eso1908pt-br — Nota de imprensa institucional

Localizando Gaia para mapear a Via Láctea

O VST do ESO ajuda a determinar a órbita do satélite de modo a permitir o mapeamento mais preciso de mais de um bilhão de estrelas

2 de Maio de 2019

Esta imagem, composta a partir de dados obtidos por várias observações levadas a cabo pelo Telescópio de Rastreio do VLT (VST) do ESO, mostra a sonda espacial da Agência Espacial Europeia (ESA), Gaia, como um ténue rastro de pontos situado na metade inferior deste campo de estrelas. Estas observações foram obtidas no âmbito de uma colaboração atual entre o ESO e a ESA, que pretende calcular a órbita de Gaia e melhorar assim a precisão do seu mapa de estrelas.

A sonda espacial Gaia, operada pela Agência Espacial Europeia (ESA), observa os céus a partir da sua órbita em torno da Terra com o objetivo de criar o maior e mais preciso mapa tridimensional da nossa Galáxia. Há um ano, a missão Gaia divulgou o seu segundo catálogo de dados, que incluiu medições de alta precisão — posicões, distância e movimentos próprios — de mais de um bilhão de estrelas da nossa Via Láctea. Este catálogo permitiu a realização de estudos revolucionários em muitas áreas da astronomia, como a estrutura, origem e evolução da Via Láctea, e deu origem a mais de 1700 artigos científicos publicados desde o lançamento da sonda em 2013.

De modo a que os mapas do céu de Gaia atinjam a precisão necessária, é essencial conhecer a posição exata da sonda espacial relativamente à Terra. Assim, enquanto Gaia observa o céu, coletando dados para o seu censo estelar, os astrônomos verificam regularmente a sua posição utilizando uma rede global de telescópios ópticos, incluindo o VST situado no Observatório do Paranal do ESO [1]. O VST é atualmente o maior telescópio de rastreio que observa o céu na luz visível e registra a posição de Gaia no céu a cada duas noites ao longo do ano.

“As observações da sonda Gaia requerem um procedimento observacional especial,” explica Monika Petr-Gotzens, que coordena a execução das observações de Gaia feitas pelo ESO desde 2013. “A sonda é o que chamamos um ‘alvo móvel’, já que se desloca muito rapidamente relativamente às estrelas de fundo — assim rastrear Gaia revela-se um enorme desafio!

“O VST é a ferramenta perfeita para observar o movimento de Gaia,” continua Ferdinando Patat, chefe do Gabinete de Programas de Observação do ESO. “Usar uma das infraestruturas de vanguarda do ESO colocadas no solo para apoiar e melhorar observações feitas a partir do espaço é um exemplo excelente de cooperação científica.

Trata-se de uma interessante colaboração solo-espaço, usar um dos telescópios de vanguarda do ESO para ancorar observações pioneiras do satélite da ESA que rastreia um bilhão de estrelas,” comenta Timo Prusti, cientista do projeto Gaia na ESA.

As observações do VST são usadas pelos especialistas da ESA em dinâmica de voo para localizar Gaia e refinar a órbita da sonda espacial. São necessárias calibrações muito cuidadosas para transformar as observações, onde Gaia é apenas um minúsculo ponto de luz entre as estrelas brilhantes, em informação orbital significativa. A segunda divulgação de dados de Gaia foi usada para identificar cada uma das estrelas no campo de visão, permitindo assim calcular a posição da sonda espacial com uma precisão impressionante — até cerca de 20 milisegundos de arco.

“Este é um processo desafiador: usamos as medições que Gaia faz das estrelas para calibrar a posição da sonda espacial e finalmente melhorar a sua medição das estrelas,” explica Timo Prusti.

Após um muito longo e cuidado processamento de dados, conseguimos agora atingir a precisão necessária para que as observações de Gaia feitas a partir do solo possam ser implementadas na determinação da sua órbita,” diz Martin Altmann, chefe da campanha GBOT (Ground Based Optical Tracking) do Centro de Astronomia da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.

A informação do GBOT será usada para melhorar o nosso conhecimento da órbita de Gaia, não apenas em observações futuras, mas também para todos os dados que foram coletados anteriormente da Terra, levando assim a melhorias nos dados que serão incluídos em divulgações futuras.

Notas

[1] Esta colaboração entre o ESO e a ESA é apenas um dos vários projetos de cooperação que têm beneficiado da experiência de ambas as organizações para fazer avançar a astronomia e astrofísica. A 20 de agosto de 2015, os Diretores Gerais da ESA e do ESO assinaram um acordo de cooperação que facilita a sinergia entre projetos como este.

Mais Informações

De modo a fomentar o intercâmbio entre missões espaciais e infraestruturas colocadas no solo relacionadas com astrofísica, assim como entre as respectivas comunidades, a ESA e o ESO unem forças para organizar uma série de encontros internacionais de astronomia. O primeiro workshop conjunto ESA-ESO terá lugar no ESO em novembro de 2019 e o pedido de propostas para um segundo workshop está atualmente aberto, a ser realizado em 2020 na ESA.

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a pesquisa em astronomia e é, de longe, o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO tem 16 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Suécia e Suíça, para além do país anfitrião, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na pesquisa astronômica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope e o Interferômetro do Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo, além de dois telescópios de rastreio: o VISTA, que trabalha no infravermelho, e o VLT Survey Telescope, concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO também é o principal parceiro em duas infraestruturas situadas no Chajnantor, o APEX e o ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está construindo o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

A Agência Espacial Europeia (ESA) é a porta da Europa para o espaço. A sua missão é moldar o desenvolvimento da capacidade espacial europeia e garantir que o investimento no espaço continue a trazer benefícios para os cidadãos europeus e o mundo.

A ESA é uma organização internacional com 22 Estados Membros. Ao coordenar os recursos financeiros e intelectuais dos seus membros, a ESA consegue realizar programas e atividades que vão muito além das capacidades de um único país europeu.

O satélite Gaia da ESA foi lançado em 2013 com o objetivo de criar o mais preciso mapa tridimensional de mais de um bilhão de estrelas da Via Láctea. A missão já divulgou, até ao momento, dois catálogos de dados: Gaia Data Release 1, em 2016, e Gaia Data Release 2, em 2018. Deverão haver mais lançamentos de catálogos nos próximos anos.

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1908, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contato local para a imprensa. O representante brasileiro é Eugênio Reis Neto, do Observatório Nacional/MCTIC. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote (Portugal) e adaptada para o português brasileiro por Eugênio Reis Neto.

Sobre a nota de imprensa

No. da notícia:eso1908pt-br
Nome:Gaia
Tipo:Solar System : Technology : Spacecraft
Facility:VLT Survey Telescope
Instruments:OmegaCAM

Imagens

Localizando Gaia para mapear a Via Láctea
Localizando Gaia para mapear a Via Láctea
Localizando Gaia para mapear a Via Láctea (anotada)
Localizando Gaia para mapear a Via Láctea (anotada)
Observando os céus
Observando os céus
A sonda espacial Gaia
A sonda espacial Gaia
A Via Láctea vista por Gaia
A Via Láctea vista por Gaia

Vídeos

ESOcast 200 Light: O ESO ajuda a mapear a Galáxia
ESOcast 200 Light: O ESO ajuda a mapear a Galáxia
Animação da órbita de Gaia
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