eso1724pt — Nota de Imprensa Institucional

Primeira luz para Infraestrutura de Óptica Adaptativa de vanguarda

Enorme melhoria na nitidez das imagens MUSE

2 de Agosto de 2017

O Telescópio Principal 4 (Yepun) do Very Large Telescope do ESO (VLT) acaba de ser transformado num telescópio completamente adaptativo. Após mais de uma década de planeamento, construção e testes, a nova Infraestrutura de Óptica Adaptativa (AOF) viu a sua primeira luz com o instrumento MUSE, tendo capturado imagens extraordinariamente nítidas de nebulosas planetárias e galáxias. A junção da infraestrutura com o MUSE constitui um dos sistema tecnológicos mais avançados e poderosos construídos até à data para a astronomia terrestre.

A Infraestrutura de Óptica Adaptativa (sigla do inglês, AOF) é um projeto a longo termo para o Very Large Telescope do ESO (VLT), que pretende fornecer um sistema de óptica adaptativa para os instrumentos montados no Telescópio Principal 4, sendo o MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) o primeiro deles [1]. A óptica adaptativa trabalha para compensar os efeitos de distorção da atmosfera terrestre, permitindo assim ao MUSE obter imagens muito mais nítidas e com um contraste duas vezes melhor do que anteriormente. O MUSE pode agora estudar objetos do Universo ainda mais ténues.

“Agora, e mesmo com condições atmosféricas não ideais, os astrónomos podem obter imagens de extrema qualidade graças à AOF,” explica Harald Kuntschner, Cientista de Projeto da AOF no ESO.

No seguimento de uma quantidade de testes feitos ao sistema, a equipa de astrónomos e engenheiros viu o seu trabalho recompensado com uma série de belas imagens. Os astrónomos conseguiram observar as nebulosas planetárias IC 4406, situada na constelação do Lobo, e NGC 6369, situada na constelação de Ofiúco. As observações MUSE obtidas com a AOF mostraram enormes melhorias na nitidez das imagens, revelando estruturas em concha nunca antes observadas na IC 4406 [2].

A AOF, que tornou possíveis estas observações, é composta por muitas partes que trabalham em uníssono, incluindo a Infraestrutura de Quatro Estrelas Guia Laser (4LGSF) e o espelho secundário deformável muito fino do Telescópio Principal 4 [3] [4]. A 4LGSF lança raios laser de 22 watt para o céu, fazendo brilhar os átomos de sódio que existem na atmosfera superior e produzindo pontos de luz no céu que imitam estrelas. Sensores no módulo de óptica adaptativa GALACSI (Ground Atmospheric Layer Adaptive Corrector for Spectroscopic Imaging) usam estas estrelas artificiais para determinar as condições da atmosfera.

O sistema AOF calcula um milhar de vezes por segundo as correções que devem ser aplicadas para alterar a forma do espelho secundário deformável do telescópio, de modo a compensar os distúrbios atmosféricos. Em particular, o GALACSI corrige a turbulência existente na camada atmosférica  que se estende até um quilómetro por cima do telescópio. A turbulência atmosférica varia com a altitude, dependendo das condições, no entanto estudos mostram que a maioria dos distúrbios atmosféricos ocorrem nesta primeira camada da atmosfera.

“O que o sistema AOF faz é essencialmente equivalente a elevarmos o VLT 900 metros no ar, “colocando-o” por cima da camada mais turbulenta da atmosfera,” explica Robin Arsenault, Gestor de Projeto da AOF. “No passado, se quiséssemos obter imagens mais nítidas, teríamos que encontrar um sítio melhor ou usar um telescópio espacial — mas agora com a AOF, podemos criar condições muito melhores onde quer que estejamos, por uma fração do custo!”

As correções rápidas e contínuas aplicadas pela AOF melhoram a qualidade da imagem ao concentrarem a luz, que forma imagens mais nítidas e permite ao MUSE resolver detalhes mais minuciosos e detectar estrelas mais ténues do que o anteriormente possível. Atualmente, o GALACSI corrige um grande campo de visão, mas este é apenas o primeiro passo para levar a óptica adaptativa ao MUSE. Está a ser preparado um segundo modo do GALACSI, com a primeira luz prevista para inícios de 2018. Este modo de campo estreito corrigirá a turbulência a qualquer altitude, permitindo observar campos mais pequenos com ainda mais resolução.

“Há dezasseis anos, quando propusemos a construção do revolucionário instrumento MUSE, a nossa ideia era acoplá-lo com outro sistema muito avançado, o AOF,” diz Roland Bacon, Líder de Projeto do MUSE. “O potencial de descobertas do MUSE, já de si enorme, aumentou agora ainda mais. O nosso sonho está a tornar-se realidade.”

