Fotografia da Semana

4 de Março de 2013

A neve chega ao deserto do Atacama

O deserto do Atacama é um dos locais mais secos do mundo. Vários factores contribuem para as suas condições áridas. A cadeia montanhosa dos Andes e a costa chilena bloqueiam as nuvens a este e oeste, respectivamente. Adicionalmente, a corrente fria Humboldt no Oceano Pacífico, que cria uma camada de inversão de ar frio na costa, impede a formação de nuvens de chuva. Além do mais, uma região de alta pressão no oceano Pacífico sudeste dá origem a ventos que formam um anticiclone, o qual ajuda também a manter muito seco o clima no deserto do Atacama. Foram precisamente estas condições extremamente áridas que levaram o ESO a instalar o Very Large Telescope (VLT) no Paranal, no deserto do Atacama. No observatório do Paranal, situado no cimo do Cerro Paranal, os níveis de precipitação ficam normalmente abaixo dos 10 milímetros por ano, com uma humidade que desce muitas vezes aos 10%. As condições de observação são excelentes, com mais de 300 noites límpidas por ano.

Estas esplêndidas condições para a observação astronómica no deserto do Atacama, apenas muito raramente são afetadas pelas condições meteorológicas. No entanto, talvez durante um par de dias por ano, a neve vem visitar o deserto do Atacama. Esta fotografia mostra uma bela panorâmica do Cerro Paranal. O VLT está situado no pico à esquerda e o telescópio de rastreio VISTA encontra-se num pico ligeiramente mais baixo, um pouco mais à direita. O céu azul mostra que este é mais um dia de céu limpo. Desta vez, no entanto, algo está diferente: uma fina camada de neve transformou a paisagem desértica, proporcionando-nos uma vista invulgar de rara beleza.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Stéphane Guisard, a 1 de agosto de 2011.

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25 de Fevereiro de 2013

O cometa e o laser

Gerhard Hüdepohl, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, tirou esta fotografia espetacular do Very Large Telescope do ESO (VLT) durante os testes do novo laser para o VLT a 14 de fevereiro de 2013. Este laser será usado como parte fundamental da Infraestrutura de Estrela Guia Laser, a qual permite aos astrónomos corrigir as observações da maior parte das perturbações causadas pelo movimento constante da atmosfera, criando assim imagens muito mais nítidas. No entanto, ao ver a imagem é difícil não pensarmos num laser futurista a apontar para algum invasor espacial distante.

Para além da magnifica vista da Via Láctea por cima do telescópio, existe outro objeto que torna esta imagem ainda mais especial. À direita do centro da imagem, mesmo por baixo da Pequena Nuvem de Magalhães e quase escondido pela miríade de estrelas que se vêem no escuro céu chileno, vemos um ponto verde com uma ténue cauda para o lado esquerdo. Trata-se do recentemente descoberto, e mais brilhante do que esperado, cometa Lemmon, que atualmente se desloca lentamente ao longo do céu austral.


18 de Fevereiro de 2013

Espelho finíssimo a ser testado no ESO

Este espelho muito fino deformável foi entregue ao ESO em Garching, Alemanha, e encontra-se a ser testado. Tem 1120 milímetros de diâmetro mas apenas 2 mm de espessura, o que o torna muito mais fino do que a maioria dos espelhos de vidro. O espelho é finíssimo de modo a ser suficientemente flexível para que, quando se lhe aplicam forças electromagnéticas, a sua superfície refletora se altere. Quando instalado no telescópio, a superfície do espelho será constantemente e milimetricamente alterada, corrigindo deste modo os efeitos de distorção causados pela atmosfera terrestre e produzindo assim imagens muito mais nítidas.

O novo espelho secundário deformável (DSM, sigla do inglês para deformable secondary mirror) irá substituir o actual espelho secundário de um dos quatro telescópios que compõem o VLT. A estrutura secundária completa inclui um conjunto de 1170 actuadores que aplicam uma força em 1170 ímans colados na parte de baixo da estrutura fina. Electrónica sofisticada construída de propósito para o efeito controlará o comportamento do espelho. A superfície refletora pode ser deformada por acção dos actuadores até mil vezes por segundo.

O sistema DSM completo foi entregue ao ESO pelas empresas italianas Microgate e ADS em dezembro de 2012, concluindo-se assim oito anos de desenvolvimento sustentado e construção. Este é o maior espelho deformável alguma vez construído para aplicação na astronomia e é o mais recente numa longa linha de tais espelhos. A extensa experiência destas empresas está bem patente no alto desempenho do sistema, assim como na sua fiabilidade. A instalação do sistema no VLT está prevista para 2015.

