Fotografia da Semana 2013

12 de Agosto de 2013

A calma antes da tempestade

Esta bela imagem mostra as galáxias NGC 799 (em baixo) e a NGC 800 (em cima) situadas na constelação da Baleia. Este par de galáxias foi observado pela primeira vez em 1885 pelo astrónomo americano Lewis Swift.

Situadas a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância, e estando voltadas de face para nós, podemos apreciar as suas formas de maneira clara. Tal como a Via Láctea - a nossa Galáxia - estes objetos são ambos galáxias em espiral, com os característicos braços compridos que se enrolam em direção ao brilhante bojo central. Nos braços em espiral bastante proeminentes podemos observar um grande número de estrelas azuis, jovens e quentes que se formam em grupos (os pequeníssimos pontos azuis que se vêem na imagem), enquanto que no bojo central um enorme grupo de estrelas velhas, vermelhas e mais frias se amontoam numa região compacta quase esférica.

À primeira vista, estas galáxias parecem-se uma com a outra, mas na realidade há muitos detalhes diferentes. Exceptuando a diferença
óbvia em tamanho, apenas a NGC 799 tem uma estrutura em barra estendendo-se do bojo central, com os braços em espiral a sair das pontas da barra. Pensa-se que as barras galácticas actuem com um mecanismo que leva o gás dos braços em espiral ao centro, aumentando assim a formação estelar. Foi também observada uma supernova na NGC 799 em 2004, a SN2004dt.

Outra característica interessante que é diferente nas duas galáxias é o número de braços em espiral. A pequena NGC 800 tem três braços em espiral brilhantes e cheios de nodos, enquanto que a NGC 799 só apresenta dois relativamente ténues, mas largos, que começam no final da barra e se enrolam quase completamente em volta da galáxia, formando uma estrutura que lembra um anel.

Embora pela imagem pareça que estas duas galáxias coexistem em total harmonia próximo uma da outra, nada pode estar mais longe da verdade. Na realidade, podemos estar a observar a calma antes da tempestade. Embora não saibamos bem o que o futuro trará, o certo  é que, normalmente, quando duas galáxias se encontram relativamente próximas uma da outra, interagem entre si durante centenas de milhões de anos por meio de distúrbios gravitacionais. Em alguns casos, apenas se dão interações menores, que provocam distorções na forma das galáxias, mas às vezes as galáxias colidem, fusionando-se e dando origem a uma única e enorme galáxia nova.

Esta imagem foi obtida com o instrumento FORS1, montado no Very Large Telescope de 8,2 metros, situado no Cerro Paranal, no Chile. A imagem é composta por várias exposições obtidas com três filtros diferentes (B, V, R).

Podemos também observar cinco asteróides - consegue encontrá-los? Os asteróides movimentaram-se entre as diferentes exposições, deixando traços coloridos na imagem.


5 de Agosto de 2013

Cinto de Vénus sobre o Cerro Paranal

Esta fotografia mostra a paisagem na direção este, vista a partir do Observatório do Paranal segundos depois do Sol ter desaparecido por detrás do horizonte. O brilho alaranjado do pôr do Sol vê-se refletido nas cúpulas dos Telescópios Auxiliares do VLT de 1,8 metros, podendo também observar-se no céu a Lua quase cheia. Mas o que torna esta imagem ainda mais interessante é um efeito atmosférico conhecido por Cinto de Vénus.

A sombra cinzento-azulada que se vê por cima do horizonte é a sombra da Terra e mesmo por cima dela vemos um brilho de tom cor de rosa. Este fenómeno é produzido pela luz vermelha do pôr do Sol a ser difundida pela atmosfera da Terra e pode ser visto tanto depois do pôr do Sol, como pouco antes do seu nascer. Pode também ser observado um efeito muito semelhante durante um eclipse total do Sol.

Os telescópios que se vêem na imagem são três dos quatro Telescópios Auxiliares de 1,8 metros de diâmetro, instalados no interior das suas coberturas móveis e ultracompactas. Os telescópios dedicam-se a observações interferométricas, ou seja, quando dois ou mais telescópios trabalham em uníssono, formando um espelho virtual e permitindo aos astrónomos ver muito mais pormenores do que se os telescópios fossem utilizados independentemente uns dos outros.

Carolin Liefke tirou esta fotografia durante uma visita ao Paranal e submeteu-a ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são seleccionadas para  aparecerem na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens. A Carolin trabalha na Haus der Astronomie (Casa da Astronomia), um centro de educação e divulgação de astronomia em Heidelberg, Alemanha, e é também um membro do ESO Science Outreach Network (ESON). O ESON leva as notícias do ESO aos Estados Membros e outros países, ao traduzir as notas de imprensa e ao ser o ponto de contacto com os media locais.

