Fotografia da Semana 2014

14 de Abril de 2014

La Silla posa para fotografia em Ultra HD

Uma cortina de estrelas rodeia o New Technology Telescope (NTT) de 3,58 metros nesta nova fotografia em Ultra Alta Definição, obtida durante a Expedição Ultra HD do ESO [1]. A fotografia foi tirada na primeira noite de trabalho no Observatório de La Silla do ESO, que se situa 2400 metros acima do nível do mar, na periferia do deserto chileno do Atacama.

A majestosa cúpula do telescópio alinha-se perfeitamente com a região central da Via Láctea - a região mais brilhante e a área que obscurece o centro galáctico. A altura da cúpula octogonal que acolhe o NTT domina a imagem, em silhueta contra o cosmos resplandecente  e quase parece consumir a Via Láctea. Esta cúpula de telescópio foi considerada um avanço tecnológico notável quando ficou pronta em 1989. 

Visível à esquerda da Via Láctea encontra-se a brilhante estrela laranja Antares no centro do Escorpião. Saturno pode ser visto como o ponto mais brilhante à esquerda acima de Antares e as estrelas Alfa e Beta Centauri brilham no cimo da imagem à direita. O Cruzeiro do Sul e a nebulosa escura do Saco de Carvão podem igualmente ser vistas por cima de Alfa e Beta Centauri.

La Silla foi o primeiro observatório do ESO, inaugurado em 1969. O NTT foi o primeiro telescópio no mundo a possuir um espelho primário controlado por computador, tendo desbravado terreno na área da conceção e engenharia de telescópios e abrindo caminho para o Very Large Telescope do ESO.

Notas

[1] A equipa é constituída pelo video-fotógrafo do ESO, Herbert Zodet, e três Embaixadores Fotográficos do ESO: Yuri Belestsky, Christoph Malin e Babak Tafreshi. Este link fornece informação sobre os parceiros tecnológicos da expedição e existe também um blog dedicado neste link.


7 de Abril de 2014

Bola de fogo cósmica cai sobre o ALMA

Esta imagem nova, obtida no Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) é outra das fotografias em Ultra Alta Definição obtida durante a Expedição Ultra HD do ESO. O ALMA, situado 5000 metros acima do nível do mar no remoto e inóspito planalto do Chajnantor nos Andes chilenos, é a segunda etapa dos quatro Embaixadores Fotográficos do ESO [1] na sua viagem de 17 dias. Os profissionais encontram-se munidos de equipamento Ultra HD de vanguarda de modo a capturarem a verdadeira majestade e grandeza de lugares como o que mostra a imagem [2] [3].

Podemos ver algumas das 66 antenas de alta precisão que compõem o ALMA, apontando para cima, à medida que estudam as nuvens frias do espaço interestelar e perscrutam em profundidade as nossas misteriosas origens cósmicas.

O impressionante traço de luz visível sobre a rede ALMA é uma estrela cadente, que rasga a imagem num vívido traço de cores. Tons verde esmeralda, dourados e ligeiramente avermelhados brilham intensamente à medida que o meteoro, ao atravessar a atmosfera terrestre, vai ardendo na sua viagem flamejante ao longo do céu. Quando a bola de fogo de alta velocidade - que é, na realidade, um pequeno grão de rocha do espaço interplanetário - interage com a atmosfera, aquece e vaporiza as suas camadas exteriores, que ficam para trás num traço incandescente. Estes traços desaparecem em apenas alguns segundos, no entanto este foi aqui capturado pelo simples carregar de um botão.

A estrela mais brilhante da constelação da Virgem, chamada Spica, e o nosso vizinho planeta Marte brilham intensamente no centro da imagem - espetadores cósmicos desta descida ardente, à medida que aparecem acima do horizonte.

