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Fotografia da Semana 2012

31 de Dezembro de 2012

Rastos rodopiantes de estrelas austrais por cima do ALMA

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o céu austral, numa imagem de cortar a respiração.

As espirais das estrelas no céu fazem lembrar a Noite Estrelada de van Gogh ou, para os fãs de ficção científica, talvez a vista de uma nave espacial prestes a entrar no hiperespaço. Na realidade, trata-se da rotação da Terra, revelada nesta fotografia de longa exposição. No hemisfério sul, à medida que a Terra roda, as estrelas parecem mover-se em círculos, em torno do polo sul celeste, que se encontra na ténue constelação do Octante, entre o mais famoso Cruzeiro do Sul e as Nuvens de Magalhães. Com uma exposição suficientemente longa, as estrelas, à medida que se movem, deixam no céu rastos circulares.

A fotografia foi tirada no Planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, nos Andes chilenos. É neste local que se encontra o telescópio ALMA, cujas antenas podem ser vistas em primeiro plano. O ALMA é o telescópio mais poderoso que existe para observar o Universo frio - gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas de 7 metros. No entanto, as observações científicas preliminares começaram já em 2011. Embora não se encontre ainda completamente construído, o telescópio está já a produzir resultados excepcionais, ultrapassando largamente outros telescópios do seu tipo. Algumas das antenas vêem-se desfocadas na imagem, porque estavam a operar e se moveram durante a exposição prolongada.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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24 de Dezembro de 2012

A solidão do ALMA

Esta imagem panorâmica do planalto do Chajnantor mostra o local do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). A fotografia foi tirada próximo do pico do Cerro Chico por Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, que conseguiu capturar a atmosfera solitária do local onde se situa o ALMA, 5000 metros acima do nível do mar, nos Andes chilenos. Luz e sombra pintam a paisagem, emprestando uma aparência extraterrestre ao terreno. No primeiro plano da imagem, o grupo de antenas ALMA aparece-nos como se de uma multidão de estranhos visitantes robóticos se tratasse. Quando o telescópio estiver completo em 2013, contará com um total de 66 antenas na rede, que operarão em conjunto.

O ALMA está já a revolucionar o modo como os astrónomos estudam o Universo nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Mesmo com uma rede parcial de antenas, o ALMA é já mais potente do que qualquer outro telescópio a operar nestes comprimentos de onda, dando ao astrónomos uma capacidade sem precedentes de estudar o Universo frio -  gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. O ALMA estuda os blocos constituintes de estrelas, sistemas planetários, galáxias e da própria vida. Ao fornecer ao astrónomos imagens detalhadas de estrelas e planetas a nascer em nuvens moleculares próximas do Sistema Solar, e ao detectar galáxias distantes a formarem-se nos limites do Universo observável, que vemos como eram há mais ou menos dez mil milhões de anos atrás, o ALMA abre aos astrónomos uma janela única para a compreensão das mais profundas questões ligadas às nossas origens cósmicas.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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17 de Dezembro de 2012

O Paranal e a sombra da Terra

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi tirou outra bela fotografia panorâmica do Observatório do Paranal do ESO.

Em primeiro plano, podemos ver a paisagem montanhosa do deserto do Atacama. À esquerda, no pico mais alto, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT) e à sua frente, sobre um pico ligeiramente mais baixo, está o telescópio VISTA (sigla do inglês para Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy).

No fundo, o nascer do Sol dá cor ao céu do Paranal em bonitos tons pastel. Estendendo-se para lá do horizonte, podemos ver um mar de nuvens sobre o Oceano Pacífico, o qual se encontra a apenas 12 quilómetros do Paranal.

Por cima do horizonte, onde as nuvens se juntam ao céu, é visível uma banda escura. Esta banda é a sombra da Terra, lançada pelo planeta sobre a sua atmosfera. Este fenómeno é por vezes observado na altura do nascer e do pôr do Sol, quando o céu está limpo e o horizonte desobstruído - condições que existem claramente no Observatório do Paranal. Por cima da sombra da Terra, vemos ainda um brilho cor de rosa, conhecido como a Cintura de Vénus. É causado pela luz do nascer (neste caso) ou do pôr do Sol, dispersada pela atmosfera terrestre.

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10 de Dezembro de 2012

As estrelas riscam o céu por cima das nossas cabeças

Embora esta imagem pareça, à primeira vista, arte moderna abstracta, o facto é que se trata do resultado de uma exposição longa do céu nocturno no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. À medida que a Terra roda em direção a um novo dia, as estrelas da Via Láctea, por cima do deserto, esticam-se em traços coloridos. Ao mesmo tempo, o telescópio de vanguarda que se vê em primeiro plano, toma uma realidade de sonho.

Esta fotografia fascinante foi tirada a 5000 metros acima do nível do mar no Planalto do Chajnantor, local onde se encontra o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto aqui. O APEX é um telescópio de 12 metros que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos utilizam o APEX para estudar objetos que vão desde as nuvens frias de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar, a algumas das galáxias mais distantes e primitivas do Universo.

O APEX é o percursor do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, um novo telescópio revolucionário que o ESO, juntamente com os seus parceiros internacionais, está a construir e a operar também no planalto do Chajnantor. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com uma rede 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas adicionais de 7 metros de diâmetro cada uma. Os dois telescópios são complementares: graças ao seu campo de visão maior, o APEX pode encontrar muitos alvos ao longo de grandes áreas no céu, enquanto o ALMA os poderá estudar com grande detalhe, devido à sua muito melhor resolução angular. O APEX e o ALMA são ambos ferramentas importantes que ajudam os astrónomos a descobrir mais sobre o funcionamento do Universo, tal como a formação das estrelas que se vêem na imagem, a rodar por cima da nossa cabeça.

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi tirou esta fotografia. Babak é o fundador de O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos da Terra, sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO. 


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3 de Dezembro de 2012

Do Antu ao Yepun - A construção do VLT

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

O Very Large Telescope (VLT), a infraestrutura de referência do ESO situada no Cerro Paranal, Chile, é constituída por quatro Telescópios gigantes, cada um deles com um espelho primário de 8.2 metros de diâmetro, e por quatro telescópios amovíveis de 1.8 metros, os Telescópios Auxiliares. O nosso par de fotografias deste mês mostra um dos telescópios gigantes a ser construído e outro já construído, atualmente.

A fotografia histórica mostra o trabalho inicial de construção da cobertura do Telescópio 1, no final de outubro de 1995. As fundações de betão estavam terminadas e a parte inferior da estrutura de metal da cobertura estava já fixada às fundações. As primeiras peças da zona de rotação da cobertura do telescópio também já são visíveis - o príncipio de uma fenda larga pela qual o telescópio iria observar e a estrutura pesada, horizontal, que suportaria as portas de correr, pode também ser vista na direção da câmara. Este telescópio começou a observar a 25 de maio de 1998 (ver eso9820).

Durante a cerimónia de inauguração do Observatório do Paranal em 1999 (ver eso9921), deu-se a cada um dos telescópios um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - correspondem a quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus [1], respectivamente.

A fotografia atual mostra o 4º Telescópio, Yepun, que começou a observar em setembro de 2000 (ver eso0028). No entanto, serve tão bem como o seu irmão Antu (Telescópio 1) para mostrar o VLT completamente construído, já que todos os telescópios são exactamente iguais, apenas diferindo no tipo de instrumentos disponíveis em cada um deles, o que dá aos astrónomos uma enorme quantidade de ferramentas para estudar o Universo. A estrutura amarela em frente ao Yepun é uma plataforma de elevação, M1, que pode deslocar-se entre os diferentes telescópios e é utilizada quando os enormes espelhos primários de 8.2 metros são periodicamente removidos para serem
revestidos de novo.

Nos anos que passaram desde que a fotografia histórica foi tirada, o primeiro dos telescópios ganhou um nome - Antu - e uma família, à medida que os outros telescópios se lhe juntaram no topo da montanha. Hoje, o VLT é o telescópio astronómico visível mais avançado do mundo, e o Antu, Yepun e os outros telescópios do Paranal desempenharam um papel determinante em tornar o ESO de longe no observatório terrestre mais produtivo do mundo!

Notas

[1] Yepun tinha sido traduzido como "Sirius" da altura da inauguração do Paranal (eso0921), no entanto, descobriu-se posteriormente que a tradução correcta é "Vénus".

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26 de Novembro de 2012

Dois caçadores de planetas capturados em La Silla

Durante séculos, filósofos e cientistas especularam sobre a possibilidade da existência de planetas habitados fora do Sistema Solar. Hoje, esta ideia é mais do que especulação: foram descobertas muitas centenas de exoplanetas nas últimas duas décadas, por astrónomos em todo o mundo. Várias técnicas diferentes são utilizadas nesta busca de novos mundos. Nesta fotografia invulgar dois telescópios, que usam dois destes métodos, foram capturados na mesma imagem: o telescópio de 3.6 metros do ESO, onde se encontra montado o espectrógrafo HARPS e o telescópio espacial CoRoT. A imagem foi obtida por Alexandre Santerne, um astrónomo que estuda exoplanetas.

O espectrógrafo High Accuracy Radial velocity Planetary Search (HARPS), o descobridor de planetas mais proeminente do mundo, é um instrumento que se encontra instalado no telescópio de 3.6 metros do ESO. Podemos ver a cúpula aberta deste telescópio, à esquerda na imagem, que aparece por trás da cobertura angular do New Technology Telescope. O HARPS descobre exoplanetas ao detectar pequenas variações no movimento de uma estrela, à medida que esta se desloca ligeiramente para trás e para diante sob o efeito da atração gravitacional do planeta em sua órbita: é o chamado método das velocidades radiais na procura de exoplanetas.

O ténue traço de luz que se vê alto no céu nesta exposição de 20 segundos, não é um meteoro mas sim o telescópio espacial CoRoT (sigla do inglês Convection Rotation and planetary Transits). O CoRoT procura planetas ao observar o decréscimo da radiação emitida por uma estrela, que ocorre quando um planeta passa na sua frente - método do trânsito. A localização do telescópio espacial, situado acima da atmosfera terrestre, aumenta a precisão das observações ao remover o piscar das estrelas. Planetas potenciais encontrados pelo método do trânsito são seguidamente confirmados com o auxílio de técnicas complementares, tais como o método das velocidades radiais. De facto, na noite em que esta fotografia foi tirada, o HARPS estava a ser utilizado para seguir candidatos a exoplanetas detectados pelo CoRoT.