O espelho (ann12015) propriamente dito foi construído pela empresa francesa REOSC. O espelho consiste numa folha de material cerâmico que foi polido até se obter uma forma muito precisa. O processo de construção começa com um bloco de cerâmica Zerodur, fornecido pela Schott Glass (Alemanha), com mais de 70 milímetros de espessura. A maior parte do material é limado e polido até se chegar a uma fina camada final, que tem que ser cuidadosamente suportada em todos os momentos, uma vez que é extremamente frágil.

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11 de Fevereiro de 2013

Pintura a Luz e a Laser

Numa noite límpida, na Baviera, o pessoal do ESO assistiu à filmagem de um episódio do ESOcast, episódio esse que tratou da nova unidade compacta de estrela guia laser, a qual pode ser observada em acção no Observatório Público Allgäu em Ottobeuren, Alemanha. Com o brilho dos seus telemóveis, o pessoal do ESO aproveitou a exposição longa desta fotografia para escrever as letras “ESO” a luz, em frente ao observatório. À esquerda do raio laser, podemos ver a Via Láctea e mesmo por cima do horizonte, sobre o observatório, é visível ao longe a linha a tracejado correspondente à passagem de um avião. O laser tem um raio poderoso de 20 watts, e para proteger pilotos e passageiros foi criado, pela Deutsche Flugsicherung (responsável pelo controle de tráfego aéreo na Alemanha), um perímetro de voo interdito em torno do observatório, durante as horas da observação nocturna.

As estrelas guia laser são estrelas artificiais criadas na atmosfera da Terra com o auxílio de um raio laser. O laser faz com que os átomos de sódio, situados numa camada da atmosfera a 90 quilómetros de altitude, brilhem, criando assim uma estrela artificial no céu, que pode ser observada com um telescópio. Usando as medições feitas sobre esta estrela artificial, os instrumentos de óptica adaptativa podem depois corrigir as observações do efeito de imagem desfocada.

Este conceito inovador do ESO utiliza um poderoso laser, cujo raio é lançado por um pequeno telescópio, combinado numa única unidade modular, que pode ser montada diretamente num telescópio grande. O conceito, que foi patenteado e licenciado pelo ESO, será usado para dar ao Very Large Telescope (VLT) quatro unidades laser similares. Terá também um papel determinante nas unidades que irão equipar o futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT).

Na altura da filmagem, a unidade estava a ser testada, antes de ser enviada para o Observatório do Paranal do ESO, no Chile, local do VLT.

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4 de Fevereiro de 2013

Pôr do Sol no Observatório do Paranal

Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, capturou esta bela imagem do Observatório do Paranal do ESO iluminado pelo pôr do Sol. O céu maravilhosamente limpo sugere as condições atmosféricas excepcionais que existem aqui; uma das razões principais para o ESO ter escolhido o Paranal como local do Very Large Telescope (VLT), a sua infraestrutura emblemática.

O VLT - que pode ser visto no Cerro Paranal, o pico mais alto da imagem, com uma altitude de 2600 metros - é o observatório astronómico mais avançado do mundo a operar no visível. É composto por quatro telescópios principais, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, e quatro telescópios auxiliares de 1,8 metros. O VLT opera nos comprimentos de onda do visível e do infravermelho e dentre as observações pioneiras executadas com o VLT podemos destacar a primeira imagem directa de um exoplaneta (ver eso0515) e a descoberta de estrelas em movimento orbital em torno do buraco negro central da Via Láctea (ver eso0846 e eso1151).

No Cerro Paranal encontra-se igualmente o VLT Survey Telescope (VST). O seu edifício mais pequeno vê-se, com muita dificuldade, em frente a um dos edifícios maiores que alberga um dos telescópios principais do VLT, no cimo do cerro. O VST é o telescópio instalado mais recentente no Paranal, com as primeiras imagens divulgadas em 2011 (ver eso1119). Tem um espelho primário de 2,6 metros de diâmetro, o que o torna o maior telescópio do mundo dedicado a mapear o céu, no visível.

Outro telescópio de rastreio instalado no Observatório do Paranal é o VISTA, o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy, que pode ser visto noutro pico, em primeiro plano relativamente ao Cerro Paranal. O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo, com um espelho de 4,1 metros, e opera nos comprimentos de onda do infravermelho. O telescópio começou a trabalhar em 2009 (ver eso0949).