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29 de Julho de 2013

Messier 100 - Esplendor grandioso

As galáxias em espiral são geralmente objetos esteticamente muito apelativos, ainda mais quando nos aparecem de frente. Esta imagem mostra um exemplo particularmente bonito: trata-se da galáxia em espiral Messier 100, situada a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância, na região sul da constelação da Cabeleira de Berenice.

Para além dos braços em espiral extremamente bem definidos, a Messier 100 apresenta também no seu centro, uma estrutura em barra muito ténue, o que permite classificá-la como sendo do tipo SAB. Embora não seja muito óbvia a partir desta imagem, os cientistas confirmaram efectivamente a existência da barra ao observar a galáxia a outros comprimentos de onda.

Esta imagem muito detalhada mostra as características principais que se esperam de uma galáxia deste tipo: enorme nuvens de hidrogénio gasoso, que brilham em zonas avermelhadas quando re-emitem a energia absorvida, emitida por estrelas de grande massa recentemente formadas; o brilho uniforme das estrelas mais velhas amareladas situadas próximo do centro; e as manchas negras de poeira que se entrelaçam por entre os braços da galáxia.

A Messier 100 é um dos membros mais brilhantes do enxame da Virgem, enxame este constituído pelas galáxias mais próximas da Via Láctea, e que contém mais de 200 galáxias, incluindo espirais, elípticas e irregulares. Esta fotografia é a combinação de imagens obtidas com o instrumento FORS, montado no Very Large Telescope do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile, com os filtros vermelho (R), verde (V) e azul (B).

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22 de Julho de 2013

O NTT gira como um pião

Esta imagem dinâmica mostra o New Technology Telescope (NTT) situado no observatório de La Silla do ESO, Chile. A forma distinta da cúpula do telescópio aparece desfocada pelo movimento, à medida que o telescópio roda para apontar ao alvo pretendido. A fotografia tem um tempo de exposição de 30 segundos.

Uma das primeiras coisas que se nota na imagem é que o edifício do telescópio tem uma peculiar forma angular da parte exterior, em vez da forma arredondada mais vulgar que as cúpulas costumam ter. Esta característica de design foi já extensamente copiada para outros telescópios, incluindo o Very Large Telescope do ESO, mas na altura em que o telescópio foi inaugurado em 1989, era uma grande inovação.

O design revolucionário do NTT tem por objetivo obter uma qualidade de imagem optimizada, por exemplo através da ventilação cuidadosamente controlada, que optimiza a passagem de ar pelo NTT, minimizando os efeitos de desfocagem causados pela turbulência do ar no interior. Na parte mais desfocada da imagem podemos distinguir as abas grandes que são uma parte crucial deste sistema.

Outra das componentes que foi bastante melhorada na altura da construção do NTT, é o seu espelho primário. Embora nunca tenha sido considerado particularmente grande, com os seus 3,58 metros de dâmetro, o seu design foi bastante inovador. O espelho é flexível e pode ser ajustado em tempo real para manter a forma perfeita, de modo a que nenhuma flexão ou descaída possa perturbar a qualidade de imagem. O ESO e o NTT foram pioneiros no uso desta tecnologia, chamada óptica activa, e que é agora utilizada de modo standard nos telescópios modernos.

Atualmente, o NTT tem dois instrumentos diferentes que os astrónomos utilizam para observar: o SOFI (diminutivo de Son of ISAAC - Filho de ISAAC, um instrumento mais antigo), que é um espectrógrafo e uma câmara que operam no infravermelho e o EFOSC2, um espectrógrafo e uma câmara concebidos para detectar objetos ténues.

O Observatório de La Silla situa-se na parte sul do deserto do Atacama, 600 quilómetros a norte de Santiago do Chile e a uma altitude de 2400 metros. Foi o primeiro observatório do ESO.

A imagem  foi obtida por Malte Tewes, um astrónomo da Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, Suíça.

Malte submeteu esta fotografia ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias selecionadas para integrarem a nossa popular série Fotografia da Semana ou a nossa galeria de imagens.

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15 de Julho de 2013

Asas para a Ciência voa sobre o Paranal

Esta vista aérea do Observatório do Paranal foi tirada em dezembro de 2012 por Clémentine Bacri e Adrien Normier, que voam num ultraleve especial amigo do ambiente [1] numa viagem de um ano em torno do mundo. Esta fotografia mostra a beleza natural da paisagem no local remoto que acolhe uma das melhores infraestruturas astronómicas do mundo, o Very Large Telescope do ESO (VLT), com os seus quatro telescópios independentes de 8,2 metros situados no cimo do Cerro Paranal.

