eso1533pt — Nota de Imprensa Institucional

Mapeando a morte lenta do Universo

Rastreio GAMA divulga primeiros dados na Assembleia Geral da UAI

10 de Agosto de 2015

Uma equipa internacional de astrónomos estudou mais de 200 000 galáxias e mediu a energia gerada numa enorme zona do espaço com a maior precisão de sempre. Este estudo representa a estimativa mais completa de produção de energia no Universo próximo. A equipa confirmou que a energia produzida nesta região do Universo de hoje é apenas cerca de metade da produzida há dois mil milhões de anos atrás e descobriu que este desvanecimento ocorre em todos os comprimentos de onda que vão desde o ultravioleta ao infravermelho longínquo. O Universo encontra-se a morrer lentamente.

O estudo envolve muitos dos telescópios mais poderosos do mundo, incluindo o VISTA e o VST — os telescópios de rastreio do ESO, instalados no Observatório do Paranal, no Chile. Observações de suporte foram obtidas por dois telescópios espaciais operados pela NASA (GALEX e WISE) e por um outro pertencente à Agência Espacial Europeia (Herschel) [1].

Este trabalho realizou-se no âmbito do projeto Galaxy And Mass Assembly (GAMA), o maior rastreio alguma vez realizado em múltiplos comprimentos de onda.

“Usámos tantos telescópios terrestres e espaciais quantos os que nos foi possível para medir a produção de energia de cerca de 200 000 galáxias ao longo do maior intervalo de comprimentos de onda possível,” disse Simon Driver (ICRAR, The University of Western Australia), que lidera a enorme equipa GAMA.

Os dados do rastreio, apresentados aos astrónomos de todo o mundo hoje, incluem medições de produção de energia de cada galáxia em 21 comprimentos de onda, que cobrem a região que vai desde o ultravioleta ao infravermelho longínquo. Esta base de dados ajudará os cientistas a compreender melhor como é que os diferentes tipos de galáxias se formam e evoluem.

Toda a energia do Universo foi criada durante o Big Bang, sendo que uma parte foi criada como massa. As estrelas brilham ao converter massa em energia, tal como descrito na famosa equação de Einstein E=mc2 [2]. O estudo GAMA pretendeu mapear e modelizar toda a energia gerada no interior de um enorme volume de espaço, hoje e em diferentes épocas do passado.

“Enquanto a maior parte da energia espalhada pelo Universo surgiu no seguimento do Big Bang, energia adicional está a ser constantemente criada pelas estrelas à medida que estas fusionam elementos como o hidrogénio e o hélio,” disse Simon Driver. “Esta nova energia, ou é absorvida pela poeira à medida que viaja pela sua galáxia hospedeira, ou escapa para o espaço intergaláctico e viaja até atingir alguma coisa, como por exemplo outra estrela, um planeta ou, muito ocasionalmente, um espelho de telescópio.”

O facto do Universo estar em declínio lento é algo conhecido desde o final da década de 1990, mas este trabalho mostra que este processo está a acontecer em todos os comprimentos de onda desde o ultravioleta ao infravermelho, representando assim a estimativa mais completa de produção de energia no Universo próximo.

“O Universo irá declinar a partir de agora, aproximando-se lentamente da velhice. Basicamente podemos dizer que o Universo se sentou no sofá, cobriu os joelhos com uma manta e está prestes a adormecer, caindo no sono eterno,” conclui Simon Driver.

A equipa de investigadores espera poder expandir este trabalho mapeando a produção de energia ao longa de toda a história do Universo, utilizando para isso uma quantidade de novas instalações, incluindo o maior rádio telescópio do mundo, o Square Kilometre Array, o qual será construído na Austrália e na África do Sul durante a próxima década.

A equipa apresentará este trabalho na XXIX Assembleia Geral da União Astronómica Internacional em Honolulu, Hawai, na segunda-feira, dia 10 de agosto de 2015.

Notas

[1] Os telescópios e dados de rastreio usados, por comprimentos de onda crescentes, foram: GALEX, SDSS, VST (rastreio KiDS), AAT, VISTA (rastreio VIKING)/UKIRT, WISE, Herschel (PACS/SPIRE).

[2] Muita da produção de energia do Universo vem da fusão nuclear nas estrelas, quando a massa é lentamente convertida em energia. Outra fonte principal de energia são os discos muito quentes existentes em torno dos buracos negros nos centros das galáxias, onde a energia gravitacional é convertida em radiação electromagnética nos quasares e outros núcleos ativos de galáxias. Radiação com comprimentos de onda muito maiores tem origem em enormes nuvens de poeira que re-emitem a energia emitida pelas estrelas que se encontram no seu interior.

Informações adicionais

Este trabalho foi descrito num artigo intitulado “Galaxy And Mass Assembly (GAMA): Panchromatic Data Release (far-UV—far-IR) and the low-z energy budget”, de S. Driver et al., submetido à revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O trabalho será também alvo de uma apresentação e conferência de imprensa na Assembleia Geral da UAI no Hawai, a 10 de agosto de 2015.

