Fotografia da Semana

19 de Março de 2012

O VLT vai à caça de leões

O Very Large Telescope do ESO obteve a imagem de mais um membro do grupo de galáxias Leo I, na constelação do Leão. A galáxia Messier 95 apresenta-se-nos de face, dando-nos a oportunidade de ver a sua estrutura em espiral. Os braços espirais formam um círculo quase perfeito em torno do centro galáctico antes de abrirem, criando uma espécie de juba da qual qualquer leão se poderia orgulhar.

Outra característica, talvez ainda mais impressionante, da Messier 95 é o seu núcleo dourado muito brilhante. É constituído por um anel nuclear com formação estelar muito activa, com cerca de quase 2000 anos-luz de tamanho, onde efetivamente ocorre uma grande parte da formação estelar da galáxia. Este fenómeno acontece essencialmente em galáxias espirais barradas tais como a Messier 95 e a nossa própria casa, a Via Láctea.

No grupo Leo I, a Messier 95 perde a sua proeminência quando comparada com a sua irmã Messier 96 (ver potw1143). Na realidade, a Messier 96 é o elemento mais brilhante do grupo e, como "líder incontornável", dá a Leo I o seu nome alternativo de grupo M 96. Apesar disso, a Messier 95 também é capaz de nos proporcionar uma imagem espectacular.


12 de Março de 2012

Um pouco de neve no Deserto do Atacama

As cúpulas do Very Large Telescope do ESO no topo do Cerro Paranal, disfrutam do sol de mais um glorioso dia sem nuvens. No entanto, existe algo invulgar nesta fotografia: uma fina camada de neve cobre a paisagem desértica, algo que não se vê todos os dias. Na realidade, o Deserto do Atacama não regista praticamente nenhuma precipitação.

Vários factores contribuem para as condições secas no Atacama. Os Andes bloqueiam a chuva que vem de este e as montanhas da costa chilena actuam de igual modo a oeste. A corrente Humbold, que passa longe da costa, no Oceano Pacífico, cria uma camada de inversão costeira de ar frio, a qual impede o desenvolvimento de nuvens de chuva. Uma região de alta pressão situada no Oceano Pacífico sudeste cria ventos que circulam, formando um anticiclone, o que ajuda também a manter o clima do Atacama extremamente seco. Graças a todos estes factores, a região é largamente considerada como o local mais seco à face da Terra.

No Paranal, os níveis de precipitação são geralmente de alguns milímetros por ano, com a humidade a descer frequentemente abaixo dos 10% e as temperaturas a variar entre os -8 e os 25º Celsius. Foi devido as estas condições tão secas do deserto do Atacama que o ESO escolheu este sítio, e particularmente o Cerro Paranal, para aí construir o Very Large Telescope. Embora a queda de neve, muito rara, altere temporariamente as condições secas do local, produz no entanto vistas de rara beleza.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Stéphane Guisard no dia 1 de Agosto de 2011.

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5 de Março de 2012

Uma Janela para o Passado - A transformação de La Silla ao longo do tempo

O ESO faz 50 anos este ano e para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação “Antes e Depois”, onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Estas são duas fotografias da La Silla tiradas uma em Junho de 1968 e outra agora, próximo dos reservatórios de água do observatório, captando uma vista geral do local. Pode examinar as diferenças com todo o detalhe utilizando o rato e arrastando a barra verde para a esquerda e para a direita.

Na imagem histórica podemos ver em primeiro plano a área residencial provisória. Os três telescópios ao fundo são, da esquerda para a direita, o Grand Prism Objectif (GPO, início das operações em 1968), o telescópio de 1 metro do ESO (início das operações em 1966) e o telescópio de 1.5 metros do ESO (início das operações em 1968). Estes foram os três primeiros telescópios instalados em La Silla. A cúpula branca, situada mais próxima de nós na imagem, é o telescópio Schmidt de 1 metro do ESO, que começou a trabalhar em 1971.

