Fotografia da Semana

30 de Setembro de 2013

Revelando estrelas e galáxias distantes

Esta imagem, salpicada de estrelas e galáxias distantes, é uma imagem de campo profundo obtida com o Wide Field Imager (WFI), uma câmara montada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, Chile.

Foi obtida no âmbito do rastreio COMBO-17 (sigla do inglês para Classifying Objects by Medium-Band Observations in 17 filters), um projeto que está a mapear cinco pequenas zonas no céu em 17 filtros ópticos diferentes. A área total do céu explorado em cada um dos campos do COMBO-17 equivale a aproximadamente o tamanho da Lua Cheia, e cada campo tem revelado um enorme número de objetos distantes - demonstrando assim o quanto ainda há por descobrir no céu.

A imagem mostra uma região que foi igualmente estudado no âmbito do campo profundo do FORS (FDF, sigla do inglês para FORS Deep Field), um projeto que examinou várias áreas no céu com grande detalhe e profundidade, com o auxílio do espectrógrafo FORS2, instrumento que se encontra atualmente instalado no Very Large Telescope do ESO, no Observatório do Paranal, Chile. No entanto, estas novas imagens WFI usaram muito mais filtros que as anteriores observações FDF, e observaram zonas maiores do céu, o que resultou em imagens como a que aqui mostramos.

Estas pequenas olhadelas ao Universo revelaram já dezenas de milhares de estrelas e galáxias distantes e quasares anteriormente escondidos de nós, e foram usadas para investigar o efeito de lente gravitacional e a distribuição de matéria escura em galáxias e enxames de galáxias.

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23 de Setembro de 2013

Uma nova “estrelinha” fria no nosso quintal

Esta nova imagem, obtida pelo telescópio VISTA do ESO, mostra uma anã castanha recém descoberta chamada VVV BD001, localizada no centro exato desta imagem, à qual pode ser feito zoom. Esta é a primeira anã castanha nova encontrada na nossa vizinhança cósmica, no âmbito do rastreio VVV. A VVV BD001 situa-se a cerca de 55 anos-luz de distância da Terra, na direção do centro muito populado da nossa Galáxia.

As anãs castanhas são estrelas que nunca conseguiram crescer e transformar-se em estrelas como o Sol. São muitas vezes referidas como “estrelas falhadas”; têm um tamanho maior que os planetas do tipo de Júpiter mas são mais pequenas que estrelas.

Esta anã castanha é peculiar por duas razões: primeiro foi encontrada na direção do centro da Via Láctea, uma das regiões mais populadas do céu e segundo, pertence a uma classe invulgar de objetos conhecidos como “anãs castanhas invulgarmente azuis”  - não sendo ainda claro porque é que são mais azuis do que o esperado.

As anãs castanhas nascem do mesmo modo que as estrelas, no entanto não possuem massa suficiente para dar origem à queima do hidrogénio e transformarem-se em estrelas normais. É por isso que estes objetos são muito mais frios e produzem menos radiação, o que os torna mais difíceis de encontrar. Geralmente, os astrónomos procuram estes objetos com o auxílio de câmaras que trabalham no infravermelho próximo e médio e com telescópios especiais, sensíveis a estes objetos muito frios, mas normalmente evitam olhar para regiões muito populadas do espaço como, por exemplo, a região central da nossa Galáxia.

O VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) é o maior telescópio de rastreio do mundo e situa-se no Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O telescópio encontra-se a executar seis rastreios independentes do céu e o rastreio VVV (Variáveis VISTA na Via Láctea) foi concebido para catalogar milhares de milhões de objetos no centro da Via Láctea. A VVV BD001 foi descoberta por acaso no decorrer deste rastreio.

Os cientistas usaram o catálogo VVV para criarem um mapa tridimensional do bojo central da Via Láctea (eso1339). Os dados foram também usados para criar uma enorme imagem a cores de 108 200 por 81 500 pixels, que contém quase nove mil milhões de pixels (eso1242), uma das maiores imagens astronómicas alguma vez produzidas.

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16 de Setembro de 2013

Toconao visto de cima

A pequena aldeia de Toconao é a povoação mais próxima do maior projeto astronómico que existe, o ALMA [1], o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array. Toconao tem menos de 800 habitantes e situa-se a 2475 metros acima do nível do mar num oásis natural alimentado por um pequeno rio da montanha, na periferia do deserto mais seco do mundo, o Atacama. O rio não corre o ano todo, mas os agricultores locais construíram sabiamente uma rede de diques e canais que lhes permite regular o fluxo de água e assim ter colheitas o ano inteiro.

Uma inspeção cuidada à fotografia revela-nos alguns edifícios construídos com materiais tradicionais, tais como rocha vulcânica e tijolo cru, como por exemplo a Igreja San Lucas e a Torre do Sino, em baixo e à esquerda, na imagem. 

Paralelamente ao seu trabalho científico, o pessoal do ALMA tem trabalhado com os anciãos do Atacama em Toconao e noutras regiões, no intuito de recuperar a visão do Universo da sua cultura e de preservar esta herança cultural e científica para as gerações vindouras.

O ALMA apoia igualmente, desde 2008, um plano educacional na Escola E-21, uma instituição escolar pública rural em Toconao. Este plano, apoiado também pela comunidade, está direccionado para a melhoria da educação de ciência e de inglês.

Esta imagem aérea foi tirada pelos dois membros da equipa do projeto ORA Asas para a Ciência, Clémentine Bacri e Adrien Normier, que voam num avião ultraleve especial amigo do ambiente [2], numa viagem de um ano em torno do mundo, ajudando os cientistas com as suas capacidades aéreas em projetos tão diversos como amostragem de ar, arqueologia, observação de biodiversidade e modelização de terrenos a 3D.

O ESO tem uma parceria para a divulgação com esta organização sem fins lucrativos. Os pequenos filmes e belas imagens produzidos durante os voos são utilizados para fins educativos e promoção da investigação local. A viagem de circumnavegação da equipa começou em junho de 2012 e terminará em junho de 2013, com uma aterragem no Espectáculo Aéreo de Paris.

Notas

[1] O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. O ALMA é financiado na Europa pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), na América do Norte pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos (NSF) em cooperação com o Conselho Nacional de Investigação do Canadá (NRC) e no Leste Asiático pelos Institutos Nacionais de Ciências da Natureza (NINS) do Japão em cooperação com a Academia Sínica (AS) da Ilha Formosa. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.

[2] O avião ultraleve utilizado é um Pipistrel Virus SW 80, galardoado com um prémio da NASA, que usa apenas 7 litros de combustível para cada 100 km - menos que a maioria dos carros.


9 de Setembro de 2013

Olhos de águia sobre o Armazones

Esta bela fotografia aérea do Cerro Armazones, obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Gerhard Hüdepohl, representa o momento ideal para o fotógrafo: quando tudo se posiciona para a fotografia perfeita.

Hüdepohl é também engenheiro electrónico no Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, no Cerro Paranal, o observatório astronómico a trabalhar no visível mais avançado do mundo e a infraestrutura emblemática do ESO. Hüdepohl capturou esta imagem quando ia num voo de Antofagasta para Santiago. Pouco depois da descolagem, o avião tomou o percurso ideal para uma fotografia aérea do Cerro Armazones - e Hüdepohl não podia ter pedido melhores condições. Aproveitando o momento, conseguiu capturar esta perspectiva invulgar do terreno visto de cima.

A imagem mostra o deserto do Atacama extremamente nítido, com o estreito caminho serpenteante bem destacado no meio do terreno poeirento. A estrada de terra batida sobe até ao cimo do Cerro Armazones, que se encontra neste momento cheio de equipamento de rastreio, mas que será o local do European Extremely Large Telescope, um telescópio de 40 metros que, não só responderá às atuais questões da astronomia, como também levantará, e esperemos que responda, a outras questões completamente novas.

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2 de Setembro de 2013

PESSTO fotografa supernova na Messier 74

O rastreio PESSTO do ESO capturou esta imagem da Messier 74, uma magnífica galáxia em espiral com braços bem definidos. No entanto, o verdadeiro interesse da imagem situa-se numa nova e brilhante adição à galáxia, que apareceu no final de julho de 2013: uma supernova do Tipo II chamada SN2013ej, que podemos ver como a estrela mais brilhante no canto inferior esquerdo.

Este tipo de supernovas ocorre quando o núcleo de uma estrela de grande massa colapsa devido à sua própria gravidade, no final da sua vida. Este colapso resulta numa explosão enorme que ejecta matéria para o espaço. A detonação resultante pode ser mais brilhante que toda a galáxia que a alberga, estando visível durante semanas ou até meses.

O rastreio PESSTO (sigla do inglês de Public ESO Spectroscopic Survey for Transient Objects) foi concebido para estudar objetos que aparecem brevemente no céu nocturno, tais como supernovas. O rastreio é levado a cabo com o auxílio de uma quantidade de instrumentos montados no NTT (New Technology Telescope), situado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile. Esta nova fotografia da SN2013ej foi obtida com o NTT no decorrer deste rastreio.

A SN2013ej é a terceira supernova a ser observada na Messier 74 desde o novo milénio, sendo as outras duas a SN2002ap e a SN2003gd. Foi assinalada pela primeira vez a 25 de julho de 2013 pela equipa do telescópio KAIT na Califórnia, e a primeira imagem de pré-recuperação foi tirada pela astrónoma amadora Christina Feliciano, que usou a Câmara Espacial SLOOH de acesso público para observar a região nos dias e horas que precederam a explosão.

A Messier 74, na constelação dos Peixes, é um dos objetos de Messier mais difíceis de observar para os astrónomos amadores, devido ao seu ténue brilho de superfície, no entanto a SN2013ej deve ainda poder ser vista por astrónomos amadores atentos durante as próximas semanas, visível como uma estrela ténue e a desvanecer.

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26 de Agosto de 2013

Esculpida por estrelas de elevada massa

Esta imagem obtida pelo Very Large Telescope do ESO mostra uma pequena parte da bem conhecida nebulosa de emissão, NGC6357, situada a cerca de 8000 anos-luz de distância, na cauda da constelação austral do Escorpião. A imagem brilha com o característico tom vermelho de uma região H II, e contém uma enorme quantidade de hidrogénio gasoso excitado e ionizado.

As nuvens estão banhadas em intensa radiação ultravioleta, emitida principalmente pelo enxame estelar aberto Pismis 24, onde se encontram algumas estrelas azuis jovens de grande massa, que é re-emitida como radiação visível, com um distinto tom avermelhado.

O enxame propriamente dito está fora do campo de visão da imagem, a luz difusa está a iluminar a nuvem na parte central direita da imagem. A imagem mostra um detalhe da nebulosa circundante, com uma mistura de gás, poeira escura e estrelas recém nascidas ou ainda a formarem-se.


19 de Agosto de 2013

Céu estrelado em La Silla

Uma brilhante cortina de estrelas é o pano de fundo desta bela imagem obtida pelo astrónomo Håkon Dahle. A silhueta em primeiro plano é o próprio Håkon, rodeado por algumas das grandes cúpulas escuras que enchem a paisagem no Observatório de La Silla do ESO.