Em novembro de 2012, o CoRoT teve um problema no computador, com a consequência de que, embora se encontre operacional, não há maneira de aceder aos dados do telescópio (ver as notícias da página da internet do CoRoT, ou por exemplo este artigo de notícias da Nature). A equipa CoRoT ainda não desistiu do telescópio, encontrando-se no momento a tentar reavivar o sistema. Quer se consiga ou não, o facto é que a missão CoRoT foi já um grande sucesso! A sonda duplicou o seu tempo de vida inicialmente planeado, e foi a primeira sonda a descobrir um exoplaneta pelo método do trânsito. O CoRoT contribuiu de forma significativa, tanto na procura de exoplanetas como no estudo do interior das estrelas por astrosismologia.

A busca de exoplanetas ajuda-nos a compreender o nosso próprio sistema planetário e pode bem ser o primeiro passo na procura de vida para além da Terra. O HARPS e o CoRoT são apenas dois dos muitos instrumentos desenvolvidos para ajudar os astrónomos nesta procura.

O Alexandre submeteu esta fotografia ao grupo Flick As Vossas fotografias ESO. O grupo Flick é revisto regularmente e as melhores fotos são seleccionadas para serem publicadas na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria. Em 2012, e no âmbito do 50º Aniversário do ESO que se celebra este ano, também aceitamos de bom grado as vossas imagens históricas relacionadas com o ESO. Desde que submeteu esta fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

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19 de Novembro de 2012

Os companheiros gelados do APEX

O telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) - capturado nesta bela imagem obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi - é uma das ferramentas utilizadas pelo ESO para espreitar para lá do reino da luz visível. Situa-se no Planalto do Chajnantor a uma altitude de 5000 metros.

Podemos observar grupos de penitentes brancos no primeiro plano da fotografia. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é um telescópio de 12 metros que observa radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis a comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite-lhes estudar nuvens moleculares - as densas regiões de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar - que se encontram escuras e obscurecidas pela poeira no visível ou no infravermelho, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos usam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Este intervalo de comprimentos de onda é também ideal para o estudo de algumas das galáxias mais longínquas e primordiais do Universo.

Visível apenas no céu nocturno por cima e à esquerda do APEX, podemos ver as ténues manchas correspondentes à Pequena e Grande Nuvens de Magalhães, respectivamente, galáxias vizinhas da nossa Via Láctea. O plano da Via Láctea propriamente dito pode ser visto como uma banda difusa que atravessa o céu, mais proeminente sobre o edifício de controle do APEX, situado à direita. As manchas escuras nesta banda correspondem a regiões onde a radiação emitida por estrelas distantes é bloqueada pela poeira interestelar. Escondido por trás destas zonas escuras de poeira, o centro da Via Láctea encontra-se a cerca de 27 000 anos-luz de distância. Os telescópios tais como o APEX são uma ferramenta crucial para que os astrónomos possam espreitar para além da poeira e estudarem o centro da nossa galáxia com todo o detalhe.
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

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12 de Novembro de 2012

Uma imagem, muitas histórias

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, capturou esta bela imagem do céu por cima do Observatório do Paranal do ESO, juntamente com um tesouro de objetos do céu profundo.

O mais proeminente destes objetos é a Nebulosa Carina, que brilha intensamente a vermelho no meio da imagem. A Nebulosa Carina situa-se na constelação de Carina, a cerca de 7500 anos-luz de distância. Esta nuvem de gás e poeira brilhante é a nebulosa mais brilhante do céu e contém várias das estrelas mais brilhantes e de maior massa conhecidas na Via Láctea como, por exemplo, a Eta Carinae. A Nebulosa Carina é uma amostra perfeita que os astrónomos usam para descobrir os mistérios da formação e morte violentas das estrelas de grande massa. Para algumas imagens bonitas e recentes da Nebulosa Carina obtidas pelo ESO, veja eso1208, eso1145 e eso1031.

Por baixo da Nebulosa Carina, podemos observar o Enxame Fonte dos Desejos (NGC 3532). Este enxame aberto de estrelas jovens obteve este nome porque, visto através da ocular de um telescópio, parece-se com um punhado de moedas prateadas a cintilar no fundo de uma fonte de desejos. Mais à direita, encontramos a Nebulosa Lambda Centauri (IC 2944), uma nuvem de hidrogénio brilhante e estrelas recém nascidas, também chamada a Nebulosa da Galinha Fugitiva, devido à forma de pássaro que algumas pessoas vêem na sua região mais brilhante (ver eso1135). Por cima e ligeiramente à esquerda desta nebulosa, temos as Pleiades Austrais (IC 2632), um enxame estelar aberto semelhante ao seu homónimo setentrional mais familiar.

Em primeiro plano, podemos ver três dos quatro Telescópios Auxiliares (ATs, sigla do inglês) do Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI). Usando o VLTI, os ATs - ou os telescópios individuais de 8.2 metros do VLT - podem ser utilizados em conjunto como se de um único telescópio gigante se tratassem, o qual pode observar com muito mais detalhe do que o que seria possível com os telescópios individuais. O VLTI foi já utilizado numa enorme quantidade de trabalhos, incluindo o estudo de discos circunstelares em torno de estrelas jovens e o estudo de núcleos activos de galáxias, um dos fenómenos mais energéticos e misteriosos do Universo.

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5 de Novembro de 2012

Construindo a Residência Paranal - Da turbulência à tranquilidade

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

No par de fotografias deste mês, tiradas no Observatório do Paranal do ESO, no deserto do Atacama no Chile, comparamos um local de construção, tal com era em novembro de 1999, com o resultado final atual: o edifício do observatório onde reside o pessoal, conhecido como a Residência Paranal. Imagine a diferença de antes para agora: o ressoar dos martelos e das perfuradoras, assim como o barulho dos tratores e dos guindastes deram lugar à calma pacífica de um edifício no deserto, que complementa os arredores na perfeição. Construído com materiais e cores naturais e aninhado numa depressão natural existente no solo, o edifício enquadra-se perfeitamente na paisagem circundante.

A Residência foi construída como um refúgio para os astrónomos e outro pessoal que trabalha num dos locais mais inóspitos do planeta, onde uma seca extrema, intensa radiação ultravioleta do Sol, ventos fortes e altitude elevada fazem parte do dia-a-dia. Os construtores da Residência, trabalhando igualmente nestas condições difíceis, criaram no deserto um oásis muito apreciado pelo pessoal do Observatório e o edifício terminado é um testemunho vivo ao seu trabalho árduo. A Residência, que ganhou diversos prémios, possui mais de 100 quartos, assim como um número de espaços comuns, que incluem cantina, sala de estar, piscina, centro de fitness e biblioteca. Tem uma vista espetacular a partir da façada oeste para o deserto na direção do Oceano Pacífico e do pôr do Sol.

Existe outra particularidade que pode ser observada em ambas as fotografias: por trás da Residência, 2600 metros acima do nível do mar, no topo do Cerro Paranal, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT). É o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e a razão pela qual a Residência e todos os que estão no seu interior, se encontram aqui!

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29 de Outubro de 2012

Um lugar para desvendar os mistérios do Universo frio

Esta bela panorâmica, obtida por Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, mostra os últimos raios de Sol sobre o Planalto do Chajnantor, na região do Atacama, no Chile. No planalto encontra-se o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto à esquerda na imagem. É a partir deste local remoto na Terra, a 5000 metros acima do nível do mar, que o APEX estuda o "Universo frio".

O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que observa nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis em comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite estudar nuvens moleculares - regiões densas de gás e poeira cósmica onde novas estrelas nascem - que são escuras, uma vez que se encontram obscurecidas pela poeira, na radiação visível ou infravermelha, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos utilizam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Esta janela de comprimentos de onda é também ideal para estudar algumas das mais primordiais e distantes galáxias do Universo.

Desde que começou as operações em 2005, que o APEX tem produzido muitos resultados científicos importantes. Por exemplo, o APEX juntou-se ao Very Large Telescope do ESO para detectar matéria que está a ser arrancada pelo buraco negro, que se encontra no centro da Via Láctea (eso0841), um resultado que se encontra entre as 10 Principais Descobertas Astronómicas do ESO.

Podemos ver grupos de penitentes brancos no solo em volta do APEX. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

A antena de 12 m do APEX baseia-se numa única antena protótipo construída para outro observatório no Chajnantor, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). O ALMA será uma rede de 54 antenas de 12 metros e 12 antenas de 7 metros, quando estiver completo em 2013. O ESO é o parceiro europeu desta infraestrutura internacional para a astronomia, que é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile.

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22 de Outubro de 2012

Construindo o VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Desde dezembro de 2009 que o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA, Telescópio de Rastreio Visível e Infravermelho) tem estado a mapear o céu austral a partir do Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O nosso par de fotografias deste mês mostra o telescópio VISTA durante a construção e como é atualmente.

A imagem histórica, tirada na segunda metade de 2004, mostra o edifício do telescópio a ser construído. Podemos ver o esqueleto da cúpula do telescópio na sua base circular, rodeado pelos andaimes. O VISTA situa-se num pico a cerca de 1500 metros a nordeste do Cerro Paranal, local do Very Large Telescope do ESO. O pico foi nivelado para menos de 5 metros de altura, até aos 2518 metros, criando-se assim um plataforma de 4000 metros quadrados para os trabalhos de construção necessários.

A fotografia atual mostra o telescópio VISTA já construído. O invólucro do telescópio é um edifício com 20 metros de diâmetro, que protege o telescópio do meio ambiente. Duas portas de correr formam a fenda por onde o telescópio observa, e um ecrã de vento pode ser utilizado para fechar parte da fenda sempre que necessário. Portas adicionais na cúpula fornecem ventilação para controlar a circulação do ar durante a noite. Num edifício auxiliar, adjacente à cúpula e visível em primeiro plano, guarda-se equipamento de manutenção e é também onde se situa uma oficina de revestimento, onde é aplicada aos espelhos do telescópio a fina camada refletora de prata.

O VISTA opera nos comprimentos de onda do infravermelho, com uma câmara de 67 milhões de pixeis, que pesa 3 toneladas. O seu enorme espelho, grande campo de visão e detectores infravermelhos muito sensíveis fazem dele o maior telescópio de rastreio do mundo.

O VISTA foi concebido e desenvolvido por um consórcio de 18 universidades do Reino Unido, liderado pelo Queen Mary, Universidade de Londres, e foi uma contribuição "em géneros" ao ESO, que fez parte do acordo de adesão do Reino Unido. A direção do projeto relativamente ao design e construção do telescópio foi feita pelo Science and Technology Facilities Council's UK Astronomy Technology Centre (STFC, UK ATC). 