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28 de Janeiro de 2013

Um peso-pesado intergaláctico

Esta imagem profunda mostra o que é conhecido como um superenxame de galáxias - um grupo gigante de enxames de galáxias ligados entre si. Este, conhecido como Abell 901/902, é constituído por três enxames principais diferentes e um número de filamentos de galáxias, típicos de tais super-estruturas. Um dos enxames, Abell 901a, pode ser visto por cima e um pouco à direita da estrela vermelha bastante proeminente que se encontra em primeiro plano, próximo do meio da imagem. Um outro, Abell 901b, está situado à direita de Abell 901a, um pouco mais abaixo. Por fim, o enxame Abell 902 encontra-se diretamente por baixo da estrela vermelha, estendendo-se para baixo na imagem.

O superenxame Abell 901/902 situa-se a um pouco mais de dois mil milhões de anos-luz da Terra e contém centenas de galáxias numa região com cerca de 16 milhões de anos-luz de dimensão. Em termos de comparação, o Grupo Local de Galáxias - que contém a nossa Via Láctea, para além de mais outras 50 galáxias - tem uma dimensão de aproximadamente 10 milhões de anos-luz.

Esta imagem foi obtida com a câmara Wide Field Imager (WFI), montada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, no Chile. Em 2008, com dados do WFI e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos mapearam de modo preciso a distribuição de matéria escura no superenxame, mostrando que os enxames e as galáxias individuais que fazem parte da super-estrutura se encontram no seio de enormes nodos de matéria escura. Para chegar a este resultado, os astrónomos observaram como é que a radiação emitida por 60 000 galáxias distantes, situadas por detrás do enxame, era distorcida devido à influência gravitacional da matéria escura existente no enxame, e revelaram deste modo a sua distribuição. Pensa-se que a massa dos quatro nodos de matéria escura do Abell 901/902 seja cerca de 10 biliões de vezes a do Sol.

As observações aqui apresentadas fazem parte do rastreio COMBO-17, um rastreio do céu feito com 17 filtros ópticos diferentes montados na câmara WFI. O projeto COMBO-17 encontrou até agora cerca de 25 000 galáxias.

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21 de Janeiro de 2013

APEX sob a Lua

Outra noite estrelada no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. O quarto crescente da Lua brilha intensamente nesta imagem, ofuscando os demais objetos celestes. No entanto, para os rádios telescópios como o APEX (sigla do inglês para Atacama Pathfinder Experiment), que se vê na imagem, o luar não atrapalha as observações. Na realidade, uma vez que o próprio Sol não é muito brilhante nos comprimentos de onda do rádio, o telescópio pode também ser utilizado durante o dia, desde que não se aponte diretamente ao Sol.

O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis nos comprimentos de onda mais curtos do infravermelho ou do visível. Por exemplo, o APEX  pode espreitar através de densas nuvens interestelares de gás e poeira cósmica, revelando regiões escondidas onde se processa a formação estelar, fenómeno que brilha intensamente nestes comprimentos de onda, mas que se encontra obscurecido quando observado no visível e infravermelho. Algumas das galáxias mais distantes e primitivas são também alvos excelentes para o APEX. Devido à expansão do Universo durante milhares de milhões de anos, a luz destas galáxias desviou-se para os comprimentos de onda maiores situados nos domínios do milímetro e do submilímetro, que são precisamente os comprimentos de onda observados pelo APEX.
 
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, e faz parte de uma fotografia panorâmica maior, que também está disponível cortada de outro modo.


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14 de Janeiro de 2013

ALMA tornado miniatura pelos picos das montanhas

À primeira vista, esta imagem panorâmica mostra o cenário montanhoso do Planalto do Chajnantor, no Chile, com neve e gelo espalhados pelo terreno deserto. Os picos principais, da direita para a esquerda, são: Cerro Chajnantor, Cerro Toco, Juriques e o cone bem distinto do vulcão Licancabur (ver potw1240) - uma imagem impressionante! No entanto, as verdadeiras estrelas da fotografia são as minúsculas e quase invisíveis estruturas mesmo no centro da imagem - apenas perceptíveis se olharmos com muita atenção.

Estas estruturas, minúsculas quando comparadas com a sua vizinhança montanhosa, são as antenas que formam o enorme rádio telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). Embora pareça extremamente pequenina na imagem, a rede é composta por uma coleção de enormes antenas de 12 e 7 metros de diâmetro e quando estiver completa, contará com um total de 66 antenas espalhadas pelo planalto e separadas de distâncias que vão até aos 16 quilómetros. Espera-se que o trabalho de construção do ALMA esteja terminado em 2013, mas o telescópio começou já a fase inicial de Observações Científicas Preliminares, encontrando-se a produzir resultados excepcionais (ver, por exemplo, eso1239). Desde que esta fotografia foi tirada, juntaram-se já muitas mais antenas à rede no planalto.