A Expedição Ultra HD começou em Santiago, no Chile,  a 25 de março de 2014. Esta imagem foi tirada durante a oitava noite de trabalho da equipa, no planalto do Chajnantor. A equipa encontra-se atualmente no Observatório de La Silla, o primeiro observatório do ESO no Chile, e amanhã, depois de uma última noite, encetará finalmente a longa viagem de regresso a casa. O material Ultra HD obtida na expedição estará brevemente disponível online de forma gratuita, à medida que o ESO for divulgando imagens extremamente nítidas de cortar a respiração, trazendo o Universo para mais perto de nós. Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO e Cinematógrafo de Timelapse Christoph Malin.

Notas

[1] A equipa é composta pelo vídeo-fotógrafo do ESO Herbert Zodet e três Embaixadores Fotográficos do ESO, Yuri Beletsky, Christoph Malin e Babak Tafreshi. Informação sobre os parceiros tecnológicos da expedição pode ser encontrada aqui.

[2] O equipamento usado na expedição inclui: Vixen Optics Polarie Star Tracker, máquinas fotográficas Canon EOS-1D C e 6D, Stage One Dolly e robot de controlo de câmara eMotimo TB3 de três eixos, discos Angelbird SSD2go, software LRTimelapse, estojos de transporte Peli Storm, estações de trabalho 4K PC da Magic Multimedia, sistema Novoflex QuadroPod, baterias Intecro e software Granite Bay.

[3] Os parceiros tecnológicos são: Canon, Kids of All Ages, Novoflex, Angelbird, Sharp, Vixen, eMotimo, Peli, Magic Multi Media, LRTimelapse, Intecro e Granite Bay Software.


31 de Março de 2014

Capturando o Universo em Ultra Alta Definição

Esta imagem obtida no Observatório do Paranal do ESO é a primeira fotografia da Expedição Ultra HD do ESO - uma viagem pioneira que está neste momento a ser levada a cabo por quatro vídeo-fotógrafos e Embaixadores Fotográficos do ESO de renome internacional [1]. Equipados com dispositivos Ultra HD de vanguarda [2] [3], estes profissionais estão a obter imagens dos três locais de observação do ESO no Chile em todo o seu esplendor, ao mesmo tempo que documentam a viagem num blog dedicado.

Podemos ver nesta invulgar imagem os quatro Telescópios Principais do VLT (Antu, Kueyen, Melipal e Yepun), um dos Telescópios Auxiliares da mesma infraestrutura e o Telescópio de Rastreio do VLT (VST). Usando uma lente olho de peixe, obtém-se esta vista de 360º do local - recriando o mundo do Paranal com a Via Láctea ao centro.

Jóias cósmicas distantes encontram-se espalhadas por cima do VLT, salpicando os tons azul safira do céu noturno. Próximo do cimo da imagem, vemos a Lua e Vénus lado a lado, brilhando intensamente com Saturno (que se encontra mesmo por cima da cúpula situada no fundo da imagem), alinhando-se perfeitamente ao longo da eclíptica. Estão também visíveis Antares, Vega e Altair, algumas das estrelas mais brilhantes do céu [4]. Duas galáxias anãs irregulares vizinhas da Via Láctea, a Pequena e a Grande Nuvens de Magalhães, podem ser vistas brilhando fracamente à esquerda, próximo do Telescópio Auxiliar. Toda este material, obtido através da lente olho de peixe durante a expedição, será brevemente distribuído de forma gratuita para ser utilizado em espetáculos de planetário (tais como os que serão apresentados no futuro centro Supernova ESO a partir de 2017).

A expedição começou em Santiago do Chile a 25 de março de 2014. No dia seguinte a equipa partiu para o primeiro observatório do itinerário - o Observatório do Paranal do ESO, onde esta imagem foi obtida a 26 de março de 2014. A equipa permanecerá neste local durante os próximos dias capturando fotografias, vídeos e panoramas do Paranal - local que acolhe a infraestrutura emblemática do ESO, o Very Large Telescope - antes de partir em direção ao Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), seguindo depois para o Observatório de La Silla e voltando à Europa a 8 de abril.