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15 de Outubro de 2012

De pneu sobresselente cósmico a botão de flor etéreo

A IC 5148 é uma bonita nebulosa planetária situada a cerca de 3000 anos-luz de distância na constelação do Grou. A nebulosa tem um diâmetro de um par de anos-luz e está ainda a crescer, a mais de 50 quilómetros por segundo - uma das nebulosas planetárias com expansão mais rápida conhecida. O termo "nebulosa planetária" surgiu no século XIX, quando as primeiras observações de tais objetos - a partir dos pequenos telescópios disponíveis na altura - mostravam algo parecido a planetas gigantes. Contudo, a verdadeira natureza das nebulosas planetárias é muito diferente.

Quando uma estrela com massa semelhante ou apenas um pouco maior do que a do Sol se aproxima do final da sua vida, as camadas exteriores são lançadas para o espaço. O gás em expansão é iluminado pelo núcleo quente que resta da estrela no centro, formando a nebulosa planetária, que geralmente toma uma forma brilhante e bonita.

Quando observada através de um pequeno telescópio amador, esta nebulosa planetária aparece como um anel de matéria, com a estrela - que irá arrefecer até se tornar uma anã branca - a brilhar no centro do buraco. Esta aparência levou os astrónomos a darem à IC 5148 o nome de Nebulosa do Pneu Sobresselente.

O instrumento EFOSC2 (sigla do inglês para ESO Faint Object Spectrograph and Camera) montado no New Technology Telescope, em La Silla, dá-nos uma visão mais elegante deste objeto. Em vez de se parecer com um pneu sobresselente, a nebulosa assemelha-se a um botão de flor etéreo com as pétalas sobrepostas em camadas. 


8 de Outubro de 2012

Uma VISTA antes do pôr do Sol

O Observatório do Paranal do ESO - situado na região do Atacama, Chile - é principalmente conhecido por albergar o Very Large Telescope (VLT), o emblemático telescópio do ESO. No entanto, desde há alguns anos que o local alberga igualmente dois telescópios de rastreio de vanguarda. Estes novos membros da família Paranal foram concebidos para obter imagens de grandes áreas do céu, rápida e profundamente.

Um deles, o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA), de 4.1 metros, situa-se num pico vizinho, não muito longe do cume do Paranal. É esse telescópio que vemos nesta fotografia tirada a partir do Paranal pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi. O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo e encontra-se em funcionamento desde dezembro de 2009.

No canto inferior direito da imagem, o edíficio do VISTA aparece em frente do que parece ser uma cadeia montanhosa sem fim, que se estende até ao horizonte. À medida que o sol se põe, as montanhas lançam sombras cada vez maiores, que vão cobrindo lentamente os tons acastanhados que pintam a magnifica paisagem que rodeia o Paranal. Dentro de pouco tempo, o Sol descerá abaixo do horizonte e todos os telescópios no Paranal começarão mais uma noite de observações.

O VISTA é um telescópio de campo largo, concebido para mapear no infravermelho o céu austral com extrema sensibilidade, permitindo assim aos astrónomos detectar objetos extremamente ténues. O objetivo destes rastreios é a criação de grandes catálogos de objetos celestes para estudos estatísticos e identificação de novos alvos que podem ser posteriormente estudados com mais detalhe pelo VLT.

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1 de Outubro de 2012

O cónico e icónico Licancabur de guarda ao Chajnantor

Esta impressionante imagem panorâmica mostra o Planalto do Chajnantor - onde está instalado o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) - com o majestoso vulcão Licancabur como pano de fundo. Com o Licancabur de guarda, uma floresta gelada de penitentes amontoa-se no primeiro plano. Os penitentes são um curioso fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude. Consistem em finos picos de neve dura ou gelo, com gumes afiados apontados ao Sol, com alturas que vão de alguns centímetros até vários metros. Pode ler mais sobre os penitentes numa Fotografia da Semana anterior (potw1221).

O Licancabur, a uma altitude de 5920 metros, é o vulcão mais icónico da região de San Pedro de Atacama, Chile. A sua forma cónica faz com que seja facilmente reconhecido mesmo a grandes distâncias. Situa-se na região mais a sul da fronteira entre o Chile e a Bolívia. O vulcão possui na sua cratera um dos lagos mais altos do mundo. O lago tem atraído a atenção de biólogos interessados em estudar como é que organismos microscópicos podem aí sobreviver, uma vez que o ambiente é extremamente inóspito, possuindo intensa radiação ultravioleta, atmosfera fina e temperaturas baixas. As estratégias de sobrevivência da vida microscópica no Lago Licancabur podem até dar-nos uma ideia das possibilidades da existência de vida em Marte numa época primitiva.

Esta fotografia foi tirada, próximo do local onde se encontra instalado o ALMA, por Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

 

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24 de Setembro de 2012

Um duro dia de trabalho pela noite dentro

Geralmente o pôr do Sol é um sinal de que acabou mais um dia de trabalho. As luzes da cidade vão-se acendendo lentamente, à medida que as pessoas regressam a casa, desejosas de um bom serão e uma bela noite de sono. No entanto, este cenário não se aplica aos astrónomos que trabalham num observatório como o Observatório do Paranal do ESO, no Chile. As observações começam assim que o Sol desaparece por baixo do horizonte. Tudo tem que estar pronto antes do escurecer.

Esta fotografia panorâmica mostra o Very Large Telescope do ESO (VLT) tendo como fundo um bonito entardecer no Cerro Paranal. As cúpulas do VLT destacam-se na imagem, à medida que os telescópios no seu interior se preparam para uma noite a estudar o Universo. O VLT é o telescópio óptico mais poderoso e avançado do mundo, composto por quatro telescópios com espelhos primários de 8.2 metros de diâmetro e quatro telescópios auxiliares móveis de 1.8 metros, os quais podem ser vistos no canto esquerdo da imagem.

Os telescópios podem igualmente trabalhar em conjunto como um único telescópio gigante, o Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI) do ESO, o qual permite aos astrónomos observar com o maior detalhe possível. Esta configuração só é utilizada num número limitado de noites por ano. Na maior parte do tempo, os telescópios de 8.2 metros são utilizados individualmente.

Nos últimos 13 anos, o VLT teve um grande impacto na astronomia observacional. Com o advento do VLT, a comunidade astronómica europeia inaugurou uma nova era de descobertas, entre as quais se destacam o seguimento das estrelas que orbitam o buraco negro central da Via Láctea e a primeira imagem de um planeta extrasolar, para citar duas das três primeiras Descobertas Astronómicas do Top 10 do ESO.

Os quatro telescópios do VLT têm nomes de objetos celestes na língua Mapuche, que era uma língua nativa antiga dos povos indígenas do Chile e da Argentina. Da esquerda para a direita temos Antu (UT1; o Sol), Kueyen (UT2; a Lua), Melipal (UT3; o Cruzeiro do Sul) e Yepun (UT4; Vénus).

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi. 


17 de Setembro de 2012

O ALMA e um Céu Estrelado - Uma Vista Magnifica

Um céu límpido em qualquer noite é sempre uma maravilha. No entanto, se estivermos no planalto do Chajnantor, a 5000 metros de altitude, nos Andes chilenos, um dos melhores locais à face da Terra para fazer observações astronómicas, a experiência poderá ser verdadeiramente memorável.

Esta panorâmica do Chajnantor mostra as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o fundo do céu nocturno estrelado.

Em primeiro plano podemos ver algumas das antenas do ALMA, trabalhando em conjunto. O planalto aparece-nos encurvado por efeito da lente grande angular utilizada. O ALMA é o telescópio mais poderoso do mundo para estudar o Universo nos comprimentos  de onda milimétricos e submilimétricos. A construção do ALMA estará completa em 2013, quando um total de 66 antenas estiverem operacionais no local. Neste momento, o telescópio encontra-se na sua fase inicial de Observações Científicas Preliminares. Embora ainda não esteja completamente construído, o telescópio está já a produzir resultados extraordinários, ultrapassando já todas as outras redes submilimétricas existentes.

No céu, por cima das antenas, brilham inúmeras estrelas tal qual jóias distantes. Dois outros objetos celestes bastante familiares estão também proeminentes do céu. A Lua, que coroa a imagem, e a Via Láctea que, apesar do luar, podemos distinguir como uma banda difusa estendendo-se ao longo de todo o céu. As regiões escuras no interior desta banda correspondem a zonas onde a radiação de estrelas de fundo é bloqueada pela poeira interestelar.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi.
Babak Tafreshi é o fundador e líder do projeto O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos do planeta sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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10 de Setembro de 2012

Um santuário intemporal em Santiago - A Casa de Hóspedes do ESO, Antes e Agora

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Este mês mostramos uma parte do ESO que é praticamente intemporal. Depois de um longo voo intercontinental para Santiago, ou dos turnos de noite duma campanha de observação nos telescópios, o que podia ser melhor do que um lugar confortável no qual possamos recuperar e repousar antes da próxima parte da viagem? Desde os primeiros dias da Organização, a Casa de Hóspedes do ESO, em Santiago, forneceu exatamente isso aos visitantes dos observatórios no Chile. A nossa fotografia Antes e Agora deste mês mostra a sala da casa de hóspedes em 1996 e atualmente.

A casa de hóspedes é uma casa grande situada numa parte calma da capital chilena. Entre o pessoal do ESO e astrónomos visitantes, tem a fama de ser um sítio calmo e convidativo para parar na longa viagem entre a Europa e os locais remotos onde se encontram os observatórios. Quase todos os astrónomos europeus que visitam La Silla, o Paranal ou o Chajnantor passam por aqui. Na casa de hóspedes podem repousar da viagem, conversar com outros colegas astrónomos, preparar a campanha de observação e - para os que vêm pela primeira vez - talvez vislumbrar o seu primeiro céu nocturno no hemisfério sul.

Decidiu-se logo em 1964, com a atividade do ESO em Santiago a aumentar, adquirir um local própria na cidade, de modo a que o ESO não tivesse que depender de hotéis. A compra da casa de hóspedes completou-se em março de 1965, tendo o local sido originalmente utilizado como gabinete administrativo e como alojamento para visitantes. No entanto, no início da década de 1970 os gabinetes oficiais do ESO foram deslocados para um novo edifício em Vitacura, uns quantos quilómetros para fora da cidade, permitindo assim que a casa de hóspedes fosse utilizada exclusivamente para o conforto e conveniência dos astrónomos e outro pessoal, cansados da viagem.

Como pode ser visto pelas duas fotografias, a casa de hóspedes não mudou muito ao longo dos anos. Temos agora disponível internet sem fios e uma máquina de café mais moderna, mas a casa de hóspedes permanece um santuário calmo e relaxante: o local perfeito para descomprimir e preparar as fatigantes mas excitantes noites de observação e talvez a próxima grande descoberta. 

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3 de Setembro de 2012

Uma superbolha surpreendente

Esta nova imagem colorida mostra a região de formação estelar LHA 120-N44 [1] na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia satélite da Via Láctea. Esta imagem combina dados no visível do telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, com dados no infravermelho e nos raios X obtidos com observatórios espaciais situados em órbita da Terra.