Hoje, as quatro cúpulas ainda se encontram no local mas os três primeiros telescópios foram já desactivados. O telescópio Schmidt de 1 metro do ESO ainda se encontra em funcionamento, mas é agora um telescópio dedicado a um projeto de rastreio de variabilidade “LaSilla-QUEST Variability  survey” (ver potw1201a).

A fotografia atual mostra dois novos telescópios. A cúpula prateada é a do telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, o qual se encontra em operação desde o início de 1984 e está emprestado ao ESO por tempo ilimitado pelo Max-Planck-Gesellschaft. O telescópio mais à esquerda é o telescópio dinamarquês de 1.54 metros, em operação desde 1979, um dos vários telescópios nacionais instalados em La Silla.

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27 de Fevereiro de 2012

Rodopio de Partida

O dinamismo do Very Large Telescope do ESO no início das operações, encontra-se soberbamente ilustrado nesta invulgar fotografia, tirada logo a seguir ao pôr do Sol, no preciso momento em que o Telescópio 1 começa a trabalhar. Uma longa exposição, com uma duração de 26 segundos, permitiu ao Embaixador Fotográfico do ESO, Gerhard Hudepohl, captar o movimento da cúpula, olhando para fora através do buraco que se vai abrindo, à medida que o sistema se põe em movimento. As paredes rotativas da cúpula aparecem-nos num rodopio etéreo, através do qual podemos distinguir um pouco do Deserto do Atacama, enquanto o firme céu do crepúsculo nos oferece ainda um lampejo de azul discreto.

A estrutura do telescópio, que aparece estacionária no centro da imagem, alberga um espelho de 8.2 metros de diâmetro, concebido para colectar radiação vinda dos confins do Universo. A própria cúpula é uma maravilha da tecnologia, movendo-se com extrema precisão e permitindo um cuidado controle da temperatura, evitando assim que correntes de ar quente perturbem as observações.

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12 de Dezembro de 2011

O mundo nocturno do ALMA

Esta panorâmica do planalto do Chajnantor, que cobre 180 graus, de norte (à esquerda) a sul (à direita), mostra as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) situadas numa paisagem surrealista. Alguns objetos celestes familiares podem ser vistos no céu nocturno por trás das antenas. Estas noites de céu límpido são a razão do Chile ser o local de acolhimento, não apenas do ALMA, mas também de outros observatórios astronómicos. Esta imagem é apenas uma parte de uma panorâmica ainda maior do Chajnantor.

Em primeiro plano vemos as antenas do ALMA, de 12 metros, em acção, trabalhando como de um único telescópio gigante se tratassem, durante o primeira fase de observações científicas do observatório. Completamente à esquerda, vemos um grupo de antenas mais pequenas, de 7 metros, iluminadas, que fazem parte da rede compacta do ALMA. O crescente da Lua, embora não seja visível na imagem, lança sombras sobre todas as antenas.

No céu por cima das antenas, a “estrela” brilhante mais proeminente - do lado esquerdo da imagem - é, de facto, o planeta Júpiter. O gigante gasoso é o terceiro objeto natural mais brilhante no céu nocturno, depois da Lua e de Vénus. A Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães também se vêem claramente na imagem. A Grande Nuvem de Magalhães parece um pedaço de fumo, mesmo por cima das antenas mais à direita. A Pequena Nuvem de Magalhães encontra-se mais alta no céu, na direção do campo superior direito. Ambas as “nuvens” são galáxias anãs irregulares, que orbitam a Via Láctea, a distâncias de cerca de 160 000 e 200 000 anos-luz, respectivamente.

No lado esquerdo da fotografia, logo à esquerda das antenas que se encontram em primeiro plano, podemos ver a mancha alongada da galáxia de Andrómeda. Esta galáxia, que está dez vezes mais longe de nós do que as Nuvens de Magalhães, é a nossa maior vizinha galáctica  mais próxima. É também a maior galáxia do Grupo Local - um grupo com cerca de 30 galáxias, do qual a nossa Galáxia faz parte - e contém aproximadamente um bilião de estrelas, ou seja, mais do dobro das estrelas da Via Láctea. É a única galáxia principal visível a olho nu. Embora nesta imagem apenas possamos ver a sua região central, a galáxia cobre uma área no céu equivalente a seis Luas Cheias.

