Fotografia da Semana

13 de Maio de 2013

A Via Láctea brilha por cima da neve em La Silla

Na periferia do deserto do Atacama, longe das cidades do norte do Chile poluídas pela luz, o céu fica completamente negro depois do pôr do Sol. Tal céu permite fazer as melhores observações astronómicas. A uma altitude de 2400 metros, o Observatório de La Silla do ESO tem um vista incrivelmente límpida do céu nocturno. No entanto, nem o local mais remoto, alto e seco consegue escapar ao mau tempo que, às vezes, se faz sentir nos meses de inverno, quando tapetes de neve cobrem o pico da montanha e as cúpulas dos telescópios.

Esta imagem mostra La Silla no inverno sob as miríades de estrelas da Via Láctea, o plano da qual atravessa a imagem. Visível (da direita para a esquerda) estão o telescópio de 3,6 metros do ESO, o New Technology Telescope (NTT) de 3,58 metros, o telescópio Schmidt de 1 metro do ESO e o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, que tem neve sobre a cúpula. A pequena cúpula do Coudé Auxiliary Telescope, que já não se encontra em funcionamento, pode ser vista junto ao telescópio de 3,6 metros, e entre este telescópio e o NTT vêem-se ainda os reservatórios de água do observatório.

Embora o aparecimento de neve em La Silla possa parecer surpreendente, o certo é que os locais elevados do ESO podem apresentar tanto temperaturas altas como baixas ao longo do ano e estarem ocasionalmente sujeitos a condições rigorosas.

Esta fotografia foi tirada por José Francisco Salgado, um Embaixador Fotográfico do ESO.


6 de Maio de 2013

Lore em movimento

Nesta fotografia um dos dois transportadores ALMA, o Lore, transporta uma das antenas de 7 metros de diâmetro do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). O Lore e o seu irmão gémeo, Otto, são dois veículos amarelos brilhantes de 28 rodas, construídos especificamente para deslocar as antenas ALMA ao longo do planalto do Chajnantor, situado a uma altitude de 5000 metros. Assim, a rede pode ser reconfigurada de modo a fazer as melhores observações possíveis de determinado objeto. Os veículos deslocam igualmente as antenas entre o Chajnantor e o Local de Apoio às Operações, situado a uma altitude inferior, para manutenção.

O ALMA é composto por uma rede principal de cinquenta antenas de 12 metros de diâmetro e por uma rede adicional de doze antenas de 7 metros e quatro antenas de 12 metros, conhecida como Rede Compacta (ACA, sigla do inglês, Atacama Compact Array). Na imagem vemos o Lore a transportar umas das antenas mais pequenas de 7 metros da rede compacta. As antenas de 12 metros da rede principal não se podem colocar mais próximas do que 15 metros entre si, caso contrário chocariam umas com as outras. Esta separação mínima entre antenas determina o limite da escala máxima que as estruturas no céu têm que ter para poderem ser observadas. O que significa que a rede principal não pode observar as maiores estruturas dos objetos extensos, tais como nuvens gigantes de gás molecular na Via Láctea ou galáxias próximas. A rede compacta foi especialmente concebida para ajudar o ALMA a fazer melhores observações destes objetos extensos. As suas antenas mais pequenas de 7 metros podem colocar-se mais próximas umas das outras, o que faz com que possam medir melhor as estruturas maiores que a rede principal não consegue observar.

Os picos de gelo que se vêem em primeiro plano são os conhecidos “penitentes”. Trata-se de um curioso fenómeno natural observado a altitudes elevadas, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. Os penitentes são finas lâminas de gelo ou neve endurecida que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que vão desde alguns centímetros a vários metros.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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29 de Abril de 2013

Asas para a Ciência voa sobre o ALMA

Esta bela imagem, tirada em dezembro de 2012, mostra a rede de antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) [1], o maior projeto de astronomia em existência, situado no planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. As antenas maiores têm 12 metros de diâmetro e as mais pequenas, todas situadas no centro da imagem,  constituem a Rede Compacta (ACA, sigla do inglês para ALMA Compact Array). Esta rede compacta é composta por 12 antenas com um diâmetro de 7 metros cada uma. A rede completa dispõe de um total de 66 antenas.