No centro desta região muito rica em gás, poeira e estrelas jovens situa-se o enxame estelar NGC 1929. As suas estrelas de elevada massa emitem radiação intensa, expelem matéria a altas velocidades sob a forma de ventos estelares e correm ao longo das suas curtas mas brilhantes vidas, explodindo no final como supernovas. Os ventos e as ondas de choque das supernovas esculpem uma enorme cavidade, chamada uma superbolha, no gás circundante.

Observações com o Observatório de Raios X da NASA, o Chandra (a azul na imagem) revelam regiões quentes criadas por estes ventos e choques, enquanto os dados infravermelhos do Telescópio Espacial Spitzer, da NASA (a vermelho), delineiam as zonas onde se encontram a poeira e o gás mais frio. Os dados no visível do telescópio MPG/ESO de 2.2 metros (a amarelo) completam a imagem, mostrando as estrelas quentes jovens propriamente ditas, assim como as brilhantes nuvens de gás e poeira que as rodeiam.

Combinando dados da região a diferentes comprimentos de onda permitiu aos astrónomos resolver um mistério: porque é que a N44, e outras superbolhas semelhantes, emitem raios X tão intensos? A resposta parece residir no facto de existirem duas fontes extra de emissão de raios X brilhantes: as ondas de choque das supernovas que atingem as paredes das cavidades e a matéria quente que se evapora das paredes das cavidades. Esta emissão de raios X vinda da periferia da superbolha é claramente visível na imagem. 

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Notas

[1] A designação deste objeto indica que foi incluído no catálogo de estrelas e nebulosas com emissão H-alfa nas Nuvens de Magalhães, compilado e publicado em 1956 pelo astrónomo-astronauta americano Karl Henize (1926-1993). A letra "N" indica que é uma nebulosa. O objeto é conhecido mais simplesmente como N44. 


27 de Agosto de 2012

A noite chega ao Paranal

Imagine que acabou de ver um pôr do sol magnífico do cimo do Cerro Paranal. À medida que o deserto do Atacama desaparece silenciosamente na noite, o Very Large Telescope do ESO (VLT) abre os seus poderosos olhos ao Universo. Com este espectacular panorama de 360 graus, podemos imaginar o que veríamos se nos encontrássemos no local, perto da limite sul da plataforma do VLT.

Em primeiro plano, o quarto dos Telescópios Auxiliares do VLT (sigla do inglês AT4) está a abrir. À esquerda, o Sol já se pôs sob o oceano Pacífico - coberto de nuvens abaixo da altitude do Paranal, como de costume. Ao longo da plataforma, os outros três Telescópios Auxiliares podem ser vistos em frente aos enormes edifícios dos quatro telescópios de 8.2 metros do VLT. Finalmente, a Residencia e as outras infraestruturas do campo de base também se avistam a curta distância, próximo do canto direito da imagem.

Quando a noite começa, imagine que fica imerso num silêncio absoluto, dificilmente interrompido pelo vento ou algum movimento subtil destas máquinas gigantes. É difícil de acreditar que uma intensa actividade se processa no Edifício de Controlo do VLT, situado no declive da montanha, mesmo por baixo do nível da plataforma, em direção ao pôr do Sol. Aqui os astrónomos e os operadores de telescópios começam as primeiras observações da noite.

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20 de Agosto de 2012

Estrela guia laser varre o céu estrelado

Um poderoso raio laser do Very Large Telescope (VLT) do ESO pinta o céu nocturno sobre o deserto chileno do Atacama nesta bela imagem obtida por Julien Girard. A rotação da Terra durante os 30 minutos da exposição - e o movimento que o laser executa para compensar este efeito - são a razão para o raio aparecer alargado. É também por isso que as estrelas se esticam em traços curvos, revelando subtis diferenças de cor.

O laser é utilizado para criar um ponto de luz - uma estrela artificial - ao fazer brilhar átomos de sódio que se encontram a 90 quilómetros de altitude na atmosfera terrestre. As medições desta chamada estrela guia são usadas para corrigir as imagens astronómicas que aparecem desfocadas devido ao efeito de distorção da atmosfera - uma técnica conhecida como óptica adaptiva. Embora se utilizem estrelas brilhantes verdadeiras para a óptica adaptativa, uma estrela guia laser pode ser colocada no sítio desejado, o que significa que a óptica adaptativa pode ser usada para alvos em todo o céu.

As quatro grandes cúpulas dos telescópios de 8.2 metros do VLT podem ser vistas na imagem, com o mais pequeno VLT Survey Telescope (VST) no fundo. Julien é um astrónomo do ESO que trabalha no Chile, no VLT. Na noite em que tirou esta fotografia, estava a trabalhar como astrónomo de suporte no telescópio mais à direita e aproveitou a oportunidade para colocar a sua máquina fotográfica num tripé, antes de voltar à sala de controlo para fazer as observações.

Os movimentos das cúpulas dos telescópios durante a longa exposição também aparecem desfocados e podemos igualmente observar pequenos traços de luz, feitos por pessoas que atravessam a plataforma entre os telescópios.

Julien submeteu esta fotografia no grupo Flick Your ESO Pictures. O grupo Flick é visto regularmente e as melhores fotografias são selecionadas para a nossa popular série A Fotografia da Semana, ou para a nossa galeria. Em 2012 e no âmbito do 50º aniversário do ESO, também aceitamos de bom grado as vossas fotografias históricas relacionadas com o ESO.

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13 de Agosto de 2012

Orion olha pelo ALMA

De guarda às antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), Orion, o caçador, brilha no alto do céu nocturno chileno. Com a sua característica forma em ampulheta e as três estrelas brilhantes do cinturão de Orion no centro, a constelação é facilmente reconhecível. Tirada a partir do hemisfério sul, esta imagem mostra a espada de Orion por cima do cinturão. A espada alberga um dos objetos celestes mais extraordinários - a Nebulosa de Orion - que vemos como a "estrela" do meio na espada, sendo a sua nebulosidade visível a olho nu sob boas condições de observação.

As três antenas ALMA visíveis na imagem representam apenas uma fração da rede ALMA completa, que é constituída por um total de 66 antenas. O ALMA combina os sinais das antenas, separadas por distâncias que vão até 16 quilómetros, formando um único telescópio gigante, através da técnica chamada interferometria. Embora a construção não esteja completa senão em 2013, no final de 2011 observações científicas preliminares começaram a fazer-se com uma rede parcial de antenas.

A 5000 metros de altitude no planalto do Chajnantor, no sopé dos Andes chilenos, uma das regiões mais áridas do mundo, o ALMA tem garantidas excelentes condições de observação. Um local seco e alto tal como o Chajnantor é absolutamente necessário, uma vez que o vapor de água e o oxigénio na atmosfera terrestre absorvem os comprimentos de onda da radiação no milímetro e no submilímetro, nos quais o ALMA foi concebido para observar.

Nesta fotografia, as antenas estão a ser testadas na Infraestrutura de Suporte às Operações, situada a uma altitude um pouco mais baixa, a 2900 metros. Uma vez testadas e completamente equipadas, as antenas serão então transportadas para o cimo do planalto do Chajnantor para começarem a trabalhar.

Esta imagem foi obtida por Adrian Russell, que submeteu a fotografia no grupo Flick Your ESO Pictures. O grupo Flick é visto regularmente e as melhores fotografias são selecionadas para fazerem parte da nossa popular série Fotografia da Semana ou da nossa galeria. Em 2012 e no âmbito do 50º aniversário do ESO, aceitamos igualmente de bom grado as vossas imagens históricas relacionadas com o ESO.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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6 de Agosto de 2012

Desde um caminho de terra batida até ao observatório líder mundial

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Este par de fotografias mostra uma panorâmica da entrada do Observatório do Paranal, no norte do Chile, na direção do cume do Cerro Paranal, tal qual como o local era em 1987 e como é hoje em dia.

A região do Cerro Paranal foi pela primeira vez inspeccionada, como possível local para o futuro Very Large Telescope (VLT), em 1983 por uma equipe que incluía o então Diretor Geral do ESO, Lodewijk Woltjer (ver a revista The Messenger, nº 64, pág. 5-8 para mais informações). Em 1987 foi construída uma estrada de terra batida até ao cume e estabelecida nesse sítio uma estação permanente para monitorizar as condições do local. A fotografia histórica mostra uma imagem dessa época.

Os resultados dos testes do local foram extremamente bons - as condições eram claramente melhores do que as do Observatório de La Silla do ESO, como também as de outros locais que estavam sendo estudados para o mesmo efeito. Estes resultados levaram assim à decisão de colocar o VLT no Paranal, decisão essa que foi tomada pelo Conselho do ESO em dezembro de 1990 (ver eso9015).

Muito mudou no Paranal nos 25 anos desde que a fotografia histórica foi tirada. O cume da montanha foi nivelado e construiu-se uma estrada de boa qualidade, e claro, os telescópios do observatório foram também construídos. O observatório completo e totalmente operacional pode ser visto na fotografia atual. No cume encontram-se os quatro telescópios de 8.2 metros que compõem o VLT, assim como os quatro telescópios auxiliares menores, de 1.8 metros, utilizados para a interferometria. Encontra-se também instalado neste local o VLT Survey Telescope de 2.6 metros. Na região do portão foram erguidos muitos edifícios que formam o campo base do observatório. Para uma vista na direção oposta, do cimo da montanha para baixo, para o campo base, veja a Fotografia da Semana potw1230. 

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30 de Julho de 2012

Casulo vermelho encerra estrelas jovens

Na Terra os casulos estão associados a vida nova. Também há "casulos" no espaço, mas em vez de protegerem larvas à medida que se estas transformam em borboletas, são os locais de nascimentos de novas estrelas.

A nuvem vermelha que vemos na imagem, obtida com o instrumento EFOSC2 montado no New Technology Telescope do ESO, é um exemplo perfeito de uma destas regiões de formação estelar. É uma imagem de uma nuvem chamada RCW 88, situada a cerca de dez mil anos-luz de distância e com uma dimensão de cerca de nove anos-luz. Não é feita de seda, como o casulo de um bicho-da-seda, mas sim de hidrogénio gasoso brilhante que rodeia as estrelas recém-formadas. As novas estrelas formam-se de nuvens de hidrogénio à medida que estas colapsam sob o efeito da sua própria gravidade. Algumas das estrelas mais desenvolvidas e que brilham já intensamente, podem ser vistas a espreitar por entre a nuvem.