Esta fotografia foi tirada por Babak Tafreshi, o mais recente Embaixador Fotográfico do ESO. Babak é também o fundador de O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos da Terra, sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O ALMA está a ser construído no planalto do Chajnantor a uma altitude de 5000 metros. O observatório, que começou observações científicas preliminares a 30 de setembro de 2011, será composto por 66 antenas que operarão em conjunto formando um único telescópio gigante. Esta infraestrutura astronómica internacional é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.

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5 de Setembro de 2011

O laser e o relâmpago

Na quinta-feira, dia 18 de agosto de 2011, o céu por cima do Observatório Público de Allgäu, no sudoeste da Baviera, Alemanha, estava fantástico, com a noite iluminada por dois fenómenos muito diferentes, sendo um, um exemplo da tecnologia avançada e o outro, o poder dramático da natureza.

Na altura em que o ESO testava o novo sistema de estrela guia laser de Wendelstein, ao disparar um poderoso raio laser para a atmosfera, uma das tempestades fortes de verão da região aproximava-se - uma demonstração muito visual do porquê dos telescópios do ESO estarem instalados no Chile e não na Alemanha. Pesadas nuvens cinzentas lançavam relâmpagos enquanto Martin Kornmesser, artista gráfico a trabalhar no departamento de divulgação do ESO, tirava fotografias do teste do laser para o ESOcast 34. Por pura coincidência, esta fotografia foi tirada mesmo no momento em que um relâmpago aparecia, o que deu origem a esta espantosa imagem, que bem podia ter sido tirada de um filme de ficção científica. Embora a tempestade ainda estivesse longe do observatório, o relâmpago parece chocar com o raio laser no céu.

As estrelas guias artificiais são estrelas criadas a 90 quilómetros de altitude na atmosfera da Terra com o auxílio de um raio laser. As medições destas estrelas artificiais são utilizadas para corrigir as imagens astronómicas que ficam desfocadas devido à turbulência da atmosfera - uma técnica conhecida como óptica adaptativa. A estrela guia laser de Wendelstein é uma nova conceção que combina numa única unidade modular, o laser com o pequeno telescópio usado para o lançar. Esta unidade pode depois ser instalada em telescópios maiores.

O laser desta fotografia é bastante potente, com um raio de 20 watt, no entanto a potência do relâmpago atinge o bilião de watts, embora isto só aconteça durante uma pequena fracção de segundo! Pouco depois da fotografia ter sido tirada, a tempestade atingiu o observatório, o que forçou ao término das operações para o resto da noite e ao encerramento do local. Apesar de sermos capazes de controlar instrumentos de alta tecnologia como as estrelas guias laser, estamos ainda assim sujeitos às forças da natureza, entre elas o tempo atmosférico!

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8 de Agosto de 2011

Céu escuro e deserto branco - a neve veio fazer uma visita rara ao Observatório do Paranal do ESO

O céu nocturno por cima do Cerro Paranal, local de acolhimento do Very Large Telescope do ESO (VLT), é escuro e salpicado de estrelas brilhantes da Via Láctea, assim como de galáxias mais distantes. No entanto, é muito raro ver o chão contrastando com o céu de maneira tão marcada como nesta fotografia, que mostra uma fina camada de neve branca salpicada pelas zonas mais escuras do terreno do deserto.

Esta fotografia foi tirada a semana passada, logo depois do nascer do Sol, pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Yuri Beletsky, que trabalha como astrónomo no Observatório La Silla Paranal. Yuri capturou, não apenas a bonita paisagem com neve do Atacama e as cúpulas do VLT no cimo da montanha, mas também um incrível céu nocturno. À esquerda do VLT podemos ver o rasto de um satélite e à direita está o rasto de um meteoro.

O Cerro Paranal é uma montanha de 2600 metros de altura, situada no deserto chileno do Atacama. É um local muito seco, com uma humidade que se situa frequentemente abaixo dos 10% e uma queda de chuva de menos de 10 milímetros por ano. A neve, no entanto, cai ocasionalmente no deserto, dando-nos fugidias mas magníficas vistas como esta.