Muitos astrónomos profissionais são também fotógrafos entusiasmados - e quem os pode culpar? Os locais do ESO no deserto do Atacama estão entre os melhores do mundo para observar as estrelas e são, pela mesma razão, lugares fantásticos para fotografar o céu nocturno.

Håkon tirou esta fotografia durante uma semana de observação no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros. Durante esse tempo, o telescópio era ocasionalmente entregue a outra equipa de observação, dando a Håkon  a oportunidade de admirar o céu estrelado - assim como fotografá-lo para que todos nós o pudéssemos também admirar.

A Via Láctea é mais brilhante no hemisfério sul do que no norte, por causa da maneira como as regiões sul do nosso planeta apontam na direção do denso centro galáctico. Mas, até no sul, o céu nocturno é bastante ténue no céu. Para a maioria de nós, a poluição luminosa das cidades e até da Lua podem eclipsar o fraco brilho da galáxia, não nos permitindo observá-la.

Um dos melhores aspectos do Observatório de La Silla é que se encontra muito longe das brilhantes luzes das cidades, o que faz com que disfrutemos de um dos céus mais escuros da Terra. A atmosfera é também muito límpida e por isso não temos nenhum tipo de névoa a estragar-nos a vista. O céu em La Silla é tão escuro que é possível ver sombras lançadas pela luz da própria Via Láctea.

Håkon submeteu esta fotografia ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são seleccionadas para aparecerem na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.


12 de Agosto de 2013

A calma antes da tempestade

Esta bela imagem mostra as galáxias NGC 799 (em baixo) e a NGC 800 (em cima) situadas na constelação da Baleia. Este par de galáxias foi observado pela primeira vez em 1885 pelo astrónomo americano Lewis Swift.

Situadas a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância, e estando voltadas de face para nós, podemos apreciar as suas formas de maneira clara. Tal como a Via Láctea - a nossa Galáxia - estes objetos são ambos galáxias em espiral, com os característicos braços compridos que se enrolam em direção ao brilhante bojo central. Nos braços em espiral bastante proeminentes podemos observar um grande número de estrelas azuis, jovens e quentes que se formam em grupos (os pequeníssimos pontos azuis que se vêem na imagem), enquanto que no bojo central um enorme grupo de estrelas velhas, vermelhas e mais frias se amontoam numa região compacta quase esférica.

À primeira vista, estas galáxias parecem-se uma com a outra, mas na realidade há muitos detalhes diferentes. Exceptuando a diferença
óbvia em tamanho, apenas a NGC 799 tem uma estrutura em barra estendendo-se do bojo central, com os braços em espiral a sair das pontas da barra. Pensa-se que as barras galácticas actuem com um mecanismo que leva o gás dos braços em espiral ao centro, aumentando assim a formação estelar. Foi também observada uma supernova na NGC 799 em 2004, a SN2004dt.

Outra característica interessante que é diferente nas duas galáxias é o número de braços em espiral. A pequena NGC 800 tem três braços em espiral brilhantes e cheios de nodos, enquanto que a NGC 799 só apresenta dois relativamente ténues, mas largos, que começam no final da barra e se enrolam quase completamente em volta da galáxia, formando uma estrutura que lembra um anel.

Embora pela imagem pareça que estas duas galáxias coexistem em total harmonia próximo uma da outra, nada pode estar mais longe da verdade. Na realidade, podemos estar a observar a calma antes da tempestade. Embora não saibamos bem o que o futuro trará, o certo  é que, normalmente, quando duas galáxias se encontram relativamente próximas uma da outra, interagem entre si durante centenas de milhões de anos por meio de distúrbios gravitacionais. Em alguns casos, apenas se dão interações menores, que provocam distorções na forma das galáxias, mas às vezes as galáxias colidem, fusionando-se e dando origem a uma única e enorme galáxia nova.

Esta imagem foi obtida com o instrumento FORS1, montado no Very Large Telescope de 8,2 metros, situado no Cerro Paranal, no Chile. A imagem é composta por várias exposições obtidas com três filtros diferentes (B, V, R).

Podemos também observar cinco asteróides - consegue encontrá-los? Os asteróides movimentaram-se entre as diferentes exposições, deixando traços coloridos na imagem.


5 de Agosto de 2013

Cinto de Vénus sobre o Cerro Paranal

Esta fotografia mostra a paisagem na direção este, vista a partir do Observatório do Paranal segundos depois do Sol ter desaparecido por detrás do horizonte. O brilho alaranjado do pôr do Sol vê-se refletido nas cúpulas dos Telescópios Auxiliares do VLT de 1,8 metros, podendo também observar-se no céu a Lua quase cheia. Mas o que torna esta imagem ainda mais interessante é um efeito atmosférico conhecido por Cinto de Vénus.

A sombra cinzento-azulada que se vê por cima do horizonte é a sombra da Terra e mesmo por cima dela vemos um brilho de tom cor de rosa. Este fenómeno é produzido pela luz vermelha do pôr do Sol a ser difundida pela atmosfera da Terra e pode ser visto tanto depois do pôr do Sol, como pouco antes do seu nascer. Pode também ser observado um efeito muito semelhante durante um eclipse total do Sol.

Os telescópios que se vêem na imagem são três dos quatro Telescópios Auxiliares de 1,8 metros de diâmetro, instalados no interior das suas coberturas móveis e ultracompactas. Os telescópios dedicam-se a observações interferométricas, ou seja, quando dois ou mais telescópios trabalham em uníssono, formando um espelho virtual e permitindo aos astrónomos ver muito mais pormenores do que se os telescópios fossem utilizados independentemente uns dos outros.

Carolin Liefke tirou esta fotografia durante uma visita ao Paranal e submeteu-a ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são seleccionadas para  aparecerem na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens. A Carolin trabalha na Haus der Astronomie (Casa da Astronomia), um centro de educação e divulgação de astronomia em Heidelberg, Alemanha, e é também um membro do ESO Science Outreach Network (ESON). O ESON leva as notícias do ESO aos Estados Membros e outros países, ao traduzir as notas de imprensa e ao ser o ponto de contacto com os media locais.

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29 de Julho de 2013

Messier 100 - Esplendor grandioso

As galáxias em espiral são geralmente objetos esteticamente muito apelativos, ainda mais quando nos aparecem de frente. Esta imagem mostra um exemplo particularmente bonito: trata-se da galáxia em espiral Messier 100, situada a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância, na região sul da constelação da Cabeleira de Berenice.

Para além dos braços em espiral extremamente bem definidos, a Messier 100 apresenta também no seu centro, uma estrutura em barra muito ténue, o que permite classificá-la como sendo do tipo SAB. Embora não seja muito óbvia a partir desta imagem, os cientistas confirmaram efectivamente a existência da barra ao observar a galáxia a outros comprimentos de onda.

Esta imagem muito detalhada mostra as características principais que se esperam de uma galáxia deste tipo: enorme nuvens de hidrogénio gasoso, que brilham em zonas avermelhadas quando re-emitem a energia absorvida, emitida por estrelas de grande massa recentemente formadas; o brilho uniforme das estrelas mais velhas amareladas situadas próximo do centro; e as manchas negras de poeira que se entrelaçam por entre os braços da galáxia.

A Messier 100 é um dos membros mais brilhantes do enxame da Virgem, enxame este constituído pelas galáxias mais próximas da Via Láctea, e que contém mais de 200 galáxias, incluindo espirais, elípticas e irregulares. Esta fotografia é a combinação de imagens obtidas com o instrumento FORS, montado no Very Large Telescope do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile, com os filtros vermelho (R), verde (V) e azul (B).

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22 de Julho de 2013

O NTT gira como um pião

Esta imagem dinâmica mostra o New Technology Telescope (NTT) situado no observatório de La Silla do ESO, Chile. A forma distinta da cúpula do telescópio aparece desfocada pelo movimento, à medida que o telescópio roda para apontar ao alvo pretendido. A fotografia tem um tempo de exposição de 30 segundos.

Uma das primeiras coisas que se nota na imagem é que o edifício do telescópio tem uma peculiar forma angular da parte exterior, em vez da forma arredondada mais vulgar que as cúpulas costumam ter. Esta característica de design foi já extensamente copiada para outros telescópios, incluindo o Very Large Telescope do ESO, mas na altura em que o telescópio foi inaugurado em 1989, era uma grande inovação.

O design revolucionário do NTT tem por objetivo obter uma qualidade de imagem optimizada, por exemplo através da ventilação cuidadosamente controlada, que optimiza a passagem de ar pelo NTT, minimizando os efeitos de desfocagem causados pela turbulência do ar no interior. Na parte mais desfocada da imagem podemos distinguir as abas grandes que são uma parte crucial deste sistema.

Outra das componentes que foi bastante melhorada na altura da construção do NTT, é o seu espelho primário. Embora nunca tenha sido considerado particularmente grande, com os seus 3,58 metros de dâmetro, o seu design foi bastante inovador. O espelho é flexível e pode ser ajustado em tempo real para manter a forma perfeita, de modo a que nenhuma flexão ou descaída possa perturbar a qualidade de imagem. O ESO e o NTT foram pioneiros no uso desta tecnologia, chamada óptica activa, e que é agora utilizada de modo standard nos telescópios modernos.

Atualmente, o NTT tem dois instrumentos diferentes que os astrónomos utilizam para observar: o SOFI (diminutivo de Son of ISAAC - Filho de ISAAC, um instrumento mais antigo), que é um espectrógrafo e uma câmara que operam no infravermelho e o EFOSC2, um espectrógrafo e uma câmara concebidos para detectar objetos ténues.

O Observatório de La Silla situa-se na parte sul do deserto do Atacama, 600 quilómetros a norte de Santiago do Chile e a uma altitude de 2400 metros. Foi o primeiro observatório do ESO.

A imagem  foi obtida por Malte Tewes, um astrónomo da Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, Suíça.

Malte submeteu esta fotografia ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias selecionadas para integrarem a nossa popular série Fotografia da Semana ou a nossa galeria de imagens.

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15 de Julho de 2013

Asas para a Ciência voa sobre o Paranal

Esta vista aérea do Observatório do Paranal foi tirada em dezembro de 2012 por Clémentine Bacri e Adrien Normier, que voam num ultraleve especial amigo do ambiente [1] numa viagem de um ano em torno do mundo. Esta fotografia mostra a beleza natural da paisagem no local remoto que acolhe uma das melhores infraestruturas astronómicas do mundo, o Very Large Telescope do ESO (VLT), com os seus quatro telescópios independentes de 8,2 metros situados no cimo do Cerro Paranal.

O ESO tem uma parceria para a divulgação com o projeto ORA Asas para a Ciência, uma iniciativa sem fins lucrativos que oferece apoio aéreo a organizações de investigação públicas. Os dois membros da tripulação do projeto voaram sobre os observatórios no norte do Chile, entre outros, antes de deixarem a América do Sul e partirem para a Austrália. No decurso da sua viagem em volta do mundo, a equipa ajuda os cientistas em projetos tão diversos como amostragem de ar, arqueologia, observação de biodiversidade e modelização de terrenos a 3D.

