Fotografia da Semana

31 de Março de 2014

Capturando o Universo em Ultra Alta Definição

Esta imagem obtida no Observatório do Paranal do ESO é a primeira fotografia da Expedição Ultra HD do ESO - uma viagem pioneira que está neste momento a ser levada a cabo por quatro vídeo-fotógrafos e Embaixadores Fotográficos do ESO de renome internacional [1]. Equipados com dispositivos Ultra HD de vanguarda [2] [3], estes profissionais estão a obter imagens dos três locais de observação do ESO no Chile em todo o seu esplendor, ao mesmo tempo que documentam a viagem num blog dedicado.

Podemos ver nesta invulgar imagem os quatro Telescópios Principais do VLT (Antu, Kueyen, Melipal e Yepun), um dos Telescópios Auxiliares da mesma infraestrutura e o Telescópio de Rastreio do VLT (VST). Usando uma lente olho de peixe, obtém-se esta vista de 360º do local - recriando o mundo do Paranal com a Via Láctea ao centro.

Jóias cósmicas distantes encontram-se espalhadas por cima do VLT, salpicando os tons azul safira do céu noturno. Próximo do cimo da imagem, vemos a Lua e Vénus lado a lado, brilhando intensamente com Saturno (que se encontra mesmo por cima da cúpula situada no fundo da imagem), alinhando-se perfeitamente ao longo da eclíptica. Estão também visíveis Antares, Vega e Altair, algumas das estrelas mais brilhantes do céu [4]. Duas galáxias anãs irregulares vizinhas da Via Láctea, a Pequena e a Grande Nuvens de Magalhães, podem ser vistas brilhando fracamente à esquerda, próximo do Telescópio Auxiliar. Toda este material, obtido através da lente olho de peixe durante a expedição, será brevemente distribuído de forma gratuita para ser utilizado em espetáculos de planetário (tais como os que serão apresentados no futuro centro Supernova ESO a partir de 2017).

A expedição começou em Santiago do Chile a 25 de março de 2014. No dia seguinte a equipa partiu para o primeiro observatório do itinerário - o Observatório do Paranal do ESO, onde esta imagem foi obtida a 26 de março de 2014. A equipa permanecerá neste local durante os próximos dias capturando fotografias, vídeos e panoramas do Paranal - local que acolhe a infraestrutura emblemática do ESO, o Very Large Telescope - antes de partir em direção ao Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), seguindo depois para o Observatório de La Silla e voltando à Europa a 8 de abril.

Notas

[1] A equipa é composta pelo vídeo-fotógrafo do ESO Herbert Zodet e três Embaixadores Fotográficos do ESO, Yuri Beletsky, Christoph Malin e Babak Tafreshi. Informação sobre os parceiros tecnológicos da expedição pode ser encontrada aqui.

[2] O equipamento usado na expedição inclui: Vixen Optics Polarie Star Tracker, máquinas fotográficas Canon EOS-1D C e 6D, Stage One Dolly e robot de controlo de câmara eMotimo TB3 de três eixos, discos Angelbird SSD2go, software LRTimelapse, estojos de transporte Peli Storm, estações de trabalho 4K PC da Magic Multimedia, sistema Novoflex QuadroPod, baterias Intecro e software Granite Bay.

[3] Os parceiros tecnológicos são: Canon, Kids of All Ages, Novoflex, Angelbird, Sharp, Vixen, eMotimo, Peli, Magic Multi Media, LRTimelapse, Intecro e Granite Bay Software.

[4] A versão anotada da imagem mostra os planetas e estrelas que podem ser vistos no céu noturno.

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24 de Março de 2014

Enquadrando o céu noturno

Os observatórios do ESO situam-se em locais privilegiados onde os astrofotógrafos conseguem obter imagens fantásticas do cosmos, mas não só - às vezes, também se conseguem obter imagens que, embora sejam do nosso próprio planeta, parecem do outro mundo. Esta fotografia foi tirada pelo embaixador fotográfico do ESO Gabriel Brammer, que usou uma lente olho de peixe para criar este efeito redondo. O céu limpo sobre o Paranal parece uma bola de cristal cheia de estrelas, com a plataforma do Very Large Telescope (VLT) a emoldurar a fotografia.