Estas estrelas jovens quentes são muito energéticas e emitem enormes quantidades de radiação ultravioleta, o que faz com que os electrões se libertem dos átomos de hidrogénio da nuvem, deixando apenas os núcleos positivamente carregados - os protões. À medida que os electrões são recapturados pelos protões, emitem radiação H-alfa, a qual tem um brilho vermelho bastante característico.

Observar o céu através de um filtro H-alfa é o modo mais simples dos astrónomos descobrirem estas regiões de formação estelar. Um filtro H-alfa foi um dos quatro filtros utilizados para produzir esta imagem. 


23 de Julho de 2012

O campo base do Paranal visto de cima

Olhando para baixo a partir do excelente miradouro que nos proporciona o Very Large Telescope do ESO no Cerro Paranal, no deserto chileno do Atacama, podemos ver estender-se aos nossos pés o campo base do observatório. A Residencia Paranal, um porto seguro para os que trabalham na montanha, pode ser vista próximo do centro da imagem, com a caraterística cúpula do seu telhado. À esquerda da Residencia, do outro lado da estrada, encontra-se o ginásio do campo base e à esquerda está o Edifício de Manutenção dos Espelhos (MMB sigla do inglês Mirror Maintenance Building), onde os enormes espelhos do VLT são periodicamente limpos e se lhes aplica as camadas protectoras. Por trás do MMB encontra-se a central eléctrica do local e mais à esquerda podemos ver o edifício das oficinas mecânicas. Subindo pela montanha acima, em primeiro plano, vemos o Caminho das Estrelas, um trilho pedonal que vai deste a Residencia até ao topo da montanha.

O Sol pôs-se há um quarto de hora antes desta fotografia ter sido tirada, deixando o campo base banhado por uma bonita luz alaranjada. Este crepúsculo cria ligeiras sombras que dão à montanha grande profundidade. Esta vista apenas pode ser observada do Paranal durante as chamadas "horas douradas", antes ou depois do pôr do Sol já que, durante o dia, a luz direta do Sol resulta em contrastes de luz muito intensos.

Esta fotografia panorâmica foi criada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Gerhard Hüdepohl.

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16 de Julho de 2012

Deslocando uma antena ALMA

Esta fotografia mostra uma das antenas europeias de 12 metros de diâmetro do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) em deslocação na Infraestrutura de Suporte às Operações do projeto. Desde que esta fotografia foi tirada, esta antena, e outras como ela, foram postas em operação, quando o ALMA começou as observações científicas com uma rede parcial (ver eso1137). Mais recentemente, o período de apresentação de Propostas para a nova fase de observações do ALMA terminou na quinta-feira, 12 de Julho. Foram recebidas mais de 1100 propostas vindas de astrónomos de todo o mundo.

O ALMA faz as suas observações do planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros. Assim que a construção estiver completa, o ALMA será uma rede de 66 antenas de alta precisão, com 12 e 7 metros de diâmetro, espalhadas por distâncias que vão até aos 16 quilómetros, trabalhando em conjunto como se de um único telescópio se tratassem, nos comprimentos de onda de 0.32 a 3.6 milímetros. Mais de metade das 66 antenas estão já no Chajnantor (ver ann12035). Vinte e cinco antenas ALMA são fornecidas pelo ESO através de um contrato com o consórcio europeu AEM, 25 antenas são fornecidas pela América do Norte e 16 pelo Leste Asiático.

As antenas, cada uma pesando cerca de 100 toneladas, são montadas e testadas na Infraestrutura de Suporte às Operações, situada na região do Atacama do Chile, a uma altitude de 2900 metros. As antenas são depois levadas para o planalto do Chajnantor, 5000 metros acima do nível do mar, com a ajuda de dois transportadores especialmente concebidos para o efeito - veículos enormes com 28 pneus, 10 metros de largura, 20 de comprimento e 6 de altura, que pesam 130 toneladas e têm tanta potência como dois motores de carros de Fórmula 1. Um dos transportadores, chamado Otto, pode ser visto nesta fotografia, tirada quando a primeira antena europeia foi entregue ao observatório em Abril de 2011.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA. 


9 de Julho de 2012

De volta à Nebulosa Pata de Gato

A Nebulosa Pata de Gato foi revista, numa combinação de exposições obtidas com o telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, pelos astrónomos amadores Robert Gendler e Ryan M. Hannahoe. A forma característica da nebulosa aparece revelada nas nuvens avermelhadas de gás brilhante observadas sob um fundo de céu escuro polvilhado de estrelas.

A imagem foi criada a partir da combinação de observações já existentes do telescópio MGP/ESO de 2.2 metros instalado no Observatório de La Silla no Chile (ver Foto de Imprensa do ESO eso1003) com 60 horas de exposição num telescópio de 0.4 metros obtidas por Gendler e Hannahoe.

A resolução das observações obtidas pelo telescópio MGP/ESO de 2.2 metros foi combinada (utilizando a sua "luminiscência" ou brilho) com a informação de cor das observações de Gendler e Hannahoe, de modo a produzir uma excelente combinação de dados obtidos por telescópios amadores e profissionais. Por exemplo, a informação adicional sobre as cores mostra a ténue nebulosidade azul na região central, a qual não era observada na imagem original do ESO, enquanto que os dados do ESO contribuem com maiores detalhes. O resultado é uma imagem melhor que apenas a soma das várias partes.

A Nebulosa Pata de Gato (também conhecida como NGC 6334) situa-se na constelação do Escorpião. Embora pareça situar-se próximo do centro da Via Láctea no céu, encontra-se efetivamente relativamente próximo da Terra, a uma distância de cerca de 5500 anos-luz. Com uma dimensão de cerca de 50 anos-luz, esta nebulosa é uma das regiões de formação estelar mais activas da nossa galáxia, contendo estrelas brilhantes azuis jovens de elevada massa, que se formaram nos últimos milhões de anos. Alberga possivelmente dezenas de milhar de estrelas no total, algumas visíveis e outras ainda escondidas nas nuvens de gás e poeira. 

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2 de Julho de 2012

Um oásis para os astrónomos - a Residencia Paranal do ESO Antes e Agora

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Desde Fevereiro de 2002 (ver eso0205), que a Residencia Paranal tem albergado o pessoal que trabalha no observatório principal do ESO. É no Paranal, no deserto do Atacama do Chile, que está localizado o Very Large Telescope (VLT). Este mês, a nossa fotografia do Antes e Agora - ambas tiradas pelo Embaixador Fotográfico Gerhard Hüdepohl - mostra-nos uma vista única de como foi construído este oásis no deserto.

A fotografia histórica mostra a Residencia em construção no final de 2000. O edifício foi desenhado pela empresa alemã Auer+Weber e baseia-se numa forma em L subterrânea. Os materiais de construção têm a mesma cor do deserto, para ajudar o edifício a integrar-se na paisagem circundante. A área central da Residencia, parcialmente completa, assemelha-se a um anfiteatro, com degraus de pedra a céu aberto.

Hoje, a Residencia tem um ar completamente diferente! Apesar de ser um edifício subterrâneo, o design característico do edifício cria um interior que transmite a sensação de espaço aberto. O hall central encontra-se protegido por uma cúpula de cristal com 35 metros de diâmetro, a qual permite que a luz natural invada o edifício. O anfiteatro de 2000 transformou-se num luxuriante jardim tropical, com uma piscina na zona mais baixa. Tanto o jardim como a piscina foram desenhados no intuito de aumentarem a humidade no interior, permitindo ao pessoal que aqui trabalha recuperar das condições extremamente áridas do exterior, um dos locais mais secos à face da Terra.

Graças ao design único da Residencia, a sua fama espalhou-se para além do mundo da astronomia. Por exemplo em 2008, foram aqui filmadas cenas para o filme de James Bond, Quantum of Solace, onde a Residencia era o hotel "Perla de las Dunas" [1]. Em 2009, a Residencia foi selecionada como um dos "dez edifícios top da década" pelo jornal Guardian do Reino Unido (ver ann0940) e em 2012, o Observatório do Paranal, juntamente com a Residencia, fez parte da campanha publicitária da Land Rover "Perfect Places" (ver ann12008).

Notas

[1] Para mais informações sobre James Bond no Cerro Paranal ver eso0807, eso0838 e http://www.eso.org/public/outreach/bond/BondatParanal.html

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Imagem histórica
Imagem atual
Composição lado a lado das imagens histórica e atual
Embaixadores Fotográficos do ESO 


25 de Junho de 2012

Marte, 2099?

Numa noite escura e fria em Marte, no meio de um deserto árido, uma estrada estreita iluminada por luzes artificiais serpenteia até a um posto humano avançado no cimo de uma velha montanha. Ou, pelo menos, é o que um fã de ficção científica poderia pensar desta imagem quase extraterrestre.

Na realidade, a fotografia mostra o Observatório do Paranal do ESO, local do Very Large Telescope (VLT), na Terra. No entanto, é fácil imaginá-la como uma imagem futura de Marte, talvez no final do século. Por isso mesmo é que Julien Girard, o autor da fotografia, lhe deu o nome de Marte 2099.

Situado a 2600 metros de altitude, o Observatório do Paranal encontra-se numa das regiões mais secas e desoladas da Terra, no deserto do Atacama do Chile. A paisagem é tão "marciana", que a Agência Espacial Europeia (ESA) e a NASA testam os rovers marcianos nesta região. Como exemplo, uma equipa da ESA acaba de testar neste local o rover autónomo Seeker, tal como anunciado em ann12048.

Esta imagem foi obtida ao pôr do Sol, na direção do VLT, para sudoeste, a partir do telescópio de rastreio VISTA, que se situa num pico adjacente. A oeste temos o Oceano Pacífico, situado a apenas 12 quilómetros do Paranal. Por cima do pico do Paranal, podemos observar a Via Láctea, com a marca inconfundível do céu austral - o Cruzeiro do Sul.

No Paranal, os céus podem ser tão límpidos e escuros em noites sem Lua, que a luz da Via Láctea é suficiente para formar sombras. Esta é a razão pela qual o ESO escolheu este local para instalar o VLT, beneficiando o observatório das melhores condições de observação em todo o mundo.

Julien Girard é um astrónomo do ESO que trabalha no Chile, no VLT. Julien submeteu esta fotografia no grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para divulgação na nossa popular série "Fotografia da Semana", ou na galeria. Em 2012, no âmbito do 50º aniversário do ESO, damos igualmente relevo às vossas fotografias históricas relacionadas com o ESO. 

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18 de Junho de 2012

O Laser do Yepun e as Nuvens de Magalhães

Um dos maiores inimigos dos astrónomos é a atmosfera terrestre, que faz com que os objetos celeste apareçam desfocados quando observados por telescópios colocados no solo. Para minimizar este efeito, os astrónomos usam uma técnica chamada óptica adaptativa, na qual espelhos deformáveis controlados por computador são ajustados centenas de vezes por segundo de modo a corrigir a distorção causada pela atmosfera.