Os pequenos filmes e belas imagens produzidos durante os voos são utilizados para fins educativos e promoção da investigação local. A viagem de circumnavegação da equipa começou em junho de 2012 e terminou a 17 de junho de 2013, com uma aterragem no Espectáculo Aéreo de Paris.

Notas

[1] O avião ultraleve utilizado é um Pipistrel Virus SW 80, galardoado com um prémio da NASA, que usa apenas 7 litros de combustível para cada 100 km - menos que a maioria dos carros.

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8 de Julho de 2013

Os novos brinquedos da Maëlle

A astronomia e os seus telescópios podem às vezes trazer ao de cima a criança que há em cada um de nós. Num testemunho à curiosidade humana, os astrónomos continuam a construir instrumentos cada vez maiores em locais remotos do planeta.

O astrónomo do ESO Julien Girard, tirou esta fotografia engraçada da sua filha durante um “dia da família” no Observatório do Paranal, nos Andes chilenos. Graças a um efeito de perspectiva, a pequena Maëlle parece estar a olhar para dentro da cúpula de um dos Telescópios Auxiliares de 1,8 metros do Very Large Telescope do ESO (VLT). Embora os telescópios sejam usados para investigação científica séria, às vezes os astrónomos sentem-se crianças brincando com estes “brinquedos” gigantes.

Julien Girard é um astrónomo do ESO e um Embaixador Fotográfico do ESO, que trabalha no VLT, no Chile. É o cientista do instrumento de óptica adaptativa NACO, montado no Telescópio número 4 do VLT. Julien submeteu esta fotografia no grupo Flickr Your ESO Pictures, donde foi seleccionada pelo ESO para participar na série Fotografia da Semana.

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1 de Julho de 2013

Antenas europeias no Local de Apoio às Operações do ALMA

Neste fotografia, vemos antenas que farão parte do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). As três antenas que estão em primeiro plano, assim como algumas das que se vêem ao fundo, foram fornecidas pelo ESO como parte da sua contribuição para o ALMA, através de um contrato com o consórcio europeu AEM [1]. No total, o ESO fornecerá 25 antenas de 12 metros de diâmetro ao projeto ALMA. Outras 25 antenas com o mesmo diâmetro estão a ser fornecidas pelo parceiro no ALMA norte americano, e as restantes, um conjunto de 12 antenas de 7 metros e quatro antenas de 12 metros, que constituem a rede compacta do ALMA (Atacama Compact Array), serão fornecidas pelo parceiro no ALMA do Leste Asiático.

Na fotografia vêem-se as antenas no Local de Apoio às Operações, a uma altitude de 2900 metros, no sopé dos Andes chilenos. As que se encontram em primeiro plano estão no Local de Montagem do AEM, onde as antenas são montadas e testadas rigorosamente antes de serem entregues ao observatório. As antenas que se encontram no fundo da imagem foram já entregues e estão agora a ser submetidas a mais testes ou estão-lhes a ser montados os receptores sensíveis. Uma vez prontas, as antenas são transportadas para o Local de Operações da Rede, no planalto do Chajnantor a uma altitude de 5000 metros. No Chajnantor, juntam-se à suas companheiras integrando a rede ALMA, trabalhando no estudo de algumas das questões mais fundamentais sobre as nossas origens cósmicas. Mesmo quando as antenas estiverem todas prontas, o Local de Apoio às Operações continuará a ser o centro de actividade das operações diárias com o ALMA, permanecendo o local de trabalho de astrónomos e equipas responsáveis por manter o observatório em funcionamento.

No horizonte podemos ver a cadeia montanhosa dos Andes, o pico mais alto pertencendo ao vulcão cónico Licancabur. O Licancabur situa-se na fronteira entre o Chile e a Bolívia e domina a paisagem da região.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

Notas

[1] O consórcio AEM é composto pelas empresas Thales Alenia Space, European Industrial Engineering e MT-Mechatronics.

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24 de Junho de 2013

Luar e luz zodiacal sobre La Silla

O que nos pode parecer uma cidade do futuro a flutuar por cima das nuvens, saída de uma qualquer história de ficção científica, é, na realidade, o observatório mais antigo do ESO, La Silla. Esta fotografia foi tirada pelo astrónomo Alan Fitzsimmons, perto do telescópio de 3,6 metros do ESO, pouco depois do pôr do Sol. Por pouco que a Lua apareceria também na imagem, o que faz com que o observatório se encontre banhado pela luz irreal do luar refletido nas nuvens mais abaixo.

A ténue banda de luz dourada brilhante mesmo por cima das nuvens é a luz zodiacal, causada pela luz solar refletida por partículas de poeira que se encontram entre o Sol e a Terra. Este raro fenómeno só pode ser visto logo após o pôr do Sol ou um bocadinho antes do nascer do Sol, em alturas do ano próprias.

Podem ser vistos vários telescópios na fotografia. Por exemplo, a grande estrutura angular no final da estrada é o New Generation Telescope (NTT). Fiel ao seu nome, quando acabou de ser construído em 1989, o telescópio incluía um número de características revolucionárias, entre elas o primeiro sistema completo de óptica activa, assim como a revolucionária cobertura octogonal. Muitas das características do NTT foram mais tarde incorporadas no Very Large Telescope do ESO.

A cúpula em primeiro plano, logo à direita, é a do telescópio suíço Leonhard Euler de 1,2 metros, o qual deve o seu nome ao famoso matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783).

O Alan submeteu esta fotografia ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são seleccionadas para aparecerem na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.


17 de Junho de 2013

Trovões e relâmpagos

Nesta imagem electrificante, tirada na sexta-feira dia 7 de junho de 2013, uma tempestade violenta descarregava a sua fúria sobre o Cerro Paranal. As cúpulas colossais dos quatro Telescópios Principais do VLT, cada uma com o tamanho de um edifício de oito andares, parecem minúsculas sob o martelar da violenta tempestade.

Do lado esquerdo da imagem, uma estrela solitária aparece para admirar o espectáculo - o único ponto de luz num céu escuro. Trata-se da estrela Procion, uma estrela binária brilhante situada na constelação do Cão Menor.

É muito raro verem-se nuvens sobre o Observatório do Paranal do ESO. Em média, o local desfruta de uns impressionantes 330 dias limpos por ano. O aparecimento de relâmpagos é ainda mais raro, já que o observatório se situa num dos locais mais secos do planeta: o deserto do Atacama no norte do Chile, 2600 metros acima do nível do mar. Mesmo que haja algumas nuvens, o observatório encontra-se, na maioria das vezes, por cima delas.

Gerhard Hüdepohl, Embaixador Fotográfico do ESO, apenas tinha visto relâmpagos no local uma vez, num período de 16 anos a trabalhar como engenheiro no Paranal. Por isso e perante o espectáculo, Gerhard agarrou na sua máquina fotográfica e saiu a correr, enfrentando os elementos de modo a capturar esta vista única.


10 de Junho de 2013

Ascensão e queda de uma supernova

Uma sequência vídeo bastante invulgar mostra o repentino brilho intenso e depois o mais lento desvanecimento de uma explosão de supernova na galáxia NGC 1365. A supernova, à qual se deu o nome de SN 2012fr, foi descoberta pelo astrónomo francês Alain Klotz a 27 de outubro de 2012. As imagens obtidas pelo pequeno telescópio robótico TAROT, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, foram compiladas de modo a criar este filme único.

As supernovas são o resultado das mortes explosivas e cataclísmicas de certos tipos de estrelas. São tão brilhantes que conseguem ofuscar durante muitas semanas a sua galáxia hospedeira, antes de desvaneceram lentamente e desaparecerem de vista.

A supernova SN 2012fr [1] foi descoberta por Alain Klotz na tarde do dia 27 de outubro de 2012. Este astrónomo estava a medir o brilho de uma estrela variável ténue numa imagem obtida pelo TAROT (acrónimo do francês para Télescope à Action Rapide pour les Objets Transitoires), um telescópio robótico instalado no Observatório de La Silla do ESO, quando reparou num objecto novo que não se encontrava numa imagem capturada três dias antes. Depois de várias verificações, feitas por astrónomos de todo o mundo com o auxílio de diferentes telescópios, o objecto brilhante foi identificado como sendo uma supernova do tipo Ia.

Algumas estrelas vivem com uma companheira, ambas orbitando um centro de gravidade comum. Em alguns casos uma delas pode ser uma anã branca muito velha, que rouba matéria à sua vizinha. Quando isto acontece, chega uma determinada altura em que a anã branca retirou já tanta matéria da companheira que se torna instável e explode. A este fenómeno chamamos supernova do tipo Ia.

Este tipo de supernovas tornou-se importante, já que estes objectos nos fornecem uma maneira muito precisa de medir distâncias a galáxias muito longínquas no Universo primordial. Para lá do grupo local de galáxias, era necessário encontrar objectos muito brilhantes com propriedades esperadas e que pudessem servir como marcos no mapeamento da história da expansão do Universo. As supernovas do tipo Ia são ideais, já que o seu brilho atinge um máximo e depois decresce mais ou menos sempre do mesmo modo para todas as explosões. Medições de distâncias a supernovas do tipo Ia levaram à descoberta da expansão acelerada do Universo, trabalho que mereceu o Prémio Nobel da Física em 2011.

A galáxia que alberga esta supernova é a NGC 1365 (ver também potw1037a), uma elegante galáxia em espiral barrada, localizada a 60 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação da Fornalha. Com um diâmetro de cerca de 200 000 anos-luz, esta galáxia destaca-se bem das outras galáxias do enxame da Fornalha. Uma enorme barra direita atravessa a galáxia, contendo o núcleo no seu centro. A supernova pode ser facilmente observada mesmo por cima do núcleo, no meio da imagem.

Os astrónomos descobriram mais de 200 novas supernovas em 2012, sendo que a SN 2012fr se encontra entre as mais brilhantes. A supernova foi observada pela primeira vez quando ainda era muito ténue, a 27 de outubro de 2012, e atingiu o seu pico de luminosidade máximo a 11 de novembro de 2012 [2]. Nessa altura podia ser facilmente observada como uma estrela ténue através de um telescópio amador de tamanho médio. O vídeo foi compilado a partir de uma série de imagens da galáxia obtidas ao longo de um período de três meses, desde a sua descoberta em outubro até meados de janeiro de 2013.

O TAROT é um telescópio óptico robótico de 25 centímetros, capaz de se deslocar muito depressa e começar a observar num segundo. Foi instalado em La Silla em 2006, com o intuito de detectar explosões de raios gama. As imagens que revelaram a SN 2012fr foram capturadas através de filtros azuis, verdes e vermelhos.

Notas

[1] As supernovas são nomeadas de acordo com o ano em que são descobertas e pela ordem pela qual a descoberta é feita ao longo do ano, usando letras do alfabeto. O facto desta supernova ter sido descoberta por uma equipa francesa e o seu nome conter as letras “fr” é pura coincidência.