O ESO tem uma parceria para a divulgação com o projeto ORA Asas para a Ciência, uma iniciativa sem fins lucrativos que oferece apoio aéreo a organizações de investigação públicas. Os dois membros da tripulação do projeto voaram sobre os observatórios no norte do Chile, entre outros, antes de deixarem a América do Sul e partirem para a Austrália. No decurso da sua viagem em volta do mundo, a equipa ajuda os cientistas em projetos tão diversos como amostragem de ar, arqueologia, observação de biodiversidade e modelização de terrenos a 3D.

Os pequenos filmes e belas imagens produzidos durante os voos são utilizados para fins educativos e promoção da investigação local. A viagem de circumnavegação da equipa começou em junho de 2012 e terminou a 17 de junho de 2013, com uma aterragem no Espectáculo Aéreo de Paris.

Notas

[1] O avião ultraleve utilizado é um Pipistrel Virus SW 80, galardoado com um prémio da NASA, que usa apenas 7 litros de combustível para cada 100 km - menos que a maioria dos carros.

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8 de Julho de 2013

Os novos brinquedos da Maëlle

A astronomia e os seus telescópios podem às vezes trazer ao de cima a criança que há em cada um de nós. Num testemunho à curiosidade humana, os astrónomos continuam a construir instrumentos cada vez maiores em locais remotos do planeta.

O astrónomo do ESO Julien Girard, tirou esta fotografia engraçada da sua filha durante um “dia da família” no Observatório do Paranal, nos Andes chilenos. Graças a um efeito de perspectiva, a pequena Maëlle parece estar a olhar para dentro da cúpula de um dos Telescópios Auxiliares de 1,8 metros do Very Large Telescope do ESO (VLT). Embora os telescópios sejam usados para investigação científica séria, às vezes os astrónomos sentem-se crianças brincando com estes “brinquedos” gigantes.

Julien Girard é um astrónomo do ESO e um Embaixador Fotográfico do ESO, que trabalha no VLT, no Chile. É o cientista do instrumento de óptica adaptativa NACO, montado no Telescópio número 4 do VLT. Julien submeteu esta fotografia no grupo Flickr Your ESO Pictures, donde foi seleccionada pelo ESO para participar na série Fotografia da Semana.

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1 de Julho de 2013

Antenas europeias no Local de Apoio às Operações do ALMA

Neste fotografia, vemos antenas que farão parte do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). As três antenas que estão em primeiro plano, assim como algumas das que se vêem ao fundo, foram fornecidas pelo ESO como parte da sua contribuição para o ALMA, através de um contrato com o consórcio europeu AEM [1]. No total, o ESO fornecerá 25 antenas de 12 metros de diâmetro ao projeto ALMA. Outras 25 antenas com o mesmo diâmetro estão a ser fornecidas pelo parceiro no ALMA norte americano, e as restantes, um conjunto de 12 antenas de 7 metros e quatro antenas de 12 metros, que constituem a rede compacta do ALMA (Atacama Compact Array), serão fornecidas pelo parceiro no ALMA do Leste Asiático.

Na fotografia vêem-se as antenas no Local de Apoio às Operações, a uma altitude de 2900 metros, no sopé dos Andes chilenos. As que se encontram em primeiro plano estão no Local de Montagem do AEM, onde as antenas são montadas e testadas rigorosamente antes de serem entregues ao observatório. As antenas que se encontram no fundo da imagem foram já entregues e estão agora a ser submetidas a mais testes ou estão-lhes a ser montados os receptores sensíveis. Uma vez prontas, as antenas são transportadas para o Local de Operações da Rede, no planalto do Chajnantor a uma altitude de 5000 metros. No Chajnantor, juntam-se à suas companheiras integrando a rede ALMA, trabalhando no estudo de algumas das questões mais fundamentais sobre as nossas origens cósmicas. Mesmo quando as antenas estiverem todas prontas, o Local de Apoio às Operações continuará a ser o centro de actividade das operações diárias com o ALMA, permanecendo o local de trabalho de astrónomos e equipas responsáveis por manter o observatório em funcionamento.

No horizonte podemos ver a cadeia montanhosa dos Andes, o pico mais alto pertencendo ao vulcão cónico Licancabur. O Licancabur situa-se na fronteira entre o Chile e a Bolívia e domina a paisagem da região.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

Notas

[1] O consórcio AEM é composto pelas empresas Thales Alenia Space, European Industrial Engineering e MT-Mechatronics.