Embaixo à esquerda podemos ver os quatro Telescópios Principais do VLT, cada um com 25 metros de altura, a observar o céu noturno, um deles apontando o seu laser para o céu. Espalhadas pela parte superior esquerda da imagem estão as cúpulas redondas dos Telescópios Auxiliares do VLT, sob a brilhante Via Láctea. As duas manchas difusas mesmo por cima do laser são a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães, duas das galáxias mais próximas da nossa.

Esta imagem foi criada a partir de diversas fotografias de grande angular, que juntas formam uma imagem da vista completa.


17 de Março de 2014

Um arco lácteo sobre o Paranal

Outra noite límpida no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, perfeita para nos sentarmos e observarmos a nossa galáxia, a Via Láctea. Muitos de nós, que vivemos em cidades com muita população e poluição luminosa, não conseguimos observar a nossa casa cósmica com tanto pormenor.

Sabemos que esta vista magnífica é a nossa casa galáctica, mas os antigos gregos pensavam que se tratava do trabalho dos deuses. As suas lendas contam que este trilho nebuloso ao longo do céu era na realidade o leite do peito de Hera, a esposa de Zeus. É também aos antigos gregos que devemos o nome “Via Láctea”. A frase em grego Γαλαξίας κύκλος, que se pronuncia galaxias kyklos significa “círculo lácteo” e é a raiz do nome moderno.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Gabriel Brammer. Podemos ver no lado direito da imagem um astrónomo visitante a admirar a vista.


10 de Março de 2014

O cometa de Rosetta começa a acordar

No dia 20 de janeiro de 2014 a sonda espacial na ESA Rosetta emergiu de uma longa hibernação de espaço profundo para se aproximar do seu alvo - o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (67P/CG).

Visto a partir da Terra, o cometa 67P/CG acaba de reaparecer de trás do Sol. No dia 28 de fevereiro de 2014, o Very Large Telescope do ESO (VLT) apontou o seu olho para o cometa, assim que este se tornou visível a partir do Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O ESO está a colaborar com a ESA no intuito de monitorizar o cometa a partir do solo, à medida que a sonda Rosetta se aproxima deste nos próximos meses. Estas observações ajudarão a preparar o encontro principal da sonda com o cometa, previsto para agosto deste ano (ver potw1403a).

Esta nova imagem, e muitas mais que ainda estão para vir, será usada pela ESA para ajustar a navegação de Rosetta e para monitorizar quanta poeira é que o cometa está a libertar. A imagem da esquerda foi criada ao juntar várias exposições individuais de modo a mostrar as estrelas de fundo - que foram deslocadas para compensar o movimento do cometa. O cometa propriamente dito aparece como um pequeno ponto mesmo por cima do rasto de uma das estrelas (no centro da circunferência vermelha). A imagem da direita mostra o cometa depois de subtraídas as estrelas de fundo.

Esta nova imagem mostra o cometa 67P/CG a tornar-se cada vez mais brilhante, indicando que o gelo no seu núcleo começou a evaporar-se, à medida que aquece com a aproximação ao Sol. Tal como a sonda Rosetta, o cometa começa também a sair da sua hibernação.

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3 de Março de 2014

Trabalhadores do ALMA salvam cria de vicuña abandonada

No cimo do planalto do Chajnantor nos Andes chilenos situa-se o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), um observatório rodeado de grandes extensões de paisagem árida. Surpreendemente, a região alberga uma quantidade de diferentes espécies selvagens, algumas das quais aparecem às vezes perto do observatório. Mais para sul, o Observatório de La Silla do ESO teve recentemente a visita de uma raposa cinzenta sul americana (potw1406a) e de cavalos selvagens (potw1344a).

O visitante mais recente do ALMA foi esta cria de vicuña, encontrada a 16 de fevereiro de 2014 pelos trabalhadores do ALMA. A cria tinha apenas algumas semanas de vida e estava muito fraca depois de ter sido perseguida por raposas e perdido o seu rebanho.

Depois de, no dia seguinte, tentarem sem sucesso devolvê-la ao rebanho, os trabalhadores levaram-na para o Centro de Salvamento e Reabilitação da Vida Selvagem na Universidade de Antofagasta, onde o animal está a ser tratado de modo a poder ser eventualmente libertado de novo no planalto andino dentro de aproximadamente um ano.


