Fotografia da Semana 2013 
O cometa e o laser
Gerhard Hüdepohl, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, tirou esta fotografia espetacular do Very Large Telescope do ESO (VLT) durante os testes do novo laser para o VLT a 14 de fevereiro de 2013. Este laser será usado como parte fundamental da Infraestrutura de Estrela Guia Laser, a qual permite aos astrónomos corrigir as observações da maior parte das perturbações causadas pelo movimento constante da atmosfera, criando assim imagens muito mais nítidas. No entanto, ao ver a imagem é difícil não pensarmos num laser futurista a apontar para algum invasor espacial distante.
Para além da magnifica vista da Via Láctea por cima do telescópio, existe outro objeto que torna esta imagem ainda mais especial. À direita do centro da imagem, mesmo por baixo da Pequena Nuvem de Magalhães e quase escondido pela miríade de estrelas que se vêem no escuro céu chileno, vemos um ponto verde com uma ténue cauda para o lado esquerdo. Trata-se do recentemente descoberto, e mais brilhante do que esperado, cometa Lemmon, que atualmente se desloca lentamente ao longo do céu austral.
Espelho finíssimo a ser testado no ESO
Este espelho muito fino deformável foi entregue ao ESO em Garching, Alemanha, e encontra-se a ser testado. Tem 1120 milímetros de diâmetro mas apenas 2 mm de espessura, o que o torna muito mais fino do que a maioria dos espelhos de vidro. O espelho é finíssimo de modo a ser suficientemente flexível para que, quando se lhe aplicam forças electromagnéticas, a sua superfície refletora se altere. Quando instalado no telescópio, a superfície do espelho será constantemente e milimetricamente alterada, corrigindo deste modo os efeitos de distorção causados pela atmosfera terrestre e produzindo assim imagens muito mais nítidas.
O novo espelho secundário deformável (DSM, sigla do inglês para deformable secondary mirror) irá substituir o actual espelho secundário de um dos quatro telescópios que compõem o VLT. A estrutura secundária completa inclui um conjunto de 1170 actuadores que aplicam uma força em 1170 ímans colados na parte de baixo da estrutura fina. Electrónica sofisticada construída de propósito para o efeito controlará o comportamento do espelho. A superfície refletora pode ser deformada por acção dos actuadores até mil vezes por segundo.
O sistema DSM completo foi entregue ao ESO pelas empresas italianas Microgate e ADS em dezembro de 2012, concluindo-se assim oito anos de desenvolvimento sustentado e construção. Este é o maior espelho deformável alguma vez construído para aplicação na astronomia e é o mais recente numa longa linha de tais espelhos. A extensa experiência destas empresas está bem patente no alto desempenho do sistema, assim como na sua fiabilidade. A instalação do sistema no VLT está prevista para 2015.
O espelho (ann12015) propriamente dito foi construído pela empresa francesa REOSC. O espelho consiste numa folha de material cerâmico que foi polido até se obter uma forma muito precisa. O processo de construção começa com um bloco de cerâmica Zerodur, fornecido pela Schott Glass (Alemanha), com mais de 70 milímetros de espessura. A maior parte do material é limado e polido até se chegar a uma fina camada final, que tem que ser cuidadosamente suportada em todos os momentos, uma vez que é extremamente frágil.
Links
- Departamento de Óptica Adaptativa do ESO
- Brochura sobre a infraestrutura de Óptica Adaptativa no ESO (ficheiro pdf)
- Microgate
- ADS
- REOSC
- Schott Glass
Pintura a Luz e a Laser
Numa noite límpida, na Baviera, o pessoal do ESO assistiu à filmagem de um episódio do ESOcast, episódio esse que tratou da nova unidade compacta de estrela guia laser, a qual pode ser observada em acção no Observatório Público Allgäu em Ottobeuren, Alemanha. Com o brilho dos seus telemóveis, o pessoal do ESO aproveitou a exposição longa desta fotografia para escrever as letras “ESO” a luz, em frente ao observatório. À esquerda do raio laser, podemos ver a Via Láctea e mesmo por cima do horizonte, sobre o observatório, é visível ao longe a linha a tracejado correspondente à passagem de um avião. O laser tem um raio poderoso de 20 watts, e para proteger pilotos e passageiros foi criado, pela Deutsche Flugsicherung (responsável pelo controle de tráfego aéreo na Alemanha), um perímetro de voo interdito em torno do observatório, durante as horas da observação nocturna.