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24 de Junho de 2013

Luar e luz zodiacal sobre La Silla

O que nos pode parecer uma cidade do futuro a flutuar por cima das nuvens, saída de uma qualquer história de ficção científica, é, na realidade, o observatório mais antigo do ESO, La Silla. Esta fotografia foi tirada pelo astrónomo Alan Fitzsimmons, perto do telescópio de 3,6 metros do ESO, pouco depois do pôr do Sol. Por pouco que a Lua apareceria também na imagem, o que faz com que o observatório se encontre banhado pela luz irreal do luar refletido nas nuvens mais abaixo.

A ténue banda de luz dourada brilhante mesmo por cima das nuvens é a luz zodiacal, causada pela luz solar refletida por partículas de poeira que se encontram entre o Sol e a Terra. Este raro fenómeno só pode ser visto logo após o pôr do Sol ou um bocadinho antes do nascer do Sol, em alturas do ano próprias.

Podem ser vistos vários telescópios na fotografia. Por exemplo, a grande estrutura angular no final da estrada é o New Generation Telescope (NTT). Fiel ao seu nome, quando acabou de ser construído em 1989, o telescópio incluía um número de características revolucionárias, entre elas o primeiro sistema completo de óptica activa, assim como a revolucionária cobertura octogonal. Muitas das características do NTT foram mais tarde incorporadas no Very Large Telescope do ESO.

A cúpula em primeiro plano, logo à direita, é a do telescópio suíço Leonhard Euler de 1,2 metros, o qual deve o seu nome ao famoso matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783).

O Alan submeteu esta fotografia ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são seleccionadas para aparecerem na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.


17 de Junho de 2013

Trovões e relâmpagos

Nesta imagem electrificante, tirada na sexta-feira dia 7 de junho de 2013, uma tempestade violenta descarregava a sua fúria sobre o Cerro Paranal. As cúpulas colossais dos quatro Telescópios Principais do VLT, cada uma com o tamanho de um edifício de oito andares, parecem minúsculas sob o martelar da violenta tempestade.

Do lado esquerdo da imagem, uma estrela solitária aparece para admirar o espectáculo - o único ponto de luz num céu escuro. Trata-se da estrela Procion, uma estrela binária brilhante situada na constelação do Cão Menor.

É muito raro verem-se nuvens sobre o Observatório do Paranal do ESO. Em média, o local desfruta de uns impressionantes 330 dias limpos por ano. O aparecimento de relâmpagos é ainda mais raro, já que o observatório se situa num dos locais mais secos do planeta: o deserto do Atacama no norte do Chile, 2600 metros acima do nível do mar. Mesmo que haja algumas nuvens, o observatório encontra-se, na maioria das vezes, por cima delas.

Gerhard Hüdepohl, Embaixador Fotográfico do ESO, apenas tinha visto relâmpagos no local uma vez, num período de 16 anos a trabalhar como engenheiro no Paranal. Por isso e perante o espectáculo, Gerhard agarrou na sua máquina fotográfica e saiu a correr, enfrentando os elementos de modo a capturar esta vista única.


10 de Junho de 2013

Ascensão e queda de uma supernova

Uma sequência vídeo bastante invulgar mostra o repentino brilho intenso e depois o mais lento desvanecimento de uma explosão de supernova na galáxia NGC 1365. A supernova, à qual se deu o nome de SN 2012fr, foi descoberta pelo astrónomo francês Alain Klotz a 27 de outubro de 2012. As imagens obtidas pelo pequeno telescópio robótico TAROT, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, foram compiladas de modo a criar este filme único.

As supernovas são o resultado das mortes explosivas e cataclísmicas de certos tipos de estrelas. São tão brilhantes que conseguem ofuscar durante muitas semanas a sua galáxia hospedeira, antes de desvaneceram lentamente e desaparecerem de vista.

A supernova SN 2012fr [1] foi descoberta por Alain Klotz na tarde do dia 27 de outubro de 2012. Este astrónomo estava a medir o brilho de uma estrela variável ténue numa imagem obtida pelo TAROT (acrónimo do francês para Télescope à Action Rapide pour les Objets Transitoires), um telescópio robótico instalado no Observatório de La Silla do ESO, quando reparou num objecto novo que não se encontrava numa imagem capturada três dias antes. Depois de várias verificações, feitas por astrónomos de todo o mundo com o auxílio de diferentes telescópios, o objecto brilhante foi identificado como sendo uma supernova do tipo Ia.

Algumas estrelas vivem com uma companheira, ambas orbitando um centro de gravidade comum. Em alguns casos uma delas pode ser uma anã branca muito velha, que rouba matéria à sua vizinha. Quando isto acontece, chega uma determinada altura em que a anã branca retirou já tanta matéria da companheira que se torna instável e explode. A este fenómeno chamamos supernova do tipo Ia.