Esta imagem espetacular mostra Yepun [1], o quatro telescópio de 8.2 metros do Very Large Telescope do ESO (VLT), lançando um poderoso raio laser amarelo para o céu. O raio cria um ponto brilhante - uma estrela artificial - na atmosfera terrestre ao excitar uma camada de átomos de sódio a uma altitude de 90 km. Esta Estrela Guia Laser (LGS, sigla do inglês Laser Guide Star) faz parte do sistema de óptica adaptativa do VLT. A radiação refletida da estrela artificial é utilizada como referência para controlar os espelhos deformáveis e remover os efeitos das distorções atmosféricas, produzindo assim imagens astronómicas quase tão nítidas como se o telescópio estivesse no espaço.

O laser do Yepun não é a única coisa que brilha intensamente no céu. A Grande e Pequena Nuvens de Magalhães podem ser observadas, à esquerda e à direita do raio laser, respetivamente. Estas galáxias anãs irregulares próximas são objetos bastante proeminentes no hemisfério sul, podendo ser facilmente observadas a olho nu. A estrela brilhante na Grande Nuvem de Magalhães trata-se de Canopus, a estrela mais brilhante da constelação Carina, enquanto que a estrela que se encontra na parte superior direita da imagem é Achernar, a estrela mais brilhante na constelação Erídano.

Esta imagem foi obtida por Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO.

Notas

[1] Os quatro telescópios do VLT têm nomes de objetos celestes na língua indígena mapuche, o mapudungun. Os telescópios chamam-se: Antu (UT1, o Sol), Kueyen (UT2, a Lua), Melipal (UT3, o Cruzeiro do Sul) e Yepun (UT4, Vénus).

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11 de Junho de 2012

Via Láctea em Cascata

Muitas fotografias astronómicas captam imagens extraordinárias do céu e esta não é uma excepção. Há, no entanto, algo invulgar neste panorama. Por trás do Very Large Telescope (VLT) do ESO, duas correntes de estrelas parecem descer tal qual quedas de água, ou talvez subir como colunas de fumo em direção aos céus. Este efeito deve-se ao facto do panorama capturar toda a cúpula do céu, desde o zénite até ao horizonte, 360º completos. As duas correntes são, de facto, uma banda única: o plano da nossa Galáxia, a Via Láctea, à medida que atravessa o céu de horizonte a horizonte. Quando passa por cima de nós, parece espalhar-se ao longo de toda a zona superior do panorama, devido à distorção que é necessária para contermos toda a cúpula do céu numa imagem plana rectangular.

Para percebermos melhor a imagem, imaginemos que a extrema esquerda está ligada à extrema direita, criando um arco à nossa volta e que, a parte de cima está toda contida num único ponto por cima de nós, ou seja, corresponde a toda a cúpula do céu que se encontra em cima.

Na parte esquerda da imagem, a silhueta da manga de vento do observatório pode ser vista por cima do edifício. À esquerda da manga de vento está uma mancha brilhante que é a Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea. À direita, no plano da Via Láctea, podemos ver o brilho avermelhado da Nebulosa Carina e por cima desta encontra-se a escuridão correspondente à Nebulosa Saco de Carvão, próxima do Cruzeiro do Sul. Um pouco mais para cima vemos as duas estrelas brilhantes de Alfa e Beta Centauri. Os quatro edifícios altos que se vêem na imagem acolhem os telescópios de 8.2 metros do VLT. Entre os dois telescópios da direita está o edifício mais pequeno do VLT Survey Telescope. À direita da imagem, podemos ainda observar o planeta Vénus que brilha mesmo por cima do horizonte.

Este panorama, que mostra não só o topo do Cerro Paranal, mas também o magnífico céu que o observatório estuda, foi criado pelo Embaixador Fotográfico do ESO Serge Brunier. Tal como a tecnologia de vanguarda do VLT expande a nossa visão do Universo, também Serge utilizou as técnicas fotográficas mais avançadas para capturar um hemisfério completo do céu numa só imagem - muito mais do que os nossos olhos poderiam ver duma só vez.

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4 de Junho de 2012

Os computadores do ESO ao longo das décadas - O avanço extraordinário da tecnologia

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

O nosso par de fotografias deste mês mostra como o poder computacional aumentou drasticamente ao longo do tempo. Ambas as fotografias mostram o astrónomo austríaco Rudi Albrecht em frente a sistemas de computadores do ESO, mas em datas separadas por décadas.

Na imagem histórica, obtida em 1974 nos gabinetes de ESO em Santiago, Chile, podemos ver Albrecht, com um lápis na mão, a trabalhar sobre um código em frente a um teletipo. Albrecht estava a desenvolver software para o Scanner de Espectro montado no telescópio de 1 metro do ESO [1], situado no Observatório de La Silla. Os dados eram processados em Santiago utilizando um mini-computador Hewlett Packard 2116, o qual se vê por detrás da impressora. Este computador volumoso, com um processador e uns extraordinários 16 kilobytes de memória magnética (!), guardava os resultados em fita magnética, prontos a serem seguidamente processados pelos astrónomos visitantes nos computadores das suas instituições de trabalho. Para lidar com ficheiros maiores que a memória disponível, Albrecht desenvolveu um sistema de memória virtual, com o qual contribuiu para o Centro de Software da Hewlett Packard.

A fotografia atual mostra Albrecht no Centro de Dados da Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha, centro este que arquiva e distribui os dados dos telescópios do ESO. Albrecht encontra-se em frente a uma fileira que contém um sistema com 40 processadores, 138 terabytes de capacidade de armazenamento e 83 gigabytes de RAM - ou seja, 5 milhões de vezes mais do que a máquina que utilizava em 1974! Até o tablet que tem na mão é muito mais potente que a antiga máquina, fornecendo uma alternativa moderna ao lápis e ao papel.

Ao longo dos anos, os sistemas computacionais do ESO foram-se desenvolvendo de modo a lidar com a quantidade cada vez maior de dados científicos produzidos pelos telescópios do observatório. Avanços na tecnologia ligada aos telescópios, detectores e computadores fazem com que os observatórios produzam agora quantidades enormes de imagens, espectros e catálogos. Por exemplo, os dois telescópios de rastreio no Paranal, o VST e o VISTA, produzem juntos cerca de 100 terabytes de dados por ano. Estamos a milhas dos dias da fita magnética e dos 16 kilobytes de memória!! 

Notas

[1] O telescópio de 1 metro do ESO foi desactivado em 1994.



28 de Maio de 2012

A Via Láctea austral por cima do ALMA

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tefreshi, captou esta impressionante imagem das antenas da rede ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), tendo como fundo o esplendor da Via Láctea. A riqueza do céu nesta imagem atesta bem as extraordinárias condições que oferece à astronomia o Planalto do Chajnantor, uma região do Atacama situada a 5000 metros de altitude.

Nesta imagem podemos ver as constelações de Carina e da Vela. As nuvens de poeira da Via Láctea, obscuras e ténues, cruzam a imagem da zona superior esquerda à zona inferior direita. A estrela brilhante de cor laranja, em cima e à esquerda, é Suhail na Vela, enquanto que a estrela também alaranjada no meio em cima é Avior, na Carina. Das três estrelas azuis brilhantes que formam um "L" perto destas estrelas, duas delas pertencem à Vela e a da direita pertence a Carina. E exactamente no centro da imagem por baixo destas estrelas brilha a cor de rosa a Nebulosa Carina (eso1208).

ESO, o parceiro europeu no ALMA, fornecerá 25 das 66 antenas que farão parte do telescópio. As duas antenas mais perto da câmara, onde o leitor mais atento pode ler "DA-43" e "DA-41", são exemplos destas antenas europeias. A construção da rede ALMA estará terminada em 2013, mas o telescópio encontra-se já a fazer observações científicas com uma rede parcial de antenas.

Babak Tafreshi é o fundador de O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos do planeta sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA. 


21 de Maio de 2012

Penitentes gelados ao luar em Chajnantor

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou este curioso fenómeno no planalto do Chajnantor, o local onde se encontra instalado o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

Estas estranhas formações de gelo e neve são conhecidas por penitentes (do espanhol). Aqui encontram-se iluminadas pelo luar, sendo a Lua visível no lado direito da fotografia. No lado esquerdo, mais encima no céu, podemos ver a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, enquanto que o brilho avermelhado da Nebulosa Carina aparece ao fundo à esquerda, próximo do horizonte.

Os penitentes são maravilhas naturais típicas de regiões de elevadas altitudes, tais como os Andes chilenos, que se encontram cerca de 4000 metros acima do nível do mar. São finos bicos e lâminas de gelo ou neve dura, que se formam geralmente em grupos, com as lâminas a apontar na direção do Sol. Atingem alturas que vão desde uns meros centímetros, assemelhando-se a relva baixa, até a cinco metros, dando a impressão de serem uma floresta de gelo no meio do deserto.

O mecanismo preciso da sua formação ainda não é bem compreendido. Durante muitos anos, os habitantes dos Andes pensavam que os penitentes resultavam dos ventos fortes que se fazem sentir nestas montanhas. No entanto, estes ventos fortes apenas desempenham um pequeno papel na formação destes pináculos gelados. Hoje em dia, crê-se que estas formações resultem da combinação de uma série de fenómenos físicos.

O processo começa com a luz do Sol a incidir na superfície do gelo. Devido às condições extremamente secas do deserto, o gelo sublima em vez de derreter, isto é, passa do estado sólido ao estado gasoso sem derreter e por isso sem passar pela fase de água líquida. Depressões na superfície da neve recolhem e aprisionam a luz solar, levando a uma maior sublimação e depressões ainda mais acentuadas. No seio destas depressões, o aumento da temperatura e da humidade permitem a ocorrência de derretimento. Este feedback positivo acelera o crescimento da estrutura característica dos penitentes.

Estas estátuas geladas têm o nome dos chapéus pontiagudos dos nazarenos, membros da irmandade que participa em procissões de Páscoa por todo o mundo. Não é difícil imaginá-los como uma assembleia de monges gelados, congregados ao luar.

A imagem foi tirada ao lado da estrada que leva ao ALMA. O observatório, que começou as operações científicas preliminares a 30 de Setembro de 2011, irá contar com 66 antenas de alta precisão, que operarão juntas como se de um único telescópio se tratassem.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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14 de Maio de 2012

Preparando o VLT para imagens ainda mais nítidas

Esta fotografia mostra um dos telescópios que compõem o Very Large Telescope (VLT), o telescópio 4 (UT4, sigla do inglês), quanto esteve recentemente nas mãos dos engenheiros do ESO. O telescópio foi rodeado por uma série de andaimes temporários, que faziam parte das preparações para a instalação da nova Infraestrutura de Óptica Adaptativa (AOF, sigla do inglês). Este processo vai converter o UT4 num telescópio completamente adaptativo. A AOF corrigirá os efeitos de imagens difusas e indefinidas devido à atmosfera terrestre e permitirá a obtenção de imagens muito mais nítidas por parte dos instrumentos HAWK-I e MUSE.