[2] Nessa altura, a sua magnitude era 11,9. Este valor é 200 vezes fraco demais para poder ser visto a olho nu, mesmo num céu escuro e límpido. Como termo de comparação, se a supernova estivesse no seu pico máximo de luminosidade e fosse vista ao mesmo tempo que o nosso Sol e à mesma distância de um observador, a supernova seria 3000 vezes mais brilhante do que o Sol.

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3 de Junho de 2013

Três planetas dançam por cima de La Silla

 

É uma verdadeira alegria, tanto para fotógrafos como para astrónomos: ocorre neste momento no céu um fenómeno conhecido como sizígia - quando três (ou mais) corpos celestes se alinham quase perfeitamente no céu. Quando os corpos celestes têm uma longitude eclíptica muito semelhante, este evento é também conhecido como uma quase conjunção tripla. Claro que o efeito é apenas devido à perspectiva, mas ainda assim não deixa de ser espectacular. Neste caso particular, os corpos são três planetas e a única coisa necessária para apreciar o espectáculo é um céu limpo durante o pôr do Sol.


Felizmente, isso foi o que aconteceu ao Embaixador Fotográfico do ESO Yuri Beletsky, que teve a sorte de observar este fenómeno a partir do Observatório de La Silla do ESO, no norte do Chile, no domingo dia 26 de maio. Por cima das cúpulas redondas dos telescópios, três dos planetas do nosso Sistema Solar - Júpiter (em cima), Vénus (à esquerda em baixo) e Mercúrio (à direita em baixo) - podem ser vistos, logo após o pôr do Sol, ocupados na sua dança cósmica.

Um alinhamento como este acontece apenas uma vez em vários anos. O último teve lugar em maio de 2011 e o próximo não acontecerá antes de outubro de 2015. Este triângulo celeste viu-se no seu melhor  ao longo de toda a última semana de maio, no entanto, ainda é possível observar os três planetas à medida que formam combinações diferentes no seu percurso pelo céu.

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Imagens:


27 de Maio de 2013

Ondas no céu chileno

À primeira vista, esta imagem hipnotizante pode parecer mostrar ondas causadas por uma pedra lançada a um lago. No entanto, é o resultado do movimento aparente das estrelas no céu austral, em conjunto com alguma “magia” fornecida pelo fotógrafo. A imagem foi tirada no Cerro Armazones, o pico de uma montanha 3060 metros acima do nível do mar, que se situa na parte central do deserto do Atacama, nos Andes chilenos.

As tiras compridas e brilhantes são rastos de estrelas e cada uma delas marca o caminho de uma única estrela ao longo do céu nocturno. Ao deixar o obturador da máquina fotográfica aberto durante um longo período de tempo, o movimento das estrelas, inperceptível a olho nu, é revelado. Tempos de exposição tão curtos como 15 minutos são o suficiente para obter este efeito, embora geralmente os fotógrafos profissionais combinem várias exposições para compor mais tarde a imagem final.

O fantástico número de rastos de estrelas nesta imagem, mostra também a incrível qualidade do céu nocturno no Armazones: a atmosfera é extremamente límpida, não existindo nenhuma poluição luminosa graças à localização remota do topo da montanha. Esta é uma das razões que levou este local a ser escolhido para aí ser colocado o futuro maior olho no céu do mundo: o European Extremely Large Telescope (E-ELT).


20 de Maio de 2013

Admirando a Galáxia

É difícil, até para o astrónomo mais experiente, não parar por um momento no meio de um programa de observação vasto, para observar o rico e glorioso céu austral. Esta imagem é um auto-retrato tirado pelo astrónomo Alan Fizsimmons, que obteve esta fotografia entre sessões de observação no Observatório de La Silla do ESO.

Esta bela fotografia mostra o contraste entre uma simples figura, escura e parada, na Terra e o brilhante céu estrelado. Nesta imagem, o céu é dominado pelo enorme conjunto de estrelas e poeira que compõe o centro da Via Láctea, a nossa casa galáctica.

Os observatórios do ESO estão situados no deserto do Atacama, no norte do Chile, uma região com muito poucos habitantes, que combina noites muito escuras com condições atmosféricas extremamente límpidas, ambos factores necessários a observações de alta qualidade.

La Silla foi o primeiro observatório do ESO, inaugurado em 1969, onde estão instalados vários telescópios com espelhos cujos diâmetros vão até aos 3,6 metros. Com mais de 300 noites límpidas por ano, La Silla encontra-se muito bem posicionado para albergar instrumentos de observação avançados, mas é também um local fabuloso para se parar um pouco e olhar para o céu.

O Alan submeteu esta fotografia no grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente visto e as melhores fotografias seleccionadas para integrarem a nossa série Fotografia da Semana ou a nossa galeria de imagens.


13 de Maio de 2013

A Via Láctea brilha por cima da neve em La Silla

Na periferia do deserto do Atacama, longe das cidades do norte do Chile poluídas pela luz, o céu fica completamente negro depois do pôr do Sol. Tal céu permite fazer as melhores observações astronómicas. A uma altitude de 2400 metros, o Observatório de La Silla do ESO tem um vista incrivelmente límpida do céu nocturno. No entanto, nem o local mais remoto, alto e seco consegue escapar ao mau tempo que, às vezes, se faz sentir nos meses de inverno, quando tapetes de neve cobrem o pico da montanha e as cúpulas dos telescópios.

Esta imagem mostra La Silla no inverno sob as miríades de estrelas da Via Láctea, o plano da qual atravessa a imagem. Visível (da direita para a esquerda) estão o telescópio de 3,6 metros do ESO, o New Technology Telescope (NTT) de 3,58 metros, o telescópio Schmidt de 1 metro do ESO e o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, que tem neve sobre a cúpula. A pequena cúpula do Coudé Auxiliary Telescope, que já não se encontra em funcionamento, pode ser vista junto ao telescópio de 3,6 metros, e entre este telescópio e o NTT vêem-se ainda os reservatórios de água do observatório.

Embora o aparecimento de neve em La Silla possa parecer surpreendente, o certo é que os locais elevados do ESO podem apresentar tanto temperaturas altas como baixas ao longo do ano e estarem ocasionalmente sujeitos a condições rigorosas.

Esta fotografia foi tirada por José Francisco Salgado, um Embaixador Fotográfico do ESO.


6 de Maio de 2013

Lore em movimento

Nesta fotografia um dos dois transportadores ALMA, o Lore, transporta uma das antenas de 7 metros de diâmetro do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). O Lore e o seu irmão gémeo, Otto, são dois veículos amarelos brilhantes de 28 rodas, construídos especificamente para deslocar as antenas ALMA ao longo do planalto do Chajnantor, situado a uma altitude de 5000 metros. Assim, a rede pode ser reconfigurada de modo a fazer as melhores observações possíveis de determinado objeto. Os veículos deslocam igualmente as antenas entre o Chajnantor e o Local de Apoio às Operações, situado a uma altitude inferior, para manutenção.

O ALMA é composto por uma rede principal de cinquenta antenas de 12 metros de diâmetro e por uma rede adicional de doze antenas de 7 metros e quatro antenas de 12 metros, conhecida como Rede Compacta (ACA, sigla do inglês, Atacama Compact Array). Na imagem vemos o Lore a transportar umas das antenas mais pequenas de 7 metros da rede compacta. As antenas de 12 metros da rede principal não se podem colocar mais próximas do que 15 metros entre si, caso contrário chocariam umas com as outras. Esta separação mínima entre antenas determina o limite da escala máxima que as estruturas no céu têm que ter para poderem ser observadas. O que significa que a rede principal não pode observar as maiores estruturas dos objetos extensos, tais como nuvens gigantes de gás molecular na Via Láctea ou galáxias próximas. A rede compacta foi especialmente concebida para ajudar o ALMA a fazer melhores observações destes objetos extensos. As suas antenas mais pequenas de 7 metros podem colocar-se mais próximas umas das outras, o que faz com que possam medir melhor as estruturas maiores que a rede principal não consegue observar.

Os picos de gelo que se vêem em primeiro plano são os conhecidos “penitentes”. Trata-se de um curioso fenómeno natural observado a altitudes elevadas, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. Os penitentes são finas lâminas de gelo ou neve endurecida que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que vão desde alguns centímetros a vários metros.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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29 de Abril de 2013

Asas para a Ciência voa sobre o ALMA

Esta bela imagem, tirada em dezembro de 2012, mostra a rede de antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) [1], o maior projeto de astronomia em existência, situado no planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. As antenas maiores têm 12 metros de diâmetro e as mais pequenas, todas situadas no centro da imagem,  constituem a Rede Compacta (ACA, sigla do inglês para ALMA Compact Array). Esta rede compacta é composta por 12 antenas com um diâmetro de 7 metros cada uma. A rede completa dispõe de um total de 66 antenas.

O ESO iniciou uma parceria para a divulgação com o projeto ORA Asas para a Ciência, uma organização sem fins lucrativos que oferece apoio aéreo a organizações de investigação públicas, durante uma viagem de um ano à volta do mundo. Os dois membros da tripulação do projeto, Clémentine Bacri e Adrien Normier, voam num ultraleve especial amigo do ambiente [2], ajudando os cientistas em projetos tão diversos como amostragem de ar, arqueologia, observação de biodiversidade e modelização de terrenos a 3D.

Os pequenos filmes e belas imagens produzidos durante os voos são utilizados para fins educativos e promoção da investigação local. A viagem de circumnavegação da equipa começou em junho de 2012 e terminará em junho de 2013, com uma aterragem no Espectáculo Aéreo de Paris.

Notas

[1] O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. O ALMA é financiado na Europa pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), na América do Norte pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos (NSF) em cooperação com o Conselho Nacional de Investigação do Canadá (NRC) e no Leste Asiático pelos Institutos Nacionais de Ciências da Natureza (NINS) do Japão em cooperação com a Academia Sínica (AS) da Ilha Formosa. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.

[2] O avião ultraleve utilizado é um Pipistrel Virus SW 80, galardoado com um prémio da NASA, que usa apenas 7 litros de combustível para cada 100 km - menos que a maioria dos carros.

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22 de Abril de 2013

Prateado e azul no Paranal

O que poderá passar por um belo dia de céu limpo em qualquer parte do mundo é, na realidade, um dia invulgarmente nublado no Observatório do Paranal do ESO, no deserto do Atacama. Uma vez que este é um dos locais mais secos do planeta, é muito invulgar o aparecimento de nuvens no céu. O facto do céu se apresentar sempre muito azul e limpo é um dos fenómenos mais característicos de estar no deserto do Atacama, referido por muitos astrónomos e engenheiros que passam algum tempo a trabalhar no local. Esta bela panorâmica de 360º, tirada por Dirk Essl, empreiteiro no ESO, em 15 exposições separadas, capturou um dos raros dias com nuvens no Paranal. Podemos ver algumas nuvens finas e difusas do tipo cirrus por cima das coberturas do Very Large Telescope. Estas nuvens formam-se a elevadas altitudes e são feitas de pequeníssimos cristais de gelo.