24 de Fevereiro de 2014

As curvas da Sede do ESO

Privadas de cor nesta imagem infravermelha, as curvas da Sede do ESO contrastam com a beleza natural gelada das árvores que a circundam. A curvatura extrema visível na imagem deve-se ao uso de uma lente olho de peixe, que distorce a imagem e faz com que o edifício rodeie a pálida folhagem e enquadre o céu. A vegetação parece brilhante porque reflete a radiação infravermelha e o pálido tom esbranquiçado deve-se a um balanço de cor branca aplicado às folhas das árvores.

As curvas precisas de betão, vidro e metal dão pistas quando à natureza peculiar do edifício da Sede. Em 1981 um artigo publicado na revista do ESO The Messenger descrevia  o edifício como “um labirinto  do género dos utilizados para testar a inteligência dos ratos”. Felizmente para o ESO, o escritor rapidamente concluía que “os seres humanos são em média mais espertos do que ratos e por isso resolvem rapidamente o problema”.

Esta fotografia foi tirada pelo especialista de computadores do ESO Dirk Essl.


17 de Fevereiro de 2014

VST fotografa Gaia a caminho de um milhar de milhão de estrelas

Estas novas imagens obtidas pelo Telescópio de Rastreio do VLT (VST) do ESO, mostram a sonda Gaia da ESA situada a cerca de 1,5 milhões de quilómetros para lá da órbita da Terra.

Lançada na manhã de quinta-feira de 19 de dezembro de 2013, a sonda tem por objetivo construir um mapa a três dimensões da nossa Galáxia durante os próximos cinco anos. Mapear o céu tem sido uma das demandas da humanidade desde o início dos tempos e Gaia levará a compreensão da nossa vizinhança estelar a um novo nível. A sonda medirá com extrema precisão as posições e os movimentos de cerca de um milhar de milhão de estrelas na nossa Galáxia, explorando a composição, formação e evolução da Via Láctea.

Estas novas observações são o resultado de uma estreita colaboração entre a ESA e o ESO, que visa monitorizar o satélite a partir do solo. Gaia é o instrumento astrométrico mais preciso alguma vez construído, mas de modo a que as suas observações sejam úteis é necessário saber com perfeita exatidão a sua posição. A única maneira de saber a velocidade e posição da sonda com extrema precisão consiste em observá-la diariamente a partir do solo - com o auxílio de telescópios incluindo o VST do ESO numa campanha conhecida por Ground-Based Optical Tracking (GBOT).

O VST é um telescópio de vanguarda de 2,6 metros equipado com a OmegaCAM, uma enorme câmara CCD de 268 milhões de pixels, com um campo de visão quatro vezes a área da Lua Cheia. O VST obteve estas imagens com o auxílio da OmegaCAM a 23 de janeiro de 2014, com uma diferença de 6,5 minutos uma da outra. Gaia vê-se claramente como um pequeno ponto que se desloca sobre o fundo imóvel das estrelas. A sua localização está rodeada a vermelho. Nestas imagens a sonda é cerca de um milhão de vezes mais ténue do que o que pode ser detectado a olho nu.

Gaia foi observada anteriormente em dezembro de 2013 pelo VST, logo a seguir ao seu lançamento - um dos objetos mais próximos alguma vez observados pelo VST. A sonda estava precisamente no local esperado, realçando uma colaboração bem sucedida entre a astronomia feita no solo e no espaço!

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10 de Fevereiro de 2014

A fantástica senhora raposa

Empoleirada precariamente no limite do mundo habitável, a vida agarra-se tenazmente. Nos arredores do quente e seco deserto do Atacama, esta resistente raposa cinzenta sul americana acaba de acordar, espreguiçando-se vagarosamente. Estas raposas encontram-se geralmente ativas durante a noite, aproveitando a descida de temperatura que ocorre quando o quente sol chileno não se encontra no céu.

No plano de fundo da imagem podemos ver outros sinais de vida. A cúpula branca aloja o Telescópio suíço de 1,2 metros Leonhard Euler, protegido das inóspitas condições por esta concha exterior. À medida que o céu escurece sobre no Observatório de La Silla do ESO, outra espécie nocturna bastante famosa, o astrónomo, acorda, espreguiça-se e prepara-se para perscrutar os céus com o auxílio de tecnologia barulhenta.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Malte Tewes e submetida no grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é revisto regularmente e as melhores fotografias são seleccionadas para fazerem parte da nossa popular série Fotografia da Semana ou para serem incluidas na nossa galeria de imagens.