Um dos objetivos científicos principais do sistema é observar objetos ténues no Universo longínquo com a melhor qualidade de imagem possível, o que requer tempos de exposição de muitas horas. Joël Vernet, Cientista de Projeto do MUSE e do GALACSI no ESO, comenta: “Em particular, estamos interessados em observar as galáxias mais pequenas e ténues que se encontram às maiores distâncias. Tratam-se de galáxias em formação — ainda na sua primeira infância — que são cruciais para a compreensão da formação galáctica.”

O MUSE não será o único instrumento a beneficiar da AOF. Num futuro próximo, outro sistema de óptica adaptativa chamado GRAAL ficará disponível com o instrumento infravermelho HAWK-I, tornando mais nítida a sua visão do Universo. E a este seguir-se-á depois o novo instrumento muito poderoso, ERIS.

“O ESO lidera o desenvolvimento destes sistemas de óptica adaptativa, sendo o AOF também um precursor para o Extremely Large Telescope do ESO,” acrescenta Arsenault. “Trabalhar no AOF deu-nos — cientistas, engenheiros e indústria — experiências valiosas e competências que usaremos agora para ultrapassar os desafios que a construção do ELT nos lançará.”

Notas

[1] O MUSE é um espectrógrafo de campo integral, um instrumento poderoso que produz um conjunto de dados tridimensionais do objeto pretendido, onde cada pixel da imagem corresponde a um espectro da radiação emitida pelo objeto. Isto significa que o instrumento cria milhares de imagens ao mesmo tempo, cada uma a um comprimento de onda diferente, obtendo assim uma enorme quantidade e variedade de informação.

[2] A IC 4406 já tinha sido observada com o VLT (eso9827a).

[3] Com apenas cerca de 1 metro de diâmetro, trata-se do maior espelho de óptica adaptativa alguma vez construído, tendo sido necessário aplicar tecnologia de ponta. O espelho foi montado no Telescópio Principal 4 em 2016 (ann16078), tendo substituído o espelho secundário convencional original do telescópio.

[4] Foram desenvolvidas e estão já operacionais outras ferramentas que optimizam as operações da AOF, entre as quais se incluem uma extensão do software Monitor de Local Astronómico, que monitoriza a atmosfera para determinar a altitude à qual ocorre a turbulência, e o Sistema de Controlo de Tráfego Laser, que evita que outros telescópios observem os raios laser ou as próprias estrelas artificiais, o que pode afectar as suas observações.

Informações adicionais

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 16 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, assim como pelo Chile, o país de acolhimento. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é um parceiro principal no ALMA, o maior projeto astronómico que existe atualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o European Extremely Large Telescope (E-ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

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Contactos

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Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço
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Telm.: 964951692
Email: eson-portugal@eso.org

Harald Kuntschner
ESO, AOF Project Scientist
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6465
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Richard Hook
ESO Public Information Officer
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6655
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Email: rhook@eso.org

Joël Vernet
ESO MUSE and GALACSI Project Scientist
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6579
Email: jvernet@eso.org

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1724, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os meios de comunicação social, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.

Sobre a Nota de Imprensa

Nº da Notícia:eso1724pt
Nome:Adaptive Optics Facility, MUSE
Tipo:Unspecified : Technology : Observatory : Facility
Facility:Adaptive Optics Facility
Instruments:MUSE

Imagens

A nebulosa planetária IC 4406 observada com o MUSE e a AOF
A nebulosa planetária IC 4406 observada com o MUSE e a AOF
A NGC 6369 antes e depois da AOF
A NGC 6369 antes e depois da AOF
A nebulosa planetária NGC 6563 observada com a AOF
A nebulosa planetária NGC 6563 observada com a AOF
A infraestrutura AOF e o MUSE em operação
A infraestrutura AOF e o MUSE em operação
A infraestrutura AOF e o MUSE em operação
A infraestrutura AOF e o MUSE em operação
O Telescópio Principal 4 e a AOF em operação
O Telescópio Principal 4 e a AOF em operação
Os poderosos lasers da AOF
Os poderosos lasers da AOF
NGC 6369
NGC 6369
ESO 338-4
ESO 338-4
NGC6563
NGC6563

Vídeos

ESOcast 119: Primeira luz da AOF
ESOcast 119: Primeira luz da AOF
A NGC 6369 com e sem óptica adaptativa
A NGC 6369 com e sem óptica adaptativa

Comparação de imagens

A NGC 6369 com e sem óptica adaptativa
A NGC 6369 com e sem óptica adaptativa
A NGC 6563 com e sem óptica adaptativa
A NGC 6563 com e sem óptica adaptativa

Veja também