Notas

[1] A equipa é composta pelo vídeo-fotógrafo do ESO Herbert Zodet e três Embaixadores Fotográficos do ESO, Yuri Beletsky, Christoph Malin e Babak Tafreshi. Informação sobre os parceiros tecnológicos da expedição pode ser encontrada aqui.

[2] O equipamento usado na expedição inclui: Vixen Optics Polarie Star Tracker, máquinas fotográficas Canon EOS-1D C e 6D, Stage One Dolly e robot de controlo de câmara eMotimo TB3 de três eixos, discos Angelbird SSD2go, software LRTimelapse, estojos de transporte Peli Storm, estações de trabalho 4K PC da Magic Multimedia, sistema Novoflex QuadroPod, baterias Intecro e software Granite Bay.

[3] Os parceiros tecnológicos são: Canon, Kids of All Ages, Novoflex, Angelbird, Sharp, Vixen, eMotimo, Peli, Magic Multi Media, LRTimelapse, Intecro e Granite Bay Software.

[4] A versão anotada da imagem mostra os planetas e estrelas que podem ser vistos no céu noturno.

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24 de Março de 2014

Enquadrando o céu noturno

Os observatórios do ESO situam-se em locais privilegiados onde os astrofotógrafos conseguem obter imagens fantásticas do cosmos, mas não só - às vezes, também se conseguem obter imagens que, embora sejam do nosso próprio planeta, parecem do outro mundo. Esta fotografia foi tirada pelo embaixador fotográfico do ESO Gabriel Brammer, que usou uma lente olho de peixe para criar este efeito redondo. O céu limpo sobre o Paranal parece uma bola de cristal cheia de estrelas, com a plataforma do Very Large Telescope (VLT) a emoldurar a fotografia.

Embaixo à esquerda podemos ver os quatro Telescópios Principais do VLT, cada um com 25 metros de altura, a observar o céu noturno, um deles apontando o seu laser para o céu. Espalhadas pela parte superior esquerda da imagem estão as cúpulas redondas dos Telescópios Auxiliares do VLT, sob a brilhante Via Láctea. As duas manchas difusas mesmo por cima do laser são a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães, duas das galáxias mais próximas da nossa.

Esta imagem foi criada a partir de diversas fotografias de grande angular, que juntas formam uma imagem da vista completa.


17 de Março de 2014

Um arco lácteo sobre o Paranal

Outra noite límpida no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, perfeita para nos sentarmos e observarmos a nossa galáxia, a Via Láctea. Muitos de nós, que vivemos em cidades com muita população e poluição luminosa, não conseguimos observar a nossa casa cósmica com tanto pormenor.

Sabemos que esta vista magnífica é a nossa casa galáctica, mas os antigos gregos pensavam que se tratava do trabalho dos deuses. As suas lendas contam que este trilho nebuloso ao longo do céu era na realidade o leite do peito de Hera, a esposa de Zeus. É também aos antigos gregos que devemos o nome “Via Láctea”. A frase em grego Γαλαξίας κύκλος, que se pronuncia galaxias kyklos significa “círculo lácteo” e é a raiz do nome moderno.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Gabriel Brammer. Podemos ver no lado direito da imagem um astrónomo visitante a admirar a vista.


10 de Março de 2014

O cometa de Rosetta começa a acordar

No dia 20 de janeiro de 2014 a sonda espacial na ESA Rosetta emergiu de uma longa hibernação de espaço profundo para se aproximar do seu alvo - o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (67P/CG).

Visto a partir da Terra, o cometa 67P/CG acaba de reaparecer de trás do Sol. No dia 28 de fevereiro de 2014, o Very Large Telescope do ESO (VLT) apontou o seu olho para o cometa, assim que este se tornou visível a partir do Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O ESO está a colaborar com a ESA no intuito de monitorizar o cometa a partir do solo, à medida que a sonda Rosetta se aproxima deste nos próximos meses. Estas observações ajudarão a preparar o encontro principal da sonda com o cometa, previsto para agosto deste ano (ver potw1403a).