Caiem menos que 10 milímetros de chuva por ano no Observatório do Paranal, o que é uma das razões para o ESO ter escolhido esta montanha de 2600 metros de altitude como local para instalar o Very Large Telescope (VLT). Esta panorâmica inclui os quatro grandes telescópios principais do VLT e os quatros telescópios auxiliares mais pequenos, instalados no interior dos seus edifícios mais redondos, um no primeiro plano e os outros três mais afastados. Os carris no chão servem para deslocar os telescópios auxiliares para posições diferentes.

O Dirk submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.

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15 de Abril de 2013

Sob o feitiço das Nuvens de Magalhães

Esta bela imagem do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que mostra as antenas do telescópio sob um céu estrelado de cortar a respiração, foi obtida por Christoph Malin, um Embaixador Fotográfico do ESO. Esta imagem foi retirada de um dos seus vídeos time-lapse do ALMA, vídeo esse que também se encontra disponível (ver ann12099).

Situado no planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, o ALMA é o telescópio mais poderoso do mundo a trabalhar nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. A construção do ALMA estará terminada este ano e nessa altura o telescópio contará com um total de 66 antenas de alta precisão a operar neste local.

Podem ver-se, por cima das antenas, a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães brilhando intensamente no céu. Estas galáxias anãs irregulares próximas são objetos bastante proeminentes no hemisfério sul, podendo mesmo ser vistas a olho nu. Estas galáxias orbitam em torno da Via Láctea - a nossa Galáxia - e existem evidências de que ambas se tenham distorcidas enormemente devido à sua interação com a Via Láctea, já que passam perto desta.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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8 de Abril de 2013

Uma fita resplandecente de estrelas - A Via Láctea Sul sobre La Silla

Esta fotografia panorâmica, tirada por Alexandre Santerne, mostra uma noite fria de inverno, com uns salpicos de neve no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, com o proeminente disco da Via Láctea, a nossa Galáxia, visto por dentro. A partir da nossa posição interna privilegiada, o disco da Via Láctea aparece como uma fita resplandecente de estrelas ao longo de todo o céu. Nesta panorâmica, a Via Láctea está distorcida em forma de arco, devido à projeção da lente grande angular.

Espreitando por cima da colina, do lado esquerdo na imagem, vemos o telescópio de 3,6 metros do ESO, onde está montado o instrumento HARPS (sigla de High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), o principal descobridor de exoplanetas do mundo. Na ponta direita da fotografia está o telescópio suíço de 1,2 metros Leonhard Euler, construído e operado pelo Observatório de Genebra.

Existem inúmeras razões para La Silla ser um local ideal para observar o céu nocturno em geral e a Via Láctea, em particular. Em primeiro lugar, situa-se no hemisfério sul, dando-nos por isso uma melhor vista da rica região central  da Galáxia. Em segundo lugar, está situado longe de poluição e luz citadinas, a uma altitude de 2400 metros, o que faz com que as noites sejam escuras e a atmosfera límpida.

O Alexandre submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens. Desde que submeteu a fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

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1 de Abril de 2013

Rastos de estrelas por cima da Residência no Cerro Paranal

Farid Char, Embaixador Fotográfico do ESO, obteve esta imagem do céu austral nocturno sobre a Residência do Observatório do Paranal do ESO, no Chile, que mostra uma bela vista dinâmica do céu repleto de estrelas.

Para obter os rastos de estrelas circulares da imagem, Farid fez uma exposição de 30 minutos, revelando assim o movimento aparente das estrelas devido à rotação da Terra. No centro encontra-se o ponto aparentemente parado do polo sul celeste. À esquerda e em cima, vemos as manchas difusas da Grande e da Pequena Nuvens de Magalhães, galáxias vizinhas da Via Láctea.

A cúpula de vidro escuro, mesmo por baixo dos círculos das estrelas, faz parte do telhado da Residência. Esta construção única, parcialmente subterrânea, encontra-se em funcionamento desde 2002, albergando cientistas e engenheiros que trabalham no observatório. Durante o dia, a cúpula com um diâmetro de 35 metros permite a entrada de luz natural no edifício.

No observatório, situado numa montanha com uma altitude de 2600 metros, no deserto árido do Atacama, as excelentes condições de observação têm um preço. As pessoas que aí trabalham enfrentam luz solar extremamente forte durante o dia, humidade muito baixa e a elevada altitude deixa muita gente com falta de ar. Para as ajudar a relaxar e reidratar-se depois de um longo período de trabalho no topo da montanha, a Residência dispõe de um oásis artificial, com um pequeno jardim, uma piscina que humidifica o ar, uma sala de estar, uma sala de jantar e outras zonas de recreação. O edifício pode albergar até 100 pessoas.

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25 de Março de 2013

A Galáxia Perdida

Esta imagem mostra a galáxia NGC 4535, na constelação da Virgem, sob um fundo repleto de galáxias distantes ténues. A sua aparência quase circular significa que a estamos a observar praticamente de face. No centro da galáxia, vemos uma estrutura em barra bem definida, com bandas de poeira que se curvam antes dos braços em espiral saírem das pontas da barra. A cor azulada dos braços em espiral aponta para a presença de um grande número de estrelas quentes jovens. No centro, no entanto, estrelas mais velhas e frias dão ao bojo da galáxia uma aparência amarelada.

Esta imagem no visível foi obtida com o instrumento FORS1 montado num dos telescópios principais de 8,2 metros do Very Large Telescope do ESO. Esta galáxia, que pode também ser vista através de telescópios amadores mais pequenos, foi inicialmente observada por William Herschel em 1785. Quando observada através de um pequeno telescópio, a NGC 4535 tem um aspecto difuso e fantasmagórico, o que inspirou o proeminente astrónomo amador Leland s. Copeland a dar-lhe o nome de “Galáxia Perdida” nos anos 1950.

A NGC 4535 é uma das maiores galáxias do enxame da Virgem, um enxame de grande massa com 2000 galáxias, a cerca 50 milhões de anos-luz de distância. O enxame da Virgem não é muito maior, em termos de diâmetro, do que o Grupo Local - o conjunto de galáxias ao qual pertence a Via Láctea - no entanto, contém quase cinquenta vezes mais galáxias.


18 de Março de 2013

Capturando a Luz

Os telescópios usados para fazer investigação contam com câmaras de vanguarda, as quais, juntamente com os enormes espelhos necessários para colectar radiação emitida por uma grande zona no céu, permitem aos astrónomos capturar a fraca radiação emitida por objetos celestes muito distantes. Mas podemos igualmente produzir imagens de rara beleza  sem grandes telescópios e utilizando câmaras mais modestas.

Os astrofotógrafos usam câmaras mais convencionais para capturar imagens de objetos astronómicos, muitas vezes incluindo paisagens na sua composição e produzindo assim bonitos postais do Universo visto a partir da Terra.

Como exemplo temos esta Fotografia da Semana, que mostra o New Technology Telescope (NTT) de 3,58 metros, situado no Observatório de La Silla do ESO, sobreposto a um fundo de céu estrelado. Vemos na imagem, de forma proeminente, a Via Láctea - a nossa Galáxia - que aparece como uma banda difusa que cruza o céu. As regiões da Via Láctea que aparecem escuras são zonas onde a luz emitida por estrelas de fundo é bloqueada por poeira interestelar. Adicionalmente, vemos a Grande Nuvem de Magalhães à direita do telescópio, aparecendo como um nodo difuso no céu. Esta galáxia próxima irregular é um objeto bastante proeminente no céu austral, orbitando em torno da Via Láctea. Existem evidências que sugerem que este objeto tenha sido bastante distorcido devido à sua interação com a nossa Galáxia.

Esta imagem foi tirada por Hàkon Dahle, que é igualmente um astrónomo profissional. Hàkon submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.

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11 de Março de 2013

Cometas e estrelas cadentes sobre o Paranal

Esta imagem obtida por Gabriel Brammer, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, mostra um pôr do Sol no Observatório do Paranal, com especial relevo para dois cometas que passam atualmente pelo céu austral. Próximo do horizonte, no lado direito da imagem, o cometa C/2011 L4 (PAN-STARRS), o mais brilhante dos dois, mostra uma cauda brilhante causada principalmente por poeira que reflete a luz do sol. No centro da imagem, por cima das encostas do lado direito da montanha Paranal, podemos ver a coma esverdeada - um envelope gasoso em torno do núcleo - do cometa C/2012 F6 (Lemmon), seguida de uma cauda mais ténue. A cor verde resulta da ionização dos gases na coma devido à luz solar. Podemos também ser levados a pensar que existe ainda um terceiro cometa na imagem, mas o objeto brilhante que aparece entre os cometas Lemmon e PAN-STARRS, é uma estrela cadente que, por acaso, está a passar na atmosfera, queimando-se precisamente no momento e lugar certos.


4 de Março de 2013

A neve chega ao deserto do Atacama

O deserto do Atacama é um dos locais mais secos do mundo. Vários factores contribuem para as suas condições áridas. A cadeia montanhosa dos Andes e a costa chilena bloqueiam as nuvens a este e oeste, respectivamente. Adicionalmente, a corrente fria Humboldt no Oceano Pacífico, que cria uma camada de inversão de ar frio na costa, impede a formação de nuvens de chuva. Além do mais, uma região de alta pressão no oceano Pacífico sudeste dá origem a ventos que formam um anticiclone, o qual ajuda também a manter muito seco o clima no deserto do Atacama. Foram precisamente estas condições extremamente áridas que levaram o ESO a instalar o Very Large Telescope (VLT) no Paranal, no deserto do Atacama. No observatório do Paranal, situado no cimo do Cerro Paranal, os níveis de precipitação ficam normalmente abaixo dos 10 milímetros por ano, com uma humidade que desce muitas vezes aos 10%. As condições de observação são excelentes, com mais de 300 noites límpidas por ano.

Estas esplêndidas condições para a observação astronómica no deserto do Atacama, apenas muito raramente são afetadas pelas condições meteorológicas. No entanto, talvez durante um par de dias por ano, a neve vem visitar o deserto do Atacama. Esta fotografia mostra uma bela panorâmica do Cerro Paranal. O VLT está situado no pico à esquerda e o telescópio de rastreio VISTA encontra-se num pico ligeiramente mais baixo, um pouco mais à direita. O céu azul mostra que este é mais um dia de céu limpo. Desta vez, no entanto, algo está diferente: uma fina camada de neve transformou a paisagem desértica, proporcionando-nos uma vista invulgar de rara beleza.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Stéphane Guisard, a 1 de agosto de 2011.

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25 de Fevereiro de 2013

O cometa e o laser

Gerhard Hüdepohl, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, tirou esta fotografia espetacular do Very Large Telescope do ESO (VLT) durante os testes do novo laser para o VLT a 14 de fevereiro de 2013. Este laser será usado como parte fundamental da Infraestrutura de Estrela Guia Laser, a qual permite aos astrónomos corrigir as observações da maior parte das perturbações causadas pelo movimento constante da atmosfera, criando assim imagens muito mais nítidas. No entanto, ao ver a imagem é difícil não pensarmos num laser futurista a apontar para algum invasor espacial distante.