O ESO iniciou uma parceria para a divulgação com o projeto ORA Asas para a Ciência, uma organização sem fins lucrativos que oferece apoio aéreo a organizações de investigação públicas, durante uma viagem de um ano à volta do mundo. Os dois membros da tripulação do projeto, Clémentine Bacri e Adrien Normier, voam num ultraleve especial amigo do ambiente [2], ajudando os cientistas em projetos tão diversos como amostragem de ar, arqueologia, observação de biodiversidade e modelização de terrenos a 3D.

Os pequenos filmes e belas imagens produzidos durante os voos são utilizados para fins educativos e promoção da investigação local. A viagem de circumnavegação da equipa começou em junho de 2012 e terminará em junho de 2013, com uma aterragem no Espectáculo Aéreo de Paris.

Notas

[1] O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. O ALMA é financiado na Europa pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), na América do Norte pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos (NSF) em cooperação com o Conselho Nacional de Investigação do Canadá (NRC) e no Leste Asiático pelos Institutos Nacionais de Ciências da Natureza (NINS) do Japão em cooperação com a Academia Sínica (AS) da Ilha Formosa. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.

[2] O avião ultraleve utilizado é um Pipistrel Virus SW 80, galardoado com um prémio da NASA, que usa apenas 7 litros de combustível para cada 100 km - menos que a maioria dos carros.

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22 de Abril de 2013

Prateado e azul no Paranal

O que poderá passar por um belo dia de céu limpo em qualquer parte do mundo é, na realidade, um dia invulgarmente nublado no Observatório do Paranal do ESO, no deserto do Atacama. Uma vez que este é um dos locais mais secos do planeta, é muito invulgar o aparecimento de nuvens no céu. O facto do céu se apresentar sempre muito azul e limpo é um dos fenómenos mais característicos de estar no deserto do Atacama, referido por muitos astrónomos e engenheiros que passam algum tempo a trabalhar no local. Esta bela panorâmica de 360º, tirada por Dirk Essl, empreiteiro no ESO, em 15 exposições separadas, capturou um dos raros dias com nuvens no Paranal. Podemos ver algumas nuvens finas e difusas do tipo cirrus por cima das coberturas do Very Large Telescope. Estas nuvens formam-se a elevadas altitudes e são feitas de pequeníssimos cristais de gelo.

Caiem menos que 10 milímetros de chuva por ano no Observatório do Paranal, o que é uma das razões para o ESO ter escolhido esta montanha de 2600 metros de altitude como local para instalar o Very Large Telescope (VLT). Esta panorâmica inclui os quatro grandes telescópios principais do VLT e os quatros telescópios auxiliares mais pequenos, instalados no interior dos seus edifícios mais redondos, um no primeiro plano e os outros três mais afastados. Os carris no chão servem para deslocar os telescópios auxiliares para posições diferentes.

O Dirk submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.

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15 de Abril de 2013

Sob o feitiço das Nuvens de Magalhães

Esta bela imagem do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que mostra as antenas do telescópio sob um céu estrelado de cortar a respiração, foi obtida por Christoph Malin, um Embaixador Fotográfico do ESO. Esta imagem foi retirada de um dos seus vídeos time-lapse do ALMA, vídeo esse que também se encontra disponível (ver ann12099).

Situado no planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, o ALMA é o telescópio mais poderoso do mundo a trabalhar nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. A construção do ALMA estará terminada este ano e nessa altura o telescópio contará com um total de 66 antenas de alta precisão a operar neste local.

