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eso1221pt — Foto de Imprensa

Um olhar profundo à Centaurus A

16 de Maio de 2012

Esta nova imagem do Observatório Europeu do Sul mostra-nos a estranha galáxia Centaurus A. Com um tempo total de exposição de mais de 50 horas, esta é provavelmente a imagem mais profunda alguma vez criada deste espectacular e invulgar objeto. A imagem foi produzida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile.

Centaurus A, também conhecida como NGC 5128 [1], é uma galáxia elíptica peculiar de grande massa com um buraco negro supermassivo no seu centro. Situa-se a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância na constelação do Centauro e distingue-se por ser a rádio galáxia mais forte do céu. Os astrónomos pensam que o núcleo brilhante, a forte emissão rádio e os jactos da Centaurus A são produzidos por um buraco negro central com uma massa de cerca de 100 milhões de vezes a massa do Sol. A matéria situada na regiões centrais densas da galáxia liberta enormes quantidades de energia à medida que cai em direção ao buraco negro.

Esta imagem do Wide Field Imager permite-nos apreciar a natureza elíptica da galáxia, que aparece na forma alongada das regiões exteriores mais ténues. O brilho que enche a maior parte da imagem vem de centenas de milhar de milhão de estrelas velhas e frias. Contrariamente à maioria das galáxias elípticas, a forma homogénea da Centaurus A é perturbada por uma banda larga e "remendada" de material escuro, que obscurece o centro da galáxia.

A banda escura contém grandes quantidades de gás, poeira e estrelas jovens. Enxames de estrelas jovens brilhantes situados nas pontas superior direita e inferior esquerda da banda apresentam o brilho vermelho característico de nuvens de hidrogénio onde se formam estrelas, enquanto que algumas nuvens de poeira isoladas podem ser vistas contrastando com o fundo de estrelas. Estas características juntamente com a emissão rádio intensa, apontam para o facto provável da Centaurus A ter resultado da fusão entre duas galáxias. A banda de poeira é provavelmente os restos desfeitos de uma galáxias espiral a ser rasgada pela atração gravitacional da galáxia elíptica gigante.

O novo conjunto de imagens do WFI inclui exposições de longa duração com os filtros vermelho, verde e azul, para além de filtros especialmente concebidos para isolarem a radiação emitida pelo hidrogénio e oxigénio brilhantes. Estes últimos ajudam-nos a localizar os conhecidos jactos óticos situados em volta da Centaurus A, jactos esses que eram praticamente invisíveis numa imagem obtida anteriormente pelo Wide Field Imager (eso0315a).

Estendendo-se desde a galáxia até ao canto superior esquerdo da imagem encontram-se dois grupos de filamentos avermelhados, mais ou menos alinhados com os enormes jactos proeminentes nas imagens rádio. Ambos os conjuntos de filamentos são na realidade maternidades estelares que contêm estrelas quentes jovens [2]. Por cima do lado esquerdo da banda de poeira, encontramos os filamentos interiores, a cerca de 30 000 anos-luz de distância do núcleo. Mais para o exterior, a cerca de 65 000 anos-luz de distância do núcleo da galáxia e próximo do canto superior esquerdo da imagem, os filamentos exteriores podem ser observados. Existem também muito provavelmente, traços de um contra-jacto muito mais ténue, que se estende para a direita e para baixo.

A Centaurus A foi já extensivamente estudada em comprimentos de onda que se vão desde o rádio até aos raios gama. Em particular, observações em rádio e raios X foram cruciais no estudo das interações entre a emissão altamente energética vinda do buraco negro de grande massa e os seus arredores (ver eso0903). Estudos da Centaurus A feitos com o ALMA estão no seu início.

Muitas das observações da Centaurus A utilizadas na criação desta imagem foram obtidas no intuito de ver se era possível usar rastreios terrestres para detectar e estudar estrelas variáveis em galáxias fora do nosso Grupo Local, tais como a Centaurus A [3]. Foram descobertas mais de 200 novas estrelas variáveis na Centaurus A. 

Notas

[1] A galáxia foi inicialmente documentada pelo astrónomo britânico James Dunlop no Observatório Parramalta na Austrália, a 4 de Agosto de 1826. Esta galáxia é frequentemente chamada Centaurus A porque foi a primeira fonte principal de ondas rádio descoberta na constelação do Centauro nos anos 1950.

[2] A origem de ambos os filamentos não é clara e os astrónomos debatem ainda se estes são o resultado da ionização produzida pela radiação que vem do núcleo ou se são o resultado de choques que se originam nos nós de gás.

[3] Mais informação encontra-se disponível no artigo científico de J.T.A. de Jong et al. 2008. 

Informações adicionais

O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário da fundação do Observatório Europeu do Sul (ESO). O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO é financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio ALMA, o maior projeto astronómico que existe atualmente. O ESO encontra-se a planear o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio da classe dos 40 metros que observará na banda do visível e próximo infravermelho. O E-ELT será "o maior olho no céu do mundo". 

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1221, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os media, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.
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Sobre a Nota de Imprensa

No. da Notícia:eso1221pt
Nome:Centaurus A
Tipo:• Local Universe : Galaxy : Type : Elliptical
• Local Universe : Galaxy : Activity : AGN
Facility:MPG/ESO 2.2-metre telescope
Science data:2008A&A...478..755D

Imagens

Um olhar profundo à estranha galáxia Centaurus A
Um olhar profundo à estranha galáxia Centaurus A
A estranha galáxia Centaurus A na constelação do Centauro
A estranha galáxia Centaurus A na constelação do Centauro

Vídeos

Zoom na direção da estranha galáxia Centaurus A
Zoom na direção da estranha galáxia Centaurus A
Panorâmica sobre a imagem profunda da estranha galáxia Centaurus A
Panorâmica sobre a imagem profunda da estranha galáxia Centaurus A

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