A equipa é composta por Simon P. Driver (ICRAR, The University of Western Australia, Crawley, Western Australia, Australia [ICRAR]; University of St Andrews, United Kingdom), Angus H. Wright (ICRAR), Stephen K. Andrews (ICRAR), Luke J. Davies (ICRAR) , Prajwal R. Kafle (ICRAR), Rebecca Lange (ICRAR), Amanda J. Moffett (ICRAR) , Elizabeth Mannering (ICRAR), Aaron S. G. Robotham (ICRAR), Kevin Vinsen (ICRAR), Mehmet Alpaslan (NASA Ames Research Centre, Mountain View, California, United States), Ellen Andrae (Max Planck Institute for Nuclear Physics, Heidelberg, Germany [MPIK]), Ivan K. Baldry (Liverpool John Moores University, Liverpool, United Kingdom), Amanda E. Bauer (Australian Astronomical Observatory, North Ryde, NSW, Australia [AAO]), Steve Bamford (University of Nottingham, United Kingdom), Joss Bland-Hawthorn (University of Sydney, NSW, Australia), Nathan Bourne (Institute for Astronomy, University of Edinburgh, Royal Observatory, Edinburgh, United Kingdom), Sarah Brough (AAO), Michael J. I. Brown (Monash University, Clayton, Victoria, Australia), Michelle E. Cluver (The University of Western Cape, Bellville, South Africa), Scott Croom (University of Sydney, NSW, Australia), Matthew Colless (Australian National University, Canberra, ACT, Australia), Christopher J. Conselice (University of Nottingham, United Kingdom), Elisabete da Cunha (Macquarie University, Sydney NSW, Australia), Roberto De Propris (University of Turku, Piikkiö, Finland), Michael Drinkwater (Queensland University of Technology, Brisbane, Queensland, Australia), Loretta Dunne (Institute for Astronomy, University of Edinburgh, Royal Observatory, Edinburgh, United Kingdom; Cardiff University, Cardiff, United Kingdom), Steve Eales (Cardiff University, Cardiff, United Kingdom), Alastair Edge (Durham University, Durham, United Kingdom), Carlos Frenk (Durham University, Durham, United Kingdom), Alister W. Graham (Macquarie University, Sydney NSW, Australia), Meiert Grootes (MPIK), Benne W. Holwerda (Leiden Observatory, University of Leiden, Leiden, The Netherlands), Andrew M. Hopkins (AAO) , Edo Ibar (Universidad de Valparaso, Valparaiso, Chile), Eelco van Kampen (ESO, Garching, Germany), Lee S. Kelvin (Liverpool John Moores University, Liverpool, United Kingdom), Tom Jarrett (University of Cape Town, Rondebosch, South Africa), D. Heath Jones (Macquarie University, Sydney, NSW, Australia), Maritza A. Lara-Lopez (Universidad Nacional Automana de México, México), Angel R. Lopez-Sanchez (AAO), Joe Liske (Hamburger Sternwarte, Universität Hamburg, Hamburg, Germany), Jon Loveday (University of Sussex, Falmer, Brighton, United Kingdom), Steve J. Maddox (Institute for Astronomy, University of Edinburgh, Royal Observatory, Edinburgh, United Kingdom; Cardiff University, Cardiff, United Kingdom), Barry Madore (Observatories of the Carnegie Institution of Washington, Pasadena, California, United States [OCIW]), Martin Meyer (ICRAR) , Peder Norberg (Durham University, Durham, United Kingdom), Samantha J. Penny (University of Portsmouth, Portsmouth, United Kingdom), Stephen Phillipps (University of Bristol, Bristol, United Kingdom), Cristina Popescu (University of Central Lancashire, Preston, Lancashire), Richard J. Tuffs (MPIK), John A. Peacock (Institute for Astronomy, University of Edinburgh, Royal Observatory, Edinburgh, United Kingdom), Kevin A.Pimbblet (Monash University, Clayton, Victoria, Australia; University of Hull, Hull, United Kingdom), Kate Rowlands (University of St Andrews, United Kingdom), Anne E. Sansom (University of Central Lancashire, Preston, Lancashire), Mark Seibert (OCIW), Matthew W.L. Smith (Queensland University of Technology, Brisbane, Queensland, Australia), Will J. Sutherland (Queen Mary University London, London, United Kingdom), Edward N. Taylor (The University of Melbourne, Parkville, Victoria, Australia), Elisabetta Valiante (Cardiff University, Cardiff, United Kingdom), Lingyu Wang (Durham University, Durham, United Kingdom; SRON Netherlands Institute for Space Research, Groningen, The Netherlands), Stephen M. Wilkins (University of Sussex, Falmer, Brighton, United Kingdom) and Richard Williams (Liverpool John Moores University, Liverpool, United Kingdom).

O rastreio GAMA (Galaxy and Mass Assembly) é uma colaboração que envolve perto de 100 cientistas de mais de 30 universidades situadas na Austrália, Europa e Estados Unidos da América.

ICRAR é um empreendimento conjunto entre a Curtin University e The University of Western Australia com apoio e financiamento do Governo Estatal da Austrália Oeste.

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 16 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, assim como pelo Chile, o país de acolhimento. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é um parceiro principal no ALMA, o maior projeto astronómico que existe atualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o European Extremely Large Telescope (E-ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1533, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os meios de comunicação social, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.

Sobre a Nota de Imprensa

Nº da Notícia:eso1533pt
Nome:Galaxies
Tipo:Early Universe : Cosmology
Unspecified : Galaxy
Facility:UKIRT, Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy, VLT Survey Telescope
Instruments:VIRCAM
Science data:2016MNRAS.455.3911D

Imagens

Imagens de galáxias do rastreio GAMA
Imagens de galáxias do rastreio GAMA

Vídeos

A fly-through of the GAMA galaxy survey (with voice-over)
A fly-through of the GAMA galaxy survey (with voice-over)
apenas em inglês
A fly-though of the GAMA galaxy survey (with music)
A fly-though of the GAMA galaxy survey (with music)
apenas em inglês

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