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3 de Fevereiro de 2014

Ar antártico visita o Paranal

Esta bela vista panorâmica do Observatório do Paranal do ESO foi obtida a 5 de julho de 2012 e assinala um dos dia mais secos alguma vez registados no complexo do Very Large Telescope. O Paranal aparece-nos como uma ilha no meio da imagem, com enormes bancos de nuvens flutuando por baixo, sobre o distante oceano Pacífico.

A humidade extremamente baixa no Paranal durante este período foi registada por um radiómetro de vapor de água conhecido por LHATPRO, o qual monitoriza a atmosfera com o intuito de ajudar nas observações levadas a cabo no observatório [1]. Meteorologistas de duas universidades chilenas identificaram as causas destas condições secas invulgares: ar antártico a grande altitude movendo-se muito a norte e descendo sobre o Paranal.

Esta frente fria permaneceu sobre o Paranal durante cerca de 12 horas, batendo um recorde de baixa humidade do ar sobre o observatório [2]. Florian Kerber (ESO) e colegas analisaram este clima muito invulgar, publicando os resultados num artigo científico na revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society a 29 de janeiro de 2014, disponível neste link.

Um deserto seco... que tem isso de especial? O que se passa é que condições de seca tão extremas aparecem normalmente a altitudes muito mais elevadas, por exemplo no observatório ALMA, no planalto do Chajnantor, situado 5000 metros acima do nível do mar. No entanto, a altitude do Paranal é mais ou menos metade desta: 2635 metros. Uma vez que as observações no infravermelho beneficiam enormemente de condições extremamente secas do ar, a monitorização de rotina usando o radiómetro LHATPRO proporciona aos astrónomos a oportunidade de tirar partido de futuras diminuições extremas da humidade no Paranal, obtendo óptimas observações no infravermelho do Universo que nos rodeia.

A fotografia foi tirada pelo embaixador fotográfico do ESO Gabriel Brammer que, por mero acaso, observou o pôr do Sol imediatamente anterior a este fenómeno, achando-o extraordinariamente límpido e bonito. Gabriel trabalha como astrónomo no ESO, no Observatório La Silla-Paranal e, quando não está a dar apoio às operações do observatório, estuda a formação e evolução de galáxias distantes usando os mais sofisticados telescópios e instrumentos, incluindo o Very Large Telescope e o Telescópio Espacial Hubble.

Notas

[1] O LHATPRO (acrónimo do inglês para Low Humidity and Temperature Profiling radiometer), fabricado pela empresa Radiometer Physics GmbH, na Alemanha, usa riscas espectrais fortes de certos elementos para medir a quantidade de água na atmosfera.

[2] A humidade é medida sob a forma de vapor de água precipitável -  uma medição da quantidade de água na atmosfera. Corresponde à quantidade de água numa coluna de atmosfera se toda ela se precipitasse em chuva. Neste caso mediu-se apenas 0,1 mm de vapor de água precipitável - muito menos do que o valor normal para o Paranal de 2 mm (já de si muito baixo).


27 de Janeiro de 2014

Interferometria na piscina

Os astrónomos nem sempre nadam na piscina da Residencia do Observatório do Paranal, mas quando o fazem, gostam de mostrar como funcionam alguns princípios físicos. Nesta imagem, o astrónomo francês do ESO Jean-Baptiste Le Bouquin, demonstra como é que as ondas - não ondas de luz mas ondas de água - se combinam, ou interferem, para criar ondas maiores.

A combinação de ondas luminosas é o princípio principal subjacente ao interferómetro do VLT: as ondas luminosas capturadas por cada um dos telescópios de 8 metros, são combinadas com o auxílio de uma rede de canais e espelhos. Deste modo, a resolução espacial do telescópio aumenta muito e, com tempo de exposição suficiente, as câmaras e instrumentos conseguem revelar o mesmo nível de detalhes que revelaria um telescópio de 130 metros de diâmetro, algo muito maior que qualquer telescópio em existência atualmente.


20 de Janeiro de 2014

O cometa de Rosetta

A sonda Rosetta da ESA despertará hoje depois de 31 meses em hibernação no espaço profundo, para finalmente se aproximar do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (67P/CG).