 O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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7 de Janeiro de 2013

Rastos de estrelas sobre o Yepun

Esta imagem mostra um dos telescópios que compõem o Very Large Telescope (VLT) do ESO mesmo por baixo de brilhantes rastos de estrelas que circundam o polo sul celeste, um ponto no céu onde se situa a constelação austral do Octante. Estes rastos são arcos de luz que traçam o movimento das estrelas observado no céu à medida que a Terra roda lentamente em torno do seu eixo. Para obter estes rastos de estrelas com a câmara, foram feitas muitas exposições ao longo do tempo e depois combinadas para darem a aparência final de rastos circulares.

Iluminado pelo luar, o telescópio que se vê em primeiro plano é apenas um dos quatro telescópios que compõem o VLT, situado no Paranal, no Chile. Na altura da inauguração do observatório do Paranal em 1999, cada telescópio recebeu um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes dos telescópios - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - representam quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus, respectivamente. O telescópio na imagem é o Yepun, também conhecido como telescópio UT4.

Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Farid Char. Char trabalha no Observatório do ESO La Silla-Paranal e é um membro da equipa que testa o local do futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT), um novo telescópio terrestre que será o maior a trabalhar nos domínios do óptico/infravermelho próximo, quando estiver construído no início da década de 2020.

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31 de Dezembro de 2012

Rastos rodopiantes de estrelas austrais por cima do ALMA

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o céu austral, numa imagem de cortar a respiração.

As espirais das estrelas no céu fazem lembrar a Noite Estrelada de van Gogh ou, para os fãs de ficção científica, talvez a vista de uma nave espacial prestes a entrar no hiperespaço. Na realidade, trata-se da rotação da Terra, revelada nesta fotografia de longa exposição. No hemisfério sul, à medida que a Terra roda, as estrelas parecem mover-se em círculos, em torno do polo sul celeste, que se encontra na ténue constelação do Octante, entre o mais famoso Cruzeiro do Sul e as Nuvens de Magalhães. Com uma exposição suficientemente longa, as estrelas, à medida que se movem, deixam no céu rastos circulares.

A fotografia foi tirada no Planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, nos Andes chilenos. É neste local que se encontra o telescópio ALMA, cujas antenas podem ser vistas em primeiro plano. O ALMA é o telescópio mais poderoso que existe para observar o Universo frio - gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas de 7 metros. No entanto, as observações científicas preliminares começaram já em 2011. Embora não se encontre ainda completamente construído, o telescópio está já a produzir resultados excepcionais, ultrapassando largamente outros telescópios do seu tipo. Algumas das antenas vêem-se desfocadas na imagem, porque estavam a operar e se moveram durante a exposição prolongada.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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24 de Dezembro de 2012

A solidão do ALMA

Esta imagem panorâmica do planalto do Chajnantor mostra o local do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). A fotografia foi tirada próximo do pico do Cerro Chico por Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, que conseguiu capturar a atmosfera solitária do local onde se situa o ALMA, 5000 metros acima do nível do mar, nos Andes chilenos. Luz e sombra pintam a paisagem, emprestando uma aparência extraterrestre ao terreno. No primeiro plano da imagem, o grupo de antenas ALMA aparece-nos como se de uma multidão de estranhos visitantes robóticos se tratasse. Quando o telescópio estiver completo em 2013, contará com um total de 66 antenas na rede, que operarão em conjunto.

O ALMA está já a revolucionar o modo como os astrónomos estudam o Universo nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Mesmo com uma rede parcial de antenas, o ALMA é já mais potente do que qualquer outro telescópio a operar nestes comprimentos de onda, dando ao astrónomos uma capacidade sem precedentes de estudar o Universo frio -  gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. O ALMA estuda os blocos constituintes de estrelas, sistemas planetários, galáxias e da própria vida. Ao fornecer ao astrónomos imagens detalhadas de estrelas e planetas a nascer em nuvens moleculares próximas do Sistema Solar, e ao detectar galáxias distantes a formarem-se nos limites do Universo observável, que vemos como eram há mais ou menos dez mil milhões de anos atrás, o ALMA abre aos astrónomos uma janela única para a compreensão das mais profundas questões ligadas às nossas origens cósmicas.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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17 de Dezembro de 2012

O Paranal e a sombra da Terra

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi tirou outra bela fotografia panorâmica do Observatório do Paranal do ESO.