Podem ver-se, por cima das antenas, a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães brilhando intensamente no céu. Estas galáxias anãs irregulares próximas são objetos bastante proeminentes no hemisfério sul, podendo mesmo ser vistas a olho nu. Estas galáxias orbitam em torno da Via Láctea - a nossa Galáxia - e existem evidências de que ambas se tenham distorcidas enormemente devido à sua interação com a Via Láctea, já que passam perto desta.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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8 de Abril de 2013

Uma fita resplandecente de estrelas - A Via Láctea Sul sobre La Silla

Esta fotografia panorâmica, tirada por Alexandre Santerne, mostra uma noite fria de inverno, com uns salpicos de neve no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, com o proeminente disco da Via Láctea, a nossa Galáxia, visto por dentro. A partir da nossa posição interna privilegiada, o disco da Via Láctea aparece como uma fita resplandecente de estrelas ao longo de todo o céu. Nesta panorâmica, a Via Láctea está distorcida em forma de arco, devido à projeção da lente grande angular.

Espreitando por cima da colina, do lado esquerdo na imagem, vemos o telescópio de 3,6 metros do ESO, onde está montado o instrumento HARPS (sigla de High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), o principal descobridor de exoplanetas do mundo. Na ponta direita da fotografia está o telescópio suíço de 1,2 metros Leonhard Euler, construído e operado pelo Observatório de Genebra.

Existem inúmeras razões para La Silla ser um local ideal para observar o céu nocturno em geral e a Via Láctea, em particular. Em primeiro lugar, situa-se no hemisfério sul, dando-nos por isso uma melhor vista da rica região central  da Galáxia. Em segundo lugar, está situado longe de poluição e luz citadinas, a uma altitude de 2400 metros, o que faz com que as noites sejam escuras e a atmosfera límpida.

O Alexandre submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens. Desde que submeteu a fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

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1 de Abril de 2013

Rastos de estrelas por cima da Residência no Cerro Paranal

Farid Char, Embaixador Fotográfico do ESO, obteve esta imagem do céu austral nocturno sobre a Residência do Observatório do Paranal do ESO, no Chile, que mostra uma bela vista dinâmica do céu repleto de estrelas.

Para obter os rastos de estrelas circulares da imagem, Farid fez uma exposição de 30 minutos, revelando assim o movimento aparente das estrelas devido à rotação da Terra. No centro encontra-se o ponto aparentemente parado do polo sul celeste. À esquerda e em cima, vemos as manchas difusas da Grande e da Pequena Nuvens de Magalhães, galáxias vizinhas da Via Láctea.

A cúpula de vidro escuro, mesmo por baixo dos círculos das estrelas, faz parte do telhado da Residência. Esta construção única, parcialmente subterrânea, encontra-se em funcionamento desde 2002, albergando cientistas e engenheiros que trabalham no observatório. Durante o dia, a cúpula com um diâmetro de 35 metros permite a entrada de luz natural no edifício.

No observatório, situado numa montanha com uma altitude de 2600 metros, no deserto árido do Atacama, as excelentes condições de observação têm um preço. As pessoas que aí trabalham enfrentam luz solar extremamente forte durante o dia, humidade muito baixa e a elevada altitude deixa muita gente com falta de ar. Para as ajudar a relaxar e reidratar-se depois de um longo período de trabalho no topo da montanha, a Residência dispõe de um oásis artificial, com um pequeno jardim, uma piscina que humidifica o ar, uma sala de estar, uma sala de jantar e outras zonas de recreação. O edifício pode albergar até 100 pessoas.

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25 de Março de 2013

A Galáxia Perdida

Esta imagem mostra a galáxia NGC 4535, na constelação da Virgem, sob um fundo repleto de galáxias distantes ténues. A sua aparência quase circular significa que a estamos a observar praticamente de face. No centro da galáxia, vemos uma estrutura em barra bem definida, com bandas de poeira que se curvam antes dos braços em espiral saírem das pontas da barra. A cor azulada dos braços em espiral aponta para a presença de um grande número de estrelas quentes jovens. No centro, no entanto, estrelas mais velhas e frias dão ao bojo da galáxia uma aparência amarelada.