Para além da magnifica vista da Via Láctea por cima do telescópio, existe outro objeto que torna esta imagem ainda mais especial. À direita do centro da imagem, mesmo por baixo da Pequena Nuvem de Magalhães e quase escondido pela miríade de estrelas que se vêem no escuro céu chileno, vemos um ponto verde com uma ténue cauda para o lado esquerdo. Trata-se do recentemente descoberto, e mais brilhante do que esperado, cometa Lemmon, que atualmente se desloca lentamente ao longo do céu austral.


18 de Fevereiro de 2013

Espelho finíssimo a ser testado no ESO

Este espelho muito fino deformável foi entregue ao ESO em Garching, Alemanha, e encontra-se a ser testado. Tem 1120 milímetros de diâmetro mas apenas 2 mm de espessura, o que o torna muito mais fino do que a maioria dos espelhos de vidro. O espelho é finíssimo de modo a ser suficientemente flexível para que, quando se lhe aplicam forças electromagnéticas, a sua superfície refletora se altere. Quando instalado no telescópio, a superfície do espelho será constantemente e milimetricamente alterada, corrigindo deste modo os efeitos de distorção causados pela atmosfera terrestre e produzindo assim imagens muito mais nítidas.

O novo espelho secundário deformável (DSM, sigla do inglês para deformable secondary mirror) irá substituir o actual espelho secundário de um dos quatro telescópios que compõem o VLT. A estrutura secundária completa inclui um conjunto de 1170 actuadores que aplicam uma força em 1170 ímans colados na parte de baixo da estrutura fina. Electrónica sofisticada construída de propósito para o efeito controlará o comportamento do espelho. A superfície refletora pode ser deformada por acção dos actuadores até mil vezes por segundo.

O sistema DSM completo foi entregue ao ESO pelas empresas italianas Microgate e ADS em dezembro de 2012, concluindo-se assim oito anos de desenvolvimento sustentado e construção. Este é o maior espelho deformável alguma vez construído para aplicação na astronomia e é o mais recente numa longa linha de tais espelhos. A extensa experiência destas empresas está bem patente no alto desempenho do sistema, assim como na sua fiabilidade. A instalação do sistema no VLT está prevista para 2015.

O espelho (ann12015) propriamente dito foi construído pela empresa francesa REOSC. O espelho consiste numa folha de material cerâmico que foi polido até se obter uma forma muito precisa. O processo de construção começa com um bloco de cerâmica Zerodur, fornecido pela Schott Glass (Alemanha), com mais de 70 milímetros de espessura. A maior parte do material é limado e polido até se chegar a uma fina camada final, que tem que ser cuidadosamente suportada em todos os momentos, uma vez que é extremamente frágil.

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11 de Fevereiro de 2013

Pintura a Luz e a Laser

Numa noite límpida, na Baviera, o pessoal do ESO assistiu à filmagem de um episódio do ESOcast, episódio esse que tratou da nova unidade compacta de estrela guia laser, a qual pode ser observada em acção no Observatório Público Allgäu em Ottobeuren, Alemanha. Com o brilho dos seus telemóveis, o pessoal do ESO aproveitou a exposição longa desta fotografia para escrever as letras “ESO” a luz, em frente ao observatório. À esquerda do raio laser, podemos ver a Via Láctea e mesmo por cima do horizonte, sobre o observatório, é visível ao longe a linha a tracejado correspondente à passagem de um avião. O laser tem um raio poderoso de 20 watts, e para proteger pilotos e passageiros foi criado, pela Deutsche Flugsicherung (responsável pelo controle de tráfego aéreo na Alemanha), um perímetro de voo interdito em torno do observatório, durante as horas da observação nocturna.

As estrelas guia laser são estrelas artificiais criadas na atmosfera da Terra com o auxílio de um raio laser. O laser faz com que os átomos de sódio, situados numa camada da atmosfera a 90 quilómetros de altitude, brilhem, criando assim uma estrela artificial no céu, que pode ser observada com um telescópio. Usando as medições feitas sobre esta estrela artificial, os instrumentos de óptica adaptativa podem depois corrigir as observações do efeito de imagem desfocada.

Este conceito inovador do ESO utiliza um poderoso laser, cujo raio é lançado por um pequeno telescópio, combinado numa única unidade modular, que pode ser montada diretamente num telescópio grande. O conceito, que foi patenteado e licenciado pelo ESO, será usado para dar ao Very Large Telescope (VLT) quatro unidades laser similares. Terá também um papel determinante nas unidades que irão equipar o futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT).

Na altura da filmagem, a unidade estava a ser testada, antes de ser enviada para o Observatório do Paranal do ESO, no Chile, local do VLT.

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4 de Fevereiro de 2013

Pôr do Sol no Observatório do Paranal

Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, capturou esta bela imagem do Observatório do Paranal do ESO iluminado pelo pôr do Sol. O céu maravilhosamente limpo sugere as condições atmosféricas excepcionais que existem aqui; uma das razões principais para o ESO ter escolhido o Paranal como local do Very Large Telescope (VLT), a sua infraestrutura emblemática.

O VLT - que pode ser visto no Cerro Paranal, o pico mais alto da imagem, com uma altitude de 2600 metros - é o observatório astronómico mais avançado do mundo a operar no visível. É composto por quatro telescópios principais, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, e quatro telescópios auxiliares de 1,8 metros. O VLT opera nos comprimentos de onda do visível e do infravermelho e dentre as observações pioneiras executadas com o VLT podemos destacar a primeira imagem directa de um exoplaneta (ver eso0515) e a descoberta de estrelas em movimento orbital em torno do buraco negro central da Via Láctea (ver eso0846 e eso1151).

No Cerro Paranal encontra-se igualmente o VLT Survey Telescope (VST). O seu edifício mais pequeno vê-se, com muita dificuldade, em frente a um dos edifícios maiores que alberga um dos telescópios principais do VLT, no cimo do cerro. O VST é o telescópio instalado mais recentente no Paranal, com as primeiras imagens divulgadas em 2011 (ver eso1119). Tem um espelho primário de 2,6 metros de diâmetro, o que o torna o maior telescópio do mundo dedicado a mapear o céu, no visível.

Outro telescópio de rastreio instalado no Observatório do Paranal é o VISTA, o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy, que pode ser visto noutro pico, em primeiro plano relativamente ao Cerro Paranal. O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo, com um espelho de 4,1 metros, e opera nos comprimentos de onda do infravermelho. O telescópio começou a trabalhar em 2009 (ver eso0949).

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28 de Janeiro de 2013

Um peso-pesado intergaláctico

Esta imagem profunda mostra o que é conhecido como um superenxame de galáxias - um grupo gigante de enxames de galáxias ligados entre si. Este, conhecido como Abell 901/902, é constituído por três enxames principais diferentes e um número de filamentos de galáxias, típicos de tais super-estruturas. Um dos enxames, Abell 901a, pode ser visto por cima e um pouco à direita da estrela vermelha bastante proeminente que se encontra em primeiro plano, próximo do meio da imagem. Um outro, Abell 901b, está situado à direita de Abell 901a, um pouco mais abaixo. Por fim, o enxame Abell 902 encontra-se diretamente por baixo da estrela vermelha, estendendo-se para baixo na imagem.

O superenxame Abell 901/902 situa-se a um pouco mais de dois mil milhões de anos-luz da Terra e contém centenas de galáxias numa região com cerca de 16 milhões de anos-luz de dimensão. Em termos de comparação, o Grupo Local de Galáxias - que contém a nossa Via Láctea, para além de mais outras 50 galáxias - tem uma dimensão de aproximadamente 10 milhões de anos-luz.

Esta imagem foi obtida com a câmara Wide Field Imager (WFI), montada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, no Chile. Em 2008, com dados do WFI e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos mapearam de modo preciso a distribuição de matéria escura no superenxame, mostrando que os enxames e as galáxias individuais que fazem parte da super-estrutura se encontram no seio de enormes nodos de matéria escura. Para chegar a este resultado, os astrónomos observaram como é que a radiação emitida por 60 000 galáxias distantes, situadas por detrás do enxame, era distorcida devido à influência gravitacional da matéria escura existente no enxame, e revelaram deste modo a sua distribuição. Pensa-se que a massa dos quatro nodos de matéria escura do Abell 901/902 seja cerca de 10 biliões de vezes a do Sol.

As observações aqui apresentadas fazem parte do rastreio COMBO-17, um rastreio do céu feito com 17 filtros ópticos diferentes montados na câmara WFI. O projeto COMBO-17 encontrou até agora cerca de 25 000 galáxias.

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21 de Janeiro de 2013

APEX sob a Lua

Outra noite estrelada no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. O quarto crescente da Lua brilha intensamente nesta imagem, ofuscando os demais objetos celestes. No entanto, para os rádios telescópios como o APEX (sigla do inglês para Atacama Pathfinder Experiment), que se vê na imagem, o luar não atrapalha as observações. Na realidade, uma vez que o próprio Sol não é muito brilhante nos comprimentos de onda do rádio, o telescópio pode também ser utilizado durante o dia, desde que não se aponte diretamente ao Sol.

O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis nos comprimentos de onda mais curtos do infravermelho ou do visível. Por exemplo, o APEX  pode espreitar através de densas nuvens interestelares de gás e poeira cósmica, revelando regiões escondidas onde se processa a formação estelar, fenómeno que brilha intensamente nestes comprimentos de onda, mas que se encontra obscurecido quando observado no visível e infravermelho. Algumas das galáxias mais distantes e primitivas são também alvos excelentes para o APEX. Devido à expansão do Universo durante milhares de milhões de anos, a luz destas galáxias desviou-se para os comprimentos de onda maiores situados nos domínios do milímetro e do submilímetro, que são precisamente os comprimentos de onda observados pelo APEX.
 
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, e faz parte de uma fotografia panorâmica maior, que também está disponível cortada de outro modo.


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14 de Janeiro de 2013

ALMA tornado miniatura pelos picos das montanhas

À primeira vista, esta imagem panorâmica mostra o cenário montanhoso do Planalto do Chajnantor, no Chile, com neve e gelo espalhados pelo terreno deserto. Os picos principais, da direita para a esquerda, são: Cerro Chajnantor, Cerro Toco, Juriques e o cone bem distinto do vulcão Licancabur (ver potw1240) - uma imagem impressionante! No entanto, as verdadeiras estrelas da fotografia são as minúsculas e quase invisíveis estruturas mesmo no centro da imagem - apenas perceptíveis se olharmos com muita atenção.

Estas estruturas, minúsculas quando comparadas com a sua vizinhança montanhosa, são as antenas que formam o enorme rádio telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). Embora pareça extremamente pequenina na imagem, a rede é composta por uma coleção de enormes antenas de 12 e 7 metros de diâmetro e quando estiver completa, contará com um total de 66 antenas espalhadas pelo planalto e separadas de distâncias que vão até aos 16 quilómetros. Espera-se que o trabalho de construção do ALMA esteja terminado em 2013, mas o telescópio começou já a fase inicial de Observações Científicas Preliminares, encontrando-se a produzir resultados excepcionais (ver, por exemplo, eso1239). Desde que esta fotografia foi tirada, juntaram-se já muitas mais antenas à rede no planalto.