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9 de Maio de 2011

Lua eclipsada, céu nocturno magnífico

Um eclipse total da Lua é um espectáculo impressionante, mas para além disso, dá-nos uma excelente oportunidade de observar um céu estrelado sem luar, ou seja, muito escuro. No Cerro Paranal, no deserto chileno do Atacama, um dos lugares mais remotos do mundo, a enorme distância a fontes de poluição luminosa faz com que o céu nocturno se torne ainda mais espectacular durante um eclipse total da Lua.

Esta fotografia panorâmica, tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Yuri Beletsky, mostra uma vista do céu estrelado sobre o local de acolhimento do Very Large Telescope do ESO (VLT) no Cerro Paranal, durante o eclipse total da Lua de 21 de dezembro de 2010. O disco avermelhado da Lua pode ser visto à direita na imagem, enquanto a Via Láctea cruza o céu em forma de arco. Podemos ver ainda outro brilho ténue, que rodeia o planeta Vénus no canto inferior esquerda da fotografia. Esta fenómeno, conhecido como luz zodiacal, é produzido pela reflexão da radiação solar na poeira que se encontra no plano dos planetas. É um brilho tão fraco que normalmente passa despercebido, devido ao luar ou à poluição luminosa.

Durante um eclipse total da Lua, a sombra da terra bloqueia a luz que o Sol emite directamente sobre a Lua. A Luz continua visível, de cor avermelhada, porque apenas os raios luminosos na ponta vermelha do espectro electromagnético conseguem chegar à Lua depois de serem redirigidos para lá pela atmosfera terrestre (as radiações azul e verde são dispersadas de modo mais eficaz).

Curiosamente a Lua, que aparece por cima de um dos Telescópios Principais do VLT (o Telescópio nº2), estava a ser observada pelo Telescópio nº1 nessa noite. Os Telescópios 1 e 2 são também conhecidos pelos nomes de Antu (que significa O Sol numa das línguas nativas do Chile, o mapuche) e Kueyen (A Lua), respectivamente.

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11 de Abril de 2011

Sede do ESO ao pôr do Sol

Esta panorâmica mostra a Sede do Observatório Europeu do Sul, situada em Garching, ao pé de Munique, na Alemanha. A imagem mostra a vista a partir do telhado do edifício principal, logo após o pôr do Sol. Este é o centro científico, técnico e administrativo das operações do ESO, e o local a partir do qual os astrónomos trabalham nos seus projetos de investigação. O pessoal técnico, administrativo e os cientistas que aqui trabalham, vêm de muitos lados e possuem diferentes experiências pessoais, mas todos têm uma coisa em comum: uma paixão pela astronomia.

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental astronómica e é o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO opera telescópios em três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. Adicionalmente, o Cerro Armazones, próximo do Paranal, foi escolhido como local de acolhimento do European Extremely Large Telescope (E-ELT).

O ESO proporciona aos astrónomos infraestruturas astronómicas de vanguarda e é  financiado pelos seguintes países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. A Sede do ESO reflete este espírito multicultural de cooperação e é um local de trabalho para os astrónomos de todo o mundo.

Esta imagem emoldurada encontra-se disponível na loja ESO.


21 de Fevereiro de 2011

As antenas ALMA sob a Via Láctea

Quatro antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) observam o céu nocturno estrelado, antecipando o trabalho que aí vem. O luar ilumina a cena à direita, enquanto a faixa da Via Láctea se estende ao longo do lado esquerdo para cima.

O ALMa está a ser construído a uma altitude de 5000 metros, no planalto do Chajnantor, no deserto chileno do Atacama. Este é um dos locais mais secos à face da Terra, e o ar seco, combinado com a atmosfera fina da elevada altitude, oferece condições soberbas para observar o Universo na região de comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. A estes comprimentos de onda longos, os astrónomos podem sondar, por exemplo, as nuvens moleculares, que consistem em regiões densas de gás e poeira onde novas estrelas se estão a formar a partir do colapso gravitacional da nuvem. Actualmente, o Universo permanece relativamente mal explorado nos comprimentos de onda submilimétricos, por isso os astrónomos esperam descobrir muitos segredos novos acerca da formação estelar, assim como acerca da origem das galáxias e planetas, quando o ALMA estiver operacional.