Esta imagem no visível foi obtida com o instrumento FORS1 montado num dos telescópios principais de 8,2 metros do Very Large Telescope do ESO. Esta galáxia, que pode também ser vista através de telescópios amadores mais pequenos, foi inicialmente observada por William Herschel em 1785. Quando observada através de um pequeno telescópio, a NGC 4535 tem um aspecto difuso e fantasmagórico, o que inspirou o proeminente astrónomo amador Leland s. Copeland a dar-lhe o nome de “Galáxia Perdida” nos anos 1950.

A NGC 4535 é uma das maiores galáxias do enxame da Virgem, um enxame de grande massa com 2000 galáxias, a cerca 50 milhões de anos-luz de distância. O enxame da Virgem não é muito maior, em termos de diâmetro, do que o Grupo Local - o conjunto de galáxias ao qual pertence a Via Láctea - no entanto, contém quase cinquenta vezes mais galáxias.


18 de Março de 2013

Capturando a Luz

Os telescópios usados para fazer investigação contam com câmaras de vanguarda, as quais, juntamente com os enormes espelhos necessários para colectar radiação emitida por uma grande zona no céu, permitem aos astrónomos capturar a fraca radiação emitida por objetos celestes muito distantes. Mas podemos igualmente produzir imagens de rara beleza  sem grandes telescópios e utilizando câmaras mais modestas.

Os astrofotógrafos usam câmaras mais convencionais para capturar imagens de objetos astronómicos, muitas vezes incluindo paisagens na sua composição e produzindo assim bonitos postais do Universo visto a partir da Terra.

Como exemplo temos esta Fotografia da Semana, que mostra o New Technology Telescope (NTT) de 3,58 metros, situado no Observatório de La Silla do ESO, sobreposto a um fundo de céu estrelado. Vemos na imagem, de forma proeminente, a Via Láctea - a nossa Galáxia - que aparece como uma banda difusa que cruza o céu. As regiões da Via Láctea que aparecem escuras são zonas onde a luz emitida por estrelas de fundo é bloqueada por poeira interestelar. Adicionalmente, vemos a Grande Nuvem de Magalhães à direita do telescópio, aparecendo como um nodo difuso no céu. Esta galáxia próxima irregular é um objeto bastante proeminente no céu austral, orbitando em torno da Via Láctea. Existem evidências que sugerem que este objeto tenha sido bastante distorcido devido à sua interação com a nossa Galáxia.

Esta imagem foi tirada por Hàkon Dahle, que é igualmente um astrónomo profissional. Hàkon submeteu esta fotografia no grupo Flick As Vossas Fotografias ESO. O grupo Flick é regularmente revisto e as melhores fotografias são selecionadas para aparecerem na nossa popular série A Fotografia da Semana ou na nossa galeria de imagens.

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11 de Março de 2013

Cometas e estrelas cadentes sobre o Paranal

Esta imagem obtida por Gabriel Brammer, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, mostra um pôr do Sol no Observatório do Paranal, com especial relevo para dois cometas que passam atualmente pelo céu austral. Próximo do horizonte, no lado direito da imagem, o cometa C/2011 L4 (PAN-STARRS), o mais brilhante dos dois, mostra uma cauda brilhante causada principalmente por poeira que reflete a luz do sol. No centro da imagem, por cima das encostas do lado direito da montanha Paranal, podemos ver a coma esverdeada - um envelope gasoso em torno do núcleo - do cometa C/2012 F6 (Lemmon), seguida de uma cauda mais ténue. A cor verde resulta da ionização dos gases na coma devido à luz solar. Podemos também ser levados a pensar que existe ainda um terceiro cometa na imagem, mas o objeto brilhante que aparece entre os cometas Lemmon e PAN-STARRS, é uma estrela cadente que, por acaso, está a passar na atmosfera, queimando-se precisamente no momento e lugar certos.