Este tipo de supernovas tornou-se importante, já que estes objectos nos fornecem uma maneira muito precisa de medir distâncias a galáxias muito longínquas no Universo primordial. Para lá do grupo local de galáxias, era necessário encontrar objectos muito brilhantes com propriedades esperadas e que pudessem servir como marcos no mapeamento da história da expansão do Universo. As supernovas do tipo Ia são ideais, já que o seu brilho atinge um máximo e depois decresce mais ou menos sempre do mesmo modo para todas as explosões. Medições de distâncias a supernovas do tipo Ia levaram à descoberta da expansão acelerada do Universo, trabalho que mereceu o Prémio Nobel da Física em 2011.

A galáxia que alberga esta supernova é a NGC 1365 (ver também potw1037a), uma elegante galáxia em espiral barrada, localizada a 60 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação da Fornalha. Com um diâmetro de cerca de 200 000 anos-luz, esta galáxia destaca-se bem das outras galáxias do enxame da Fornalha. Uma enorme barra direita atravessa a galáxia, contendo o núcleo no seu centro. A supernova pode ser facilmente observada mesmo por cima do núcleo, no meio da imagem.

Os astrónomos descobriram mais de 200 novas supernovas em 2012, sendo que a SN 2012fr se encontra entre as mais brilhantes. A supernova foi observada pela primeira vez quando ainda era muito ténue, a 27 de outubro de 2012, e atingiu o seu pico de luminosidade máximo a 11 de novembro de 2012 [2]. Nessa altura podia ser facilmente observada como uma estrela ténue através de um telescópio amador de tamanho médio. O vídeo foi compilado a partir de uma série de imagens da galáxia obtidas ao longo de um período de três meses, desde a sua descoberta em outubro até meados de janeiro de 2013.

O TAROT é um telescópio óptico robótico de 25 centímetros, capaz de se deslocar muito depressa e começar a observar num segundo. Foi instalado em La Silla em 2006, com o intuito de detectar explosões de raios gama. As imagens que revelaram a SN 2012fr foram capturadas através de filtros azuis, verdes e vermelhos.

Notas

[1] As supernovas são nomeadas de acordo com o ano em que são descobertas e pela ordem pela qual a descoberta é feita ao longo do ano, usando letras do alfabeto. O facto desta supernova ter sido descoberta por uma equipa francesa e o seu nome conter as letras “fr” é pura coincidência.

[2] Nessa altura, a sua magnitude era 11,9. Este valor é 200 vezes fraco demais para poder ser visto a olho nu, mesmo num céu escuro e límpido. Como termo de comparação, se a supernova estivesse no seu pico máximo de luminosidade e fosse vista ao mesmo tempo que o nosso Sol e à mesma distância de um observador, a supernova seria 3000 vezes mais brilhante do que o Sol.

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3 de Junho de 2013

Três planetas dançam por cima de La Silla

 

É uma verdadeira alegria, tanto para fotógrafos como para astrónomos: ocorre neste momento no céu um fenómeno conhecido como sizígia - quando três (ou mais) corpos celestes se alinham quase perfeitamente no céu. Quando os corpos celestes têm uma longitude eclíptica muito semelhante, este evento é também conhecido como uma quase conjunção tripla. Claro que o efeito é apenas devido à perspectiva, mas ainda assim não deixa de ser espectacular. Neste caso particular, os corpos são três planetas e a única coisa necessária para apreciar o espectáculo é um céu limpo durante o pôr do Sol.


Felizmente, isso foi o que aconteceu ao Embaixador Fotográfico do ESO Yuri Beletsky, que teve a sorte de observar este fenómeno a partir do Observatório de La Silla do ESO, no norte do Chile, no domingo dia 26 de maio. Por cima das cúpulas redondas dos telescópios, três dos planetas do nosso Sistema Solar - Júpiter (em cima), Vénus (à esquerda em baixo) e Mercúrio (à direita em baixo) - podem ser vistos, logo após o pôr do Sol, ocupados na sua dança cósmica.

Um alinhamento como este acontece apenas uma vez em vários anos. O último teve lugar em maio de 2011 e o próximo não acontecerá antes de outubro de 2015. Este triângulo celeste viu-se no seu melhor  ao longo de toda a última semana de maio, no entanto, ainda é possível observar os três planetas à medida que formam combinações diferentes no seu percurso pelo céu.