As estrelas guia laser são estrelas artificiais criadas na atmosfera da Terra com o auxílio de um raio laser. O laser faz com que os átomos de sódio, situados numa camada da atmosfera a 90 quilómetros de altitude, brilhem, criando assim uma estrela artificial no céu, que pode ser observada com um telescópio. Usando as medições feitas sobre esta estrela artificial, os instrumentos de óptica adaptativa podem depois corrigir as observações do efeito de imagem desfocada.
Este conceito inovador do ESO utiliza um poderoso laser, cujo raio é lançado por um pequeno telescópio, combinado numa única unidade modular, que pode ser montada diretamente num telescópio grande. O conceito, que foi patenteado e licenciado pelo ESO, será usado para dar ao Very Large Telescope (VLT) quatro unidades laser similares. Terá também um papel determinante nas unidades que irão equipar o futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT).
Na altura da filmagem, a unidade estava a ser testada, antes de ser enviada para o Observatório do Paranal do ESO, no Chile, local do VLT.
Links
- Episódio do ESOcast sobre Estrelas Guia Laser
- Mais sobre a unidade de Estrela Guia Laser Wendelstein do ESO
- Mais sobre o Observatório Público Allgäu
Pôr do Sol no Observatório do Paranal
Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, capturou esta bela imagem do Observatório do Paranal do ESO iluminado pelo pôr do Sol. O céu maravilhosamente limpo sugere as condições atmosféricas excepcionais que existem aqui; uma das razões principais para o ESO ter escolhido o Paranal como local do Very Large Telescope (VLT), a sua infraestrutura emblemática.
O VLT - que pode ser visto no Cerro Paranal, o pico mais alto da imagem, com uma altitude de 2600 metros - é o observatório astronómico mais avançado do mundo a operar no visível. É composto por quatro telescópios principais, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, e quatro telescópios auxiliares de 1,8 metros. O VLT opera nos comprimentos de onda do visível e do infravermelho e dentre as observações pioneiras executadas com o VLT podemos destacar a primeira imagem directa de um exoplaneta (ver eso0515) e a descoberta de estrelas em movimento orbital em torno do buraco negro central da Via Láctea (ver eso0846 e eso1151).
No Cerro Paranal encontra-se igualmente o VLT Survey Telescope (VST). O seu edifício mais pequeno vê-se, com muita dificuldade, em frente a um dos edifícios maiores que alberga um dos telescópios principais do VLT, no cimo do cerro. O VST é o telescópio instalado mais recentente no Paranal, com as primeiras imagens divulgadas em 2011 (ver eso1119). Tem um espelho primário de 2,6 metros de diâmetro, o que o torna o maior telescópio do mundo dedicado a mapear o céu, no visível.
Outro telescópio de rastreio instalado no Observatório do Paranal é o VISTA, o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy, que pode ser visto noutro pico, em primeiro plano relativamente ao Cerro Paranal. O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo, com um espelho de 4,1 metros, e opera nos comprimentos de onda do infravermelho. O telescópio começou a trabalhar em 2009 (ver eso0949).
Links
- Mais sobre o Very Large Telescope
- Mais sobre os telescópios de rastreio no Paranal
- Embaixadores Fotográficos do ESO
Um peso-pesado intergaláctico
Esta imagem profunda mostra o que é conhecido como um superenxame de galáxias - um grupo gigante de enxames de galáxias ligados entre si. Este, conhecido como Abell 901/902, é constituído por três enxames principais diferentes e um número de filamentos de galáxias, típicos de tais super-estruturas. Um dos enxames, Abell 901a, pode ser visto por cima e um pouco à direita da estrela vermelha bastante proeminente que se encontra em primeiro plano, próximo do meio da imagem. Um outro, Abell 901b, está situado à direita de Abell 901a, um pouco mais abaixo. Por fim, o enxame Abell 902 encontra-se diretamente por baixo da estrela vermelha, estendendo-se para baixo na imagem.
O superenxame Abell 901/902 situa-se a um pouco mais de dois mil milhões de anos-luz da Terra e contém centenas de galáxias numa região com cerca de 16 milhões de anos-luz de dimensão. Em termos de comparação, o Grupo Local de Galáxias - que contém a nossa Via Láctea, para além de mais outras 50 galáxias - tem uma dimensão de aproximadamente 10 milhões de anos-luz.
Esta imagem foi obtida com a câmara Wide Field Imager (WFI), montada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, no Chile. Em 2008, com dados do WFI e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos mapearam de modo preciso a distribuição de matéria escura no superenxame, mostrando que os enxames e as galáxias individuais que fazem parte da super-estrutura se encontram no seio de enormes nodos de matéria escura. Para chegar a este resultado, os astrónomos observaram como é que a radiação emitida por 60 000 galáxias distantes, situadas por detrás do enxame, era distorcida devido à influência gravitacional da matéria escura existente no enxame, e revelaram deste modo a sua distribuição. Pensa-se que a massa dos quatro nodos de matéria escura do Abell 901/902 seja cerca de 10 biliões de vezes a do Sol.
