Um Buraco Negro no Centro da nossa Galáxia

"Necessitávamos de imagens ainda mais nítidas para decidir se é possível uma outra configuração, que não um buraco negro, e contámos com o VLT do ESO para nos dar essas imagens. Começou, efectivamente a era da física observacional dos buracos negros!"

Reinhard Genzel, Director do Instituto Max-Planck para a Física Extraterrestre
ESO Observations

O que existe no centro da Via Láctea? Durante muitos anos, os astrónomos suspeitavam que existia um buraco negro no centro da nossa Galáxia, mas não tinham a certeza. Só recentemente, após 15 anos a monitorizar regularmente o Centro Galáctico com telescópios do ESO, nos Observatórios de La Silla e Paranal, os cientistas obtiveram finalmente provas conclusivas.

A densidade de estrelas no centro da Via Láctea é tão elevada que foram necessárias técnicas especiais, como a Óptica Adaptativa para aumentar a resolução do VLT. Os astrónomos conseguiram observar estrelas individuais, com uma precisão sem precedentes, à medida que elas rodavam em torno do Centro Galáctico. As suas trajectórias mostraram, de modo conclusivo, que elas devem estar sujeitas à imensa atracção gravitacional de um buraco negro, com uma massa que é quase três milhões de vezes a massa do Sol. As observações do VLT também revelaram clarões de radiação infravermelha a emergir da região em intervalos regulares. Embora a causa exacta desse fenómeno ainda seja desconhecida, os observadores sugeriram que o buraco negro possa estar a rodar rapidamente. Seja o que for que esteja a acontecer, a vida de um buraco negro não é calma nem sossegada. Veja as Notas de Imprensa do ESO eso0846eso0226 e eso0330.

Os astrónomos também usaram o VLT para observar o centro de outras galáxias que não a nossa, onde encontraram de novo sinais claros de buracos negros super-massivos. Na galáxia activa NGC 1097, conseguiram observar, com um detalhe sem precedentes, uma rede complexa de filamentos que se deslocam num movimento em espiral em direcção ao centro da galáxia, o que proporcionou pela primeira vez uma visão detalhada do movimento da matéria a ser canalizada, da região principal da galáxia em direcção ao seu núcleo. Veja as Notas de Imprensa do ESO eso0109eso0319eso0414eso0529, e eso0534.