4 de Março de 2013

A neve chega ao deserto do Atacama

O deserto do Atacama é um dos locais mais secos do mundo. Vários factores contribuem para as suas condições áridas. A cadeia montanhosa dos Andes e a costa chilena bloqueiam as nuvens a este e oeste, respectivamente. Adicionalmente, a corrente fria Humboldt no Oceano Pacífico, que cria uma camada de inversão de ar frio na costa, impede a formação de nuvens de chuva. Além do mais, uma região de alta pressão no oceano Pacífico sudeste dá origem a ventos que formam um anticiclone, o qual ajuda também a manter muito seco o clima no deserto do Atacama. Foram precisamente estas condições extremamente áridas que levaram o ESO a instalar o Very Large Telescope (VLT) no Paranal, no deserto do Atacama. No observatório do Paranal, situado no cimo do Cerro Paranal, os níveis de precipitação ficam normalmente abaixo dos 10 milímetros por ano, com uma humidade que desce muitas vezes aos 10%. As condições de observação são excelentes, com mais de 300 noites límpidas por ano.

Estas esplêndidas condições para a observação astronómica no deserto do Atacama, apenas muito raramente são afetadas pelas condições meteorológicas. No entanto, talvez durante um par de dias por ano, a neve vem visitar o deserto do Atacama. Esta fotografia mostra uma bela panorâmica do Cerro Paranal. O VLT está situado no pico à esquerda e o telescópio de rastreio VISTA encontra-se num pico ligeiramente mais baixo, um pouco mais à direita. O céu azul mostra que este é mais um dia de céu limpo. Desta vez, no entanto, algo está diferente: uma fina camada de neve transformou a paisagem desértica, proporcionando-nos uma vista invulgar de rara beleza.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Stéphane Guisard, a 1 de agosto de 2011.

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25 de Fevereiro de 2013

O cometa e o laser

Gerhard Hüdepohl, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, tirou esta fotografia espetacular do Very Large Telescope do ESO (VLT) durante os testes do novo laser para o VLT a 14 de fevereiro de 2013. Este laser será usado como parte fundamental da Infraestrutura de Estrela Guia Laser, a qual permite aos astrónomos corrigir as observações da maior parte das perturbações causadas pelo movimento constante da atmosfera, criando assim imagens muito mais nítidas. No entanto, ao ver a imagem é difícil não pensarmos num laser futurista a apontar para algum invasor espacial distante.

Para além da magnifica vista da Via Láctea por cima do telescópio, existe outro objeto que torna esta imagem ainda mais especial. À direita do centro da imagem, mesmo por baixo da Pequena Nuvem de Magalhães e quase escondido pela miríade de estrelas que se vêem no escuro céu chileno, vemos um ponto verde com uma ténue cauda para o lado esquerdo. Trata-se do recentemente descoberto, e mais brilhante do que esperado, cometa Lemmon, que atualmente se desloca lentamente ao longo do céu austral.


18 de Fevereiro de 2013

Espelho finíssimo a ser testado no ESO

Este espelho muito fino deformável foi entregue ao ESO em Garching, Alemanha, e encontra-se a ser testado. Tem 1120 milímetros de diâmetro mas apenas 2 mm de espessura, o que o torna muito mais fino do que a maioria dos espelhos de vidro. O espelho é finíssimo de modo a ser suficientemente flexível para que, quando se lhe aplicam forças electromagnéticas, a sua superfície refletora se altere. Quando instalado no telescópio, a superfície do espelho será constantemente e milimetricamente alterada, corrigindo deste modo os efeitos de distorção causados pela atmosfera terrestre e produzindo assim imagens muito mais nítidas.

O novo espelho secundário deformável (DSM, sigla do inglês para deformable secondary mirror) irá substituir o actual espelho secundário de um dos quatro telescópios que compõem o VLT. A estrutura secundária completa inclui um conjunto de 1170 actuadores que aplicam uma força em 1170 ímans colados na parte de baixo da estrutura fina. Electrónica sofisticada construída de propósito para o efeito controlará o comportamento do espelho. A superfície refletora pode ser deformada por acção dos actuadores até mil vezes por segundo.

O sistema DSM completo foi entregue ao ESO pelas empresas italianas Microgate e ADS em dezembro de 2012, concluindo-se assim oito anos de desenvolvimento sustentado e construção. Este é o maior espelho deformável alguma vez construído para aplicação na astronomia e é o mais recente numa longa linha de tais espelhos. A extensa experiência destas empresas está bem patente no alto desempenho do sistema, assim como na sua fiabilidade. A instalação do sistema no VLT está prevista para 2015.