Estão a ser acrescentados ao UT4 muitos componentes novos que fazem parte da AOF. Entre eles encontra-se o espelho secundário deformável (DSM, sigla do inglês): um espelho muito fino, com 1.1 metros de diâmetro mas apenas 2 milímetros de espessura. O espelho é suficientemente fino para se deformar facilmente sob a ação de mais de mil actuadores, mais de mil vezes por segundo, de modo a contrabalançar as distorções devidas à atmosfera. O DSM é o maior espelho adaptativo construído até à data (ann12015). Outro elemento vital é a Infraestrutura de Estrela Guia Laser 4 (4LGSF) - composta por quatro telescópios especiais que disparam raios laser para a alta atmosfera, criando assim estrelas artificiais [1] (ann12012). Finalmente, os módulos de óptica adaptativa GRAAL e GALACSI serão responsáveis por analisar a radiação que nos chega de volta das estrelas guia laser.

Esta fotografia mostra um engenheiro do ESO supervisionando o trabalho que está a ser executado no UT4. Para permitir um completo acesso ao telescópio, a célula do espelho primário foi temporariamente removida. Foram igualmente removidos vários cabos e tubos , tendo sido instalados outros novos. Correias de montagem foram adicionadas em preparação para a instalação dos gabinetes de eletrónica do 4LGSF e dos telescópios de lançamento.

Notas

[1] Os raios laser excitam uma camada de átomos de sódio a uma altitude de 90 quilómetros na atmosfera, fazendo com que estes brilhem como estrelas artificiais. 


7 de Maio de 2012

Três telescópios muito diferentes em La Silla

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Estas duas fotografias foram tiradas do pico mais alto de La Silla, uma montanha a uma altitude de 2400 metros, na periferia do deserto do Atacama, no Chile. La Silla foi o local do primeiro observatório do ESO. A fotografia histórica, tirada em 1975, mostra alguns dos camiões e outro equipamento utilizados na construção da cúpula do telescópio de 3.6 metros do ESO, o qual estava a ser construído numa zona por detrás do fotógrafo. À esquerda podemos ver os tanques de água que fornecem o local.

Na fotografia atual, aparecem três novos telescópios, todos muito diferentes uns dos outros. À direita dos tanques de água situa-se o New Technology Telescope do ESO (NTT), que começou a operar a 23 de Março de 1989. Este telescópio de 3.58 metros foi o primeiro a possuir um espelho primário controlado por computador, que ajustava a forma do espelho durante as observações de modo a optimizar a qualidade de imagem. A cúpula octogonal que alberga o NTT demonstrou igualmente um considerável avanço na tecnologia, sendo ventilada por um sistemas de aberturas que permite ao ar fluir de modo constante e suave em volta do espelho, reduzindo assim a turbulência e permitindo a obtenção de imagens mais nítidas.

À direita do NTT encontra-se o Telescópio Suíço de 1.2 metros Leonhard Euler, que apresenta uma cúpula mais tradicional. É operado pelo Observatório de Genebra, da Universidade de Genebra, Suíça, e começou a operar a 12 de Abril de 1998. É utilizado para procurar exoplanetas no céu austral; tendo a sua primeira descoberta sido um planeta em órbita da estrela Gliese 86 (ver eso9855). O telescópio observa também estrelas variáveis, explosões de raios gama e núcleos activos de galáxias.

Em primeiro plano à direita encontra-se um edifício apelidado de sarcófago, o qual alberga o telescópio TAROT (sigla do francês para Télescope à Action Rapide pour les Objets Transitoires), que começou a operar em La Silla a 15 de Setembro de 2006. Este telescópio robótico relativamente pequeno, com apenas 25 centímetros, e extremamente rápido, reage muito depressa a alertas vindos de satélites sobre explosões de raios gama, podendo assim detectar as posições destes eventos extremamente rápidos. A observação destas explosões cósmicas é importante, possibilitando o estudo da formação de buracos negros e da evolução de estrelas no Universo primordial. O TAROT é operado por um consórcio liderado por Michel Boër do Observatoire de Haute Provence, em França.

O NTT é operado pelo ESO, enquanto que o Telescópio Leonhard Euler e o TAROT fazem parte dos projetos nacionais albergados em La Silla. Ainda hoje, 40 anos depois da sua inauguração, La Silla permanece na linha da frente da astronomia.

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30 de Abril de 2012

Sol, Lua e telescópios por cima do deserto

A beleza etérea do deserto do Atacama no Chile, local onde está instalado o Very Large Telescope do ESO (VLT), estende-se neste panorama até ao horizonte. Os quatro grandes telescópios do VLT, cada um com um espelho de 8.2 metros de diâmetro, situam-se no Cerro Paranal, o pico mais alto que se vê no centro da imagem. O telescópio de rastreio VISTA encontra-se no pico situado à esquerda do Cerro Paranal. Este telescópio de 4.1 metros mapeia grandes zonas do céu, procurando alvos interessantes que o VLT e outros telescópios, tanto no solo como no espaço, estudarão em grande detalhe.

Esta região oferece algumas das melhores condições de observação do céu nocturno de todo o planeta. À direita deste panorama de 360 graus, o Sol está a pôr-se sobre o Oceano Pacífico, lançando grandes sombras na paisagem. À esquerda, a Lua brilha no céu. Dentro de pouco tempo, começarão as observações nocturnas.

Este magnífico panorama foi criado por Serge Brunier, um Embaixador Fotográfico do ESO. Esta é uma das muitas imagens que capturam os observatórios do ESO, os locais onde se encontram instalados e o esplendor dos céus por cima deles.

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23 de Abril de 2012

A Lua e o Arco da Via Láctea

O Embaixador Fotográfico do ESO Stéphane Guisard capturou este extraordinário panorama a partir do local do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, nos Andes chilenos. O planalto do Chajnantor extremamente seco e a 5000 metros de altitude, oferece o sítio perfeito para este telescópio de vanguarda, que estuda o Universo nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro.

Várias antenas gigantes dominam o centro da imagem. Quando o ALMA estiver completo, contará com um total de 54 destas antenas com 12 metros de diâmetro. Por cima da rede de antenas, o arco da Via Láctea torna o fundo resplandecente. Quando este panorama foi fotografado, a Lua encontrava-se próximo do centro da Via Láctea no céu, o luar brilhando sobre as antenas. A Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, as maiores galáxias satélites anãs da Via Láctea, aparecem à esquerda como duas manchas luminosas no céu. Podemos também observar o rasto de um meteoro particularmente brilhante, próximo da Pequena Nuvem de Magalhães.

À direita, podem ser vistas algumas nas antenas mais pequenas de 7 metros do ALMA, doze das quais serão utilizadas para formar o Atacama Compact Array. Ainda mais à direita brilham as luzes do Edifício Técnico de Operações da Rede. E finalmente, por trás deste edifício está o escuro pico montanhoso do Cerro Chajnantor.

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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16 de Abril de 2012

APEX de sentinela no Chajnantor

O telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) perscruta o céu do Chajnantor durante uma noite iluminada pelo lunar, num dos locais mais altos e secos do planeta onde está instalado um observatório. Tesouros astronómicos enchem o céu por cima do telescópio, testemunhando as excelentes condições de observação que nos oferece esta região do deserto do Atacama, no Chile.

À esquerda brilham as estrelas que compõem a cauda da constelação do Escorpião. O "espigão" do escorpião está representado pelas duas estrelas brilhantes que se encontram particularmente próximas uma da outra. Ao longo de todo o céu, podemos observar o plano da Via Láctea, que se parece com uma banda de nuvens brilhando tenuamente.

Entre o Escorpião e a constelação seguinte à direita (Sagitário), que está mesmo por cima da antena do APEX, podemos ver claramente um brilhante enxame de estrelas. Trata-se do enxame aberto Messier 7, também conhecido como Enxame de Ptolomeu. Por baixo de Messier 7 e ligeiramente à direita encontramos o enxame da Borboleta, Messier 6. Ainda mais à direita, mesmo por cima da borda da antena, está uma nuvem difusa mais parecida com uma nódoa brilhante. É a famosa Nebulosa da Lagoa (ver eso0936 para uma imagem mais detalhada).

Com uma antena de 12 metros de diâmetro, o APEX é o maior telescópio submilimétrico de antena simples a operar no hemisfério Sul. Tal como o nome do telescópio sugere, este instrumento encontra-se a abrir caminho para o maior observatório submilimétrico do mundo, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que estará completo em 2013 (eso1137). O APEX partilhará o espaço com as 66 antenas do ALMA no planalto do Chajnantor, situado a 5000 metros de altitude, no Chile. O telescópio APEX baseia-se numa antena protótipo construída para o projeto ALMA, e encontrará muitos alvos que o ALMA poderá depois estudar com grande detalhe.

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi fez este panorama utilizando uma lente telefoto. O Babak é também fundador do The World At Night, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais do mundo mais bonitos e históricos contra um fundo de estrelas, planetas e eventos celestes.

Mais Informação

O APEX é uma colaboração entre o Max-Planck-Institut für Radioastronomie (MPIfR), o Onsala Space Observatory (OSO) e o ESO, com as operações do telescópio a serem levadas a cabo pelo ESO.

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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9 de Abril de 2012

A toda a volta do Chajnantor - um panorama de 360 graus

Embora o "Cerro Chico" atinja a altitude de 5300 metros acima do nível do mar, é apenas uma pequena montanha no meio da paisagem majestosa do planalto dos Andes. Efectivamente, o próprio nome significa "pequena montanha" em espanhol. No entanto, devido à sua posição no planalto Chajnantor, o topo do Cerro Chico oferece-nos um excelente miradouro, relativamente fácil de alcançar, a partir do qual podemos apreciar uma paisagem magnífica.

Este panorama de 360 graus está centrado a nordeste, onde os vulções mais altos - a maioria acima dos 5500 metros - podem ser vistos. No centro encontra-se o próprio Cerro Chajnantor. À direita, no planalto, está o telescópio APEX (Atacama Pathfinder Experiment) com o Cerro Chascon mesmo por trás. Ainda mais à direita, a sudeste, o planalto Chajnantor aparece quase completamente visível. Para além do telescópio APEX, podemos avistar à direita mais três antenas do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). Muitas mais têm sido acrescentadas desde que este panorama foi feito.