Esta nova imagem, e muitas mais que ainda estão para vir, será usada pela ESA para ajustar a navegação de Rosetta e para monitorizar quanta poeira é que o cometa está a libertar. A imagem da esquerda foi criada ao juntar várias exposições individuais de modo a mostrar as estrelas de fundo - que foram deslocadas para compensar o movimento do cometa. O cometa propriamente dito aparece como um pequeno ponto mesmo por cima do rasto de uma das estrelas (no centro da circunferência vermelha). A imagem da direita mostra o cometa depois de subtraídas as estrelas de fundo.

Esta nova imagem mostra o cometa 67P/CG a tornar-se cada vez mais brilhante, indicando que o gelo no seu núcleo começou a evaporar-se, à medida que aquece com a aproximação ao Sol. Tal como a sonda Rosetta, o cometa começa também a sair da sua hibernação.

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3 de Março de 2014

Trabalhadores do ALMA salvam cria de vicuña abandonada

No cimo do planalto do Chajnantor nos Andes chilenos situa-se o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), um observatório rodeado de grandes extensões de paisagem árida. Surpreendemente, a região alberga uma quantidade de diferentes espécies selvagens, algumas das quais aparecem às vezes perto do observatório. Mais para sul, o Observatório de La Silla do ESO teve recentemente a visita de uma raposa cinzenta sul americana (potw1406a) e de cavalos selvagens (potw1344a).

O visitante mais recente do ALMA foi esta cria de vicuña, encontrada a 16 de fevereiro de 2014 pelos trabalhadores do ALMA. A cria tinha apenas algumas semanas de vida e estava muito fraca depois de ter sido perseguida por raposas e perdido o seu rebanho.

Depois de, no dia seguinte, tentarem sem sucesso devolvê-la ao rebanho, os trabalhadores levaram-na para o Centro de Salvamento e Reabilitação da Vida Selvagem na Universidade de Antofagasta, onde o animal está a ser tratado de modo a poder ser eventualmente libertado de novo no planalto andino dentro de aproximadamente um ano.


24 de Fevereiro de 2014

As curvas da Sede do ESO

Privadas de cor nesta imagem infravermelha, as curvas da Sede do ESO contrastam com a beleza natural gelada das árvores que a circundam. A curvatura extrema visível na imagem deve-se ao uso de uma lente olho de peixe, que distorce a imagem e faz com que o edifício rodeie a pálida folhagem e enquadre o céu. A vegetação parece brilhante porque reflete a radiação infravermelha e o pálido tom esbranquiçado deve-se a um balanço de cor branca aplicado às folhas das árvores.

As curvas precisas de betão, vidro e metal dão pistas quando à natureza peculiar do edifício da Sede. Em 1981 um artigo publicado na revista do ESO The Messenger descrevia  o edifício como “um labirinto  do género dos utilizados para testar a inteligência dos ratos”. Felizmente para o ESO, o escritor rapidamente concluía que “os seres humanos são em média mais espertos do que ratos e por isso resolvem rapidamente o problema”.

Esta fotografia foi tirada pelo especialista de computadores do ESO Dirk Essl.


17 de Fevereiro de 2014

VST fotografa Gaia a caminho de um milhar de milhão de estrelas

Estas novas imagens obtidas pelo Telescópio de Rastreio do VLT (VST) do ESO, mostram a sonda Gaia da ESA situada a cerca de 1,5 milhões de quilómetros para lá da órbita da Terra.