O projeto ALMA é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile.

Esta fotografia panorâmica foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO, José Francisco Salgado.

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3 de Janeiro de 2011

Outro dia perfeito no Paranal

Colinas vermelhas estendem-se por baixo de um céu azul excepcionalmente limpo, típico do Observatório do Paranal do ESO. Apesar das cúpulas fecharem de madrugada, e nada parecer mover-se à superfície deste inóspito deserto, o certo é que o Very Large Telescope do ESO (VLT) nunca dorme. Desde manhã cedo que uma equipa de engenheiros e técnicos se encontra a trabalhar arduamente, de modo a preparar os telescópios e respectivos instrumentos para outra “noite perfeita”.

O Cerro Paranal, a 2600 metros de altitude, destaca-se no centro desta vista panorâmica, tirada para sul. O topo da montanha aplanado acolhe o VLT, a infraestrutura astronómica terrestre mais avançada do mundo, a operar no visível  e no infravermelho próximo. O VLT é composto por quatro Telescópios Principais de 8,2 metros cada um, e por quatro Telescópios Auxiliares de 1,8 metros. Nesta fotografia, apenas estão visíveis duas das cúpulas dos telescópios maiores e o telescópio de rastreio mais pequeno, o VLT Survey Telescope (VST) de 2,6 metros.

À direita do Cerro Paranal, podemos ver ao longe uma camada de nuvens que cobre a costa do Oceano Pacífico, a apenas 12 km de distância. A corrente fria oceânica mantém a camada de inversão térmica da atmosfera abaixo dos 1500 metros, o que torna esta área remota do deserto chileno do Atacama, na Região II, um dos locais mais secos à superfície do nosso planeta e uma janela perfeita para o Universo. A atmosfera é extremamente seca e límpida, apresentando muito pouca turbulência, o que oferece as condições ideais para observações astronómicas no óptico e no infravermelho próximo.

Esta é a razão pela qual o Cerro Armazones, com 3060 metros de altitude, situado a apenas 20 km a este do Paranal, foi escolhido para acolher o futuro European Extremenly Large Telescope (E-ELT). Com um espelho primário de 39 metros, o E-ELT será o maior olho no céu do mundo.

Esta fotografia foi tirada a partir de um topo de montanha vizinho, local onde se encontra instalado o telescópio de rastreio VISTA (sigla do inglês para Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy). O VISTA começou a operar no final de 2009 e foi o mais recente telescópio a juntar-se ao conjunto de telescópios instalados no Observatório do Paranal do ESO. O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo.

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1 de Novembro de 2010

O Very Large Telescope do ESO espreita para o interior de uma nebulosa distante

Os astrónomos utilizaram dados do Very Large Telescope do ESO (VLT), situado no Observatório do Paranal, Chile, para criar esta imagem da nebulosa Messier 17, também conhecida como Nebulosa Ómega ou Nebulosa do Cisne. A imagem, mais parecida com uma pintura, mostra enormes nuvens de gás e poeira iluminadas pela intensa radiação emitida por estrelas jovens.

Na imagem vemos a região central, que tem uma dimensão de cerca de 15 anos-luz. A nebulosa inteira é ainda maior, com uma dimensão total de aproximadamente 40 anos-luz. Messier 17 fica na constelação do Sagitário, a cerca de 6000 anos-luz de distância da Terra. É um alvo bastante popular entre os astrónomos amadores, que conseguem obter imagens de boa qualidade com o auxílio de pequenos telescópios.

