, Baltimore, Maryland, EUA), Yoichi Tamura (Universidade Nagoya, Japão), Franz E. Bauer (Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago, Chile), Thomas Fletcher (University College London, Reino Unido), Yuichi Harikane (Universidade de Tóquio, Japão), Bunyo Hatsukade (Universidade de Tóquio, Japão), Natsuki H. Hayatsu (Universidade de Tóquio, Japão; ESO, Garching, Alemanha), Yuichi Matsuda (Observatório Astronómico Nacional do Japão/SOKENDAI, Japão), Hiroshi Matsuo (Observatório Astronómico Nacional do Japão/SOKENDAI, Japão, Sapporo, Japão), Takashi Okamoto (Universidade Hokkaido, Sapporo, Japão), Masami Ouchi (Universidade de Tóquio, Japão), Roser Pelló (Université de Toulouse, França), Claes-Erik Rydberg (Universität Heidelberg, Alemanha), Ikkoh Shimizu (Universidade Osaka, Japão), Yoshiaki Taniguchi (Universidade Aberta do Japão, Chiba, Japão), Hideki Umehata (Universidade de Tóquio, Japão) e Naoki Yoshida (Universidade de Tóquio, Japão).

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO tem 15 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, para além do país de acolhimento, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronômica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope e o Interferômetro do Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo, para além de dois telescópios de rastreio: o VISTA, que trabalha no infravermelho, e o VLT Survey Telescope, concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é também um parceiro principal em duas infraestruturas situadas no Chajnantor, o APEX e o ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1815, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contato local para a imprensa. O representante brasileiro é Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote (Portugal) e adaptada para o português brasileiro por Gustavo Rojas.

Sobre a nota de imprensa

No. da notícia:eso1815pt-br
Nome:MACS1149-JD1
Tipo:Early Universe : Galaxy
Facility:Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, Very Large Telescope
Science data:2018Natur.557..392H

Imagens

Imagens Hubble e ALMA de MACS J1149.5+2223
Imagens Hubble e ALMA de MACS J1149.5+2223
Aglomerado de galáxias MACS J1149.5+2223
Aglomerado de galáxias MACS J1149.5+2223
Observação ALMA da galáxia distante MACS1149-JD1
Observação ALMA da galáxia distante MACS1149-JD1

Vídeos

ESOcast 161 light: Galáxia distante revela formação estelar muito precoce (4K UHD)
ESOcast 161 light: Galáxia distante revela formação estelar muito precoce (4K UHD)
Zoom na galáxia distante MACS1149 e mais além
Zoom na galáxia distante MACS1149 e mais além
Simulação de computador da formação estelar em MACS1149-JD1
Simulação de computador da formação estelar em MACS1149-JD1
Zoom na galáxia distante MACS1149-JD1
Zoom na galáxia distante MACS1149-JD1

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