Em primeiro plano, podemos ver a paisagem montanhosa do deserto do Atacama. À esquerda, no pico mais alto, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT) e à sua frente, sobre um pico ligeiramente mais baixo, está o telescópio VISTA (sigla do inglês para Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy).

No fundo, o nascer do Sol dá cor ao céu do Paranal em bonitos tons pastel. Estendendo-se para lá do horizonte, podemos ver um mar de nuvens sobre o Oceano Pacífico, o qual se encontra a apenas 12 quilómetros do Paranal.

Por cima do horizonte, onde as nuvens se juntam ao céu, é visível uma banda escura. Esta banda é a sombra da Terra, lançada pelo planeta sobre a sua atmosfera. Este fenómeno é por vezes observado na altura do nascer e do pôr do Sol, quando o céu está limpo e o horizonte desobstruído - condições que existem claramente no Observatório do Paranal. Por cima da sombra da Terra, vemos ainda um brilho cor de rosa, conhecido como a Cintura de Vénus. É causado pela luz do nascer (neste caso) ou do pôr do Sol, dispersada pela atmosfera terrestre.

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10 de Dezembro de 2012

As estrelas riscam o céu por cima das nossas cabeças

Embora esta imagem pareça, à primeira vista, arte moderna abstracta, o facto é que se trata do resultado de uma exposição longa do céu nocturno no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. À medida que a Terra roda em direção a um novo dia, as estrelas da Via Láctea, por cima do deserto, esticam-se em traços coloridos. Ao mesmo tempo, o telescópio de vanguarda que se vê em primeiro plano, toma uma realidade de sonho.

Esta fotografia fascinante foi tirada a 5000 metros acima do nível do mar no Planalto do Chajnantor, local onde se encontra o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto aqui. O APEX é um telescópio de 12 metros que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos utilizam o APEX para estudar objetos que vão desde as nuvens frias de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar, a algumas das galáxias mais distantes e primitivas do Universo.

O APEX é o percursor do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, um novo telescópio revolucionário que o ESO, juntamente com os seus parceiros internacionais, está a construir e a operar também no planalto do Chajnantor. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com uma rede 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas adicionais de 7 metros de diâmetro cada uma. Os dois telescópios são complementares: graças ao seu campo de visão maior, o APEX pode encontrar muitos alvos ao longo de grandes áreas no céu, enquanto o ALMA os poderá estudar com grande detalhe, devido à sua muito melhor resolução angular. O APEX e o ALMA são ambos ferramentas importantes que ajudam os astrónomos a descobrir mais sobre o funcionamento do Universo, tal como a formação das estrelas que se vêem na imagem, a rodar por cima da nossa cabeça.

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi tirou esta fotografia. Babak é o fundador de O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos da Terra, sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO. 


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3 de Dezembro de 2012

Do Antu ao Yepun - A construção do VLT

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

O Very Large Telescope (VLT), a infraestrutura de referência do ESO situada no Cerro Paranal, Chile, é constituída por quatro Telescópios gigantes, cada um deles com um espelho primário de 8.2 metros de diâmetro, e por quatro telescópios amovíveis de 1.8 metros, os Telescópios Auxiliares. O nosso par de fotografias deste mês mostra um dos telescópios gigantes a ser construído e outro já construído, atualmente.

A fotografia histórica mostra o trabalho inicial de construção da cobertura do Telescópio 1, no final de outubro de 1995. As fundações de betão estavam terminadas e a parte inferior da estrutura de metal da cobertura estava já fixada às fundações. As primeiras peças da zona de rotação da cobertura do telescópio também já são visíveis - o príncipio de uma fenda larga pela qual o telescópio iria observar e a estrutura pesada, horizontal, que suportaria as portas de correr, pode também ser vista na direção da câmara. Este telescópio começou a observar a 25 de maio de 1998 (ver eso9820).

Durante a cerimónia de inauguração do Observatório do Paranal em 1999 (ver eso9921), deu-se a cada um dos telescópios um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - correspondem a quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus [1], respectivamente.

A fotografia atual mostra o 4º Telescópio, Yepun, que começou a observar em setembro de 2000 (ver eso0028). No entanto, serve tão bem como o seu irmão Antu (Telescópio 1) para mostrar o VLT completamente construído, já que todos os telescópios são exactamente iguais, apenas diferindo no tipo de instrumentos disponíveis em cada um deles, o que dá aos astrónomos uma enorme quantidade de ferramentas para estudar o Universo. A estrutura amarela em frente ao Yepun é uma plataforma de elevação, M1, que pode deslocar-se entre os diferentes telescópios e é utilizada quando os enormes espelhos primários de 8.2 metros são periodicamente removidos para serem
revestidos de novo.