Estas observações profundas do VLT foram obtidas nos comprimentos de onda do infravermelho próximo com o instrumento ISAAC. Os filtros utilizados foram o J (1,25 µm, a azul), o H (1,6 µm, a verde) e o K (2,2 µm, a vermelho). No centro da imagem encontra-se o enxame de estrelas jovens de grande massa, cuja intensa radiação faz com que o hidrogénio gasoso circundante brilhe. Por baixo e à direita do enxame podemos ver uma enorme nuvem de gás molecular. Nos comprimentos de onda do visível os grãos de poeira da nuvem obscurecem a nossa visão, mas ao observar no infravermelho,  podemos ver através da poeira o brilho fraco do hidrogénio gasoso que se encontra por trás. Os astrónomos encontraram escondida nesta região, que tem uma aparência avermelhada escura, a silhueta opaca de um disco de gás e poeira. Embora pareça pequeno na imagem, este disco tem um diâmetro de cerca de 20 000 UA, fazendo com que o Sistema Solar pareça minúsculo (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol). Pensa-se que o disco se encontra em rotação levando matéria para uma protoestrela central. Uma protoestrela é o estado inicial da formação de uma nova estrela.

Esta imagem emoldurada encontra-se disponível na loja ESO.

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  • Estas observações foram originalmente obtidas para um trabalho que se encontra descrito na nota de imprensa do ESO eso0416.

25 de Outubro de 2010

La Silla estrelada

As estrelas rodam em torno do polo sul celeste durante a noite, no Observatório de La Silla do ESO no norte do Chile. As partes tremidas dos rastos, no lado direito, correspondem às Nuvens de Magalhães, duas galáxias pequenas, vizinhas da Via Láctea. A cúpula que se vê na imagem pertence ao telescópio de 3,6 metros do ESO, onde está montado o instrumento HARPS (sigla do inglês para High Accurate Radial velocity Planet Searcher), o principal descobridor de exoplanetas do mundo. O edifício rectangular que aparece em baixo à direita, alberga o telescópio TAROT de 0,25 metros, concebido para reagir muito depressa quando é detectada uma explosão de raios gama. Em La Silla encontram-se ainda, entre outros, o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, e o New Technology Telescope de 3,58 metros, o primeiro telescópio a utilizar óptica activa e, como tal, percursor de todos os telescópios grandes modernos. La Silla foi o primeiro observatório do ESO, permanecendo ainda hoje um dos principais locais de observação no hemisfério sul.


20 de Setembro de 2010

O céu estrelado brilha intensamente por cima do Paranal

Quando o Sol se põe no Observatório do Paranal do ESO e a escuridão chega, o céu negro aparece salpicado por uma miríade de estrelas a piscar. Esta exposição fotográfica de 15 segundos demonstra bem quão deslumbrante pode ser o céu por cima do Paranal. Situado a elevada altitude, no deserto chileno do Atacama, longe de qualquer fonte de poluição luminosa, numa noite límpida sem luar é possível ver a sombra lançada apenas pela luz da Via Láctea.

José Francisco Salgado, artista visual e Embaixador Fotográfico do ESO, diz: “O céu do Paranal é um dos mais escuros e estáveis que tenho fotografado. Adoro fotografar observatórios e no Paranal é perfeitamente incrível o que se consegue ver apenas à luz das estrelas e à luz zodiacal!”

Na imagem, as estrelas da Via Láctea parecem estar a sair da cúpula aberta do telescópio. A zona mais brilhante próximo do telescópio é a Nebulosa Carina (NGC 3372), onde se encontram algumas das estrelas de maior massa da nossa Galáxia (ver por exemplo eso0905 e eso1031). Próximo do cimo da imagem podemos ver as estrelas do Cruzeiro do Sul. Esta constelação, assim como a de Carina, são constelações do céu austral, não podendo por isso ser observadas à maioria das latitudes norte.

O telescópio que se vê na imagem é o quarto Telescópio Auxiliar do VLTI (Very Large Telescope Interferometer). O VLTI é composto por quatro telescópios principais de 8,2 metros e quatro telescópios auxiliares mais pequenos, de 1,8 metros. Graças ao tamanho destes telescópios, à sua tecnologia de vanguarda e às excelentes condições de observação do local, não é de estranhar que o Paranal seja considerado o observatório terrestre mais avançado do mundo a operar no óptico.