O espelho (ann12015) propriamente dito foi construído pela empresa francesa REOSC. O espelho consiste numa folha de material cerâmico que foi polido até se obter uma forma muito precisa. O processo de construção começa com um bloco de cerâmica Zerodur, fornecido pela Schott Glass (Alemanha), com mais de 70 milímetros de espessura. A maior parte do material é limado e polido até se chegar a uma fina camada final, que tem que ser cuidadosamente suportada em todos os momentos, uma vez que é extremamente frágil.

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11 de Fevereiro de 2013

Pintura a Luz e a Laser

Numa noite límpida, na Baviera, o pessoal do ESO assistiu à filmagem de um episódio do ESOcast, episódio esse que tratou da nova unidade compacta de estrela guia laser, a qual pode ser observada em acção no Observatório Público Allgäu em Ottobeuren, Alemanha. Com o brilho dos seus telemóveis, o pessoal do ESO aproveitou a exposição longa desta fotografia para escrever as letras “ESO” a luz, em frente ao observatório. À esquerda do raio laser, podemos ver a Via Láctea e mesmo por cima do horizonte, sobre o observatório, é visível ao longe a linha a tracejado correspondente à passagem de um avião. O laser tem um raio poderoso de 20 watts, e para proteger pilotos e passageiros foi criado, pela Deutsche Flugsicherung (responsável pelo controle de tráfego aéreo na Alemanha), um perímetro de voo interdito em torno do observatório, durante as horas da observação nocturna.

As estrelas guia laser são estrelas artificiais criadas na atmosfera da Terra com o auxílio de um raio laser. O laser faz com que os átomos de sódio, situados numa camada da atmosfera a 90 quilómetros de altitude, brilhem, criando assim uma estrela artificial no céu, que pode ser observada com um telescópio. Usando as medições feitas sobre esta estrela artificial, os instrumentos de óptica adaptativa podem depois corrigir as observações do efeito de imagem desfocada.

Este conceito inovador do ESO utiliza um poderoso laser, cujo raio é lançado por um pequeno telescópio, combinado numa única unidade modular, que pode ser montada diretamente num telescópio grande. O conceito, que foi patenteado e licenciado pelo ESO, será usado para dar ao Very Large Telescope (VLT) quatro unidades laser similares. Terá também um papel determinante nas unidades que irão equipar o futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT).

Na altura da filmagem, a unidade estava a ser testada, antes de ser enviada para o Observatório do Paranal do ESO, no Chile, local do VLT.

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4 de Fevereiro de 2013

Pôr do Sol no Observatório do Paranal

Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, capturou esta bela imagem do Observatório do Paranal do ESO iluminado pelo pôr do Sol. O céu maravilhosamente limpo sugere as condições atmosféricas excepcionais que existem aqui; uma das razões principais para o ESO ter escolhido o Paranal como local do Very Large Telescope (VLT), a sua infraestrutura emblemática.

O VLT - que pode ser visto no Cerro Paranal, o pico mais alto da imagem, com uma altitude de 2600 metros - é o observatório astronómico mais avançado do mundo a operar no visível. É composto por quatro telescópios principais, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, e quatro telescópios auxiliares de 1,8 metros. O VLT opera nos comprimentos de onda do visível e do infravermelho e dentre as observações pioneiras executadas com o VLT podemos destacar a primeira imagem directa de um exoplaneta (ver eso0515) e a descoberta de estrelas em movimento orbital em torno do buraco negro central da Via Láctea (ver eso0846 e eso1151).

No Cerro Paranal encontra-se igualmente o VLT Survey Telescope (VST). O seu edifício mais pequeno vê-se, com muita dificuldade, em frente a um dos edifícios maiores que alberga um dos telescópios principais do VLT, no cimo do cerro. O VST é o telescópio instalado mais recentente no Paranal, com as primeiras imagens divulgadas em 2011 (ver eso1119). Tem um espelho primário de 2,6 metros de diâmetro, o que o torna o maior telescópio do mundo dedicado a mapear o céu, no visível.