 O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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7 de Janeiro de 2013

Rastos de estrelas sobre o Yepun

Esta imagem mostra um dos telescópios que compõem o Very Large Telescope (VLT) do ESO mesmo por baixo de brilhantes rastos de estrelas que circundam o polo sul celeste, um ponto no céu onde se situa a constelação austral do Octante. Estes rastos são arcos de luz que traçam o movimento das estrelas observado no céu à medida que a Terra roda lentamente em torno do seu eixo. Para obter estes rastos de estrelas com a câmara, foram feitas muitas exposições ao longo do tempo e depois combinadas para darem a aparência final de rastos circulares.

Iluminado pelo luar, o telescópio que se vê em primeiro plano é apenas um dos quatro telescópios que compõem o VLT, situado no Paranal, no Chile. Na altura da inauguração do observatório do Paranal em 1999, cada telescópio recebeu um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes dos telescópios - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - representam quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus, respectivamente. O telescópio na imagem é o Yepun, também conhecido como telescópio UT4.

Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Farid Char. Char trabalha no Observatório do ESO La Silla-Paranal e é um membro da equipa que testa o local do futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT), um novo telescópio terrestre que será o maior a trabalhar nos domínios do óptico/infravermelho próximo, quando estiver construído no início da década de 2020.

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31 de Dezembro de 2012

Rastos rodopiantes de estrelas austrais por cima do ALMA

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o céu austral, numa imagem de cortar a respiração.

As espirais das estrelas no céu fazem lembrar a Noite Estrelada de van Gogh ou, para os fãs de ficção científica, talvez a vista de uma nave espacial prestes a entrar no hiperespaço. Na realidade, trata-se da rotação da Terra, revelada nesta fotografia de longa exposição. No hemisfério sul, à medida que a Terra roda, as estrelas parecem mover-se em círculos, em torno do polo sul celeste, que se encontra na ténue constelação do Octante, entre o mais famoso Cruzeiro do Sul e as Nuvens de Magalhães. Com uma exposição suficientemente longa, as estrelas, à medida que se movem, deixam no céu rastos circulares.

A fotografia foi tirada no Planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, nos Andes chilenos. É neste local que se encontra o telescópio ALMA, cujas antenas podem ser vistas em primeiro plano. O ALMA é o telescópio mais poderoso que existe para observar o Universo frio - gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas de 7 metros. No entanto, as observações científicas preliminares começaram já em 2011. Embora não se encontre ainda completamente construído, o telescópio está já a produzir resultados excepcionais, ultrapassando largamente outros telescópios do seu tipo. Algumas das antenas vêem-se desfocadas na imagem, porque estavam a operar e se moveram durante a exposição prolongada.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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24 de Dezembro de 2012

A solidão do ALMA

Esta imagem panorâmica do planalto do Chajnantor mostra o local do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). A fotografia foi tirada próximo do pico do Cerro Chico por Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, que conseguiu capturar a atmosfera solitária do local onde se situa o ALMA, 5000 metros acima do nível do mar, nos Andes chilenos. Luz e sombra pintam a paisagem, emprestando uma aparência extraterrestre ao terreno. No primeiro plano da imagem, o grupo de antenas ALMA aparece-nos como se de uma multidão de estranhos visitantes robóticos se tratasse. Quando o telescópio estiver completo em 2013, contará com um total de 66 antenas na rede, que operarão em conjunto.

O ALMA está já a revolucionar o modo como os astrónomos estudam o Universo nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Mesmo com uma rede parcial de antenas, o ALMA é já mais potente do que qualquer outro telescópio a operar nestes comprimentos de onda, dando ao astrónomos uma capacidade sem precedentes de estudar o Universo frio -  gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. O ALMA estuda os blocos constituintes de estrelas, sistemas planetários, galáxias e da própria vida. Ao fornecer ao astrónomos imagens detalhadas de estrelas e planetas a nascer em nuvens moleculares próximas do Sistema Solar, e ao detectar galáxias distantes a formarem-se nos limites do Universo observável, que vemos como eram há mais ou menos dez mil milhões de anos atrás, o ALMA abre aos astrónomos uma janela única para a compreensão das mais profundas questões ligadas às nossas origens cósmicas.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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17 de Dezembro de 2012

O Paranal e a sombra da Terra

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi tirou outra bela fotografia panorâmica do Observatório do Paranal do ESO.

Em primeiro plano, podemos ver a paisagem montanhosa do deserto do Atacama. À esquerda, no pico mais alto, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT) e à sua frente, sobre um pico ligeiramente mais baixo, está o telescópio VISTA (sigla do inglês para Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy).

No fundo, o nascer do Sol dá cor ao céu do Paranal em bonitos tons pastel. Estendendo-se para lá do horizonte, podemos ver um mar de nuvens sobre o Oceano Pacífico, o qual se encontra a apenas 12 quilómetros do Paranal.

Por cima do horizonte, onde as nuvens se juntam ao céu, é visível uma banda escura. Esta banda é a sombra da Terra, lançada pelo planeta sobre a sua atmosfera. Este fenómeno é por vezes observado na altura do nascer e do pôr do Sol, quando o céu está limpo e o horizonte desobstruído - condições que existem claramente no Observatório do Paranal. Por cima da sombra da Terra, vemos ainda um brilho cor de rosa, conhecido como a Cintura de Vénus. É causado pela luz do nascer (neste caso) ou do pôr do Sol, dispersada pela atmosfera terrestre.

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10 de Dezembro de 2012

As estrelas riscam o céu por cima das nossas cabeças

Embora esta imagem pareça, à primeira vista, arte moderna abstracta, o facto é que se trata do resultado de uma exposição longa do céu nocturno no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. À medida que a Terra roda em direção a um novo dia, as estrelas da Via Láctea, por cima do deserto, esticam-se em traços coloridos. Ao mesmo tempo, o telescópio de vanguarda que se vê em primeiro plano, toma uma realidade de sonho.

Esta fotografia fascinante foi tirada a 5000 metros acima do nível do mar no Planalto do Chajnantor, local onde se encontra o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto aqui. O APEX é um telescópio de 12 metros que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos utilizam o APEX para estudar objetos que vão desde as nuvens frias de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar, a algumas das galáxias mais distantes e primitivas do Universo.

O APEX é o percursor do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, um novo telescópio revolucionário que o ESO, juntamente com os seus parceiros internacionais, está a construir e a operar também no planalto do Chajnantor. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com uma rede 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas adicionais de 7 metros de diâmetro cada uma. Os dois telescópios são complementares: graças ao seu campo de visão maior, o APEX pode encontrar muitos alvos ao longo de grandes áreas no céu, enquanto o ALMA os poderá estudar com grande detalhe, devido à sua muito melhor resolução angular. O APEX e o ALMA são ambos ferramentas importantes que ajudam os astrónomos a descobrir mais sobre o funcionamento do Universo, tal como a formação das estrelas que se vêem na imagem, a rodar por cima da nossa cabeça.

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi tirou esta fotografia. Babak é o fundador de O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos da Terra, sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO. 


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3 de Dezembro de 2012

Do Antu ao Yepun - A construção do VLT

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

O Very Large Telescope (VLT), a infraestrutura de referência do ESO situada no Cerro Paranal, Chile, é constituída por quatro Telescópios gigantes, cada um deles com um espelho primário de 8.2 metros de diâmetro, e por quatro telescópios amovíveis de 1.8 metros, os Telescópios Auxiliares. O nosso par de fotografias deste mês mostra um dos telescópios gigantes a ser construído e outro já construído, atualmente.

A fotografia histórica mostra o trabalho inicial de construção da cobertura do Telescópio 1, no final de outubro de 1995. As fundações de betão estavam terminadas e a parte inferior da estrutura de metal da cobertura estava já fixada às fundações. As primeiras peças da zona de rotação da cobertura do telescópio também já são visíveis - o príncipio de uma fenda larga pela qual o telescópio iria observar e a estrutura pesada, horizontal, que suportaria as portas de correr, pode também ser vista na direção da câmara. Este telescópio começou a observar a 25 de maio de 1998 (ver eso9820).

Durante a cerimónia de inauguração do Observatório do Paranal em 1999 (ver eso9921), deu-se a cada um dos telescópios um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - correspondem a quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus [1], respectivamente.

A fotografia atual mostra o 4º Telescópio, Yepun, que começou a observar em setembro de 2000 (ver eso0028). No entanto, serve tão bem como o seu irmão Antu (Telescópio 1) para mostrar o VLT completamente construído, já que todos os telescópios são exactamente iguais, apenas diferindo no tipo de instrumentos disponíveis em cada um deles, o que dá aos astrónomos uma enorme quantidade de ferramentas para estudar o Universo. A estrutura amarela em frente ao Yepun é uma plataforma de elevação, M1, que pode deslocar-se entre os diferentes telescópios e é utilizada quando os enormes espelhos primários de 8.2 metros são periodicamente removidos para serem
revestidos de novo.

Nos anos que passaram desde que a fotografia histórica foi tirada, o primeiro dos telescópios ganhou um nome - Antu - e uma família, à medida que os outros telescópios se lhe juntaram no topo da montanha. Hoje, o VLT é o telescópio astronómico visível mais avançado do mundo, e o Antu, Yepun e os outros telescópios do Paranal desempenharam um papel determinante em tornar o ESO de longe no observatório terrestre mais produtivo do mundo!

Notas

[1] Yepun tinha sido traduzido como "Sirius" da altura da inauguração do Paranal (eso0921), no entanto, descobriu-se posteriormente que a tradução correcta é "Vénus".

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26 de Novembro de 2012

Dois caçadores de planetas capturados em La Silla

Durante séculos, filósofos e cientistas especularam sobre a possibilidade da existência de planetas habitados fora do Sistema Solar. Hoje, esta ideia é mais do que especulação: foram descobertas muitas centenas de exoplanetas nas últimas duas décadas, por astrónomos em todo o mundo. Várias técnicas diferentes são utilizadas nesta busca de novos mundos. Nesta fotografia invulgar dois telescópios, que usam dois destes métodos, foram capturados na mesma imagem: o telescópio de 3.6 metros do ESO, onde se encontra montado o espectrógrafo HARPS e o telescópio espacial CoRoT. A imagem foi obtida por Alexandre Santerne, um astrónomo que estuda exoplanetas.

O espectrógrafo High Accuracy Radial velocity Planetary Search (HARPS), o descobridor de planetas mais proeminente do mundo, é um instrumento que se encontra instalado no telescópio de 3.6 metros do ESO. Podemos ver a cúpula aberta deste telescópio, à esquerda na imagem, que aparece por trás da cobertura angular do New Technology Telescope. O HARPS descobre exoplanetas ao detectar pequenas variações no movimento de uma estrela, à medida que esta se desloca ligeiramente para trás e para diante sob o efeito da atração gravitacional do planeta em sua órbita: é o chamado método das velocidades radiais na procura de exoplanetas.