À esquerda do planalto Chajnantor, a 5000 metros de altitude, o ar é tão rarefeito e seco que parece que nunca conseguimos encher bem os pulmões de ar. Graças a estas condições extremas, a radiação milimétrica e submilimétrica que nos chega do Universo consegue atravessar o que resta da atmosfera terrestre que se situa por cima do local, podendo assim ser detectada a partir do solo com telescópios particularmente sensíveis, tais como o ALMA e o APEX.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. O telescópio é operado pelo ESO.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção e operação do ALMA.

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2 de Abril de 2012

La Silla, a primeira casa dos telescópios do ESO - o local do primeiro observatório do ESO Antes e Agora

O ESO faz 50 anos este ano e para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Esta imagem histórica foi tirada em 1970 a partir dos dormitórios do ESO, situados numa zona mais baixa da montanha relativamente ao local onde se encontram as cúpulas dos telescópios. A fotografia foca a zona mais alta da montanha, que pode ser vista no lado esquerdo da imagem. A estrutura metálica que se vê próximo do cume não é um telescópio, mas sim um tanque de água que abastece o local. A cúpula branca que se encontra no centro da imagem é a do telescópio Schmidt de 1 metro do ESO, que começou as suas operações em Fevereiro de 1972. No lado direito ao fundo temos o telescópio de 1 metro do ESO, do qual apenas se vê uma parte da cúpula e à esquerda avista-se apenas a parte de cima do Grand Prisme Objectif telescope.

Na fotografia atual, embora os edifícios dos dormitórios continuem no mesmo local, ao longo das décadas foram sendo construídos mais dormitórios. As diferenças mais marcantes, no entanto, podem ver-se em torno do pico de La Silla à esquerda. No ponto mais alto encontra-se o telescópio de 3.6 metros do ESO, que começou a trabalhar em Novembro de 1976 e que ainda hoje continua ativo. É neste telescópio que está instalado o HARPS, o principal descobridor de exoplanetas (ver eso1134 e eso1214 para alguns resultados recentes). Planeado desde o início do ESO e como maior telescópio existente e um feito de engenharia do seu tempo, o telescópio de 3.6 metros é a jóia na coroa do Observatório de La Silla. A cúpula mais pequena que se vê em frente do telescópio de 3.6 metros pertence ao Telescópio Auxiliar Coudé de 1.4 metros, que complementa o seu vizinho maior.

À direita do telescópio de 3.6 metros temos o New Technology Telescope (NTT) de 3.58 metros, facilmente reconhecível pela aparência angular metálica da sua cúpula. O NTT, que começou as suas operações em Março de 1989, foi o primeiro telescópio do mundo a usar um espelho controlado por computador. Foi usado como um percursor do Very Large Telescope, testando-se muita da tecnologia que foi posteriormente utilizada neste telescópio.

Outras diferenças observadas na fotografia atual incluem o edifício de oficinas construído por baixo dos tanques de água, e o Differential Image Motion Monitor (DIMM), usado para medir o seeing atmosférico, e que se encontra sobre estacas entre as oficinas e o telescópio Schmidt de 1 metro.

La Silla permanece ainda hoje um observatório muito ativo, onde são feitas importantes descobertas. Tanto o NTT como o telescópio de 3.6 metros foram fundamentais no fornecimento de dados que levaram à descoberta da aceleração da expansão do Universo - uma descoberta agraciada com o Prémio Nobel da Física em 2011.

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26 de Março de 2012

Gostava de estar aqui?

O fotógrafo francês Serge Brunier - um dos Embaixadores Fotográficos do ESO - criou este panorama de 360 graus do planalto do Chajnantor no deserto do Atacama, onde o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) se encontra em construção.

A projeção do panorama distorceu ligeiramente a forma das antenas ALMA, mas ainda assim a imagem dá-nos bem a sensação de como seria estar no meio deste impressionante observatório novo. A vista de 360 graus mostra igualmente o completo isolamento do planalto do Chajnantor; a uma altitude de 5000 metros, a paisagem não apresenta praticamente nenhumas características para além de alguns picos de montanhas e cerros.

Embora construir uma tal rede de telescópios num local tão remoto e inóspito seja muito difícil, é indispensável podermos contar com uma altitude elevada no que diz respeito à astronomia submilimétrica. Isto deve-se ao facto do vapor de água presente na atmosfera absorver este tipo de radiação. Sendo o ar muito mais seco a elevadas altitudes, como é o caso do Chajnantor, este efeito diminui.

O ALMA começou as suas observações científicas a 30 de Setembro de 2011, utilizando uma rede parcial de antenas. Quando o observatório estiver completo, a vista impressionante de cinquenta antenas de 12 metros - assim como a rede mais pequena de quatro antenas de 12 metros e doze antenas de 7 metros, conhecida como o Atacama Compact Array (ACA) - farão esta paisagem isolada parecer um pouco mais cheia. Entretanto, fotografias como esta documentam bem o progresso desta infraestrutura de telescópios de vanguarda.

O ALMA, uma infraestrutura internacional astronómica, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção e operação do ALMA.

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19 de Março de 2012

O VLT vai à caça de leões

O Very Large Telescope do ESO obteve a imagem de mais um membro do grupo de galáxias Leo I, na constelação do Leão. A galáxia Messier 95 apresenta-se-nos de face, dando-nos a oportunidade de ver a sua estrutura em espiral. Os braços espirais formam um círculo quase perfeito em torno do centro galáctico antes de abrirem, criando uma espécie de juba da qual qualquer leão se poderia orgulhar.

Outra característica, talvez ainda mais impressionante, da Messier 95 é o seu núcleo dourado muito brilhante. É constituído por um anel nuclear com formação estelar muito activa, com cerca de quase 2000 anos-luz de tamanho, onde efetivamente ocorre uma grande parte da formação estelar da galáxia. Este fenómeno acontece essencialmente em galáxias espirais barradas tais como a Messier 95 e a nossa própria casa, a Via Láctea.

No grupo Leo I, a Messier 95 perde a sua proeminência quando comparada com a sua irmã Messier 96 (ver potw1143). Na realidade, a Messier 96 é o elemento mais brilhante do grupo e, como "líder incontornável", dá a Leo I o seu nome alternativo de grupo M 96. Apesar disso, a Messier 95 também é capaz de nos proporcionar uma imagem espectacular.


12 de Março de 2012

Um pouco de neve no Deserto do Atacama

As cúpulas do Very Large Telescope do ESO no topo do Cerro Paranal, disfrutam do sol de mais um glorioso dia sem nuvens. No entanto, existe algo invulgar nesta fotografia: uma fina camada de neve cobre a paisagem desértica, algo que não se vê todos os dias. Na realidade, o Deserto do Atacama não regista praticamente nenhuma precipitação.

Vários factores contribuem para as condições secas no Atacama. Os Andes bloqueiam a chuva que vem de este e as montanhas da costa chilena actuam de igual modo a oeste. A corrente Humbold, que passa longe da costa, no Oceano Pacífico, cria uma camada de inversão costeira de ar frio, a qual impede o desenvolvimento de nuvens de chuva. Uma região de alta pressão situada no Oceano Pacífico sudeste cria ventos que circulam, formando um anticiclone, o que ajuda também a manter o clima do Atacama extremamente seco. Graças a todos estes factores, a região é largamente considerada como o local mais seco à face da Terra.

No Paranal, os níveis de precipitação são geralmente de alguns milímetros por ano, com a humidade a descer frequentemente abaixo dos 10% e as temperaturas a variar entre os -8 e os 25º Celsius. Foi devido as estas condições tão secas do deserto do Atacama que o ESO escolheu este sítio, e particularmente o Cerro Paranal, para aí construir o Very Large Telescope. Embora a queda de neve, muito rara, altere temporariamente as condições secas do local, produz no entanto vistas de rara beleza.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Stéphane Guisard no dia 1 de Agosto de 2011.

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5 de Março de 2012

Uma Janela para o Passado - A transformação de La Silla ao longo do tempo

O ESO faz 50 anos este ano e para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação “Antes e Depois”, onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Estas são duas fotografias da La Silla tiradas uma em Junho de 1968 e outra agora, próximo dos reservatórios de água do observatório, captando uma vista geral do local. Pode examinar as diferenças com todo o detalhe utilizando o rato e arrastando a barra verde para a esquerda e para a direita.

Na imagem histórica podemos ver em primeiro plano a área residencial provisória. Os três telescópios ao fundo são, da esquerda para a direita, o Grand Prism Objectif (GPO, início das operações em 1968), o telescópio de 1 metro do ESO (início das operações em 1966) e o telescópio de 1.5 metros do ESO (início das operações em 1968). Estes foram os três primeiros telescópios instalados em La Silla. A cúpula branca, situada mais próxima de nós na imagem, é o telescópio Schmidt de 1 metro do ESO, que começou a trabalhar em 1971.

Hoje, as quatro cúpulas ainda se encontram no local mas os três primeiros telescópios foram já desactivados. O telescópio Schmidt de 1 metro do ESO ainda se encontra em funcionamento, mas é agora um telescópio dedicado a um projeto de rastreio de variabilidade “LaSilla-QUEST Variability  survey” (ver potw1201a).

A fotografia atual mostra dois novos telescópios. A cúpula prateada é a do telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, o qual se encontra em operação desde o início de 1984 e está emprestado ao ESO por tempo ilimitado pelo Max-Planck-Gesellschaft. O telescópio mais à esquerda é o telescópio dinamarquês de 1.54 metros, em operação desde 1979, um dos vários telescópios nacionais instalados em La Silla.

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27 de Fevereiro de 2012

Rodopio de Partida

O dinamismo do Very Large Telescope do ESO no início das operações, encontra-se soberbamente ilustrado nesta invulgar fotografia, tirada logo a seguir ao pôr do Sol, no preciso momento em que o Telescópio 1 começa a trabalhar. Uma longa exposição, com uma duração de 26 segundos, permitiu ao Embaixador Fotográfico do ESO, Gerhard Hudepohl, captar o movimento da cúpula, olhando para fora através do buraco que se vai abrindo, à medida que o sistema se põe em movimento. As paredes rotativas da cúpula aparecem-nos num rodopio etéreo, através do qual podemos distinguir um pouco do Deserto do Atacama, enquanto o firme céu do crepúsculo nos oferece ainda um lampejo de azul discreto.

A estrutura do telescópio, que aparece estacionária no centro da imagem, alberga um espelho de 8.2 metros de diâmetro, concebido para colectar radiação vinda dos confins do Universo. A própria cúpula é uma maravilha da tecnologia, movendo-se com extrema precisão e permitindo um cuidado controle da temperatura, evitando assim que correntes de ar quente perturbem as observações.

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