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Imagens:


27 de Maio de 2013

Ondas no céu chileno

À primeira vista, esta imagem hipnotizante pode parecer mostrar ondas causadas por uma pedra lançada a um lago. No entanto, é o resultado do movimento aparente das estrelas no céu austral, em conjunto com alguma “magia” fornecida pelo fotógrafo. A imagem foi tirada no Cerro Armazones, o pico de uma montanha 3060 metros acima do nível do mar, que se situa na parte central do deserto do Atacama, nos Andes chilenos.

As tiras compridas e brilhantes são rastos de estrelas e cada uma delas marca o caminho de uma única estrela ao longo do céu nocturno. Ao deixar o obturador da máquina fotográfica aberto durante um longo período de tempo, o movimento das estrelas, inperceptível a olho nu, é revelado. Tempos de exposição tão curtos como 15 minutos são o suficiente para obter este efeito, embora geralmente os fotógrafos profissionais combinem várias exposições para compor mais tarde a imagem final.

O fantástico número de rastos de estrelas nesta imagem, mostra também a incrível qualidade do céu nocturno no Armazones: a atmosfera é extremamente límpida, não existindo nenhuma poluição luminosa graças à localização remota do topo da montanha. Esta é uma das razões que levou este local a ser escolhido para aí ser colocado o futuro maior olho no céu do mundo: o European Extremely Large Telescope (E-ELT).


20 de Maio de 2013

Admirando a Galáxia

É difícil, até para o astrónomo mais experiente, não parar por um momento no meio de um programa de observação vasto, para observar o rico e glorioso céu austral. Esta imagem é um auto-retrato tirado pelo astrónomo Alan Fizsimmons, que obteve esta fotografia entre sessões de observação no Observatório de La Silla do ESO.

Esta bela fotografia mostra o contraste entre uma simples figura, escura e parada, na Terra e o brilhante céu estrelado. Nesta imagem, o céu é dominado pelo enorme conjunto de estrelas e poeira que compõe o centro da Via Láctea, a nossa casa galáctica.

Os observatórios do ESO estão situados no deserto do Atacama, no norte do Chile, uma região com muito poucos habitantes, que combina noites muito escuras com condições atmosféricas extremamente límpidas, ambos factores necessários a observações de alta qualidade.

La Silla foi o primeiro observatório do ESO, inaugurado em 1969, onde estão instalados vários telescópios com espelhos cujos diâmetros vão até aos 3,6 metros. Com mais de 300 noites límpidas por ano, La Silla encontra-se muito bem posicionado para albergar instrumentos de observação avançados, mas é também um local fabuloso para se parar um pouco e olhar para o céu.

O Alan submeteu esta fotografia no grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente visto e as melhores fotografias seleccionadas para integrarem a nossa série Fotografia da Semana ou a nossa galeria de imagens.


13 de Maio de 2013

A Via Láctea brilha por cima da neve em La Silla

Na periferia do deserto do Atacama, longe das cidades do norte do Chile poluídas pela luz, o céu fica completamente negro depois do pôr do Sol. Tal céu permite fazer as melhores observações astronómicas. A uma altitude de 2400 metros, o Observatório de La Silla do ESO tem um vista incrivelmente límpida do céu nocturno. No entanto, nem o local mais remoto, alto e seco consegue escapar ao mau tempo que, às vezes, se faz sentir nos meses de inverno, quando tapetes de neve cobrem o pico da montanha e as cúpulas dos telescópios.

Esta imagem mostra La Silla no inverno sob as miríades de estrelas da Via Láctea, o plano da qual atravessa a imagem. Visível (da direita para a esquerda) estão o telescópio de 3,6 metros do ESO, o New Technology Telescope (NTT) de 3,58 metros, o telescópio Schmidt de 1 metro do ESO e o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, que tem neve sobre a cúpula. A pequena cúpula do Coudé Auxiliary Telescope, que já não se encontra em funcionamento, pode ser vista junto ao telescópio de 3,6 metros, e entre este telescópio e o NTT vêem-se ainda os reservatórios de água do observatório.

Embora o aparecimento de neve em La Silla possa parecer surpreendente, o certo é que os locais elevados do ESO podem apresentar tanto temperaturas altas como baixas ao longo do ano e estarem ocasionalmente sujeitos a condições rigorosas.

Esta fotografia foi tirada por José Francisco Salgado, um Embaixador Fotográfico do ESO.


6 de Maio de 2013

Lore em movimento

Nesta fotografia um dos dois transportadores ALMA, o Lore, transporta uma das antenas de 7 metros de diâmetro do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). O Lore e o seu irmão gémeo, Otto, são dois veículos amarelos brilhantes de 28 rodas, construídos especificamente para deslocar as antenas ALMA ao longo do planalto do Chajnantor, situado a uma altitude de 5000 metros. Assim, a rede pode ser reconfigurada de modo a fazer as melhores observações possíveis de determinado objeto. Os veículos deslocam igualmente as antenas entre o Chajnantor e o Local de Apoio às Operações, situado a uma altitude inferior, para manutenção.