13 de Setembro de 2010

A Grande Galáxia em Espiral Barrada

Rodando a 61 milhões de anos-luz de distância na constelação da Fornalha, encontra-se a enorme NGC 1365. Com uma dimensão de 200 000 anos-luz, esta é uma das maiores galáxias conhecidas dos astrónomos. Este facto, aliado à sua barra de estrelas velhas bem definida que atravessa a estrutura, faz com que seja conhecida pela Grande Galáxia em Espiral Barrada. Os astrónomos pensam que a Via Láctea é muito parecida a esta galáxia, embora tenha metade do seu tamanho. Pensa-se que o centro da galáxia brilha tanto devido a enormes quantidades de gás extremamente quente ejectado pelo anel de material que circunda o buraco negro central. Estrelas quentes luminosas, nascidas das nuvens interestelares, dão aos braços uma cor azulada e uma aparência bem proeminente. A barra e os braços em espiral rodam, com uma volta completa a durar cerca de 350 milhões de anos.

Esta imagem combina observações obtidas, através de três filtros diferentes (B, V, R), pelo telescópio dinamarquês de 1,5 metros, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile.


6 de Setembro de 2010

Um raio laser lançado na direção do centro da Via Láctea

A meados de agosto de 2010, o Embaixador Fotográfico do ESO, Yuri Beletsky, tirou esta fotografia no Observatório do Paranal do ESO. Um grupo de astrónomos estava a observar o centro da Via Láctea com o auxílio do sistema de estrela guia laser do Yepun, um dos quatro Telescópios Principais do Very Large Telescope (VLT).

O raio laser do Yepun atravessa o majestoso céu austral, criando uma estrela artificial a uma altitude de 90 km na mesosfera terrestre. A Estrela Guia Laser faz parte do sistema de óptica adaptativa do VLT e é usada como referência para corrigir as imagens astronómicas que aparecem desfocadas devido ao efeito de distorção da atmosfera. A cor do laser está calibrada de forma precisa de modo a que a sua energia excite uma faixa de átomos de sódio situada numa das camadas superiores da atmosfera - podemos reconhecer a cor familiar das lâmpadas de sódio da rua na cor do laser. Pensa-se que esta camada de átomos de sódio seja os resquícios de meteoritos que entram na atmosfera terrestre. Quando excitados pela radiação do laser, os átomos começam a brilhar, formando um pequeno ponto brilhante que pode ser usado como uma estrela de referência artificial para a óptica adaptativa. Com esta técnica, os astrónomos conseguem obter imagens muito mais nítidas. Por exemplo, quando olham na direção do centro da Via Láctea, os investigadores podem monitorizar melhor o núcleo galáctico, onde um buraco negro de elevada massa, rodeado por estrelas que o orbitam de muito perto, se encontra a engolir gás e poeira.

A fotografia, que foi escolhida como Fotografia Astronómica do Dia a 6 de setembro de 2010 e Fotografia Wikimedia do Ano 2010, foi tirada com uma lente grande angular e cobre cerca de 180 graus no céu.

Esta imagem emoldurada encontra-se disponível na loja ESO.


2 de Agosto de 2010

Caçadores de exoplanetas em La Silla

Na procura de mundos distantes, poucos telescópios têm tanto sucesso como o telescópio de 3.6 metros do ESO e o telescópio suíço de 1.2 metros Leonhard Euler, os quais podemos ver nesta imagem.

O telescópio de 3.6 metros alberga o instrumento HARPS (sigla do inglês para High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), um espectrógrafo com uma precisão sem paralelo, detentor de muitos recordes no campo da investigação de exoplanetas, incluindo a descoberta do exoplaneta de menor massa, e também do mais pequeno alguma vez medido. Juntamente com o HARPS, o Telescópio Leonhard Euler permitiu aos astrónomos descobrir que seis exoplanetas de uma amostra de 27 orbitavam na direção oposta à da rotação da sua estrela hospedeira - o que demonstrou ser um desafio sério e inesperado às atuais teorias de formação planetária.