Outro telescópio de rastreio instalado no Observatório do Paranal é o VISTA, o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy, que pode ser visto noutro pico, em primeiro plano relativamente ao Cerro Paranal. O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo, com um espelho de 4,1 metros, e opera nos comprimentos de onda do infravermelho. O telescópio começou a trabalhar em 2009 (ver eso0949).

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28 de Janeiro de 2013

Um peso-pesado intergaláctico

Esta imagem profunda mostra o que é conhecido como um superenxame de galáxias - um grupo gigante de enxames de galáxias ligados entre si. Este, conhecido como Abell 901/902, é constituído por três enxames principais diferentes e um número de filamentos de galáxias, típicos de tais super-estruturas. Um dos enxames, Abell 901a, pode ser visto por cima e um pouco à direita da estrela vermelha bastante proeminente que se encontra em primeiro plano, próximo do meio da imagem. Um outro, Abell 901b, está situado à direita de Abell 901a, um pouco mais abaixo. Por fim, o enxame Abell 902 encontra-se diretamente por baixo da estrela vermelha, estendendo-se para baixo na imagem.

O superenxame Abell 901/902 situa-se a um pouco mais de dois mil milhões de anos-luz da Terra e contém centenas de galáxias numa região com cerca de 16 milhões de anos-luz de dimensão. Em termos de comparação, o Grupo Local de Galáxias - que contém a nossa Via Láctea, para além de mais outras 50 galáxias - tem uma dimensão de aproximadamente 10 milhões de anos-luz.

Esta imagem foi obtida com a câmara Wide Field Imager (WFI), montada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, no Chile. Em 2008, com dados do WFI e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos mapearam de modo preciso a distribuição de matéria escura no superenxame, mostrando que os enxames e as galáxias individuais que fazem parte da super-estrutura se encontram no seio de enormes nodos de matéria escura. Para chegar a este resultado, os astrónomos observaram como é que a radiação emitida por 60 000 galáxias distantes, situadas por detrás do enxame, era distorcida devido à influência gravitacional da matéria escura existente no enxame, e revelaram deste modo a sua distribuição. Pensa-se que a massa dos quatro nodos de matéria escura do Abell 901/902 seja cerca de 10 biliões de vezes a do Sol.

As observações aqui apresentadas fazem parte do rastreio COMBO-17, um rastreio do céu feito com 17 filtros ópticos diferentes montados na câmara WFI. O projeto COMBO-17 encontrou até agora cerca de 25 000 galáxias.

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21 de Janeiro de 2013

APEX sob a Lua

Outra noite estrelada no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. O quarto crescente da Lua brilha intensamente nesta imagem, ofuscando os demais objetos celestes. No entanto, para os rádios telescópios como o APEX (sigla do inglês para Atacama Pathfinder Experiment), que se vê na imagem, o luar não atrapalha as observações. Na realidade, uma vez que o próprio Sol não é muito brilhante nos comprimentos de onda do rádio, o telescópio pode também ser utilizado durante o dia, desde que não se aponte diretamente ao Sol.

O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis nos comprimentos de onda mais curtos do infravermelho ou do visível. Por exemplo, o APEX  pode espreitar através de densas nuvens interestelares de gás e poeira cósmica, revelando regiões escondidas onde se processa a formação estelar, fenómeno que brilha intensamente nestes comprimentos de onda, mas que se encontra obscurecido quando observado no visível e infravermelho. Algumas das galáxias mais distantes e primitivas são também alvos excelentes para o APEX. Devido à expansão do Universo durante milhares de milhões de anos, a luz destas galáxias desviou-se para os comprimentos de onda maiores situados nos domínios do milímetro e do submilímetro, que são precisamente os comprimentos de onda observados pelo APEX.
 
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, e faz parte de uma fotografia panorâmica maior, que também está disponível cortada de outro modo.