O ALMA é composto por uma rede principal de cinquenta antenas de 12 metros de diâmetro e por uma rede adicional de doze antenas de 7 metros e quatro antenas de 12 metros, conhecida como Rede Compacta (ACA, sigla do inglês, Atacama Compact Array). Na imagem vemos o Lore a transportar umas das antenas mais pequenas de 7 metros da rede compacta. As antenas de 12 metros da rede principal não se podem colocar mais próximas do que 15 metros entre si, caso contrário chocariam umas com as outras. Esta separação mínima entre antenas determina o limite da escala máxima que as estruturas no céu têm que ter para poderem ser observadas. O que significa que a rede principal não pode observar as maiores estruturas dos objetos extensos, tais como nuvens gigantes de gás molecular na Via Láctea ou galáxias próximas. A rede compacta foi especialmente concebida para ajudar o ALMA a fazer melhores observações destes objetos extensos. As suas antenas mais pequenas de 7 metros podem colocar-se mais próximas umas das outras, o que faz com que possam medir melhor as estruturas maiores que a rede principal não consegue observar.

Os picos de gelo que se vêem em primeiro plano são os conhecidos “penitentes”. Trata-se de um curioso fenómeno natural observado a altitudes elevadas, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. Os penitentes são finas lâminas de gelo ou neve endurecida que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que vão desde alguns centímetros a vários metros.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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29 de Abril de 2013

Asas para a Ciência voa sobre o ALMA

Esta bela imagem, tirada em dezembro de 2012, mostra a rede de antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) [1], o maior projeto de astronomia em existência, situado no planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. As antenas maiores têm 12 metros de diâmetro e as mais pequenas, todas situadas no centro da imagem,  constituem a Rede Compacta (ACA, sigla do inglês para ALMA Compact Array). Esta rede compacta é composta por 12 antenas com um diâmetro de 7 metros cada uma. A rede completa dispõe de um total de 66 antenas.

O ESO iniciou uma parceria para a divulgação com o projeto ORA Asas para a Ciência, uma organização sem fins lucrativos que oferece apoio aéreo a organizações de investigação públicas, durante uma viagem de um ano à volta do mundo. Os dois membros da tripulação do projeto, Clémentine Bacri e Adrien Normier, voam num ultraleve especial amigo do ambiente [2], ajudando os cientistas em projetos tão diversos como amostragem de ar, arqueologia, observação de biodiversidade e modelização de terrenos a 3D.

Os pequenos filmes e belas imagens produzidos durante os voos são utilizados para fins educativos e promoção da investigação local. A viagem de circumnavegação da equipa começou em junho de 2012 e terminará em junho de 2013, com uma aterragem no Espectáculo Aéreo de Paris.

Notas

[1] O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. O ALMA é financiado na Europa pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), na América do Norte pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos (NSF) em cooperação com o Conselho Nacional de Investigação do Canadá (NRC) e no Leste Asiático pelos Institutos Nacionais de Ciências da Natureza (NINS) do Japão em cooperação com a Academia Sínica (AS) da Ilha Formosa. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.

[2] O avião ultraleve utilizado é um Pipistrel Virus SW 80, galardoado com um prémio da NASA, que usa apenas 7 litros de combustível para cada 100 km - menos que a maioria dos carros.

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22 de Abril de 2013

Prateado e azul no Paranal

O que poderá passar por um belo dia de céu limpo em qualquer parte do mundo é, na realidade, um dia invulgarmente nublado no Observatório do Paranal do ESO, no deserto do Atacama. Uma vez que este é um dos locais mais secos do planeta, é muito invulgar o aparecimento de nuvens no céu. O facto do céu se apresentar sempre muito azul e limpo é um dos fenómenos mais característicos de estar no deserto do Atacama, referido por muitos astrónomos e engenheiros que passam algum tempo a trabalhar no local. Esta bela panorâmica de 360º, tirada por Dirk Essl, empreiteiro no ESO, em 15 exposições separadas, capturou um dos raros dias com nuvens no Paranal. Podemos ver algumas nuvens finas e difusas do tipo cirrus por cima das coberturas do Very Large Telescope. Estas nuvens formam-se a elevadas altitudes e são feitas de pequeníssimos cristais de gelo.