Lançada na manhã de quinta-feira de 19 de dezembro de 2013, a sonda tem por objetivo construir um mapa a três dimensões da nossa Galáxia durante os próximos cinco anos. Mapear o céu tem sido uma das demandas da humanidade desde o início dos tempos e Gaia levará a compreensão da nossa vizinhança estelar a um novo nível. A sonda medirá com extrema precisão as posições e os movimentos de cerca de um milhar de milhão de estrelas na nossa Galáxia, explorando a composição, formação e evolução da Via Láctea.

Estas novas observações são o resultado de uma estreita colaboração entre a ESA e o ESO, que visa monitorizar o satélite a partir do solo. Gaia é o instrumento astrométrico mais preciso alguma vez construído, mas de modo a que as suas observações sejam úteis é necessário saber com perfeita exatidão a sua posição. A única maneira de saber a velocidade e posição da sonda com extrema precisão consiste em observá-la diariamente a partir do solo - com o auxílio de telescópios incluindo o VST do ESO numa campanha conhecida por Ground-Based Optical Tracking (GBOT).

O VST é um telescópio de vanguarda de 2,6 metros equipado com a OmegaCAM, uma enorme câmara CCD de 268 milhões de pixels, com um campo de visão quatro vezes a área da Lua Cheia. O VST obteve estas imagens com o auxílio da OmegaCAM a 23 de janeiro de 2014, com uma diferença de 6,5 minutos uma da outra. Gaia vê-se claramente como um pequeno ponto que se desloca sobre o fundo imóvel das estrelas. A sua localização está rodeada a vermelho. Nestas imagens a sonda é cerca de um milhão de vezes mais ténue do que o que pode ser detectado a olho nu.

Gaia foi observada anteriormente em dezembro de 2013 pelo VST, logo a seguir ao seu lançamento - um dos objetos mais próximos alguma vez observados pelo VST. A sonda estava precisamente no local esperado, realçando uma colaboração bem sucedida entre a astronomia feita no solo e no espaço!

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10 de Fevereiro de 2014

A fantástica senhora raposa

Empoleirada precariamente no limite do mundo habitável, a vida agarra-se tenazmente. Nos arredores do quente e seco deserto do Atacama, esta resistente raposa cinzenta sul americana acaba de acordar, espreguiçando-se vagarosamente. Estas raposas encontram-se geralmente ativas durante a noite, aproveitando a descida de temperatura que ocorre quando o quente sol chileno não se encontra no céu.

No plano de fundo da imagem podemos ver outros sinais de vida. A cúpula branca aloja o Telescópio suíço de 1,2 metros Leonhard Euler, protegido das inóspitas condições por esta concha exterior. À medida que o céu escurece sobre no Observatório de La Silla do ESO, outra espécie nocturna bastante famosa, o astrónomo, acorda, espreguiça-se e prepara-se para perscrutar os céus com o auxílio de tecnologia barulhenta.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Malte Tewes e submetida no grupo Flickr Your ESO Pictures. O grupo Flickr é revisto regularmente e as melhores fotografias são seleccionadas para fazerem parte da nossa popular série Fotografia da Semana ou para serem incluidas na nossa galeria de imagens.

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3 de Fevereiro de 2014

Ar antártico visita o Paranal

Esta bela vista panorâmica do Observatório do Paranal do ESO foi obtida a 5 de julho de 2012 e assinala um dos dia mais secos alguma vez registados no complexo do Very Large Telescope. O Paranal aparece-nos como uma ilha no meio da imagem, com enormes bancos de nuvens flutuando por baixo, sobre o distante oceano Pacífico.

A humidade extremamente baixa no Paranal durante este período foi registada por um radiómetro de vapor de água conhecido por LHATPRO, o qual monitoriza a atmosfera com o intuito de ajudar nas observações levadas a cabo no observatório [1]. Meteorologistas de duas universidades chilenas identificaram as causas destas condições secas invulgares: ar antártico a grande altitude movendo-se muito a norte e descendo sobre o Paranal.