As observações aqui apresentadas fazem parte do rastreio COMBO-17, um rastreio do céu feito com 17 filtros ópticos diferentes montados na câmara WFI. O projeto COMBO-17 encontrou até agora cerca de 25 000 galáxias.
Links
- O rastreio COMBO-17 no Max-Planck-Institut für Astronomie, Heidelberg
- Imagem de grande angular da região em torno do superenxame Abell 901/902
APEX sob a Lua
Outra noite estrelada no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. O quarto crescente da Lua brilha intensamente nesta imagem, ofuscando os demais objetos celestes. No entanto, para os rádios telescópios como o APEX (sigla do inglês para Atacama Pathfinder Experiment), que se vê na imagem, o luar não atrapalha as observações. Na realidade, uma vez que o próprio Sol não é muito brilhante nos comprimentos de onda do rádio, o telescópio pode também ser utilizado durante o dia, desde que não se aponte diretamente ao Sol.
O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis nos comprimentos de onda mais curtos do infravermelho ou do visível. Por exemplo, o APEX pode espreitar através de densas nuvens interestelares de gás e poeira cósmica, revelando regiões escondidas onde se processa a formação estelar, fenómeno que brilha intensamente nestes comprimentos de onda, mas que se encontra obscurecido quando observado no visível e infravermelho. Algumas das galáxias mais distantes e primitivas são também alvos excelentes para o APEX. Devido à expansão do Universo durante milhares de milhões de anos, a luz destas galáxias desviou-se para os comprimentos de onda maiores situados nos domínios do milímetro e do submilímetro, que são precisamente os comprimentos de onda observados pelo APEX.
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.
Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, e faz parte de uma fotografia panorâmica maior, que também está disponível cortada de outro modo.
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ALMA tornado miniatura pelos picos das montanhas
À primeira vista, esta imagem panorâmica mostra o cenário montanhoso do Planalto do Chajnantor, no Chile, com neve e gelo espalhados pelo terreno deserto. Os picos principais, da direita para a esquerda, são: Cerro Chajnantor, Cerro Toco, Juriques e o cone bem distinto do vulcão Licancabur (ver potw1240) - uma imagem impressionante! No entanto, as verdadeiras estrelas da fotografia são as minúsculas e quase invisíveis estruturas mesmo no centro da imagem - apenas perceptíveis se olharmos com muita atenção.
Estas estruturas, minúsculas quando comparadas com a sua vizinhança montanhosa, são as antenas que formam o enorme rádio telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). Embora pareça extremamente pequenina na imagem, a rede é composta por uma coleção de enormes antenas de 12 e 7 metros de diâmetro e quando estiver completa, contará com um total de 66 antenas espalhadas pelo planalto e separadas de distâncias que vão até aos 16 quilómetros. Espera-se que o trabalho de construção do ALMA esteja terminado em 2013, mas o telescópio começou já a fase inicial de Observações Científicas Preliminares, encontrando-se a produzir resultados excepcionais (ver, por exemplo, eso1239). Desde que esta fotografia foi tirada, juntaram-se já muitas mais antenas à rede no planalto.
O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.
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Rastos de estrelas sobre o Yepun
Esta imagem mostra um dos telescópios que compõem o Very Large Telescope (VLT) do ESO mesmo por baixo de brilhantes rastos de estrelas que circundam o polo sul celeste, um ponto no céu onde se situa a constelação austral do Octante. Estes rastos são arcos de luz que traçam o movimento das estrelas observado no céu à medida que a Terra roda lentamente em torno do seu eixo. Para obter estes rastos de estrelas com a câmara, foram feitas muitas exposições ao longo do tempo e depois combinadas para darem a aparência final de rastos circulares.
Iluminado pelo luar, o telescópio que se vê em primeiro plano é apenas um dos quatro telescópios que compõem o VLT, situado no Paranal, no Chile. Na altura da inauguração do observatório do Paranal em 1999, cada telescópio recebeu um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes dos telescópios - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - representam quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus, respectivamente. O telescópio na imagem é o Yepun, também conhecido como telescópio UT4.
Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Farid Char. Char trabalha no Observatório do ESO La Silla-Paranal e é um membro da equipa que testa o local do futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT), um novo telescópio terrestre que será o maior a trabalhar nos domínios do óptico/infravermelho próximo, quando estiver construído no início da década de 2020.