O ténue traço de luz que se vê alto no céu nesta exposição de 20 segundos, não é um meteoro mas sim o telescópio espacial CoRoT (sigla do inglês Convection Rotation and planetary Transits). O CoRoT procura planetas ao observar o decréscimo da radiação emitida por uma estrela, que ocorre quando um planeta passa na sua frente - método do trânsito. A localização do telescópio espacial, situado acima da atmosfera terrestre, aumenta a precisão das observações ao remover o piscar das estrelas. Planetas potenciais encontrados pelo método do trânsito são seguidamente confirmados com o auxílio de técnicas complementares, tais como o método das velocidades radiais. De facto, na noite em que esta fotografia foi tirada, o HARPS estava a ser utilizado para seguir candidatos a exoplanetas detectados pelo CoRoT.

Em novembro de 2012, o CoRoT teve um problema no computador, com a consequência de que, embora se encontre operacional, não há maneira de aceder aos dados do telescópio (ver as notícias da página da internet do CoRoT, ou por exemplo este artigo de notícias da Nature). A equipa CoRoT ainda não desistiu do telescópio, encontrando-se no momento a tentar reavivar o sistema. Quer se consiga ou não, o facto é que a missão CoRoT foi já um grande sucesso! A sonda duplicou o seu tempo de vida inicialmente planeado, e foi a primeira sonda a descobrir um exoplaneta pelo método do trânsito. O CoRoT contribuiu de forma significativa, tanto na procura de exoplanetas como no estudo do interior das estrelas por astrosismologia.

A busca de exoplanetas ajuda-nos a compreender o nosso próprio sistema planetário e pode bem ser o primeiro passo na procura de vida para além da Terra. O HARPS e o CoRoT são apenas dois dos muitos instrumentos desenvolvidos para ajudar os astrónomos nesta procura.

O Alexandre submeteu esta fotografia ao grupo Flick As Vossas fotografias ESO. O grupo Flick é revisto regularmente e as melhores fotos são seleccionadas para serem publicadas na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria. Em 2012, e no âmbito do 50º Aniversário do ESO que se celebra este ano, também aceitamos de bom grado as vossas imagens históricas relacionadas com o ESO. Desde que submeteu esta fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

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19 de Novembro de 2012

Os companheiros gelados do APEX

O telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) - capturado nesta bela imagem obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi - é uma das ferramentas utilizadas pelo ESO para espreitar para lá do reino da luz visível. Situa-se no Planalto do Chajnantor a uma altitude de 5000 metros.

Podemos observar grupos de penitentes brancos no primeiro plano da fotografia. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é um telescópio de 12 metros que observa radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis a comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite-lhes estudar nuvens moleculares - as densas regiões de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar - que se encontram escuras e obscurecidas pela poeira no visível ou no infravermelho, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos usam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Este intervalo de comprimentos de onda é também ideal para o estudo de algumas das galáxias mais longínquas e primordiais do Universo.

Visível apenas no céu nocturno por cima e à esquerda do APEX, podemos ver as ténues manchas correspondentes à Pequena e Grande Nuvens de Magalhães, respectivamente, galáxias vizinhas da nossa Via Láctea. O plano da Via Láctea propriamente dito pode ser visto como uma banda difusa que atravessa o céu, mais proeminente sobre o edifício de controle do APEX, situado à direita. As manchas escuras nesta banda correspondem a regiões onde a radiação emitida por estrelas distantes é bloqueada pela poeira interestelar. Escondido por trás destas zonas escuras de poeira, o centro da Via Láctea encontra-se a cerca de 27 000 anos-luz de distância. Os telescópios tais como o APEX são uma ferramenta crucial para que os astrónomos possam espreitar para além da poeira e estudarem o centro da nossa galáxia com todo o detalhe.
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

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12 de Novembro de 2012

Uma imagem, muitas histórias

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, capturou esta bela imagem do céu por cima do Observatório do Paranal do ESO, juntamente com um tesouro de objetos do céu profundo.

O mais proeminente destes objetos é a Nebulosa Carina, que brilha intensamente a vermelho no meio da imagem. A Nebulosa Carina situa-se na constelação de Carina, a cerca de 7500 anos-luz de distância. Esta nuvem de gás e poeira brilhante é a nebulosa mais brilhante do céu e contém várias das estrelas mais brilhantes e de maior massa conhecidas na Via Láctea como, por exemplo, a Eta Carinae. A Nebulosa Carina é uma amostra perfeita que os astrónomos usam para descobrir os mistérios da formação e morte violentas das estrelas de grande massa. Para algumas imagens bonitas e recentes da Nebulosa Carina obtidas pelo ESO, veja eso1208, eso1145 e eso1031.

Por baixo da Nebulosa Carina, podemos observar o Enxame Fonte dos Desejos (NGC 3532). Este enxame aberto de estrelas jovens obteve este nome porque, visto através da ocular de um telescópio, parece-se com um punhado de moedas prateadas a cintilar no fundo de uma fonte de desejos. Mais à direita, encontramos a Nebulosa Lambda Centauri (IC 2944), uma nuvem de hidrogénio brilhante e estrelas recém nascidas, também chamada a Nebulosa da Galinha Fugitiva, devido à forma de pássaro que algumas pessoas vêem na sua região mais brilhante (ver eso1135). Por cima e ligeiramente à esquerda desta nebulosa, temos as Pleiades Austrais (IC 2632), um enxame estelar aberto semelhante ao seu homónimo setentrional mais familiar.

Em primeiro plano, podemos ver três dos quatro Telescópios Auxiliares (ATs, sigla do inglês) do Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI). Usando o VLTI, os ATs - ou os telescópios individuais de 8.2 metros do VLT - podem ser utilizados em conjunto como se de um único telescópio gigante se tratassem, o qual pode observar com muito mais detalhe do que o que seria possível com os telescópios individuais. O VLTI foi já utilizado numa enorme quantidade de trabalhos, incluindo o estudo de discos circunstelares em torno de estrelas jovens e o estudo de núcleos activos de galáxias, um dos fenómenos mais energéticos e misteriosos do Universo.

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5 de Novembro de 2012

Construindo a Residência Paranal - Da turbulência à tranquilidade

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

No par de fotografias deste mês, tiradas no Observatório do Paranal do ESO, no deserto do Atacama no Chile, comparamos um local de construção, tal com era em novembro de 1999, com o resultado final atual: o edifício do observatório onde reside o pessoal, conhecido como a Residência Paranal. Imagine a diferença de antes para agora: o ressoar dos martelos e das perfuradoras, assim como o barulho dos tratores e dos guindastes deram lugar à calma pacífica de um edifício no deserto, que complementa os arredores na perfeição. Construído com materiais e cores naturais e aninhado numa depressão natural existente no solo, o edifício enquadra-se perfeitamente na paisagem circundante.

A Residência foi construída como um refúgio para os astrónomos e outro pessoal que trabalha num dos locais mais inóspitos do planeta, onde uma seca extrema, intensa radiação ultravioleta do Sol, ventos fortes e altitude elevada fazem parte do dia-a-dia. Os construtores da Residência, trabalhando igualmente nestas condições difíceis, criaram no deserto um oásis muito apreciado pelo pessoal do Observatório e o edifício terminado é um testemunho vivo ao seu trabalho árduo. A Residência, que ganhou diversos prémios, possui mais de 100 quartos, assim como um número de espaços comuns, que incluem cantina, sala de estar, piscina, centro de fitness e biblioteca. Tem uma vista espetacular a partir da façada oeste para o deserto na direção do Oceano Pacífico e do pôr do Sol.

Existe outra particularidade que pode ser observada em ambas as fotografias: por trás da Residência, 2600 metros acima do nível do mar, no topo do Cerro Paranal, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT). É o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e a razão pela qual a Residência e todos os que estão no seu interior, se encontram aqui!

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29 de Outubro de 2012

Um lugar para desvendar os mistérios do Universo frio

Esta bela panorâmica, obtida por Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, mostra os últimos raios de Sol sobre o Planalto do Chajnantor, na região do Atacama, no Chile. No planalto encontra-se o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto à esquerda na imagem. É a partir deste local remoto na Terra, a 5000 metros acima do nível do mar, que o APEX estuda o "Universo frio".

O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que observa nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis em comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite estudar nuvens moleculares - regiões densas de gás e poeira cósmica onde novas estrelas nascem - que são escuras, uma vez que se encontram obscurecidas pela poeira, na radiação visível ou infravermelha, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos utilizam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Esta janela de comprimentos de onda é também ideal para estudar algumas das mais primordiais e distantes galáxias do Universo.

Desde que começou as operações em 2005, que o APEX tem produzido muitos resultados científicos importantes. Por exemplo, o APEX juntou-se ao Very Large Telescope do ESO para detectar matéria que está a ser arrancada pelo buraco negro, que se encontra no centro da Via Láctea (eso0841), um resultado que se encontra entre as 10 Principais Descobertas Astronómicas do ESO.

Podemos ver grupos de penitentes brancos no solo em volta do APEX. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

A antena de 12 m do APEX baseia-se numa única antena protótipo construída para outro observatório no Chajnantor, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). O ALMA será uma rede de 54 antenas de 12 metros e 12 antenas de 7 metros, quando estiver completo em 2013. O ESO é o parceiro europeu desta infraestrutura internacional para a astronomia, que é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile.

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22 de Outubro de 2012

Construindo o VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Desde dezembro de 2009 que o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA, Telescópio de Rastreio Visível e Infravermelho) tem estado a mapear o céu austral a partir do Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O nosso par de fotografias deste mês mostra o telescópio VISTA durante a construção e como é atualmente.

A imagem histórica, tirada na segunda metade de 2004, mostra o edifício do telescópio a ser construído. Podemos ver o esqueleto da cúpula do telescópio na sua base circular, rodeado pelos andaimes. O VISTA situa-se num pico a cerca de 1500 metros a nordeste do Cerro Paranal, local do Very Large Telescope do ESO. O pico foi nivelado para menos de 5 metros de altura, até aos 2518 metros, criando-se assim um plataforma de 4000 metros quadrados para os trabalhos de construção necessários.

A fotografia atual mostra o telescópio VISTA já construído. O invólucro do telescópio é um edifício com 20 metros de diâmetro, que protege o telescópio do meio ambiente. Duas portas de correr formam a fenda por onde o telescópio observa, e um ecrã de vento pode ser utilizado para fechar parte da fenda sempre que necessário. Portas adicionais na cúpula fornecem ventilação para controlar a circulação do ar durante a noite. Num edifício auxiliar, adjacente à cúpula e visível em primeiro plano, guarda-se equipamento de manutenção e é também onde se situa uma oficina de revestimento, onde é aplicada aos espelhos do telescópio a fina camada refletora de prata.

O VISTA opera nos comprimentos de onda do infravermelho, com uma câmara de 67 milhões de pixeis, que pesa 3 toneladas. O seu enorme espelho, grande campo de visão e detectores infravermelhos muito sensíveis fazem dele o maior telescópio de rastreio do mundo.

O VISTA foi concebido e desenvolvido por um consórcio de 18 universidades do Reino Unido, liderado pelo Queen Mary, Universidade de Londres, e foi uma contribuição "em géneros" ao ESO, que fez parte do acordo de adesão do Reino Unido. A direção do projeto relativamente ao design e construção do telescópio foi feita pelo Science and Technology Facilities Council's UK Astronomy Technology Centre (STFC, UK ATC). 


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