Esta imagem mostra as mais recentes observações do cometa de 4 quilómetros de diâmetro, obtidas a 5 de outubro de 2013 pelo Very Large Telescope (VLT) do ESO, quando o cometa se encontrava a cerca de 500 milhões de quilómetros de distância - antes de passar por trás do Sol e ficar fora de vista relativamente à Terra.

Para criar esta imagem foram processadas uma série de observações, que revelaram tanto o cometa sem o fundo de estrelas (no painel da esquerda), como com o campo estelar por trás e o percurso do cometa bem marcado (à direita). Observado sob um fundo de muitas estrelas, na direção do centro da Via Láctea, o cometa 67P/CG encontrava-se tão longe do Sol que o núcleo gelado ainda não estava a libertar gás e poeira, aparecendo-nos por isso sob a forma de um simples ponto. À medida que se aproxima do Sol, a superfície do cometa começa a aquecer e os gelos sublimam, libertando-se assim poeira que forma uma cauda.

Estas observações marcam o início da estreita colaboração entre a ESA e o ESO, que visa monitorizar a partir do solo o cometa durante o seu encontro com a sonda Rosetta que ocorrerá na segunda metade deste ano. Rosetta foi lançada em 2004 e tem como objetivo explorar a superfície do cometa. Para isso vai fazer aterrar uma sonda exploratória no cometa 67P/CG, sonda esta que irá estudar a sua superfície in loco [1].

O 67P/CG encontra-se numa órbita de 6,5 anos em torno do Sol e situa-se atualmente próximo da órbita de Júpiter. A maior aproximação ao Sol - que ocorrerá numa órbita entre a Terra e Marte - será em agosto de 2015. A imagem sugere que o cometa ainda não se encontra ativo, por isso os cientistas estão ansiosos por observar novamente este corpo em fevereiro, quando este estiver outra vez em posição capaz de ser observado pelo VLT e se encontrar muito mais próximo do Sol.

Entretanto, as observações feitas em outubro foram utilizadas para confirmar a órbita do cometa, antes da fundamental manobra de encontro planeada para Rosetta em maio, que visa alinhar a sonda para orbitar o cometa em agosto. Serão executados cálculos adicionais quando Rosetta avistar o cometa no seu próprio sistema de imagem.

Notas

[1] Desde o seu lançamento, Rosetta já viajou em torno do Sol cinco vezes, alcançando velocidade e alinhando-se para o seu destino final. Na parte mais fria da sua missão, quando se aventurou para além da órbita de Júpiter, a sonda foi colocada em hibernação de espaço profundo. O 67P/CG tem uma órbita razoavelmente estável e bem conhecida, o que significa que os cálculos efetuados para a trajetória de Rosetta puderam ser executados com bastante antecedência relativamente ao lançamento da sonda. Além disso, como se encontra bastante afastado do Sol, este cometa torna-se um alvo seguro.

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13 de Janeiro de 2014

ALMA e o Chajnantor durante o crepúsculo

Graças aos Embaixadores Fotográficos do ESO, podemos disfrutar de imagens sensacionais tiradas nos locais do ESO, situados em remotos topos de montanha no Chile. Babak Tafreshi obteve esta panorâmica das antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) durante o crepúsculo. Parecendo uma cena de um filme de ficção científica, o espectáculo tecnológico do ALMA contrastando com o intocável poder natural da paisagem do planalto do Chajantor, 5000 metros acima do nível do mar, resulta nesta imagem impressionante.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.


30 de Dezembro de 2013

Noite luminosa no Paranal

Quando a noite cai os observatórios do ESO despertam. Astrónomos e técnicos ocupam os seus lugares e os telescópios são apontados ao céu. Esta imagem mostra o céu extremamente límpido sobre o Observatório do Paranal do ESO no deserto chileno do Atacama, situado bem longe das luzes citadinas.

O Embaixador Fotográfico do ESO Gabriel Brammer capturou a beleza serena da Via Láctea a partir da plataforma do Very Large Telescope. Os quatro enormes blocos ao fundo da imagem são os quatro Telescópios Principais do VLT, cada um com um espelho muito preciso de 8,2 metros de diâmetro. Espalhados entre estes telescópios encontram-se os Telescópios Auxiliares do VLT, facilmente identificáveis  pelas suas cúpulas brancas redondas. O ponto de luz à esquerda é a Lua, que brilha tão intensamente como se do Sol se tratasse. Podemos ver ainda encostada à direita a sombra do fotógrafo, que nos acena com os braços esticados.