Nos anos que passaram desde que a fotografia histórica foi tirada, o primeiro dos telescópios ganhou um nome - Antu - e uma família, à medida que os outros telescópios se lhe juntaram no topo da montanha. Hoje, o VLT é o telescópio astronómico visível mais avançado do mundo, e o Antu, Yepun e os outros telescópios do Paranal desempenharam um papel determinante em tornar o ESO de longe no observatório terrestre mais produtivo do mundo!

Notas

[1] Yepun tinha sido traduzido como "Sirius" da altura da inauguração do Paranal (eso0921), no entanto, descobriu-se posteriormente que a tradução correcta é "Vénus".

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26 de Novembro de 2012

Dois caçadores de planetas capturados em La Silla

Durante séculos, filósofos e cientistas especularam sobre a possibilidade da existência de planetas habitados fora do Sistema Solar. Hoje, esta ideia é mais do que especulação: foram descobertas muitas centenas de exoplanetas nas últimas duas décadas, por astrónomos em todo o mundo. Várias técnicas diferentes são utilizadas nesta busca de novos mundos. Nesta fotografia invulgar dois telescópios, que usam dois destes métodos, foram capturados na mesma imagem: o telescópio de 3.6 metros do ESO, onde se encontra montado o espectrógrafo HARPS e o telescópio espacial CoRoT. A imagem foi obtida por Alexandre Santerne, um astrónomo que estuda exoplanetas.

O espectrógrafo High Accuracy Radial velocity Planetary Search (HARPS), o descobridor de planetas mais proeminente do mundo, é um instrumento que se encontra instalado no telescópio de 3.6 metros do ESO. Podemos ver a cúpula aberta deste telescópio, à esquerda na imagem, que aparece por trás da cobertura angular do New Technology Telescope. O HARPS descobre exoplanetas ao detectar pequenas variações no movimento de uma estrela, à medida que esta se desloca ligeiramente para trás e para diante sob o efeito da atração gravitacional do planeta em sua órbita: é o chamado método das velocidades radiais na procura de exoplanetas.

O ténue traço de luz que se vê alto no céu nesta exposição de 20 segundos, não é um meteoro mas sim o telescópio espacial CoRoT (sigla do inglês Convection Rotation and planetary Transits). O CoRoT procura planetas ao observar o decréscimo da radiação emitida por uma estrela, que ocorre quando um planeta passa na sua frente - método do trânsito. A localização do telescópio espacial, situado acima da atmosfera terrestre, aumenta a precisão das observações ao remover o piscar das estrelas. Planetas potenciais encontrados pelo método do trânsito são seguidamente confirmados com o auxílio de técnicas complementares, tais como o método das velocidades radiais. De facto, na noite em que esta fotografia foi tirada, o HARPS estava a ser utilizado para seguir candidatos a exoplanetas detectados pelo CoRoT.

Em novembro de 2012, o CoRoT teve um problema no computador, com a consequência de que, embora se encontre operacional, não há maneira de aceder aos dados do telescópio (ver as notícias da página da internet do CoRoT, ou por exemplo este artigo de notícias da Nature). A equipa CoRoT ainda não desistiu do telescópio, encontrando-se no momento a tentar reavivar o sistema. Quer se consiga ou não, o facto é que a missão CoRoT foi já um grande sucesso! A sonda duplicou o seu tempo de vida inicialmente planeado, e foi a primeira sonda a descobrir um exoplaneta pelo método do trânsito. O CoRoT contribuiu de forma significativa, tanto na procura de exoplanetas como no estudo do interior das estrelas por astrosismologia.

A busca de exoplanetas ajuda-nos a compreender o nosso próprio sistema planetário e pode bem ser o primeiro passo na procura de vida para além da Terra. O HARPS e o CoRoT são apenas dois dos muitos instrumentos desenvolvidos para ajudar os astrónomos nesta procura.

O Alexandre submeteu esta fotografia ao grupo Flick As Vossas fotografias ESO. O grupo Flick é revisto regularmente e as melhores fotos são seleccionadas para serem publicadas na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria. Em 2012, e no âmbito do 50º Aniversário do ESO que se celebra este ano, também aceitamos de bom grado as vossas imagens históricas relacionadas com o ESO. Desde que submeteu esta fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

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19 de Novembro de 2012

Os companheiros gelados do APEX

O telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) - capturado nesta bela imagem obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi - é uma das ferramentas utilizadas pelo ESO para espreitar para lá do reino da luz visível. Situa-se no Planalto do Chajnantor a uma altitude de 5000 metros.