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14 de Janeiro de 2013

ALMA tornado miniatura pelos picos das montanhas

À primeira vista, esta imagem panorâmica mostra o cenário montanhoso do Planalto do Chajnantor, no Chile, com neve e gelo espalhados pelo terreno deserto. Os picos principais, da direita para a esquerda, são: Cerro Chajnantor, Cerro Toco, Juriques e o cone bem distinto do vulcão Licancabur (ver potw1240) - uma imagem impressionante! No entanto, as verdadeiras estrelas da fotografia são as minúsculas e quase invisíveis estruturas mesmo no centro da imagem - apenas perceptíveis se olharmos com muita atenção.

Estas estruturas, minúsculas quando comparadas com a sua vizinhança montanhosa, são as antenas que formam o enorme rádio telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). Embora pareça extremamente pequenina na imagem, a rede é composta por uma coleção de enormes antenas de 12 e 7 metros de diâmetro e quando estiver completa, contará com um total de 66 antenas espalhadas pelo planalto e separadas de distâncias que vão até aos 16 quilómetros. Espera-se que o trabalho de construção do ALMA esteja terminado em 2013, mas o telescópio começou já a fase inicial de Observações Científicas Preliminares, encontrando-se a produzir resultados excepcionais (ver, por exemplo, eso1239). Desde que esta fotografia foi tirada, juntaram-se já muitas mais antenas à rede no planalto.

 O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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7 de Janeiro de 2013

Rastos de estrelas sobre o Yepun

Esta imagem mostra um dos telescópios que compõem o Very Large Telescope (VLT) do ESO mesmo por baixo de brilhantes rastos de estrelas que circundam o polo sul celeste, um ponto no céu onde se situa a constelação austral do Octante. Estes rastos são arcos de luz que traçam o movimento das estrelas observado no céu à medida que a Terra roda lentamente em torno do seu eixo. Para obter estes rastos de estrelas com a câmara, foram feitas muitas exposições ao longo do tempo e depois combinadas para darem a aparência final de rastos circulares.

Iluminado pelo luar, o telescópio que se vê em primeiro plano é apenas um dos quatro telescópios que compõem o VLT, situado no Paranal, no Chile. Na altura da inauguração do observatório do Paranal em 1999, cada telescópio recebeu um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes dos telescópios - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - representam quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus, respectivamente. O telescópio na imagem é o Yepun, também conhecido como telescópio UT4.

Esta imagem foi obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Farid Char. Char trabalha no Observatório do ESO La Silla-Paranal e é um membro da equipa que testa o local do futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT), um novo telescópio terrestre que será o maior a trabalhar nos domínios do óptico/infravermelho próximo, quando estiver construído no início da década de 2020.

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31 de Dezembro de 2012

Rastos rodopiantes de estrelas austrais por cima do ALMA

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o céu austral, numa imagem de cortar a respiração.

As espirais das estrelas no céu fazem lembrar a Noite Estrelada de van Gogh ou, para os fãs de ficção científica, talvez a vista de uma nave espacial prestes a entrar no hiperespaço. Na realidade, trata-se da rotação da Terra, revelada nesta fotografia de longa exposição. No hemisfério sul, à medida que a Terra roda, as estrelas parecem mover-se em círculos, em torno do polo sul celeste, que se encontra na ténue constelação do Octante, entre o mais famoso Cruzeiro do Sul e as Nuvens de Magalhães. Com uma exposição suficientemente longa, as estrelas, à medida que se movem, deixam no céu rastos circulares.

A fotografia foi tirada no Planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, nos Andes chilenos. É neste local que se encontra o telescópio ALMA, cujas antenas podem ser vistas em primeiro plano. O ALMA é o telescópio mais poderoso que existe para observar o Universo frio - gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas de 7 metros. No entanto, as observações científicas preliminares começaram já em 2011. Embora não se encontre ainda completamente construído, o telescópio está já a produzir resultados excepcionais, ultrapassando largamente outros telescópios do seu tipo. Algumas das antenas vêem-se desfocadas na imagem, porque estavam a operar e se moveram durante a exposição prolongada.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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