Todo o céu nocturno pode ser observado devido ao uso de uma lente olho de peixe, que cria este efeito circular com o solo a rodear toda a imagem.


23 de Dezembro de 2013

Votos de Boas Festas do Observatório Europeu do Sul

O Observatório Europeu do Sul deseja a todos umas Boas Festas, com votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

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16 de Dezembro de 2013

Rastros de estrelas sobre o VLT no Paranal

Esta imagem obtida por Babak A. Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, no Observatório do Paranal do ESO, mostra três dos quatro Telescópios Auxiliares do Interferómetro do Very Large Telescope. No céu por cima deles, as longas tiras de luz são rastros de estrelas, cada uma delas marcando o movimento aparente de uma única estrela no céu noturno, devido à rotação da Terra. Esta técnica faz igualmente sobressair as cores naturais das estrelas, as quais nos informam sobre as suas temperaturas, que vão desde uns 1000 graus Celsius para as mais vermelhas até a algumas dezenas de milhares de graus Celsius para as mais quentes, que vemos a azul. Neste local remoto e alto, o céu é extremamente límpido e não apresenta nenhuma poluição luminosa, oferecendo-nos este magnífico espetáculo de luz.


2 de Dezembro de 2013

Luz zodiacal ilumina o céu do Paranal

Esta impressionante fotografia, tirado no local do Very Large Telescope do ESO (VLT), no Observatório do Paranal, no Chile, mostra a Via Láctea, no centro à esquerda, com nebulosas, estrelas e nuvens de gás, subindo por cima dos Telescópios Principais do VLT.

À direita, chamando igualmente a atenção à medida que desenha um arco por cima do horizonte, uma bonita banda de luz difusa, quase triangular, pode ser vista ao longo da eclíptica, que é o caminho aparente que o Sol percorre no céu, quando visto a partir da Terra.

Esta luz tem origem na luz solar que é dispersa pela poeira que se encontra entre os planetas, espalhada ao longo do plano do Sistema Solar. Coincide com a zona no céu chamada o Zodíaco, o qual se estende oito graus para cada lado da eclíptica e contém as tradicionais constelações zodiacais.


25 de Novembro de 2013

Constelações antigas sobre o ALMA

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) numa imagem que combina a beleza do céu austral com as prodigiosas dimensões do maior projeto astronómico do mundo.

Milhares de estrelas podem ser vistas a olho nu nos céus límpidos do planalto do Chajnantor. O ar seco e transparente é uma das razões pelas quais o ALMA foi aqui construído. Surpreendentemente brilhante, no canto esquerdo da fotografia, podemos ver um grupo compacto de estrelas jovens, o enxame das Pleiades, que era já conhecido da maioria das civilizações antigas. A constelação de Orion vê-se claramente por cima da mais próxima das antenas - o cinturão do caçador é formado pelas três estrelas que se encontram mesmo à esquerda da luz vermelha. De acordo com a mitologia clássica, Orion era um caçador que perseguia as Pleiades, as belas filhas de Atlas. Quando vistas através da fina atmosfera do Atacama, até parece que a caçada épica está realmente a acontecer.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.


18 de Novembro de 2013

Nova imagem do cometa ISON

Esta nova imagem do cometa C/2012 S1 (ISON) foi obtida com o telescópio nacional belga TRAPPIST, instalado no Observatório de La Silla do ESO na manhã de sexta-feira, dia 15 de novembro de 2013. O cometa ISON foi inicialmente descoberto no céu em setembro de 2012 e fará a sua maior aproximação ao Sol em finais de novembro de 2013.

O telescópio TRAPPIST tem vindo a monitorizar o cometa ISON desde meados de outubro, com o auxílio de filtros de banda larga, usados nesta imagem. Têm também sido utilizados filtros especiais de banda estreita que isolam a emissão de vários gases, permitindo aos astrónomos saber a quantidade de moléculas de cada tipo de gás libertadas pelo cometa.