Esta frente fria permaneceu sobre o Paranal durante cerca de 12 horas, batendo um recorde de baixa humidade do ar sobre o observatório [2]. Florian Kerber (ESO) e colegas analisaram este clima muito invulgar, publicando os resultados num artigo científico na revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society a 29 de janeiro de 2014, disponível neste link.

Um deserto seco... que tem isso de especial? O que se passa é que condições de seca tão extremas aparecem normalmente a altitudes muito mais elevadas, por exemplo no observatório ALMA, no planalto do Chajnantor, situado 5000 metros acima do nível do mar. No entanto, a altitude do Paranal é mais ou menos metade desta: 2635 metros. Uma vez que as observações no infravermelho beneficiam enormemente de condições extremamente secas do ar, a monitorização de rotina usando o radiómetro LHATPRO proporciona aos astrónomos a oportunidade de tirar partido de futuras diminuições extremas da humidade no Paranal, obtendo óptimas observações no infravermelho do Universo que nos rodeia.

A fotografia foi tirada pelo embaixador fotográfico do ESO Gabriel Brammer que, por mero acaso, observou o pôr do Sol imediatamente anterior a este fenómeno, achando-o extraordinariamente límpido e bonito. Gabriel trabalha como astrónomo no ESO, no Observatório La Silla-Paranal e, quando não está a dar apoio às operações do observatório, estuda a formação e evolução de galáxias distantes usando os mais sofisticados telescópios e instrumentos, incluindo o Very Large Telescope e o Telescópio Espacial Hubble.

Notas

[1] O LHATPRO (acrónimo do inglês para Low Humidity and Temperature Profiling radiometer), fabricado pela empresa Radiometer Physics GmbH, na Alemanha, usa riscas espectrais fortes de certos elementos para medir a quantidade de água na atmosfera.

[2] A humidade é medida sob a forma de vapor de água precipitável -  uma medição da quantidade de água na atmosfera. Corresponde à quantidade de água numa coluna de atmosfera se toda ela se precipitasse em chuva. Neste caso mediu-se apenas 0,1 mm de vapor de água precipitável - muito menos do que o valor normal para o Paranal de 2 mm (já de si muito baixo).


27 de Janeiro de 2014

Interferometria na piscina

Os astrónomos nem sempre nadam na piscina da Residencia do Observatório do Paranal, mas quando o fazem, gostam de mostrar como funcionam alguns princípios físicos. Nesta imagem, o astrónomo francês do ESO Jean-Baptiste Le Bouquin, demonstra como é que as ondas - não ondas de luz mas ondas de água - se combinam, ou interferem, para criar ondas maiores.

A combinação de ondas luminosas é o princípio principal subjacente ao interferómetro do VLT: as ondas luminosas capturadas por cada um dos telescópios de 8 metros, são combinadas com o auxílio de uma rede de canais e espelhos. Deste modo, a resolução espacial do telescópio aumenta muito e, com tempo de exposição suficiente, as câmaras e instrumentos conseguem revelar o mesmo nível de detalhes que revelaria um telescópio de 130 metros de diâmetro, algo muito maior que qualquer telescópio em existência atualmente.


20 de Janeiro de 2014

O cometa de Rosetta

A sonda Rosetta da ESA despertará hoje depois de 31 meses em hibernação no espaço profundo, para finalmente se aproximar do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (67P/CG).

Esta imagem mostra as mais recentes observações do cometa de 4 quilómetros de diâmetro, obtidas a 5 de outubro de 2013 pelo Very Large Telescope (VLT) do ESO, quando o cometa se encontrava a cerca de 500 milhões de quilómetros de distância - antes de passar por trás do Sol e ficar fora de vista relativamente à Terra.