Caiem menos que 10 milímetros de chuva por ano no Observatório do Paranal, o que é uma das razões para o ESO ter escolhido esta montanha de 2600 metros de altitude como local para instalar o Very Large Telescope (VLT). Esta panorâmica inclui os quatro grandes telescópios principais do VLT e os quatros telescópios auxiliares mais pequenos, instalados no interior dos seus edifícios mais redondos, um no primeiro plano e os outros três mais afastados. Os carris no chão servem para deslocar os telescópios auxiliares para posições diferentes.

O Dirk submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.

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15 de Abril de 2013

Sob o feitiço das Nuvens de Magalhães

Esta bela imagem do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que mostra as antenas do telescópio sob um céu estrelado de cortar a respiração, foi obtida por Christoph Malin, um Embaixador Fotográfico do ESO. Esta imagem foi retirada de um dos seus vídeos time-lapse do ALMA, vídeo esse que também se encontra disponível (ver ann12099).

Situado no planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, o ALMA é o telescópio mais poderoso do mundo a trabalhar nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. A construção do ALMA estará terminada este ano e nessa altura o telescópio contará com um total de 66 antenas de alta precisão a operar neste local.

Podem ver-se, por cima das antenas, a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães brilhando intensamente no céu. Estas galáxias anãs irregulares próximas são objetos bastante proeminentes no hemisfério sul, podendo mesmo ser vistas a olho nu. Estas galáxias orbitam em torno da Via Láctea - a nossa Galáxia - e existem evidências de que ambas se tenham distorcidas enormemente devido à sua interação com a Via Láctea, já que passam perto desta.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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8 de Abril de 2013

Uma fita resplandecente de estrelas - A Via Láctea Sul sobre La Silla

Esta fotografia panorâmica, tirada por Alexandre Santerne, mostra uma noite fria de inverno, com uns salpicos de neve no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, com o proeminente disco da Via Láctea, a nossa Galáxia, visto por dentro. A partir da nossa posição interna privilegiada, o disco da Via Láctea aparece como uma fita resplandecente de estrelas ao longo de todo o céu. Nesta panorâmica, a Via Láctea está distorcida em forma de arco, devido à projeção da lente grande angular.

Espreitando por cima da colina, do lado esquerdo na imagem, vemos o telescópio de 3,6 metros do ESO, onde está montado o instrumento HARPS (sigla de High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), o principal descobridor de exoplanetas do mundo. Na ponta direita da fotografia está o telescópio suíço de 1,2 metros Leonhard Euler, construído e operado pelo Observatório de Genebra.

Existem inúmeras razões para La Silla ser um local ideal para observar o céu nocturno em geral e a Via Láctea, em particular. Em primeiro lugar, situa-se no hemisfério sul, dando-nos por isso uma melhor vista da rica região central  da Galáxia. Em segundo lugar, está situado longe de poluição e luz citadinas, a uma altitude de 2400 metros, o que faz com que as noites sejam escuras e a atmosfera límpida.

O Alexandre submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens. Desde que submeteu a fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

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1 de Abril de 2013

Rastos de estrelas por cima da Residência no Cerro Paranal

Farid Char, Embaixador Fotográfico do ESO, obteve esta imagem do céu austral nocturno sobre a Residência do Observatório do Paranal do ESO, no Chile, que mostra uma bela vista dinâmica do céu repleto de estrelas.

Para obter os rastos de estrelas circulares da imagem, Farid fez uma exposição de 30 minutos, revelando assim o movimento aparente das estrelas devido à rotação da Terra. No centro encontra-se o ponto aparentemente parado do polo sul celeste. À esquerda e em cima, vemos as manchas difusas da Grande e da Pequena Nuvens de Magalhães, galáxias vizinhas da Via Láctea.

A cúpula de vidro escuro, mesmo por baixo dos círculos das estrelas, faz parte do telhado da Residência. Esta construção única, parcialmente subterrânea, encontra-se em funcionamento desde 2002, albergando cientistas e engenheiros que trabalham no observatório. Durante o dia, a cúpula com um diâmetro de 35 metros permite a entrada de luz natural no edifício.

No observatório, situado numa montanha com uma altitude de 2600 metros, no deserto árido do Atacama, as excelentes condições de observação têm um preço. As pessoas que aí trabalham enfrentam luz solar extremamente forte durante o dia, humidade muito baixa e a elevada altitude deixa muita gente com falta de ar. Para as ajudar a relaxar e reidratar-se depois de um longo período de trabalho no topo da montanha, a Residência dispõe de um oásis artificial, com um pequeno jardim, uma piscina que humidifica o ar, uma sala de estar, uma sala de jantar e outras zonas de recreação. O edifício pode albergar até 100 pessoas.

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