Podemos observar grupos de penitentes brancos no primeiro plano da fotografia. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é um telescópio de 12 metros que observa radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis a comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite-lhes estudar nuvens moleculares - as densas regiões de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar - que se encontram escuras e obscurecidas pela poeira no visível ou no infravermelho, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos usam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Este intervalo de comprimentos de onda é também ideal para o estudo de algumas das galáxias mais longínquas e primordiais do Universo.

Visível apenas no céu nocturno por cima e à esquerda do APEX, podemos ver as ténues manchas correspondentes à Pequena e Grande Nuvens de Magalhães, respectivamente, galáxias vizinhas da nossa Via Láctea. O plano da Via Láctea propriamente dito pode ser visto como uma banda difusa que atravessa o céu, mais proeminente sobre o edifício de controle do APEX, situado à direita. As manchas escuras nesta banda correspondem a regiões onde a radiação emitida por estrelas distantes é bloqueada pela poeira interestelar. Escondido por trás destas zonas escuras de poeira, o centro da Via Láctea encontra-se a cerca de 27 000 anos-luz de distância. Os telescópios tais como o APEX são uma ferramenta crucial para que os astrónomos possam espreitar para além da poeira e estudarem o centro da nossa galáxia com todo o detalhe.
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

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12 de Novembro de 2012

Uma imagem, muitas histórias

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, capturou esta bela imagem do céu por cima do Observatório do Paranal do ESO, juntamente com um tesouro de objetos do céu profundo.

O mais proeminente destes objetos é a Nebulosa Carina, que brilha intensamente a vermelho no meio da imagem. A Nebulosa Carina situa-se na constelação de Carina, a cerca de 7500 anos-luz de distância. Esta nuvem de gás e poeira brilhante é a nebulosa mais brilhante do céu e contém várias das estrelas mais brilhantes e de maior massa conhecidas na Via Láctea como, por exemplo, a Eta Carinae. A Nebulosa Carina é uma amostra perfeita que os astrónomos usam para descobrir os mistérios da formação e morte violentas das estrelas de grande massa. Para algumas imagens bonitas e recentes da Nebulosa Carina obtidas pelo ESO, veja eso1208, eso1145 e eso1031.

Por baixo da Nebulosa Carina, podemos observar o Enxame Fonte dos Desejos (NGC 3532). Este enxame aberto de estrelas jovens obteve este nome porque, visto através da ocular de um telescópio, parece-se com um punhado de moedas prateadas a cintilar no fundo de uma fonte de desejos. Mais à direita, encontramos a Nebulosa Lambda Centauri (IC 2944), uma nuvem de hidrogénio brilhante e estrelas recém nascidas, também chamada a Nebulosa da Galinha Fugitiva, devido à forma de pássaro que algumas pessoas vêem na sua região mais brilhante (ver eso1135). Por cima e ligeiramente à esquerda desta nebulosa, temos as Pleiades Austrais (IC 2632), um enxame estelar aberto semelhante ao seu homónimo setentrional mais familiar.

Em primeiro plano, podemos ver três dos quatro Telescópios Auxiliares (ATs, sigla do inglês) do Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI). Usando o VLTI, os ATs - ou os telescópios individuais de 8.2 metros do VLT - podem ser utilizados em conjunto como se de um único telescópio gigante se tratassem, o qual pode observar com muito mais detalhe do que o que seria possível com os telescópios individuais. O VLTI foi já utilizado numa enorme quantidade de trabalhos, incluindo o estudo de discos circunstelares em torno de estrelas jovens e o estudo de núcleos activos de galáxias, um dos fenómenos mais energéticos e misteriosos do Universo.

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5 de Novembro de 2012

Construindo a Residência Paranal - Da turbulência à tranquilidade

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

No par de fotografias deste mês, tiradas no Observatório do Paranal do ESO, no deserto do Atacama no Chile, comparamos um local de construção, tal com era em novembro de 1999, com o resultado final atual: o edifício do observatório onde reside o pessoal, conhecido como a Residência Paranal. Imagine a diferença de antes para agora: o ressoar dos martelos e das perfuradoras, assim como o barulho dos tratores e dos guindastes deram lugar à calma pacífica de um edifício no deserto, que complementa os arredores na perfeição. Construído com materiais e cores naturais e aninhado numa depressão natural existente no solo, o edifício enquadra-se perfeitamente na paisagem circundante.