Para criar esta imagem foram processadas uma série de observações, que revelaram tanto o cometa sem o fundo de estrelas (no painel da esquerda), como com o campo estelar por trás e o percurso do cometa bem marcado (à direita). Observado sob um fundo de muitas estrelas, na direção do centro da Via Láctea, o cometa 67P/CG encontrava-se tão longe do Sol que o núcleo gelado ainda não estava a libertar gás e poeira, aparecendo-nos por isso sob a forma de um simples ponto. À medida que se aproxima do Sol, a superfície do cometa começa a aquecer e os gelos sublimam, libertando-se assim poeira que forma uma cauda.

Estas observações marcam o início da estreita colaboração entre a ESA e o ESO, que visa monitorizar a partir do solo o cometa durante o seu encontro com a sonda Rosetta que ocorrerá na segunda metade deste ano. Rosetta foi lançada em 2004 e tem como objetivo explorar a superfície do cometa. Para isso vai fazer aterrar uma sonda exploratória no cometa 67P/CG, sonda esta que irá estudar a sua superfície in loco [1].

O 67P/CG encontra-se numa órbita de 6,5 anos em torno do Sol e situa-se atualmente próximo da órbita de Júpiter. A maior aproximação ao Sol - que ocorrerá numa órbita entre a Terra e Marte - será em agosto de 2015. A imagem sugere que o cometa ainda não se encontra ativo, por isso os cientistas estão ansiosos por observar novamente este corpo em fevereiro, quando este estiver outra vez em posição capaz de ser observado pelo VLT e se encontrar muito mais próximo do Sol.

Entretanto, as observações feitas em outubro foram utilizadas para confirmar a órbita do cometa, antes da fundamental manobra de encontro planeada para Rosetta em maio, que visa alinhar a sonda para orbitar o cometa em agosto. Serão executados cálculos adicionais quando Rosetta avistar o cometa no seu próprio sistema de imagem.

Notas

[1] Desde o seu lançamento, Rosetta já viajou em torno do Sol cinco vezes, alcançando velocidade e alinhando-se para o seu destino final. Na parte mais fria da sua missão, quando se aventurou para além da órbita de Júpiter, a sonda foi colocada em hibernação de espaço profundo. O 67P/CG tem uma órbita razoavelmente estável e bem conhecida, o que significa que os cálculos efetuados para a trajetória de Rosetta puderam ser executados com bastante antecedência relativamente ao lançamento da sonda. Além disso, como se encontra bastante afastado do Sol, este cometa torna-se um alvo seguro.

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13 de Janeiro de 2014

ALMA e o Chajnantor durante o crepúsculo

Graças aos Embaixadores Fotográficos do ESO, podemos disfrutar de imagens sensacionais tiradas nos locais do ESO, situados em remotos topos de montanha no Chile. Babak Tafreshi obteve esta panorâmica das antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) durante o crepúsculo. Parecendo uma cena de um filme de ficção científica, o espectáculo tecnológico do ALMA contrastando com o intocável poder natural da paisagem do planalto do Chajantor, 5000 metros acima do nível do mar, resulta nesta imagem impressionante.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.


6 de Janeiro de 2014

Noites no Paranal

Se olhar para o céu à noite a partir do Observatório do Paranal do ESO, no Chile, deparar-se-á com um panorama tão surpreendente como este. Manchas de azul, laranja e vermelho; cada uma correspondente a uma estrela, galáxia ou nebulosa diferente que, no seu total, nos proporcionam um céu resplandecente por cima das nossas cabeças. Os astrónomos examinam este fundo maravilhoso, tentando desvendar os mistérios do Universo.

Para isso, utilizam telescópios como os Telescópios Auxiliares do VLT, que podem ser vistos na imagem. A fotografia mostra três dos quatro telescópios móveis que colectam luz para o interferómetro do Very Large Telescope, o instrumento óptico mais avançado do mundo. Combinados de modo a formarem um só telescópio de maior envergadura, o resultado é bem maior que a soma das suas partes, revelando-nos detalhes que apenas seriam visíveis com um telescópio tão grande como a distância entre os vários telescópios que compõem o interferómetro.


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