A 2400 metros acima do nível do mar, na região sul do deserto do Atacama, no Chile, La Silla foi o primeiro local de observação do ESO. A par do telescópio de 3.6 metros, este observatório possui ainda o New Technology Telescope (NTT) e o telescópio de 2.2 metros MPG/ESO, assim como vários telescópios nacionais mais pequenos.


7 de Junho de 2010

Pôr da Lua extraordinário - Vista fantástica do Cerro Paranal, local onde se encontra o Very Large Telescope do ESO

Quando a Lua Cheia se põe, o Sol está prestes a nascer no horizonte oposto. O Very Large Telescope (VLT) fechou já os seus olhos depois de uma longa noite de observações e os operadores dos telescópios e astrónomos foram deitar-se, enquanto técnicos, engenheiros e astrónomos de dia acordam para um novo dia de trabalho. As operações nunca terminam no observatório astronómico terrestre mais produtivo do mundo inteiro.

Gordon Gillet, que trabalha para o ESO, acolhe o novo dia capturando esta imagem fantástica a 14 km de distância do Paranal, na estrada que leva ao Cerro Armazones, o pico escolhido pelo Conselho do ESO onde será construído o European Extremely Large Telescope (E-ELT) de 39 metros.

Ao contrário do que se possa pensar, esta fotografia não é uma montagem. A Lua aparece muito grande porque a estamos a ver muito próximo do horizonte e a nossa percepção é enganada pela proximidade de referências no solo. Utilizou-se uma lente de 500 mm, de modo a conseguir obter-se esta imagem. A distância focal muito grande reduz a profundidade de campo, fazendo com que os objetos focados pareçam estar à mesma distância. Este efeito, combinado com a qualidade extraordinária da fotografia, dá-nos a sensação de que a Lua está colocada sobre a plataforma do VLT, mesmo por detrás dos telescópios, quando, de facto, ela se encontra a uma distância de cerca de 30 000 vezes mais longe.


8 de Fevereiro de 2010

O Very Large Telescope visto pelos olhos de um pássaro

Um pássaro voando sobre a região remota e pouco habitada do deserto do Atacama no norte chileno - provavelmente o deserto mais seco do mundo - pode muito bem ficar surpreendido ao deparar-se com o oásis tecnológico do Very Large Telescope do ESO (VLT) no Paranal. Sendo a infraestrutura astronómica terrestre mais avançada do mundo, o local acolhe quatro Telescópios Principais de 8,2 metros, quatro Telescópios Auxiliares de 1,8 metros, o telescópio de rastreio VLT Survey Telescope (VST) e o telescópio de rastreio no visível e infravermelho de 4,1 metros, o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA), que se vê à distância no cimo do pico adjacente ao da plataforma principal.

Esta vista aérea mostra também outros edifícios, incluindo o da Sala de Controle do Observatório, logo em primeiro plano na plataforma principal.


18 de Janeiro de 2010

O futuro European Extremely Large Telescope

Este desenho do conceito arquitectónico do telescópio do ESO que está a ser planeado, o European Extremely Large Telescope (E-ELT) mostra o maior telescópio óptico do mundo planeado a apontar para os céus. Previsto para começar as operações no início da próxima década, o E-ELT abordará os maiores desafios científicos do nosso tempo. Um objetivo principal será o de descobrir planetas do tipo da Terra a orbitar nas zonas de habitabilidade de outras estrelas, onde a vida possa existir - um santo graal da astronomia observacional moderna. O E-ELT trará também contribuições fundamentais no campo da cosmologia ao medir as propriedades das primeiras estrelas e galáxias e ao investigar a natureza da matéria e energia escuras.

Para além de tudo isto, os astrónomos estão também a planear para o imprevisto - novas e desconhecidas perguntas que certamente surgirão das descobertas do E-ELT. Com um espelho primário de uns surpreendentes 39 metros de diâmetro, o E-ELT será capaz de colectar 25 vezes mais radiação do que um dos telescópios de 8.2 metros do Very Large Telescope do ESO, no Chile, o qual é atualmente o telescópio líder mundial em termos de capacidade observacional astronómica.

O design aqui mostrado para o E-ELT foi publicado em 2011 e é ainda preliminar. 


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