O cometa ISON manteve-se relativamente calmo até 1 de novembro de 2013, altura em que uma primeira libertação de matéria duplicou a quantidade de gás emitida pelo cometa. No dia 13 de novembro, mesmo antes desta imagem ter sido obtida, deu-se uma segunda libertação intensa de gás, aumentando a atividade do cometa de um factor dez. O cometa é agora suficientemente brilhante para poder ser visto com um bom par de binóculos a partir de um sítio escuro no céu da madrugada em direção a este. Durante as últimas duas noites, o cometa estabilizou neste novo nível de atividade.

Estas libertações de matéria foram causadas pelo intenso calor do Sol que, à medida que o cometa se aproxima, atinge o gelo no núcleo minúsculo do cometa,  fazendo com que este sublime e que sejam lançadas para o espaço enormes quantidades de poeira e gás. Na altura em que o ISON fizer a sua maior aproximação ao Sol a 28 de novembro (chegando a uns meros 1,2 milhões de quilómetros da sua superfície - apenas um pouco menos do diâmetro do Sol!), o intenso calor fará com que ainda mais gás vá sublimar. No entanto, este processo poderá, igualmente, dar origem à fragmentação do núcleo em muitos pedaços, que já estariam completamente evaporados na altura em que o cometa se afastasse do intenso calor solar. Se o ISON sobreviver à sua passagem perto do Sol, poderá então tornar-se espectacularmente brilhante no céu matinal.

Esta é uma imagem composta por quatros exposições diferentes de 30 segundos cada uma, obtidas através dos filtros azul, verde, vermelho e infravermelho próximo. À medida que o cometa se desloca em frente às estrelas de fundo, estas estrelas aparecem-nos como múltiplos pontos coloridos.

O telescópio TRAPPIST  (TRAnsiting Planets and Planetesimals Small Telescope - telescópio pequeno para planetas em trânsito e planetesimais) dedica-se ao estudo dos sistemas planetários de dois modos: detecção e caracterização de planetas situados fora do Sistema Solar (exoplanetas) e estudo de cometas que orbitam em torno do Sol. Trata-se de um telescópio nacional belga de 60 cm, que está a ser operado a partir de uma sala de controlo em Liège, Bélgica, a 12 000 km de distância.


11 de Novembro de 2013

Vista panorâmica do ALMA com a Nebulosa Carina

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, capturou esta vista panorâmica das antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob um céu límpido no planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos.

A mancha rosada proeminente à esquerda da imagem é a Nebulosa Carina, que se situa na constelação Carina (a Quilha), a cerca de 7500 anos-luz de distância da Terra. Esta nuvem de gás brilhante e poeira é uma das nebulosas mais brilhantes no céu e contém várias das estrelas mais brilhantes e de maior massa conhecidas na Via Láctea, tais como a estrela Eta Carinae. Algumas das imagens da Nebulosa Carina obtidas recentemente com telescópios do ESO, podem ser vistas em eso1208, eso1145 e eso1031.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.


4 de Novembro de 2013

Visitantes equestres

Numa noite escura de setembro no Observatório de La Silla do ESO, depois de uma noite passada no telescópio, o astrónomo Klaas Wiersema estava a voltar para o restaurante. A maior parte do trabalho num observatório acontece durante a noite, por isso não é invulgar ver cientistas e técnicos a passar no meio da escuridão.

Desta vez, no entanto, algo imprevisto aconteceu. De repente, Klaas ouviu um resfolegar ruidoso por trás de si e o som de enormes patas a persegui-lo. Convencido de que algum tipo de animal furioso tinha saído da sua toca e estava a caçá-lo, Klaas desatou a correr. Não fazia ideia que animal o poderia estar a perseguir nas encostas desoladas do deserto do Atacama, 2400 metros acima do nível do mar, por isso passou o resto da noite a tentar desvendar o mistério.

Quando o dia nasceu Klaas saiu para explorar, descobrindo que  tinha afinal passado muito perto de uma manada de cavalos selvagens que, pelos vistos, tinha vindo visitar o observatório. O garanhão estaria muito provavelmente a defender as suas fêmeas. Klaas tirou esta fotografia como prova do encontro imediato da noite anterior.

Klaas submeteu a fotografia ao grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é regularmente revisto e as melhores fotografias são seleccionadas para aparecerem na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.

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