A Residência foi construída como um refúgio para os astrónomos e outro pessoal que trabalha num dos locais mais inóspitos do planeta, onde uma seca extrema, intensa radiação ultravioleta do Sol, ventos fortes e altitude elevada fazem parte do dia-a-dia. Os construtores da Residência, trabalhando igualmente nestas condições difíceis, criaram no deserto um oásis muito apreciado pelo pessoal do Observatório e o edifício terminado é um testemunho vivo ao seu trabalho árduo. A Residência, que ganhou diversos prémios, possui mais de 100 quartos, assim como um número de espaços comuns, que incluem cantina, sala de estar, piscina, centro de fitness e biblioteca. Tem uma vista espetacular a partir da façada oeste para o deserto na direção do Oceano Pacífico e do pôr do Sol.

Existe outra particularidade que pode ser observada em ambas as fotografias: por trás da Residência, 2600 metros acima do nível do mar, no topo do Cerro Paranal, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT). É o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e a razão pela qual a Residência e todos os que estão no seu interior, se encontram aqui!

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29 de Outubro de 2012

Um lugar para desvendar os mistérios do Universo frio

Esta bela panorâmica, obtida por Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, mostra os últimos raios de Sol sobre o Planalto do Chajnantor, na região do Atacama, no Chile. No planalto encontra-se o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto à esquerda na imagem. É a partir deste local remoto na Terra, a 5000 metros acima do nível do mar, que o APEX estuda o "Universo frio".

O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que observa nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis em comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite estudar nuvens moleculares - regiões densas de gás e poeira cósmica onde novas estrelas nascem - que são escuras, uma vez que se encontram obscurecidas pela poeira, na radiação visível ou infravermelha, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos utilizam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Esta janela de comprimentos de onda é também ideal para estudar algumas das mais primordiais e distantes galáxias do Universo.

Desde que começou as operações em 2005, que o APEX tem produzido muitos resultados científicos importantes. Por exemplo, o APEX juntou-se ao Very Large Telescope do ESO para detectar matéria que está a ser arrancada pelo buraco negro, que se encontra no centro da Via Láctea (eso0841), um resultado que se encontra entre as 10 Principais Descobertas Astronómicas do ESO.

Podemos ver grupos de penitentes brancos no solo em volta do APEX. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

A antena de 12 m do APEX baseia-se numa única antena protótipo construída para outro observatório no Chajnantor, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). O ALMA será uma rede de 54 antenas de 12 metros e 12 antenas de 7 metros, quando estiver completo em 2013. O ESO é o parceiro europeu desta infraestrutura internacional para a astronomia, que é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile.

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22 de Outubro de 2012

Construindo o VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Desde dezembro de 2009 que o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA, Telescópio de Rastreio Visível e Infravermelho) tem estado a mapear o céu austral a partir do Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O nosso par de fotografias deste mês mostra o telescópio VISTA durante a construção e como é atualmente.

A imagem histórica, tirada na segunda metade de 2004, mostra o edifício do telescópio a ser construído. Podemos ver o esqueleto da cúpula do telescópio na sua base circular, rodeado pelos andaimes. O VISTA situa-se num pico a cerca de 1500 metros a nordeste do Cerro Paranal, local do Very Large Telescope do ESO. O pico foi nivelado para menos de 5 metros de altura, até aos 2518 metros, criando-se assim um plataforma de 4000 metros quadrados para os trabalhos de construção necessários.

A fotografia atual mostra o telescópio VISTA já construído. O invólucro do telescópio é um edifício com 20 metros de diâmetro, que protege o telescópio do meio ambiente. Duas portas de correr formam a fenda por onde o telescópio observa, e um ecrã de vento pode ser utilizado para fechar parte da fenda sempre que necessário. Portas adicionais na cúpula fornecem ventilação para controlar a circulação do ar durante a noite. Num edifício auxiliar, adjacente à cúpula e visível em primeiro plano, guarda-se equipamento de manutenção e é também onde se situa uma oficina de revestimento, onde é aplicada aos espelhos do telescópio a fina camada refletora de prata.

O VISTA opera nos comprimentos de onda do infravermelho, com uma câmara de 67 milhões de pixeis, que pesa 3 toneladas. O seu enorme espelho, grande campo de visão e detectores infravermelhos muito sensíveis fazem dele o maior telescópio de rastreio do mundo.

O VISTA foi concebido e desenvolvido por um consórcio de 18 universidades do Reino Unido, liderado pelo Queen Mary, Universidade de Londres, e foi uma contribuição "em géneros" ao ESO, que fez parte do acordo de adesão do Reino Unido. A direção do projeto relativamente ao design e construção do telescópio foi feita pelo Science and Technology Facilities Council's UK Astronomy Technology Centre (STFC, UK ATC). 


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